quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A cosmovisão do Contador

Tomislav R. Femenick – Contador e mestre em economia, com extensão em sociologia e história

Durante o exercício profissional de auditor e consultor contábil, fui Diretor Adjunto da Deloitte/Revisora e da Campiglia Auditores, oportunidade em que convivi com dois dos maiores pensadores da contabilidade no Brasil, os professores Hilário Franco e Américo Osvaldo Campiglia.
Com o primeiro aprendi, principalmente, o conceito e o porquê das Ciências Contábeis dividirem em compartimentos estanques os seus registros (direitos, deveres, bens, recursos, receitas e despesas) e também como esses conjuntos se interligam e se juntam para formar um todo, que resulta no balanço e, dele derivado, as funções analíticas e gerenciais assumidas pela Contabilidade moderna. O segundo me fez ver que os valores contábeis extravasam as comportas das Ciências Contábeis e invadem os campos da economia, da administração e da sociologia, numa abordagem holística que visa o entendimento integral dos fenômenos (atos e fatos) endógenos, originados no interior da entidade – a empresa, órgãos governamentais e organismos da sociedade civil.
Aqui está o divisor de águas que separa o antigo guarda-livros do contador do século XXI. Aquele era um profissional que tinha a função de fazer, em livros mercantis, o registro das transações e dos negócios da empresa. Sua função era como as de alguns escreventes de cartório, que apenas registram o que lhes apresentam, eventualmente dando um “vista d’olhos” sobre o objeto do registro. Atualmente o Contador (não mais o simples guarda-livros) há de ter uma ação mais ampla, que vai além do simples lançamento dos atos e fatos, visando cumprir exigências legais. Não bastar tornar manifesto o estado da organização em determinada data, através dos demonstrativos financeiros anuais; uma posição tão estática tal como uma fotografia que capta uma imagem de um determinado momento.  Há de ter uma visão dinâmica, gerencial, que evidencie as tendências de caminhos da entidade e apontar os acertos e falhas de sua administração. Para isso faz uso de vários instrumentos da própria Contabilidade e de outras ciências, tal como os indicadores analíticos de alavancagem, endividamento, prazos médios de compra, venda, estocagem e, não menos importante, do Orçamento Empresarial.
Todavia, há obstáculos a serem transpostos. Alguns gestores dessas instituições formam uma das correntes mais fortes, pois, não importa seu nível de escolaridade, entre eles predomina o espírito do voluntarismo empreendedor, do capitão dos negócios, do desbravador de fronteiras da indústria, do comércio e de outros setores. Esses empresários não anteveem a importância das variáveis que a Contabilidade pode lhes indicar. E ainda existem aqueles que pensam que ao setor contábil cabe apenas atender às exigências das Leis fiscais, trabalhistas e societárias. No mais das vezes a visão desses “empreendedores” ainda veem seus negócios como uma grande aventura, a lá Indiana Jones. E não pensem que são somente os pequenos e micros empresários que ainda assim pensam. Há também dirigentes de grandes organizações que raciocinam desse jeito arcaico e torto. Já tive oportunidade de ter contato com grandes empresas que seguem essa decadente forma de administrar seus negócios – siderúrgicas, construtoras etc., cujas sedes estão espalhadas por vários Estados do país.
 Essa conduta estranha é compartilhada por pessoas de todos os gêneros e cores. Há executivas, afrodescendentes e asiáticos que igualmente põem sua vontade pessoal acima dos interesses das empresas que dirigem. Portanto não há origem social na tipificação desse modo de agir, de se portar. Há, isso sim, um individualismo exacerbado. Um exemplo disso foi o comportamento dos gestores de uma empresa mineira que quiseram alterar meu relatório porque o resultado lhes desagradava.
Aos contadores cabe revidar, propondo e impondo a realidade e a legislação que esteja em conformidade com a natureza de cada empresa, órgão ou instituição.

Tribuna do Norte. 05 jan. 2017

Os celulares nos quais o WhatsApp não funcionará mais neste ano


  • BBC de Londres -

  • 3 janeiro 2017
Arte do WhatsAppImage copyrightPA
Image captionO aplicativo de mensagens instantâneas vai parar de funcionar em vários sistemas antigos até junho de 2017
Se você usa o WhatsApp, mas não costuma atualizar com frequência o sistema operacional do seu celular, é bom fazer isso logo: em 2017 o aplicativo de mensagens instantâneas vai parar de funcionar em vários sistemas antigos.
O aplicativo anunciou que quer se dedicar "às plataformas de telefones móveis usadas pela grande maioria das pessoas".
Atualmente, o WhatsApp é usado por mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.
Com a chegada do novo ano, porém, deixou de ser compatível com as plataformas Android 2.1, Android 2.2, iPhone 3GS/iOS 6 e Windows Phone 7.
Já os sistemas operacionais BlackBerry, BlackBerry 10, Nokia S40 e Nokia Symbian S60 só vão continuar sendo compatíveis com o aplicativo até o dia 30 de junho de 2017.

De olho no futuro

"Estas plataformas foram muito importantes na nossa história, mas já não têm a capacidade necessária para expandir as funções do nosso aplicativo no futuro", explicou o WhatsApp em fevereiro do ano passado, quando fez o primeiro anúncio da mudança.
Telefones BlackBerry
Image captionQuando o WhatsApp surgiu, em 2009, 70% dos celulares vendidos eram Blackberry ou Nokia. Mas esse quadro mudou com o passar dos anos
"Se você tem algum dos celulares com os sistemas citados, sugerimos que compre um modelo Android, iPhone ou Windows Phone mais recente antes que 2016 termine, para que possa continuar usando o WhatsApp", foi a recomendação feita à época.
O aplicativo lembrou que quando surgiu, em 2009, "cerca de 70% dos smartphones vendidos tinham sistemas operacionais do BlackBerry e da Nokia".
Mas hoje os sistemas oferecidos por Google, Apple e Microsoft representam 99,5% das vendas do setor.
E a maioria dos sistemas operacionais que vai perder o WhatsApp já não é instalada em novos telefones nem atualizada pelas suas companhias.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Casa de Saúde Natal fará 50 anos.

Homenagem póstuma ao Dr. Severino Lopes

No final da tarde de ontem, “Lógico Cursos Aliados”, estabelecimento de ensino que funciona em Natal à rua Alberto Maranhão, 942, na preparação de candidatos ao Vestibular, prestou uma significativa homenagem póstuma ao médico e Professor Severino Lopes da Silva.
Foi inaugurado um espaço denominado “Centro de Convivência Dr. Severino Lopes”, justamente no imóvel que durante anos serviu de residência ao homenageado e sua família (foto) O professor João Maria Fraga, um dos diretores do colégio, justificou o evento, ressaltando que o Dr. Severino Lopes da Silva era um idealista. Fundou em 1955, a Clínica Heitor Carrilho, a primeira instituição estadual a prestar assistência a crianças excepcionais, instalando sub-sedes em Mossoró e Caicó.  A Clínica Heitor Carrilho  significou a primeira semente das APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais)  no RN. Posteriormente, foi o criador da Casa de Saúde de Natal, que este ano completa 50 anos de prestação de serviço à população do Estado. No magistério, ensinou na Escola Normal de Natal e na UFRN, tendo sido o fundador da cadeira de “Medicina Legal” e titular de “Psicologia médica”.
Severino Lopes era um desportista. Jogou e presidiu o “Alecrim Futebol Clube”, a sua paixão.
A placa comemorativa do “Centro de Convivência” foi inaugurada pela sua dedicada esposa, Isabel Lopes, presente à solenidade, ao lado de filhos, netos e familiares (fotos a seguir).
Post scriptum – Por ser primo de Severino Lopes sou suspeito de falar sobre ele. Repito apenas a frase de Bertolt Brecht: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida. Esses são os imprescindíveis”. Severino está entre aqueles que lutaram toda a vida! 
A placa inaugurada
Coral de jovens assistidos pela APAE-RN
A esposa dedicada, Dra. Isabel Lopes, descerra a placa do Centro de Convivência Severino  Lopes
Platéia
Familiares
Fonte: 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016



A República das Melancias
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, com extensão em sociologia e história.

A pesquisadora Célia Caldas, pós-doutorada pela Universidade de Jönköping, na Suécia, usando elementos da física quântica, explicar que “todo átomo é composto de 99,9% de espaço vazio e as partículas que se movem neste espaço são feixes de energia que carregam informação. [Por cauda disso] Cada célula é consciente de como você pensa e como se sente”. Se isso é verdade, só nos resta acreditar que no Brasil de hoje há uma crise de conectividade entre as informações que as células possuem. As nossas autoridades parecem que se blindaram contra qualquer espécie de consciência. O que a elas interessa é tão somente aparecer na mídia, ser notícias, nem que para isso sejam objetos de ridículo e da execração pública. O recato desapareceu, a cautela sumiu, a moderação se escafedeu.
O Congresso Nacional é o palco maior dessa tragicomédia verde-amarelo. Lá cada ator é um arlequim, um bufão sem graça, um farsante, se não um palhaço sem medo de assim ser. Termos os bolsonaros, os jeans willys, os caiados, os renans, os maias e toda a tropa de choque da esquerda, com os lindbergs, os fátimas, as gleisis e companhia. Isso para não falar do baixo clero que tudo faz para aparecer, nem que seja escorregando em uma casca de banana. No fundo no fundo, todos pensam na reeleição. Quer algo mais constrangedor que a votação do impeachment na Câmara Federal? Cusparada, exaltação a torturadores, mentiras desvairadas e “otras cositas mas”. Comprometeram até os filhos, netos, parentes e aderentes.
No executivo temos uma plêiade que mescla comprometimento com a república de Curitiba, farsas circenses e desacertos, em que despontam ora os jucás, os geddeis, os francos. No mais o governo Temer é refém do Congresso, do qual precisa para aprovar as reformas das quais o país necessita para voltar a entrar nos eixos. Todo deputado, todo senador tem um pleito junto ao governo; no mais das vezes um cargo para um familiar ou apaniguado político. O resultado é um embaraço geral. Até quando estão certos, tomam atitudes erradas. O exemplo maior foi a saída de Marcelo Calero do Ministério da Cultura. Deixou a diplomacia de lado (ele é diplomata de carreira) e agiu como a vestal das vestais e, clandestinamente, gravou uma conversa com o presidente da República. Dizem que hoje procura um partido para se candidatar a deputado federal.
A nossa esperança era a Justiça; reforçada pela atuação do juiz Moro, dos procuradores e da Polícia Federal do Paraná. Lá tudo dava certo e seu exemplo estava sendo refletido pelo país. Além do mais já tinha havido o celebre julgamento do mensalão; mesmos com os casos de estrelismo e histrionismo, protagonizados por um ou outro ministro. Mas as coisas começaram a mudar de forma radical. O venerável Joaquinsão se aposentou antes do tempo e passou a dar palpites (quasem sempre infelizes) sobre tudo e todos – mas se cala quando se fala no seu apartamento comprado em Miami através de uma offshore. O ministro Ricardo Lewandowski endossou o fatiamento do processo de impeachment de Dilma; ou seja, aceitou mudar a Constituição sem que ela tivesse sido alterada. Seu colega Marco Aurélio Mello resolveu, de forma monocrática, individual, afastar o presidente do Congresso. Deu no que deu: uma balbúrdia danada; nem o vice do senado aceitou, embora seja do PT. O jeito foi dar um jeitinho a lá brasileira e tudo ficou quase como estava. A última foi do Ministro Luz Fuz; resolveu, também de forma monocrática, anular todo um processo de votação já havida na Câmara Federal e encaminhada ao Senado. Pelo que eu sei um dos princípios basilares de nossa Constituição é a independência dos Poderes. Vamos ver o que isso vai dar. Parece que todos estão ancorados em um outro mundo que não este em que vivemos; sem qualquer dimensão geográfica e histórica com este Brasil empobrecido e com pobres expectativas para o futuro.
O termo “Republica das Bananas” era muito comum no século passado para identificar países sem governo próprio, pois eram títeres de outras potências. Este não é o nosso caso. Por comparação somente, têm-se a impressão que a nossa pátria se transformou em uma imensa República das Melancias, onde quase todas as autoridades somente pensam em si e querem aparecer na foto, mesmo que para isso tenham que pendurar uma melancia no pescoço e deixem um rastro de excrementos por onde passam. Parece até que ninguém tem consciência de como pensa e de como se sente.
Nesta terra que Cabral nos legou, até tese de pós-doutorado é solenemente desacatada. Suas excelências preferem chafurdar na lata do luxo.

Tribuna do Norte. Natal, 21 dez. 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016



No dia 15 de dezembro, a partir das 18 horas, no Clube do Radioamador, Av. Rodrigues Alves, no Tirol (vizinho à Cidade da Criança), em Natal, haverá o lançamento do livro “Memórias, Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza”, organizado pelos professores da UFRN Geraldo Queiroz, Nicolau Frederico, Rejane Lordão e Tarcísio Gurgel.

O professor Geraldo Queiroz, ex-reitor da UFRN, esclarece que em março deste ano completou 50 anos da graduação da primeira turma, da qual ele fez parte com muito orgulho, e também 40 anos da regulamentação que consolidou o Curso de Comunicação da UFRN, criado no final de 1975 e que a sucedeu.

"Em nome dos organizadores, convido todos a participar do lançamento, especialmente aqueles que deram e dão continuidade à missão da antiga Faculdade, marco na história do Rio Grande do Norte. O livro demonstra isso, através das várias narrativas de seus autores."

Com essa obra, o leitor terá elementos para ajuizar a importância do legado da Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza para a história, a educação e a cultura do Rio Grande do Norte.
Assessoria de Comunicação 
CCHLA/UFRN /(84) 3342-2243
foto relacionada à publicação

capa livro


--
Postado por João Bosco de Araujo no AssessoRN.com em 12/08/2016 06:53:00 PM
Qual o DNA de Renan?
Tomislav Femenick - Historiador

A notícia bomba deste inicio de semana foi o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. Isso me fez voltar no tempo, para o ano de 1951, quando eu tinha doze anos e fui morar em Maceió. A capital das Alagoas era uma cidade pequena, com cerca de cem mil habitantes, muito bela e com um povo muito afável e acolhedor. Suas ruas tinham pouco movimento e, de quando em quando, passava um bonde. Eu estudava no Colégio Guido de Fontgalan, tomava banho de mar em Pajuçara e na Praia da Avenida e ia às vesperais dançantes do Clube Fênix; vez ou outra acompanhado de Marcelo Lavenère.
No ano seguinte, com treze anos de idade, comecei a trabalhar como repórter no Jornal de Alagoas, órgão dos Diários Associados, então a maior cadeia jornalística do país. Fiquei conhecido como o benjamim da imprensa alagoana, isso é, o mais jovem dos jornalistas (Benjamim foi o filho mais novo de Jacó, líder de uma das tribos de Israel). Entre outras ousadias, entrevistei Juscelino Kubitschek, quando ainda candidato a presidente; Gilberto Freyre; o governador Arnon de Melo, o pai do ex-presidente Collor; o general Janari Nunes, presidente da Petrobrás; João Agripino Filho, então secretário geral da UDN e futuro governador da Paraíba; o almirante Álvares Câmara, Ministro da Marinha; os escritores Jorge Amado e Eneida e os pintores José Pancetti, Pierre Chalita e Maria Tereza. Dois anos mais tarde, fui nomeado para o cargo de subsecretário da redação e admitido como o mais novo sócio na história da Associação Alagoana de Imprensa. No jornal fiz amizade com Otacílio Colares, Carivaldo Brandão, Aldo Ivo, os irmãos Arnoldo e Aroldo Jambo, Dóris Cristiano, Josué Jr., o Zuza da clicheria, o Arnaldo linotipista e muitos outros, inclusive com um cirurgião-dentista que, nas horas vagas, era repórter fotográfico do jornal. Até então, para mim, Alagoas era uma terra risonha e franca.
No dia 11 de novembro de 1955 – dia do chamado “golpe de Lott”, quando o então Ministro da Guerra impediu que Café Filho continuasse presidente da República – o Secretário de Segurança do governo estadual, ligou para a redação convidando-me para acompanhar uma importante ação policial. Era o empastelamento do jornal comunista “A Voz do Povo”, que tinha transcrito algumas matérias minhas; inclusive a entrevista que fiz com Juscelino. Fui, vi e fiquei preso por algumas horas. Depois, quando acumulei as funções de subsecretário com a de cronista parlamentar na Assembleia Legislativa, me deparei com a barricada de sacos de areia que havia por trás das mesas da presidência, da secretaria da casa e da “bancada” de imprensa. É que os senhores deputados eram muito afobados e costumavam andar armados, até no Plenário.
Nesse período conheci também Donizete Calheiros, um dos ícones do jornalismo da terra e pai de minha amiga Leige. Donizete usava muletas, pois tinha perdido uma perna, “lembrança” de quando os Góis Monteiros dominavam Alagoas e o tinham prendido e torturado. Fui percebendo, então, que a terra dos Marechais tinha um lado que não era assim tão risonho; um lado obscuro e não totalmente franco. Anos depois voltei para o meu Rio Grande, o do Norte, fui para o sul que eu pensava ser maravilha, andei por esse mundão de Deus e mais uma vez voltei para o meu Estado. Entretanto, sempre que possível, passo por Maceió ou telefono para um dos meus amigos alagoanos, pois lá desfrutei de alguns dos melhores anos da minha adolescência. Há alguns anos redescobri Carivaldo Brandão e com ele falava por telefone.
Uma figura recorrente em nossas conversas com Carivaldo era Donizete Calheiros, um exemplo para todos nós daquela época, em que o jornalismo era uma profissão de idealistas e o exercício da honra uma constante. Na última conversa lhe perguntei:
– O Renan Calheiros é parente do Donizete Calheiros?
– Acho que não. Só se o DNA foi trocado – A resposta lacônica, mas que disse tudo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2016/11/fidel-historia-e-realidade.html


FIDEL A HISTÓRIA E A REALIDADE

Enquanto o mundo discute pelas redes sociais, principalmente, qual será o futuro de Cuba, com a morte aos 90 anos, do “el comandante” Fidel Castro, muitas vezes com ódio extremo, outras vezes com simpatia, aqui no Brasil mais escândalos e denúncias contra o Governo Michel Temer são reveladas, advogados da Comissão de Direitos Humanos de SP são presos, conivências de agentes penitenciários que deixam entrar  aparelhos celulares, drogas e outras coisas mais que deveriam ser barradas nas revistas.  Os carcereiros estão cumprindo dupla jornada trabalhando: uma para o Estado; outra, para os criminosos e fazem vista grosa! Com a  pecaminosa e  socialmente prejudicial a todos,  bandidos de SP começaram a usar seus “escritórios do crime”  nas cadeias, estão telefonando para presos do Rio de Janeiro, com promessas variadas tentando arregimenta-los para aderir à facção criminosa deles, como se fosse uma empresa legalizada e normal. Cadê os bloqueadores de celulares, que por um fim nessa balbúrdia toda?

Não reduzirei e nem defenderei a importância histórica de Fidel Castro. Querendo ou não os críticos, ele foi um dos mais duradouros e emblemáticos líderes de revolução em cubana e serviu para várias ideologias de esquerda na América Latina. Derrubou do poder o “menino de ouro americano”, Fulgêncio Batista, implantou o comunismo na ilha e  sobreviveu com o empobrecimento dos que viviam na pobreza  em Cuba. O ditador Fidel teve como mérito erradicar o analfabetismo, desenvolver a saúde e investir no esporte. A miséria do povo cubano, porém,  em termos gerais, ficou muito bem registrada no livro O REI DE HAVANA, romance  que faz parte da “Trilogia suja de Havana”, escrito por  Pedro Juan Gutiérez, disponível para ser baixado em PDF. (https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=o%20rei%20de%20havana%20pedro%20juan%20gutierrez)  Enquanto se discute o futuro de Cuba pós-Fidel, sob o comando do  irmão Raul Castro, os Estados Unidos de Donald do presidente Trump anuncia que vai rever o acordo de aproximação com Cuba, assinado por  Barak Obama, com a mediação do papa argentino Francisco.

Voltemos ao Brasil, onde o Governo Michel Temer enfrenta dificuldades políticas com denúncias contra seu governo vindo do próprio ministro da cultura, Marcelo Calero, que disse “o servidor público tem que ser leal; mas conivente, não!” O primeiro dado pelo ex-ministro  Celero abateu  o Ministro Gedel Vieira Lima, responsável pela interlocução política do Governo Temer. Para ocupar a pasta da articulação política, o presidente ainda não indicou ninguém. Enquanto isso, advogados que defendiam direitos humanos são presos em SP, envolvidos em denúncias de conluio com os bandidos. O advogado  presidente do Conselho de Direitos Humanos já admitiu ter recebido dinheiro dos criminosos para fazer denúncias falsas contra autoridades e fiscalizar só prisões indicadas por eles. Na outra ponta, criminosos de SP começaram a aliciar bandidos presos do RJ, pelo telefone celular, prometendo benefícios, diversos, ajuda jurídica em vários Estados do Brasil, inclusive para seus familiares, cooptando-os a entrar em sua facção criminosa para que possam dominar a distribuição e venda de drogas na capital paulista.

Em quais presídios foram instalados os bloqueadores de celulares adquiridos?  Esse problema é tão antigo que remonta da época em que o falecido vice-presidente de Lula, empresário José de Alencar, já falecido, quase caía no golpe do falso sequestro de uma de suas filhas! Ele prometeu que trabalharia em prol da imediata aquisição dos bloqueadores para serem instalados nos presídios. José de Alencar já morreu faleceu em 1º de janeiro de 2011 e hoje quase ninguém fala mais nesse assunto.

Uma pena que hoje os bandidos mandem mais do que o próprio Estado nas prisões!

Enviado do meu LG Claro

Artigo-opinião de Carlos Santos - jornalista
A revolução sem ternura
Tomislav R. Femenick - Historiador

No final dos anos cinquenta do século passado, o mundo vivia o período da guerra fria ao mesmo tempo em que as ideias liberais e democráticas afloravam no mundo ocidental. Na França, um referendo popular aprovou a Constituição da V República, logo revisada para permitir a independência das antigas colônias. Na Inglaterra também se iniciou uma política de descolonização.

No inicio da década seguinte, Kennedy foi eleito presidente dos Estados Unidos e Kubitschek presidente do Brasil. Foi nesse clima de boa vontade, que eclodiu a revolução que derrubou o frágil e corrupto governo do ditador cubano Fulgencio Batista e levou o “comandante” Fidel Castro ao poder, em 1959.

A luta revolucionária começou sua vitória no verão de 1958, quando Fidel se firmou em Sierra Mestra, seu irmão Raul em Sierra Del Cristal e Che Guevara e Camilo Cienfuegos nas montanhas de Escambray. No dia primeiro de janeiro de 1959 Guevara e Cienfuegos ocuparam Havana. Fidel chegou à capital oito dias depois, quando formou um governo integrado por todos os que faziam oposição ao ditador Batista, assumindo o poder como um nacionalista, liberal e socialdemocrata. De sua plataforma constava a realização de eleições livres e a restauração da Constituição.

O famoso historiador comunista inglês Eric Hobsbawn, faz duas afirmações que devem ser levadas em conta. A vitória do exército rebelde foi genuinamente apoiada pela maioria dos cubanos como um momento de libertação e de infinitas promessas. No período de luta revolucionária, “nem Fidel Castro, nem qualquer de seus camaradas eram comunistas [...] e o Partido Comunista Cubano era notadamente não simpático a Fidel”. Entretanto, logo após a tomada do poder os revoltosos deram mostra da sua radicalização, quando o processo revolucionário extrapolou para o fuzilamento dos seus inimigos (reais ou pretensos), que eram julgados sem defesa e sumariamente fuzilados. As cenas de fuzilamento, em pleno campo de esportes de Havana, eram transmitidas pela televisão. Calcula-se que 400.000 pessoas foram detidas como prisioneiros políticos. Só em dezembro de 1961 Fidel Castro se proclamou marxista-leninistas e afirmou o caráter socialista da revolução cubana.

Mas a revolução cubana também teve as suas vítimas internas. Vários destacados guerrilheiros acabaram presos, exilados ou morreram de forma enigmática. Aníbal Escalante (fundador do Partido Comunista de Cuba e integrante do governo) foi mandado para o exilo e, em um segundo julgamento, condenado a 15 anos de prisão. O comandante Abel Palomino passou 30 anos de sua vida na prisão de “La Cabana”. Outro comandante, Huber Matos, foi condenado a 20 anos de prisão. O ministro da Reforma Agrária, comandante Sorí-Marin, foi preso e fuzilado. Houve estranhos acidentes, como o misterioso desastre aéreo em que morreu Camilo Cienfuegos, comandante do Exército Rebelde.

Existe, ainda, a polêmica: Che Guevara foi ou não alijado do governo e traído por Fidel? Há evidências que sim e outras que não. O certo é que a presença de Guevara “bipolarizava”, dividia, a liderança carismática da ilha entre ele e Fidel. É certo, também, que as informações que foram dadas ao argentino sobre as condições reais da revolução boliviana foram superdimensionadas, o que o induziu ao erro, fazendo com que caísse numa armadilha que o levou à morte.

Quem faz essas acusações é Dariel Alarcón Ramírez, o “comandante Benigno”, ex-chefe e instrutor dos latino-americanos que treinavam em Cuba, um dos cinco que sobreviveram à campanha do Che na Bolívia e exilado na França. O bizarro é que Guevara e Cienfuegos estão enterrados no panteão dos heróis da Revolução Cubana, na catedral de Havana, ao lado dos túmulos de Cristóvão Colombo (?) e de José Martí, este o herói máximo dos cubanos.

O regime de Fidel Castro fuzilou entre 15 mil e 17 mil pessoas, 10 mil só na década de 1960. Entre as últimas vítimas do “paredón” cubano estão Lorenzo Enrique Copeyo Castillo, Bárbaro Leodán Sevilla García e Jorge Luis Martínez Isaac, executados em 2 de abril de 2004.

Em uma entrevista, a filha de Fidel Castro, Alina Fernandez Revuelta, disse: “O grande problema deste país [Cuba] é que várias gerações embarcaram na conquista de um sonho, mas só alcançaram um pesadelo, e não querem reconhecê-lo”.

Tribuna do Norte. Natal, 03 dez. 2016

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Gravador do avião é vermelho, mas a manchete do jornal português publica a manchete:"Recuperadas caixas negras do avião do Chapecoense. Há 71 vítimas mortais"

Autoridades estão a investigar uma possível falha elétrica, mas não excluem hipótese de o aparelho ter ficado sem combustível. Autoridades reveem número de mortos para 71 e seis sobreviventes
Foram encontradas as caixas negras do avião que caiu esta terça-feira na Colômbia e que terá provocado a morte a pelo menos 71 pessoas, incluindo grande parte da equipa de futebol brasileira do Chapecoense. A informação foi confirmada pela Aeronáutica Civil colombiana, que publicou no Twitter imagens das caixas que irão agora permitir que se inicie a investigação para averiguar a causa do acidente. Ambas as caixas negras estão "em perfeito estado".DN - Lisboa -30.11.2016


Cristiane Dantas é eleita pela imprensa a Parlamentar do Ano de 2016

Crédito da Foto: Eduardo Maia
Os jornalistas que atuam nos jornais, rádios, TVs, blogs e sites e que cobrem diariamente as atividades da Assembleia Legislativa elegeram, na manhã desta terça-feira (29), a deputada estadual Cristiane Dantas (PCdoB) como a Parlamentar do Ano de 2016. Ela foi escolhida com 25 votos dos 33 registrados.
“Quero agradecer a toda imprensa que me escolheu como Parlamentar do Ano. Me sinto orgulhosa em representar o povo na Assembleia Legislativa. Trabalho preocupada com as  políticas públicas e o título aumenta ainda mais meu compromisso com a Casa”, disse Cristiane.
O deputado estadual José Dias (PSDB) obteve 2 votos, os deputados Ezequiel Ferreira (PSDB), Gustavo Carvalho (PSDB), Galeno Torquato (PSD), Fernando Mineiro (PT), Álvaro Dias (PMDB) e Kelps Lima (Solidariedade) tiveram 1 voto cada.
“Esse ano tivemos uma participação expressiva dos votantes. Dos 43 aptos a votar, 33 compareceram e o título ficou em boas mãos. Acredito que a deputada Cristiane Dantas mereceu o reconhecimento. Ela tem tido uma boa atuação no plenário, audiências públicas, nas Comissões da Casa e é uma parlamentar assídua”, disse Oliveira Wanderley, presidente do Comitê de Imprensa, responsável pelo processo eleitoral.
A eleição se realiza desde o ano de 1972, quando o primeiro eleito pelos jornalistas foi o ex-deputado Roberto Furtado. Em 2015, o eleito foi o presidente da Casa, o deputado Ezequiel Ferreira de Souza. De acordo com as regras do Comitê, todos os jornalistas que realizam a cobertura jornalística das atividades legislativas têm direito ao voto para escolher o parlamentar que mais se destacou durante o ano. No final de quatro anos, é escolhido o deputado que mais se destacou na Legislatura.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016



Uma noite desvairada na Paulicéia 
Tomislav R. Femenick - Historiador

Um dia desse um amigo paulista mandou-me, via Internet, uma foto tirada no inicio dos anos setenta. Lá estavam o cineasta Cacá Diegues, a cantora Nara Leão, o jornalista Samuel Wainer, a jornalista Sheila Leirner, o cartunista Geandré e o jornalista e escritor Jorge da Cunha Lima. Seria apenas um grupo de intelectuais, algo sem importância, não fosse também a presença da famosa Dona Laura, proprietária da boate La Licorne (onde a foto foi tirada) e de outra casa noturna, a Scarabociu.
Para quem não nunca ouviu falar, o La Licorne, principalmente, e o Scarabociu, integravam o famoso circuito da Boca do Luxo, onde estavam os melhores cabarés e boates da capital paulista. Tão famosas quanto essas casas eram sua meninas, geralmente estudantes e algumas já formadas, que optavam por continuar na noite. Mais famosos ainda eram seus frequentadores. Dizem que o charme dessas mulheres encantou o Secretário de Estado americano, Henry Kissinger; o presidente do Chile, Eduardo Frei; o piloto Niki Lauda, o cantor Julio Iglesias e até uma comitiva da primeira-ministra hindu, Indira Gandhi. O La Licorne estava para São Paulo assim como o Moulin Rouge está para Paris.
Mesmo morando em São Paulo, a verdade é que até o inicio dos anos setenta eu nunca tinha ido ao La Licorne. Foi então que, por essa época, o meu primo Carlos (o Dr. Charley do DNER) foi à capital paulista participar de um seminário sobre construção de estradas. Caxias como ele era com o dinheiro público, ficou hospedado na minha casa. No dia do encerramento do encontro ele descolou um convite e me chamou para ir ao jantar no Hotel Hilton. Terminado o banquete, os promotores do evento fizeram uma surpresa: todo mundo estava convidado para tomar uns scotts no Scarabociu e, depois, assistir ao show e tomar outros drinques no La Licorne. Fomos todos, até dois engenheiros que eram evangélicos. No Scarabociu fomos recebidos pelas hostesses da casa e por algumas garrafas de whiskies Buchanan’s, Old Par e President, todos devidamente com maioridade plena, isso é, 21 anos. O ambiente era pequeno, agradável e aconchegante, como devem ser as casas do ramo. Mas lá estávamos apenas fazendo hora. Perto da meia-noite levantamos acampamento e fomos em direção ao La Licorne.
Aqui se deu um fato insólito. Quando estávamos entrando na famosa casa, o show já havia começado e as luzes do salão estavam apagadas. Ao meu lado estavam Charley e um engenheiro do Paraná. Este me perguntou:
– Você conhece bem o ambiente daqui?
– Não porque, como você, está é a primeira vez que entro aqui – respondi.
Como se fora uma deixa de teatro, no mesmo instante uma voz saída da escuridão gritou: 
– Tomislav!!! 
Eu fiquei sem jeito – ou, como se dizia naqueles anos, perdi o rebolado. Como Tomislav é um nome incomum, ninguém acreditou no que eu havia dito antes. 
Fique em pé, esperando as luzes se acenderem. Terminada a apresentação, notei uma mão acenando para mim. Era meu amigo José Laorte, que morava em Brasília, estava visitando São Paulo e, como eu, visitava o La Licorne pela primeira vez. Depois das explicações, acho que tinha convencido que eu não era um habitué daquele cabaré. Ai aconteceu o mais inesperado. Um outro amigo de Mossoró, que há muito tempo eu não via, aproximou-se de mim, cumprimento-me e disse: 
– Hoje você vai conhecer Dona Laura – era outro mossoroense, seu motorista particular. 
Depois dessa, ninguém mais acreditou em mim. Acho que nem mesmo eu.

Tribuna do Norte. Natal, 27 nov. 2016.