quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


Tudo é dinâmico e nada é estático
Tomislav R. Femenick – Contador e Mestre em Economia

Afora os problemas de ordem moral e política, o Brasil enfrenta atualmente um grande obstáculo a transpor, à volta ao crescimento econômico. Não resta dúvida que esses três fatores estão imbricados entre si. A carência de moral resulta na crise política e ambas levam o país à desorganização econômica. A Lava Jato está ai para provar que a amoralidade campeia em grande parte de nossa elite política e empresarial; mas também disseminada entre a população. O impeachment e o novo governo são exemplos irrefutáveis da crise política. E os entreves na economia impedem a produção de bens e serviços e a geração de renda, provocando a estagnação e o desemprego. Triste triunvirato do mal.
Nós contadores pecamos o bom pecado da consistência, para analisar e compreender os fatos. Apegamos-nos ao “patrimônio” e ao “resultado” e deles não abrimos mão. No Balanço (que é Patrimonial) evidenciamos se os recursos, direitos contra terceiros e bens são suficientes para cobrir as responsabilidades (dívidas), estas também contraídas com terceiros. No Demonstrativo do Resultado mostramos se as “receitas” são maiores ou menores do que as “despesas”. Em suma somos pragmáticos, porém também analíticos. E essa maneira de ser nos impregna de tal forma que assim agimos em outros campos.
Assim entendido, voltemos à realidade atual do Brasil, porém deixando de lado os aspectos morais e políticos; não porque eles não sejam relevantes (eles são), mas para nos centramos no âmbito da economia. A grande pergunta do momento é: por que a economia não deslancha, não se reativa? As ciências econômicas atuam em campos complexos e às vezes obscuros até para os economistas. Não é atua que existentes tantas correntes de pensamento entre eles, em muitos casos até conflitantes entre si. Todavia, aqui há uma quase unanimidade.
Na economia tudo é dinâmico e nada é estático. O busílis, o cerne da questão, está na matriz econômica: controle da inflação, câmbio e juros flutuantes, mas com superávit. Essa matriz foi estabelecida no governo FHC e mantida quase que intocável no primeiro mandato de Lula. De lá para cá degringolou. Juros baixos (em 2013 a taxa Selic chegou a 7,25 a.a. e o IPC ficou em 5,911%; no ano seguinte pulou para 6,409%) resultam em maior consumo e, consequentemente, em inflação maior. As intervenções do governo na taxa de cambio (via atuação constante do Banco Central no mercado de compra e venda de moedas fortes) resultaram no barateamento das importações e perda de competitividade dos produtos nacionais nos mercados interno e externo. Não por outra coisa foi que as mercadorias importadas ficaram mais baratas. O resultado foi a ameaça de sucateamento da indústria nacional.
Hoje o governo se vê às voltas com o problema de fazer o país crescer, voltar a produzir e recriar os empregos perdidos. Com as taxas de juros altas, os gastos públicos aumentam, pois o governo é o maior tomador de recursos no mercado de dinheiro. Por outro lado, nos últimos anos os gastos correntes estão em um patamar nunca visto, isso pela criação de novos cargos na administração pública e pelo aumento dos vencimentos do funcionalismo. Com a retração da produção e do consumo – provocada pela falta de confiança dos empresários e pelo desemprego dos empregados – houve queda na arrecadação de tributos. O “resultado” é que o governo federal ficou deficitário.
Na economia tudo é dinâmico e nada é estático. A indústria reduziu a produção porque o comércio compra menos. O comércio compra menos da indústria porque suas vendas foram reduzidas. Os consumidores reduziram suas compras porque têm menos dinheiro ou receio do futuro; ou estão desempregados ou têm medo de o serem.
E qual seria a solução para esse conjunto de problemas. Primeiro a volta da estabilidade política, o expurgo do concubinato espúrio entre político e empresários de mau caráter e, por último, a garantia da ordem legal, tendo a Constituição como escudo. O mais é preservar o Patrimônio e obter Resultado superavitário, no governo e nas empresas.

Tribuna do Norte. Natal, 22 fev. 2017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CONTRATAÇÃO DE PESSOAL »
Correio Braziliense - 19.02.2017

Por uma vaga na Polícia Federal

Enquanto servidores da carreira enfrentam a realidade de cortes orçamentários e de falta de pessoal, concurseiros sonham com o lançamento do edital do concurso

 
 postado em 19/02/2017 15:19 / atualizado em 19/02/2017 17:18
 Daniela Maia


A pressão feita pela própria categoria, que se sente sobrecarregada, os reiterados pedidos do órgão para abertura de concurso e o fato de segurança pública ser uma área prioritária mexem com os sonhos de quem deseja se tornar policial federal. É por isso que o certame da Polícia Federal (PF) está entre os mais esperados por concurseiros para este ano. A PF tem autonomia para autorizar seleções garantida pelo Decreto nº 8.326/2014, mas a garantia esbarra nas limitações financeiras empreendidas pelas gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer com relação à contratação de pessoal pela administração pública federal. O órgão encaminhou solicitação para preenchimento de 1.758 vagas: 600 para escrivães, 600 para agentes, 491 para delegados e 67 para peritos. A demanda está sob análise dos ministérios da Justiça (MJ), no caso de agentes e escrivães, e do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), no caso de peritos e delegados. Todas as solicitações de seleções da corporação precisam, primeiramente, ser aprovadas pelo MJ para, depois, serem submetidas ao MPOG.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Polícia Federal, a demanda é antiga e foi reiterada em 2015, no caso de perito e delegado, e em 2016, no de agentes e escrivães. Questionado sobre o assunto, o Ministério do Planejamento informou que não antecipa informações sobre pedidos de concursos em análise. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça esclareceu que a concessão final da autorização compete ao MPOG. O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, está otimista. “Nossa expectativa é que o edital, prevendo prova objetiva e fase oral, saia entre maio e junho deste ano. Assim, a etapa de formação profissional da Academia Nacional de Polícia seria feita em 2018”, afirma ele, que tem 13 anos de corporação. Segundo ele, graduado em direito pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e pós-graduando em segurança da informação pela Universidade de Brasília (UnB), o ingresso de novos servidores é uma necessidade urgente, pois estima-se que existam mais de 5 mil postos vagos em toda a PF.


Gabriela Studart

“O efetivo de hoje é menor do que o de alguns anos atrás. Somente no caso dos delegados, são 562 cargos a serem ocupados. Além disso, há 400 funcionários em tempo de se aposentar ou que terão condições de fazê-lo nos próximos dois anos — volume que deve ser estimulado, em parte, pela proximidade da Reforma da Previdência (saiba mais em Mais aposentados, na página 5)”, enumera. “Caso isso ocorra, sem o ingresso de novos concursados, vamos voltar ao efetivo de 2001”, calcula. Esse risco também atinge outras categorias da corporação. De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, dos 1.300 servidores que recebem abono permanência, pouco mais de 800 são agentes. “Desde 2006, percebemos uma evasão média de 200 servidores dessa carreira por ano, o que pode ser agravado pela reforma da Previdência, já que o pessoal com possibilidade de se aposentar deve sair”, pontua ele, que é agente federal há 22 anos.

“Entre 2013 e 2014, tivemos a saída de 250 agentes e escrivães, motivada não apenas por aposentadorias, mas também por insatisfação com a carreira e mudança para outros órgãos”, revela o graduado em engenharia química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em direito pela Universidade do Vale do Rio Doce (Univale). Tudo isso, segundo Boudens, torna a contratação de pessoal imprescindível. “Hoje, temos pouco mais de 1,8 mil delegados e 6,3 mil agentes — ou seja, uma proporção de um para três; há 10 anos, era de um para nove. Seria preciso, no mínimo, triplicar o número de agentes”, defende. “Isso compromete a capacidade preventiva e de fiscalização da polícia. Além disso, há um avanço das facções criminosas nas regiões de fronteira, o que demanda reforço no quantitativo de pessoal”, argumenta. “Fora isso, a diminuição da proporção de agentes com relação a delegados está minando a capacidade preventiva e de fiscalização da PF”, considera.

As consequências
Na avaliação de Carlos Eduardo Sobral, presidente da ADPF, a demora na abertura de concursos para a PF pode comprometer o avanço de investigações e operações. “Caso o quadro de delegados não aumente, haverá maior sobrecarga de trabalho e acúmulo de casos sem conclusão”, analisa. Para Sobral, além do preenchimento de cargos em aberto, é necessário criar mais 5 mil postos administrativos, 3.500 de nível médio e 1.500 de nível superior, a fim de evitar desvios de função. “Há peritos assumindo funções burocráticas e agentes realocados para a emissão de passaporte e registro de arma de fogo. O reforço administrativo liberaria o policial para exercer a atividade principal de apoio às investigações”, avalia.


Para Luís Boudens, presidente da Fenapef, caso o concurso demore muito a ser lançado, as consequências serão “terríveis”. Pós-graduado em direito público pelo Centro Universitário Newton Paiva, ele observa que o reforço nos quadros de agentes garantiria a capacidade de manter atividades estratégicas. “É um absurdo que funcionários terceirizados, sem qualquer vínculo com a instituição, ocupem postos de fronteira, em portos e aeroportos, como ocorre hoje”, lamenta. Para Boudens, seria necessário contratar mais 6 mil pessoas só nessa carreira. “O FBI (Federal Bureau of Investigation), dos Estados Unidos, tem 25 mil agentes só na parte técnica; a Argentina também tem perto de 32 mil policiais federais”, compara.


A carreira
O candidato a um dos cinco cargos da carreira policial da PF deve ter graduação completa e carteira de habilitação na categoria B ou superior. No caso de delegado, é preciso ser bacharel em direito e ter, no mínimo, três anos de experiência jurídica ou policial. A função de perito exige formação conforme a área de atuação, o que inclui graduados em engenharia, química, física, medicina, odontologia, farmácia, informática, entre outros. A remuneração inicial para ambos os cargos é de R$ 22 mil. Graduados em qualquer área podem disputar vagas de agente, escrivão e papiloscopista (profissional responsável por coordenar o trabalho de identificação humana), carreiras com vencimento inicial de 
R$ 12 mil.


Três perguntas para

André Violatti
 

Arthur Trindade, graduado na Academia Militar das Agulhas Negras, mestre em ciência política e doutor em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), integrante do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)

A estrutura de pessoal e funcionamento da PF é suficiente?
A Polícia Federal tem um gargalo de demanda por desempenhar funções que, em outros países, são distribuídas por duas ou três instituições. O drama da PF é que ela é menor que boa parte das polícias civil e militares das unidades da Federação, como as de Minas Gerais e São Paulo, e acumula um número excessivo de atribuilções, que vão além da operação Lava-Jato. Quando se fala em PF, pensa-se, em controle de fronteira e polícia judiciária, mas o órgão também é responsável por emissão de passaporte, fiscalização e controle de empresas de segurança privada, licenciamento para transporte de produtos químicos... Nas últimas décadas, houve uma grande guinada nas prioridades da Polícia Federal. No governo FHC, no início, enfatizou-se o combate ao tráfico de drogas; em meados de 2000, descobriu-se outro tema que ganhou prestígio e projeção no Brasil: o combate à corrupção.

Como o desempenho da PF poderia ser melhorado? 
A vocação da instituição é a investigação criminal. O resto das atribuições poderia ser distribuído, como ocorre na Argentina e nos Estados Unidos, que têm órgãos exclusivos para questões aduaneiras, por exemplo. Há funções de inteligência que exigem uma formação alta e cara, cobrada nos concursos e completada na academia, mas outras atividades de menor complexidade, como emissão de passaporte e fiscalização e emissão de pareceres, não demandariam esse perfil e poderiam ser delegadas a outros órgãos. O Ministério da Justiça (MJ) gastou R$ 11,3 bilhões em 2015, o que significa 9,6% a menos do que no ano anterior. Os gastos com a PD foram de R$ 5,6 bilhões em 2015, ou seja, metade de todo o orçamento do MJ. A redução orçamentária prejudica o setor, mas a estrutura também precisa ser avaliada.


As reduções no orçamento da PF podem ser uma forma de retaliação contra o avanço da Lava-Jato?
Isso seria verdade se o corte fosse apenas na Polícia Federal e não nas Forças Armadas, na educação, na saúde… O declínio dos investimentos públicos diz respeito à situação fiscal do Brasil, já que o arrocho fiscal foi proporcional em outros setores.

 Leia!
Organizações criminosas: teoria e hermenêutica da Lei nº 12.850/2013
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Inquérito policial — uma análise jurídica e prática da fase pré-processual
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Corrupção — combate transnacional, compliance e investigação criminal 
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Investigação, verdade e justiça — a investigação criminal como ciência na lógica do estado de direito
Autor: Marcelo Batlouni Mendroni
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Quero uma vaga

Gabriela Studart
 
Desde que abandonou o sétimo semestre da graduação em ciências contábeis e um cargo de trainee numa empresa de auditoria, no fim de 2014, o administrador Murilo Martins Pereira, 25 anos, mantém uma árdua rotina de estudos para certames da carreira policial. “O primeiro que tentei foi o de agente da PF, mas não tinha muito preparo e acabei não passando”, comenta. O esforço rendeu resultados em 2015, quando ele foi aprovado em três concursos para os carlgos de agente de segurança prisional da Superintendência Executiva da Administração Penitenciária de Goiás (Seap/GO), papiloscopista da Polícia Civil de Goiás e atendente de reintegração socioeducativa da Secretaria da Criança do Distrito Federal (Secria/DF). Murilo ainda aguarda a nomeação para as três seleções. O apoio da esposa, Emanuela Sena, 25 anos, tem sido fundamental. “Enquanto eu estudo e cuido da casa, ela trabalha como enfermeira da Secretaria de Saúde”, conta. O sacrifício em prol dos estudos afetou até o casamento.

“Casamos em 8 de agosto de 2015, e meu teste de aptidão física (TAF) na Seap/GO era às 7h30 do dia seguinte, em Goiânia. Ela viajou para a nossa lua de mel, em Ilhéus, na Bahia, sozinha e fui encontrá-la apenas na madrugada do dia 10”, relembra. Murilo continua dedicado a apostilas e listas de exercícios, de olho no objetivo prioritário. “Considero os outros concursos como trampolins: meu foco sempre foi a Polícia Federal”, relata. O concurseiro investe oito horas diárias aos estudos durante a semana e três horas, aos sábados. “Quando o edital sair, vou aumentar a carga para seis horas nos fins de semana”, planeja. O exame físico não o preocupa, já que ele se garante nas aulas de musculação cinco vezes na semana e confia no histórico atlético como jogador de futebol. “A Polícia Federal é a mais top do Brasil. Além de ser uma instituição respeitada e com bons salários, tem ajudado a combater a corrupção. Tenho grandes expectativas de participar de investigação de grande relevância, como a Lava-Jato, e ter esse reconhecimento da sociedade”, sonha.


Sonho realizado 

Gabriela Studart
A vontade de servir ao país e ser útil à sociedade motivou  Andréa Assunção, 39 anos, a seguir a carreira de delegada federal. Natural de Teresina (PI), a advogada se formou em direito em 2003, prestou concurso no ano seguinte e, em 2006, concluiu a formação na Academia Nacional de Polícia. Um dos momentos da carreira de que ela mais se orgulha é a participação no caso Mão Dupla, em 2010, no Ceará, em que investigou desvio de recursos públicos no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Todos os chefes locais do órgão no estado foram presos, além do então superintendente e de representantes de empreiteiras importantes. Naquele momento, eu me senti executando o que idealizei na PF”, recorda. Andréa relata que o tempo médio desde a instauração de um inquérito até a deflagração policial é de um ano.

“A investigação pode partir de um relatório de movimentação financeira atípica ou de uma notícia-crime da Receita Federal ou do Ministério Público”, conta. “A partir disso, são verificadas a viabilidade do caso e a necessidade de quebra de sigilo fiscal e telefônico. Quando deflagramos a operação, é o momento da festa, com o cumprimento dos mandados de busca e de apreensão após meses de diligências”, resume. “De fora, vemos só o glamour, mas a realidade é diferente”, avisa. “O auge da PF foi entre 2009 e 2010”, recorda. Segundo a delegada, desde então, os projetos pararam de avançar, e o corte orçamentário e a falta de pessoal vêm dificultando o trabalho. Outro empecilho é o de gênero, pois o efetivo feminino é de cerca de 11% nos cargos da corporação. “Estaria mentindo se dissesse que não existem dificuldades. Ainda é uma profissão muito masculina. Nós, mulheres, temos que provar nossa competência e capacidade o tempo todo”, diz.


O outro lado do trabalho

 
Desde que ingressou na instituição, em 2009, o agente de Polícia Federal Francisco Lião, 36 anos, trabalha nas áreas menos conhecidas do grande público. Bacharel em direito e pós-graduado em segurança pública, o ex-policial civil sabia que “a carreira não seria um conto de fadas, apesar da grande propaganda” quando assumiu no órgão. “É um serviço público com peculiaridades e dificuldades. Para atuar na área policial, é preciso ter vocação e saber que se trata de uma área de risco, com dificuldades de lotação e estrutura, dependendo da cidade em que você estiver. Além disso, o salário não é mais tão atrativo pelo risco que se corre”, afirma. Em 8 de fevereiro, Lião participou de manifestação de policiais em Brasília contra mudanças na previdência.

Morando em Petrolina (PE), ele atravessa diariamente uma ponte de 800 metros para chegar ao trabalho em Juazeiro (BA). Na comissão de vistoria há quatro anos, o agente faz fiscalização e controle da atividade de segurança privada, o que inclui perícia de carros-fortes, emissão de pareceres e atendimento ao público. De 2010 a 2013, Lião trabalhou na área de imigração, em Ponta Porã (MS), na divisa com o Paraguai. A rotina incluía investigação de candidatos à cidadania brasileira, controle de entrada e saída de estrangeiros, processos de permanência e naturalização, além da emissão de passaportes em parceria com o consulado brasileiro no Paraguai. “É comum também participar de missões com interceptação telefônica, segurança de autoridades, trabalho infiltrado, o que pode durar de dias a meses”, relata. Para quem deseja ingressar na carreira, Lião deixa a dica: “Não é um serviço público comum, pois a atividade exige disponibilidade para mudanças e oferece riscos”.


Mais aposentados
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 287/2016, que trata da reforma da previdência, retira o risco de vida como fator especial de aposentadoria no caso de policiais federais. De acordo com a proposta, apenas integrantes das Forças Armadas, bombeiros e policiais militares ficariam de fora das novas regras. O texto tramita na Câmara dos Deputados, que criou, no início de fevereiro, uma comissão especial para análise da proposta.

Os últimos concursos do órgão
» Agentes: 2014
» Técnicos e analistas administrativos: 2013
» Delegados, peritos, escrivães e papiloscopistas: 2012





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Donald Trump: 5 respostas surpreendentes ou polêmicas da 1ª grande entrevista coletiva do presidente dos EUA

  • BBC de Londes
  • Há 3 horas
Donald TrumpDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPrimeira entrevista de Trump a jornalistas desde posse foi marcada por intervenções acaloradas
Durante aproximadamente 1 hora e 15 minutos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou por uma prova de fogo na quinta-feira.
Ele convocou uma entrevista coletiva com jornalistas, a primeira depois de sua posse, com o objetivo de fazer um balanço do "progresso" alcançado no primeiro mês de governo.
O encontro acabou pontuado por intervenções acaloradas do republicano em resposta aos questionamentos duros dos repórteres.
"Foi uma entrevista coletiva clássica do período de campanha de Trump. Em alguns momentos, estava combativo, divertido, na defensiva e jovial. Em várias ocasiões, o presidente desviou-se das perguntas até que finalmente voltou aos padrões normais", disse Anthony Zurcher, correspondente da BBC em Washington.
E embora seus críticos o tenham elogiado por se submeter ao interrogatório, houve quem viu no episódio uma estratégia para tirar a atenção do escândalo da demissão do assessor de segurança nacional (Michael Flynn) e dos supostos contatos de sua equipe de campanha com a Rússia.
Segundo Zurcher, na entrevista coletiva, que não estava prevista na agenda presidencial, o presidente americano tentou transmitir a mensagem de que estava trabalhando ativamente para cumprir suas promessas eleitorais e mostrar que o governo já opera como uma máquina "bem azeitada".
Mas, na realidade, Trump acabou dedicando mais tempo a criticar os meios de comunicação do que falar de seus planos de ação para o futuro. E houve momentos surpreendentes. Saiba quais foram eles.
Donald TrumpDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTrump respondeu perguntas de jornalistas durante aproximamente 1h15

1. Críticas a Obama

Durante os primeiros minutos, Trump falou sobre a "herança maldita" que recebeu de seu antecessor, Barack Obama.
"Nosso governo herdou muitos problemas administrativos e econômicos. Para ser honesto, herdei um desastre, é um desastre, em casa e no exterior. Os empregos estão deixando o país, os salários são baixos", assinalou o republicano.
A afirmação contrasta com o fato de que, ao Obama deixar o poder, os Estados Unidos já estavam havia 75 trimestres consecutivos criando empregos e que, durante seus dois mandatos, foram gerados 11,3 milhões de postos de trabalho.
Vale ressaltar ainda que Obama chegou à Casa Branca em meio à pior crise financeira dos últimos tempos.
"Estou aqui para atualizar os cidadãos americanos sobre o progresso incrível que fizemos nas últimas quatro semanas desde que tomei posse. Não acredito que tenha havido um presidente eleito que, em um curto período de tempo, tenha feito o que fizemos", acrescentou.

2. Ataques à imprensa

Embora tenha convocado os jornalistas, Trump anunciou que sua intenção era se dirigir diretamente aos cidadãos americanos.
"Faço essa apresentação diretamente para os cidadãos americanos na presença da imprensa", disse ele, antes de voltar a acusar os repórteres de "desonestidade".
"Temos que descobrir o que ocorre com a imprensa porque, honestamente, está fora de controle. O nível de desonestidade está fora de controle", disse.
"O público já não acredita mais em vocês", acrescentou, em seguida.
Jornalistas durante entrevista coletiva com TrumpDireito de imagemAP
Image captionImprensa fez perguntas duras a Trump

3. Desconfiança

Durante sua apresentação, Trump se gabou do triunfo eleitoral que obteve nas eleições presidenciais de 8 de novembro, ao alcançar 306 votos nos colégios eleitorais (apesar de ter perdido no voto popular), e disse se tratar da maior vitória desde Ronald Reagan (1981-1989).
Após a renúncia de Michael Flynn, Trump disse não saber de nenhum outro membro de sua equipe que tenha mantido conversas com a Rússia antes de ter chegado ao governo.
A afirmação não passou em branco.
"Por que os cidadãos deveriam confiar em vocês?", perguntou um repórter da rede de TV americana NBC depois de rebater a comparação de Trump.
O jornalista lembrou ao republicano que Reagan teve 350 votos no colégio eleitoral, Barack Obama, 365 e George W. Bush, 426.

4. Ligações com a Rússia

Apesar da recente renúncia do assessor de segurança nacional, Michael Flynn, depois de revelações de que ele havia mantido conversas extraoficiais com o embaixador da Rússia em Washington, e das notícias veiculadas pela imprensa segundo as quais outros membros da equipe de Trump estiveram em contato com funcionários russos, o presidente americano desviou-se do assunto.
"Podem falar tudo o que quiserem sobre a Rússia. São notícias falsas (...) Não devo nada na Rússia, não tenho empréstimos na Rússia, não tenho acordos na Rússia", disse.
Trump reiterou que as informações "falsas" e "horríveis" que a imprensa publica sobre o assunto torna "muito mais difícil" para os Estados Unidos firmarem um acordo com a Rússia.
E quando questionado sobre um barco espião da Marinha russa que foi flagrado perto do litoral do Estado americano de Connecticut, respondeu que seus críticos provavelmente achariam "que a melhor coisa que poderia fazer é destruir esse barco, que está a 50 km do litoral". "Todo mundo neste país diria: 'Ah, isso é ótimo'. Mas não é. Isso não é ótimo."
No entanto, ao ser perguntado sobre se poderia confirmar que nenhum outro membro de sua equipe manteve contato com funcionários russos, evitou colocar suas mãos no fogo. "Ninguém que eu saiba", disse.
Michael FlynnDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEx-assessor de segurança nacional, Michael Flynn perdeu emprego após revelações de que teria mantido contatos extraoficiais com Rússia

5. Momentos constrangedores

Em alguns momentos, na entrevista coletiva a jornalistas, houve momentos embaraçosos.
Um deles ocorreu quando Trump foi questionado por uma repórter negra se ele pensava incluir o Congressional Black Caucus, um grupo que reúne membros da comunidade afroamericana do Congresso dos Estados Unidos, nas reuniões sobre as cidades.
"Você quer organizar a reunião?", respondeu Trump.
"Não, não, não. Sou apenas uma repórter", replicou a repórter.
"São amigos seus?", perguntou Trump.
"Conheço algumas pessoas", respondeu a repórter.
"Siga em frente. Organize a reunião. Vamos. Adoraria me reunir com o Black Caucus. Acho maravilhoso", finalizou Trump.