sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E o projeto de Nicanor? Tomou Doril? Vejam o vídeo na Internet, em Zero Hora de 16.10.2011.

COMENTÁRIOS (3)

fabricio
Por isso que nosso Brasil não vai para frente,somos ricos em petróleo mas pagamos caro pelo nosso combustível, nossos carros são umas carroças, os carros importados quando saem de linha em outros países vem pra cá como lançamento e top de linha. é sempre assim, em vez de darmos um passo a frente damos 10 para trás, agora será que vão revelar o que aconteceu? Claro que não, pois o povo é movido a desculpas e mentiras e isso sempre acaba ficando no passado...
17/10/2011 | 00h03 Denunciar
jose
O grande erro do inventor foi ter feito isso em um quartel da BM. Algum araponga bem "inteligente" e bem "competente" deve ter sabotado o invento. Claro! no mundo paranóico do "miliquismo" um automóvel que poluísse menos representaria um perigo para a soberania nacional, coisa de civil subversivo. Gasolina R$ 1,80 graças aos arapongasbrasileiros.
16/10/2011 | 22h25 Denunciar
O VERDADEIRO
Certa feita ouvi falar desse segredo e diziam que o engenheiro do projeto inclusive teria sumido...achava que era lenda, mas ao que parece tem seu fundo de verdade. Legal a sucata da Viatura Corsel da Brigada Militar...queiram ou não é histórico e faz parte dos anais da instituição e deve ser preservado.
16/10/2011 | 08h59 

E o projeto do professor Nicanor de Azevedo Maia, da UFRN?

16/10/2011 | 01h05

Projeto Chambrin: três décadas de um segredo de Estado

Escolhida em 1980 para acolher um projeto confidencial, oficina da BM em Porto Alegre ainda guarda partes do sigilo

Projeto Chambrin: três décadas de um segredo de Estado Fernando Gomes/Agencia RBS
Sargento Trois espia os vestígios ocultados pelo tempoFoto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Construído em meados da década de 1960, um galpão, com 150 metros quadrados e oito metros de altura, no quartel da Escola de Bombeiros, no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, guarda um segredo que agitou o país no século passado. 

Telhado de amianto despencando, janelas com vidros quebrados e paredes com a tinta descascada, rodeadas de mato e carcaças de viaturas, o local é fonte de proliferação de ratos e insetos. Um lacre soldado à porta enferrujada impede o acesso há três décadas e reforça os contornos do mistério.

A "descoberta do prédio secreto" aconteceu há quatro meses, quando a Brigada Militar começou reformas no quartel para abrigar a sede do comando dos bombeiros. Mas o segredo é tamanho que nem a BM teve acesso. Pleiteia na Justiça autorização para entrar no prédio da corporação. 

Fechado por ordem do Palácio Piratini em nome da "segurança nacional", o pavilhão era a oficina II do Centro de Suprimentos de Motomecanização da BM, onde eram pintados os carros dos bombeiros.

Por quase dois anos, o local serviu como laboratório para uma experiência sigilosa do governo sob os olhares vigilantes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI): a invenção de um reator alimentado por água e álcool (em proporções iguais) que fazia mover carros, caminhões, ônibus, tratores e motores em geral, desenvolvida pelo engenheiro mecânico francês Jean Pierre Marie Chambrin.

Lacrada desde dezembro de 1982, a oficina foi cenário de um enredo recheado de mistérios e cuja pretensão era mudar os rumos da indústria petrolífera mundial e consagrar o uso de etanol. 

A experiência que revolucionaria o mercado de combustíveis e valeria, hoje, R$ 19,4 milhões, conforme calculava Chambrin, não prosperou. Permeada por interesses nem sempre claros, encobertos por suspeitas de sabotagem, boicote, furto e desconfiança, virou uma batalha nos tribunais que só teve derrotados.

>>>Leia a reportagem completa na edição de Zero Hora deste domingo

domingo, 25 de dezembro de 2011

"SOMOS A CIA DO POVO", afirma porta-voz do Wikileaks,


Porta-voz do WikiLeaks analisa as estratégias da organização e os impactos que sua atuação vem causando no mundo

 
Igor Felippe Santos, João Brant, Maria Mello e Pedro Carrano.
de Foz do Iguaçu (PR)










Jornalista islandês Kristinn Hrafnsson, porta-voz
do Wikileaks.






Foto: Helge Ogrim/CC





Regido pelo princípio de que a livre circulação de informações emancipa os povos para que empreendam suas lutas, o WikiLeaks – organização responsável pela divulgação de documentos confidenciais que revelam a má conduta de governos, empresas e organizações no mundo inteiro – chegou a tornar públicos, até dezembro do ano passado, cerca de 250 mil documentos diplomáticos estadunidenses. Por sua luta, tem sido penalizado por grandes conglomerados financeiros, como Mastercard, Visa, American Express, Bank of America etc., que têm bloqueado a transferência de doações feitas por simpatizantes no mundo inteiro, por meio de seus cartões de crédito. Apesar da tentativa de miná-la, a organização continua ativa e recebendo doações. O jornalista investigativo islandês Kristinn Hrafnsson, seu porta-voz, falou sobre o assunto ao Brasil de Fato, durante sua participação no I Encontro Mundial de Blogueiros, realizado entre os dias 27 e 29 de outubro, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Brasil de Fato – Como você chegou ao WikiLeaks?
Kristinn Hrafnsson – Depois de trabalhar mais de 20 anos com jornalismo, tornava-me mais e mais exasperado com o fato de os jornalistas não estarem cumprindo com seu papel de expor a má conduta dos governos. O jornalismo é reflexo do que acontece na Europa e nos EUA, com a noção errada de objetividade. Os jornalistas se impõem uma castração quando vão cobrir os fatos, sob o pretexto de uma pretensa objetividade. Comecei a ser muito crítico com o jornalismo. Eu tinha estado no Afeganistão, no Iraque, cobria eventos internacionais. Claro que eu estava com nojo da cobertura da imprensa sobre as questões do meu país, momentos antes das invasões ao Iraque e Afeganistão. Mas, relação a estas, via-se que os jornalistas estavam sendo alimentados com mentiras como se fossem bebês para justificar o envolvimento militar estadunidense na região
Onde você trabalhava?
Na televisão islandesa. Em 2008, houve a bolha com os bancos na Islândia, mais um exemplo de mentiras que os jornalistas compraram. Em quatro dias ela estourou e colapsou todo o sistema bancário. As pessoas que não tinham nenhuma experiência em promover manifestações políticas foram às ruas e ameaçaram queimar o parlamento. Foi, basicamente, o que derrubou o governo, um processo popular. Quando a poeira começou a baixar, começamos a receber informações de como os bancos armavam as fraudes; o trabalho interno. O que todos achavam que era um milagre econômico era simplesmente o trabalho de jovens banqueiros com tendências doentias por jogos. Em 2009 eu conheci o WikiLeaks, quando ele expôs pela primeira vez esse sistema ao publicar a carta de empréstimos do maior banco da Islândia. Eles eram tão poderosos que controlavam governos e as instituições que deveriam monitorá-los. Para mim, foi um momento chave de mudança quando eu percebi que ele podia expor o que meus colegas jornalistas não expunham, as falcatruas. Nesse período, conheci Julian Assange na Islândia e nos tornamos amigos. Ele me contou que a proposta do WikiLeaks era baseada no ideal dos hackers australianos do final dos anos 1980, e, embora o termo hacker tenha hoje uma conotação ruim, trabalhava com a ideia clara e simples de que a informação deve ser pública. No momento em que me engajei, esse movimento estava crescendo em espiral, vindo à tona esses vazamentos massivos que temos publicado desde abril do ano passado. O primeiro foi o vídeo do helicóptero num ataque ao Iraque [Assassinato colateral], que me deixou muito chocado. A ideologia do WikiLeaks é muito simples e direta: trata-se de liberdade de informação, transparência e importância dos informantes que ajudam a revelar corrupção e má conduta. Quando a notícia é apropriadamente disseminada, pode ser um veículo de mudança social, para trazer o que chamamos de justiça.
Julian Assange, fundador do WikilLeaks - Foto: Esther Dyson/CC





Qual balanço vocês fazem do resultado desses vazamentos?



É difícil avaliar os impactos, mas talvez o mais forte tenha sido o psicológico. Por mostrar que uma organização pequena pode expor as grandes más ações das nações mais poderosas, que tem o impacto de dar poder ao povo e convencê-lo de que a justiça é possível. De que é possível trazer mudanças sociais por meio da ação direta. Nós mostramos tantas informações novas sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, expondo suas realidades, que foi possível contar o que realmente aconteceu a partir dos próprios atores que dela participaram, dos papéis oficiais. Os papéis jogaram luz sobre a vocação imperialista dos EUA no mundo e mostraram como eles operam em cada país, além das informações de má conduta que os próprios EUA encontraram nesses países.
Você vê relação entre os vazamentos do WikiLeaks e a Primavera Árabe e os movimentos “Occupy”?
É quase certo que, quando começamos a expor os papéis da Tunísia, por exemplo, isso foi como um catalisador que deixou as pessoas mais furiosas para fazer a transformação. Não queremos superestimar o papel do WikiLeaks, mas acredito que as pessoas ficaram mais dispostas após os vazamentos. Mas o real ponto de virada foi a autoimolação do jovem Mohamed na praça, que derrubou o Ben Ali em dez dias. Não quero exagerar, mas acredito que alguma dose de contribuição foi dada naqueles processos. Quando as pessoas derrubaram os ditadores na Tunísia e Egito, perceberam que podiam derrubar também os maiores ditadores de todos, os bancos, o capital financeiro, as grandes corporações, que na realidade causaram mais estragos do que qualquer praga. Não houve mudanças, mesmo com esse efeito devastador. Foram socorridos financeiramente, não houve regulação do sistema financeiro em lugar nenhum. Os movimentos “occupy” são grandes apoiadores do WikiLeaks, reconhecem-se de alguma forma como lugar de inspiração. Começaram pequenos e foram crescendo, e a expectativa é a de que haja mais impulso e ganhe um papel mais proeminente. Esperamos poder entregar ainda muito mais informação sobre as instituições financeiras, que em geral trazem muito segredo e muita corrupção, geralmente em graus próximos, proporcionais. Da mesma forma em que segredos de Estado são geralmente justificados para proteger as pessoas contra o terrorismo etc, no caso financeiro, os segredos dos bancos são considerados essenciais, mas na prática são uma forma de esconder as “falcatruas”.





 

Operação militar no Iraque: informações jogaram



luz sobre a vocação imperialista estadunidense



Foto: U.S.Army











Operação militar no Iraque: informações jogaram luz sobre
a vocação imperialista estadunidense.

Vocês trabalham com informações prontas ou há situações em que, a partir do vazamento de um documento, é preciso investigar mais, aprofundar a apuração? Apenas a exposição da informação é suficiente?



Fizemos isso seja por nossa própria conta ou via parceria com outros órgãos de mídia. Depende basicamente da natureza do material. No caso do vídeo do helicóptero, trouxemos mais informações internas e divulgamos as duas coisas ao mesmo tempo, o vídeo e as informações mais detalhadas. Claro que as informações do Iraque e do Afeganistão tornaram o WikiLeaks mais famoso, mas antes disso já vínhamos trabalhando informações sobre falcatruas em todas as partes do mundo, como o banco do Julius Baer na Suíça, a Igreja da Cientologia, o despejo de lixo tóxico na África, corrupção no governo queniano... Havia um largo escopo de informações que foram sendo reveladas aos poucos, e quando você as junta vê que não é uma agenda meramente antiestadunidense.


O trabalho do WikiLeaks mostrou a hipocrisia do discurso da liberdade de expressão e do direito à informação. Você diria que as garantias legais de liberdade de expressão nas democracias ocidentais são fracas?
Um dos aspectos psicológicos mais interessantes do trabalho é justamente expor essa hipocrisia. É hilário, por exemplo, comparar um discurso da Hillary Clinton, em janeiro de 2010, falando da importância da internet para informantes conseguirem vazar esquemas de corrupção na China, e alguns meses depois se deparar com a mesma exposição, mas de seu próprio governo. O tom mudou completamente. Expusemos também a hipocrisia na mídia corporativa; revelamos, por exemplo, quão suscetíveis são empresas como o New York Times e o The Guardian para uma cultura de autocensura e de cooperação com o governo. Esses são alguns efeitos colaterais da nossa atuação. No que se refere à legislação, é frustrante ver como, ao invés de se partir de um ponto extremo de que tudo deve ser livre, com algumas exceções muito bem definidas, quando se vai trabalhar no aspecto legal em relação à democratização da informação parte-se do contrário: o segredo é a regra, apenas algumas coisas devem ser públicas, o que fere a lógica do direito público ao acesso à informação. Há também a tendência, em grande parte dos governos ocidentais, de privatizar parte importante da esfera pública, jogando o que devia ser público para o privado e acabando com a liberdade de informação. Esse é um dos problemas que fazem a ideia da liberdade de informação menos efetiva.

Qual seria a grande mudança no WikiLeaks desde o início do trabalho? Aumentou a credibilidade ou o impacto, ou eles vêm juntos? O WikiLeaks pode, hoje, garantir que se houver uma informação ele vai divulgar e que, se divulgar, ela vai repercutir?
Nós publicamos informações que foram escondidas ou suprimidas e que são de relevância política, histórica, social ou econômica. Nós somos o refúgio dessas informações. Somos a agência de inteligência do povo. A CIA do povo.

De quanto o WikiLeaks precisa para continuar trabalhando?

3,2 milhões de dólares. Uma boa parte vai ser usada para promover batalhas legais contra as corporações financeiras que estão fazendo o bloqueio econômico ao WikiLeaks, como Visa, Mastercard, PayPal, Bank of America, Western Union... vamos destruir esses canalhas. Estamos falando de expor governos, mas, pela resposta que essas organizações financeiras deram ao nosso trabalho, fica claro a quem esses governos estão ligados. Visa, American Express, estão todos ao nosso redor, e mantêm a ideia de que não são políticos, de que funcionam para todos... Você pode dar seu dinheiro para a Ku Klux Klan com seu Visa, patrocinar zoofilia com seu Mastercard, pode bancar movimentos nazi da Europa, grupos de extrema direita, você pode comprar quase tudo, menos doar para o WikiLeaks. (Colaborou Natália Viana) - Edição 460.

Extraído do BRASIL DE FATO -Edição de 17 a 23/11/2011.

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Aposentados da Caern comemoram Natal.

Sob a liderança do engenheiro Williams de França, os aposentados da CAERN, na manhã do dia 9 , no clube da Potilândia, se confraternizaram, discursaram, receberam presentes e relembraram os velhos e bons tempos em que trabalhavam na empresa concessionária do abastecimento dágua e esgotos do Rio Grande do Norte. Por causa de uma decisão da Promotoria do Meio Ambiente de Natal, a festa não contou com animação musical-dançante, em virtude de abusos praticados por pessoas estranhas ao quadro social que alugavam o espaço para suas festas particulares. A vizinhança reclamou. A Aspocaern acatou decisão da Promotoria. O presidente da Aspocaern teve que falar sobre uma cadeira para poder ser visto pelos associados que compareceram à festa (uma baita e gostosa feijoada), reforçada com cervejas, refrigerantes e salgadinhos. Jeová Pereira Alves, Meri Medeiros e Pedro Ricardo (este representante estadual da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria-CNI. além de vários convidados, estiveram presentes.
S7303390

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ney Gurgel foi morto por motorista tresloucada.

Apesar de não ter aparecido no noticiário da imprensa natalense, a morte do professor universitário Ney Gurgel, octogenário, foi sentida nos meios da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Na semana passada, sexta-feira, foi realizada a missa de 7º Dia, que chegou ao conhecimento público através de um aviso pago pela família. O professor Ney Gurgel foi atropelado quando atravessava a avenida Salgado Filho, na faixa de pedestre, com sinal verde para ele e vermelho para o carro de uma mulher que estava "apressada para chegar no Carnatal", segundo informações.
Ney Gurgel tinha saúde de ferro, nadava e andava muito. Poucos dias antes, a TV Cabugi exibiu uma reportagem com pessoas idosas que praticam hidroginásitca, etc. Ele foi professor de física no velho Atheneu de Natal e era professor aposentado de biofísica da UFRN. Até hoje, 22, não sabe o nome da atropeladora e o esquecimento dos nossos repórteres pelo trágico desaparecimento de um professor que ensinou centenas de estudantes secundários e universitários de Natal, nas últimas cinco décadas. Um professor da UFRN disse que "a força do Carnatal é tão grande que um fato dessa natureza não mereceu nenhum registro". Nem de rodapé, professor.
Ney Gurgel era tão conhecido da comunidade científica nacional que o então ministro da ciência e tecnologia, Sérgio Resende, em 2008, convidou-o para asssitir ao novo Laboratório de Pesquisas do Petróleo, no Campus de  Natal. E ele foi. Eu o vi lá, conversando sobre ciências, magistério, educação e sobre o esporte náutico (natação e remo). Foi um grande remador nos anos 40/50.
Pois é, Ney Gurgel foi morto por uma mulher que estava "doida" para chegar no Carnatal e empurrou o pé no acelerador para avançar o sinal. Isso é Brasil. E ficou por isso mesmo, segundo se comenta à boca pequena. Quem é essa mulher?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Margela no PT/RN.

Este é o professor Gerado de Margela Fernandes, um dos intelectuais mais brilhantes da nossa Universidade Federal, cuja filiação ao PT potiguar só faz reforçar o alicerce do partido.magela

Margela no PT.

O Partido dos Trabalhadores/RN conta com um novo quadro: o professor Geraldo de Margela Fernandes, paraibano de Iraúna, há mais de quatro décadas residindo em Natal. Magela é cientista político e professor da UFRN, onde exerceu diversos cargos, dentre eles o de Diretor do Centro Ciências Humans , Letras e Artes-CCHLA. A sua filiação ocorreu há seis meses, mas somente ante-ontem chegou ao nosso conhecimento. Ex-membro do histórico PDT potiguar, partido fundado por Leonel Brizola, o professor Geraldo  de Margela está satisfeito com as atividades do PT, participando das reuniões e discussões internas em ambiente democrático.
A propósito, quantos intelectuais da UFRN estão hoje militando no PT, além de Emanoel Evangelista?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um poema do Natal dos pobres enviado por Marcos Pinto.

Em meio aos sentimentos que nos toma neste Natal, lembremos daqueles aonde o "bom velhinho" não consegue chegar nos versos mais que verdadeiros do poeta Luiz Campos.


Felicidades a todos...



CARTA A PAPAI NOÉ
Luís Campos - Poeta mossoroense

Seu moço eu fui um garoto

Infeliz na minha infância

Que soube que fui criança

Mas pela boca dos outo.



Só brinquei com os gafanhoto

Que achava nos tabuleiro

Debaixo dos juazeiro

Com minhas vaca de osso

Essa catrevage, sêo moço

Que a gente arranja sem dinheiro.


Quando eu via um gurizin

Brincando de velocipe

De caminhão e de gipe

Bola, revólver e carrin

Sentia dentro de mim

Desgosto que dava medo

Ficava chupando o dedo

Chorando o resto do dia

Só pruquê eu num pudia

Pegar naqueles brinquedo.



Mas preguntei uma vez

A uns fio de dotô

Diga, fazendo um favô

Quem dá isso pra vocês?

Mim respondeu logo uns três

Isso aqui é os presente

Que a gente é inocente

Vai drumí às vêis nem nota

Aí Papai Noé bota

Perto do berço da gente.



Fiquei naquilo pensando

Inté o Natá chegá

E na Noite de Natá

Eu fui drumi mim lembrando

Acordei fiquei caçando

Por onde eu tava deitado

Seu moço eu fui enganado

Que de presente o que tinha

Era de mijo uma pocinha

Que eu mermo tinha botado

Saí c’a bixiga preta

Caçando os amigos meu

Quando eles mostraram a eu

Caminhão, carro e carreta

Bola, revólver, corneta

E trem elétrico, até

Boneca, máquina de pé

Mas num brinquei, só fiz vê

E resolvi escrevê

Uma carta a Papai Noé.


“Papai Noé, é pecado

Os outro se matratá

Mas eu vou le recramá

Um troço que tá errado

Que aos fio de deputado

Você dá tanto carrin

Mas você é muito ruim

Que lá em casa num vai

Por certo num é meu pai

Que num se lembra de mim.



Já tô certo que você

Só balança o povo seu

E um pobe qui nem eu

Você vê, faz qui num vê

E se você vê, porque

Na minha casa num vem?

O rancho que a gente tem

E pequeno mas le cabe

Será que você num sabe

Qui pobe é gente também?


Você de roupa encarnada,

Colorida, bonitinha

Nunca reparou que a minha

Já tá toda remendada

Seja mais meu camarada

Prêu num chamá-lo de ruim

Para o ano faça assim:

Dê menos aos fio dos rico

De cada um tire um tico,

Traga um presente pra mim.

Meu endereço eu vou dá,

Da casa que eu moro nela

Moro naquela favela

Que você nunca foi lá

Mas quando você chegá

Que avistá uma paióça

Cuberta cum lona grossa

E dois buraco bem grande

Uma porta véia de frande

Pode batê que é a nossa.

Liacir Lucena, o pai da física no Rio Grande do Norte.





 
Liacir Lucena, ao centro, ao lado dos ex-reitores Geraldo Queiroz, Otom Anselmo de Oliveira, Genibaldo Barros e Ivonildo Rego, após receber o diploma na solenidade magna da UFRN, em dezembro de 2011. Foto cedida.


Discurso do Professor Liacir dos Santos Lucena ao receber o título de Professor Emérito da Universidade Federal do RioGrande do Norte

Magnífica Reitora da UFRN, Professora Ângela Maria Paiva Cruz

Excelentíssimas autoridades presentes e representadas

Senhores Pró-Reitores, Diretores de Centro, Chefes de Departamento, Coordenadores de Curso
Prezados Colegas, Caros Estudantes, Queridos Convidados

Minhas senhoras e Meus senhores

Estou muito honrado e feliz com este título de Professor Emérito que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte me concedeu. Quero agradecer ao Departamento de Física Teórica e Experimental, ao Centro de Ciências Exatas e da Terra, ao Consepe e ao Conselho Universitário pela aprovação deste título a mim outorgado. Quero agradecer também o parecer de excessiva generosidade emitido pelos professores José Willington Germano, Técia Maria de Oliveira Maranhão e Adrião Duarte Dória Neto que fundamentou a decisão do CONSUNI. Ao professor Luciano Rodrigues da Silva, autor da proposição inicial e que proferiu a apresentação cheia de demonstrações de amizade, meus agradecimentos. Agradeço também à nossa Magnífica Reitora por possibilitar a organização de uma festa tão bonita. Muito obrigado a todos!

Costumo dizer que a vida é uma grande aventura, cheia de surpresas e desafios. Este momento corresponde a uma dessas surpresas. Uma surpresa agradável. Primeiro porque o título de Professor Emérito materializa um passaporte ou salvo-conduto que vai me permitir continuar a trabalhar, após a idade da aposentadoria compulsória, atravessando os territórios desconhecidos dos tempos futuros. Vai possibilitar dar seqüência às missões e tarefas que iniciei e também realizar novos projetos

Em segundo lugar, porque julgo, talvez de uma maneira pretensiosa, a UFRN e o Departamento de Física Teórica e Experimental como crianças que ajudei a criar, com toda dedicação e todo o carinho e os considero, de certa maneira, como entes queridos, quase filhos. Gostaria portanto de acompanhá-los em seu progresso, de zelar para que nada de negativo venha a acontecer com os mesmos. Como Professor Emérito poderei estar sempre por perto, observando, apoiando, cuidando, orientando, aconselhando e até bradando um grito de alerta, se for necessário.

Esta é uma hora de muita emoção que pretendo usar para fazer uma reflexão, analisar a nossa caminhada no passado, avaliar o presente e esboçar planos para o futuro.

Ingressei nesta Universidade em 1960 como aluno da primeira turma do Curso de Engenharia. Era o instante em que a então denominada Universidade do Rio Grande do Norte começava sua existência real, exatamente o princípio de seu funcionamento. Concluí o Curso de Engenharia Civil no final de 1964 e, logo a seguir, no início de 1965, passei a integrar o corpo docente desta instituição. Até este momento, posso contabilizar 52 anos de vínculo estreito com a UFRN, dos quais quase 47 como professor. Nessa longa jornada vi a Universidade brotar e desabrochar, dando os primeiros passos, superando obstáculos e alcançando objetivos que pareciam inatingíveis. Acompanhei assim a história da UFRN desde os primórdios. Tive o atrevimento de, em muitas situações, procurar influenciar o curso de sua evolução, às vezes com resultados positivos, outras vezes sem sucesso.
O caminho que me trouxe à UFRN foi balizado por acontecimentos bafejados pela sorte, coincidências felizes e principalmente pela grande ventura de passar por boas escolas e ter encontrado excelentes professores. Nasci praticamente na Escola. Meu pai e minha mãe eram professores primários. Meu pai, Moacir de Lucena, foi meu primeiro professor. Graças a ele tive acesso precocemente ao Mundo Maravilhoso da Escola, que comecei a explorar com prazer e alegria. Enquanto cursava o primário descobri a realidade de Natal e de várias cidades do interior do Rio Grande do Norte, entre elas Apodi, Mossoró, Papari (hoje Nisia Floresta), Taipu, Jucurutu e Caicó.

Em 1953 prestei o Exame de Admissão em Caicó, iniciando o Curso Ginasial no Ginásio Diocesano Seridoense. Em 1954 consegui transferência para o Colégio Estadual do Atheneu Norte-Rio-Grandense em Natal. Era o primeiro ano de funcionamento do principal colégio do Estado em seu novo prédio, no Bairro de Petrópolis. As instalações modernas incluiam uma Biblioteca com um acervo rico e diversificado, o Ginásio desportivo mais equipado do Rio Grande do Norte, salas de aula amplas e ventiladas, além de mobiliário recentemente adquirido. O melhor do Atheneu entretanto estava concentrado no corpo de Professores que representava a elite intelectual de Natal. No Atheneu ensinavam Vicente de Almeida, Câmara Cascudo, Francisco Rodrigues Alves, Newton Navarro, Miriam Coeli, Antônio Pinto de Medeiros, Octávio Tavares, Álvaro Tavares, Ewerton Dantas Cortez, Luiz Maranhão Filho e Moacyr de Góis, entre outros. Tive o privilégio de ser aluno desse conjunto único de pessoas que conseguiam reunir competência, idealismo e vontade de transmitir conhecimentos. Foi este, outro mundo que explorei com avidez até 1956 quando terminei o Curso Ginasial.
Em 1957, minha família foi transferida para Mossoró e novamente a sorte me favoreceu. Por coincidência naquele ano começou a funcionar pela primeira vez no interior do Estado, especificamente em Mossoró, o Curso Científico que era a denominação do curso do segundo grau. Fui assim aluno da primeira turma do Científico do Colégio Santa Luzia. Estudei com os professores que simbolizavam o que havia de mais seleto em Mossoró: Dalva Estella Nogueira Freire, Bruno Nogueira, Cônego Francisco Sales Cavalcanti, João Batista Cascudo Rodrigues, Heleno Gurgel, Padre Sátiro Dantas, só para citar alguns.
Ao retornar a Natal em 1959 encontrei o Atheneu com a mesma qualidade dos professores: Floriano Cavalcanti, José Gurgel, Sebastião Monte, Clóvis Gonçalves dos Santos, Esmeraldo Siqueira e Luiz Herculano Soares. Nesse ano conclui o Curso Científico e sem nenhum curso preparatório consegui ser aprovado no Vestibular para o Curso de Engenharia Civil. Este fato atestava o grau elevado da aprendizagem nas escolas do Rio Grande do Norte, particularmente no Atheneu, naquele tempo. O Atheneu, sem nenhum favor, apresentava o melhor nível de ensino no Estado, comparado com os demais colégios.

Nas minhas aulas afirmo que o bem mais valioso do patrimônio da humanidade corresponde ao conhecimento científico acumulado durante milhares de anos. Para justificar esta afirmação lanço mão dos fatos e acontecimentos registrados na História. As nações e povos que não se preocuparam em conhecer, explicar, controlar e utilizar bem a Natureza não conseguiram sobreviver ou sucumbiram subjugados por outras nações que tiveram a capacidade de ampliar e aproveitar esta fonte de riqueza e poder. É nossa responsabilidade então lutar, não apenas para preservar o referido patrimônio, mas multiplicá-lo e colocá-lo a serviço do nosso povo. A melhor maneira de proteger esta riqueza inestimável consiste em disseminá-la através da educação das novas gerações e de enriquecê-la através da busca de avanços científicos. Cabe à Universidade desempenhar o papel de principal gerador de novos conhecimentos e de propagador do acervo da Ciência. Somente este fato já serviria para justificar a necessidade da existência da universidade como repositório desse patrimônio e locus privilegiado do seu desenvolvimento

Este não é o único bem que devemos preservar e desenvolver. Há um outro que integra e complementa o patrimônio da humanidade, servindo de bússola para orientar a utilização da fôrça e do poder da Ciência. Refiro-me à Cultura em sentido amplo, esse ramo do conhecimento que imprime identidade diferenciada aos animais pensantes e no qual nossa espécie revela suas características mais humanas. A Cultura inclui a Arte, os Padrões, os Costumes, as Tradições, a Ética, as Crenças e todo esse conjunto de valores fruto do cultivo, do uso e da experimentação, feita por todos os homens, durante toda a vida. Ciência e Cultura são indissociáveis. Ciência sem Cultura parece uma nave sem rumo, um navio sem leme. Além de servir como consciência da Ciência, a Cultura, por intermédio dos seus Padrões de Estética e Beleza, tem sido a inspiração para os Modelos e Teorias mais frutíferos da Ciência. Nesta classe estão enquadradas as Regras de Simetria, as Leis de Conservação e os Princípios de Mínima Ação, paradigmas largamente utilizados na Física, na Química e na Engenharia.

O equilíbrio entre Cultura e Ciência é fundamental. Cultura sem Ciência é o indício mais claro do subdesenvolvimento, da fraqueza, o prenúncio do desastre. O povo brasileiro apesar de possuidor de uma rica Cultura, até bem pouco tempo não valorizava a Ciência. Provavelmente esteja nesse ponto a causa do nosso subdesenvolvimento e a explicação para ausência de universidades no Brasil, até a década de 30 do século passado.
Fui educado por uma geração que, por falta de oportunidades, estava inicialmente mergulhada nos conhecimentos científicos do passado e sofria as consequências do desenvolvimento tardio de nossas universidades. Mas essa geração possuia uma insaciável sede de saber, uma curiosidade extraordinária sobre os fenômenos da Natureza e um desejo forte de fazer o Brasil prosperar nesse setor.
Isaac Newton, o grande físico, disse que conseguiu enxergar mais longe porque se apoiou sobre os ombros de gigantes. Parafraseando Newton, posso afirmar que, se consegui avançar um pouco, isto se deve não somente a alguns elevados pilares humanos que usei como postos de observação ou pontos de referência, mas principalmente, graças ao trabalho de um grupo de desbravadores altruistas e visionários que apontaram direções, abriram caminhos, construiram pontes e pavimentaram as vias para que pudesse caminhar nesse maravilhoso mundo da Ciência. Eles prepararam e adubaram o terreno com cuidado e carinho. Foi este o solo fértil que aproveitei para plantar a nova semente da Física no Rio Grande do Norte, principalmente neste canteiro chamado de UFRN. Nesta tarefa tive a companhia de dois colegas sonhadores, Juarez Pascoal de Azevedo e Milton Dantas de Medeiros, e a sorte de obter sementes de qualidade escolhidas a partir de boas fontes.
No início desta Universidade, tudo era difícil. Não havia ainda tradição científica, os recursos financeiros eram limitados, não se pesquisava, nem existia um órgão voltado para o estudo da Física. Em compensação existia o desejo de progredir, a boa vontade, a consciência de que era necessário avançar na Ciência, na Educação Científica, qualificar os professores, iniciar a investigação científica, recuperar o tempo perdido. Enquanto a Europa e os Estados Unidos viviam a era da Física Nuclear, dos transistores, da aplicação prática das Teorias da Física Moderna e começavam a usufruir as benesses do desenvolvimento científico, o Brasil e particularmente o nosso Estado ainda tentavam dar os primeiros passos na Ciência.
Em verdade, esta situação não era exclusiva do Rio Grande do Norte. Acontecia de forma semelhante em todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Até 1960, nessa imensa área do território nacional, não existia um único doutor em Física. No restante do país, nas regiões Centro Sul e Sul, talvez este número não passasse de dez.
Em compensação, a antiga Escola de Engenharia, onde a Física começou na UFRN, abraçava uma tese avançada para aquele tempo. A idéia que norteava os pioneiros era a de que nenhuma engenharia poderia se firmar sem uma base sólida de Ciência. Estes conceitos são cada vez mais válidos nos dias de hoje, mas infelizmente às vezes são esquecidos. Foi este espírito de alta sabedoria que nos guiou e motivou. Ele contaminou a mim e a meus colegas da primeira turma de Engenharia do Rio Grande do Norte, cujos nomes faço questão de mencionar: Walter Araújo, Evandro Costa Ferreira, Joaquim Elias de Freitas, José Ivaldo Borges, Jário Pereira Pinto e Romeu Gomes Soares.

De lá para cá houve um progesso extraordinário. Hoje nossa Universidade conta com mais de 1000 professores com doutorado, cerca de 100 cursos de graduação, uma quantidade quase da mesma ordem de grandeza de Programas de Pós-Graduação, Laboratórios, Institutos Internacionais, pesquisas, programas de extensão e de ensino à distprojetos, redes de cooperação. etc. O Campus da UFRN exibe um ritmo de edificações somente visto durante a construção de Brasília.

O setor de Física da nossa universidade também alcançou um resultado que não poderia ter sido antecipado, nem nas previsões mais otimistas. Hoje, nada ficamos a dever aos melhores departamentos de Física do Brasil. Como foi possível esta evolução ? Olhando em retrospectiva posso afirmar que nada poderia ter sido realizado sem Juarez Pascoal de Azevedo, sem Milton Dantas de Medeiros, sem Remarque Fernandes da Silva, sem José Henriques Bittencourt, sem Dirceu Victor de Hollanda, sem Geraldo Pinho Pessoa, sem Nilson Rocha de Oliveira, sem Raimundo Alberto Normando, sem Gilvan Trigueiro, sem José Antomar Ferreira de Sousa, sem Clóvis Gonçalves dos Santos, sem Hélio Varela de Albuquerque, sem José Eufrânio, sem Roberto Limarujo, sem João Maurício de Miranda, sem Kleber Bezerra, sem Fernando Cysneiros, sem Malef Victorio Carvalho, sem José Pereira da Silva e muitos outros professores da antiga Escola de Engenharia da UFRN. Nunca percebi uma sintonia mais perfeita de aspirações, nem uma busca do progresso baseada numa pureza de intenções como aquela encontrada no corpo docente da antiga Escola de Engenharia.
Também não poderíamos ter avançado rapidamente naquela fase inícial sem a ajuda de físicos brasileiros importantes, tais como Erasmo Ferreira, Sérgio Costa Ribeiro, Newton Bernardes, Nicim Zagury, Pierre Henri Lucie, Raimundo Alberto Normando, José Maria Filardo Bassalo, Pierre Kaufman, Milton Ferreira de Sousa, Fernando de Sousa Barros, Humberto Siqueira Brandi, Sérgio Mascarenhas, Ernesto Hamburguer e Sérgio Porto. Erasmo Ferreira chefiando o setor de Física do CNPq foi o grande amigo da UFRN nos primeiros tempos.
Mais recentemente tivemos o apoio relevante de Constantino Tsallis, Ricardo Ferreira, Cesar de Sá Barreto, Silvio Salinas, Márcia Barbosa, Maurício Domingues Coutinho Filho, Yvon Palmeira Fittipaldi, Cid Bartolomeu de Araújo, José Rios Leite, José Soares de Andrade Jr., Roberto da Silva Andrade, Marcelo Lyra, Giovani Vasconcelos, Ronald Dickman e Sérgio Machado Rezende. Sérgio Resende como ministro da Ciência e Tecnologia introduziu a Ciência Brasileira no cenário mundial, de uma maneira quase irreversível.

Fomos beneficiados também pela herança deixada por Luiz Freire, o precursor da Física Brasileira, professor da Escola de Engenharia de Pernambuco, e por outros pioneiros como José Leite Lopes, Mário Schemberg, Jaime Tiomno, Cesar Lattes, Richard Feynman e João Christovão Cardoso. Eles indicaram o rumo certo, e demonstraram que o Brasil, a despeito da grande desvantagem em relação aos outros países, poderia dar um salto para o futuro, queimando etapas, para atingir uma posição de realce entre as nações. Esta situação de destaque começou a despontar depois da passagem de Sérgio Machado Rezende pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Contamos ainda com a ajuda fundamental de físicos e cientistas de vários países, dentre eles William Klein, Stéphane Roux, Hendrik Hilhorst, Alex Hansen, Albert V. Baez, Michael Mendillo, Antonio Coniglio, Roger Maynard, José Teixeira, Peter King, Luiz Amaral, Attilio Stella, Hans Herrmann, Shlomo Havlin, Dietrich Stauffer, Armin Bunde, Bernard Sapoval e especialmente Eugene Stanley do Center for Polymer Studies de Boston que em várias ocasiões ajudou a UFRN. Eugene Stanley é um dos cientistas mais proeminentes de todo o mundo tendo recebido vários prêmios e honrarias, entre eles a prestigiosa Medalha Boltzmann. Neste último mês de novembro ele novamente esteve em Natal participando de duas conferências internacionais.
Com relação a este gigantesco avanço relativo observado no campo da Física, tenho também de render minha homenagem ao primeiro Reitor, Professor Onofre Lopes da Silva o qual propiciou as condições para que o grupo de Física crescesse e prosperasse. Ele contratou os dois primeiros professores em dedicação exclusiva de toda a universidade. Um deles era professor de Física, o professor Raimundo Alberto Normando, o qual posteriormente alcançou a posição de Vice-Reitor da Universidade Federal do Ceará. Aparentemente um pequeno passo, mas este foi o início de uma grande transformação. Até aquele instante todos os professores exerciam suas atividades em regime de 12 horas semanais de trabalho. Foi também o Reitor Onofre Lopes que assinou o ato de criação do antigo Instituto de Física, e, com o seu entusiasmo pela Ótica e pela Holografia, proporcionou os meios para a expansão da área de Física na universidade que estava nascendo. Concedeu bolsas para nossos estudantes concluirem o Curso de Física na PUC do Rio de Janeiro, universidade com a qual firmamos um acordo de cooperação. Era o início de um ambicioso programa de formação de recursos humanos, antes mesmo de as iniciativas do CNPq e CAPES tomarem vulto. Permitiu ainda Dr. Onofre o início do Bacharelado e da Licenciatura em Física aqui em Natal, quando dispúnhamos de apenas 3 professores.

Onofre Lopes deu liberdade total para que iniciativas ousadas fossem concretizadas. Atraímos, para visitas de intercâmbio científico, os melhores físicos brasileiros. Promovemos Cursos de Atualização para Professores de Física das Universidades do Nordeste. Firmamos convênios com o Banco do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, BDRN para financiamento dessas atividades de intercâmbio e ainda para a cobertura financeira para a contratação de dois novos professores em regime de dedicação exclusiva. Era Governador do Estado o Monsenhor Walfredo Gurgel.

Obtivemos do CETENE, Centro de Educação Técnica do Nordeste, dirigido por Jurandir Tahim, um dos melhores Laboratórios de Física do país, importado da Alemanha. Isto foi conseguido sem custos para a UFRN, em troca de cursos que ministramos para os docentes das Escolas Técnicas do Nordeste. O CETENE havia sido instalado no Rio Grande do Norte depois de uma disputa acirrada entre o Ceará e Pernambuco. Foi uma época de crescimento vertiginoso de nossas atividades. Era a resposta acelerada da universidade para compensar pelo menos um século de atraso científico de nosso Estado. A Física na UFRN ganhou momentum e energia para enfrentar as dificuldades que surgiriam no futuro.

Também quero prestar homenagens aos reitores seguintes: Genário Alves da Fonseca, Domingos Gomes de Lima, Diógenes da Cunha Lima, Genibaldo Barros, Daladier Pessoa da Cunha Lima, Geraldo dos Santos Queiroz, José Ivonildo do Rego, Ótom Anselmo de Oliveira, novamente José Ivonildo do Rego e agora a atual reitora Professora Ângela Maria Paiva Cruz. Todos desempenharam um papel importante na história de nossa universidade e em particular de nosso Departamento de Física.

Na gestão de Genário Fonseca observamos o início da construção do campus universitário. Outro feito relevante, nesse período, foi que a UFRN conseguiu recrutar o primeiro doutor para o seu corpo docente, um doutor em Física, o professor Franciscus Josef Vanhecke, hoje na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nessa tarefa tivemos a valiosa ajuda do vice-reitor Leide Morais. Foi também nessa época a instalação do nosso Rádio Observatório com a montagem de uma antena parabólica de 10 metros de diâmetro, capaz de atuar em faixas de frequência acima de Gigahertz. Tivemos também a aprovação dos dois primeiros projetos de pesquisa da universidade junto ao CNPq. Não preciso dizer que eram na área de Física. Logramos obter também, por doação ao Instituto de Física, todos os equipamentos do Posto de Pesquisa da Marinha, sediado em Guarapes na vizinhança de Natal, inclusive um sismógrafo que até hoje funciona na UFRN. Firmamos ainda convênios de cooperação em pesquisa com a Universidade de Illinois e com o Air Force Geophysical Laboratory.
No período do Reitor Domingos Gomes de Lima expandimos o programa de qualificação dos docentes e enviamos um expressivo número de professores para obtenção do doutorado nas melhores instituições do Brasil e do exterior. A Universidade cresceu rapidamente, multiplicando instalações, ampliando o corpo docente e o número de estudantes. O Instituto de Física, transformado em Departamento de Física Teórica e Experimental, ganhou espaço físico para seus laboratórios. Como havíamos partido na frente, tiramos o maior proveito do PICD, Plano Institucional de Capacitação Docente. Batemos o recorde em número de docentes fazendo pós-graduação.
O Reitor Diógenes da Cunha Lima, por sua vez, dirigiu a atenção da Universidade para o Estado do Rio Grande do Norte. Fortaleceu os campi do interior e criou novos campi. Construiu o Centro de Convivência Djalma Marinho. Foi um período de grande valorização da Cultura e das Artes. Neste quadriênio, o Departamento de Física continuou com seu plano de qualificação dos docentes e de implantação de novas áreas de pesquisa.
O Reitor Genibaldo Barros propiciou à UFRN um clima de Pacificação, Democratização, de Abertura e Conciliação. Foi a época de consolidação da pesquisa na UFRN. Houve grande participação da nossa comunidade universitária na 1ª. Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, na qual defendemos a proposta, que terminou vitoriosa, de eliminação das desigualdades regionais. Também foram aprovados os primeiros projetos voltados para a Educação Científica. Noutra frente, a UFRN celebrou um Convênio de Cooperação com a Universidade do Estado de NovaYork, a maior universidade pública dos Estados Unidos. Para concretizar esta cooperação no domínio do Ensino, Pesquisa e Extensão, o Reitor Genibaldo efetuou uma visita de intercâmbio ao campus de Albany e a vários outros campi dessa instituição. Outro acordo de cooperação foi assinado com a Universidade de Boston. Ainda neste período foi efetivada a criação do Curso de Mestrado em Física.
Na gestão de Genibaldo Barros também foi aprovado e implementado na UFRN, o Primeiro Programa de Avaliação Universitária numa Instituição do Ensino Superior, em todo o Brasil, o INDD. A Avaliação do Desempenho dos Departamentos, realizada através do INDD, estava acoplada a um sistema de distribuição de vagas para concursos de docentes e a uma política de estímulo à Pós-Graduação. A Universidade floresceu. O ambiente de liberdade total favoreceu o debate de idéias e a reflexão. A Universidade mostrava que estava viva e vibrante. Tive a oportunidade de participar da equipe do Professor Genibaldo como Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, o que muito me envaidece.
O período do Reitor Daladier Pessoa Cunha Lima foi marcado pelo incentivo à Musica e às Artes, culminando com a construção do prédio da Escola de Música. Para nós, foi muito significativa a implementação dos Programas Especiais de Treinamento, PET, nas áreas de Estatística, Química e Física, com apoio financeiro da CAPES. O PET da Física constituiu o primeiro programa desta área a ser aprovado em todo o Brasil. Pelo PET da Física já passaram mais de 100 bolsistas sendo que mais de 50 já obtiveram o doutorado. Temos ainda a assinalar neste período, a primeira conexão feita entre a UFRN e a Rede Mundial de Computadores BITNET, a precursora da INTERNET. A ligação foi estabelecida entre o Departamento de Física e o Laboratório Nacional de Computação Científica no Rio de Janeiro.

Na gestão do Reitor Geraldo Queiroz aconteceu algo de muita relevância para nós: foi criado o Primeiro Curso de Doutorado da UFRN, na área de Física da Matéria Condensada. Este Doutorado, atualmente avaliado com o nível 6 pela CAPES, é um dos dos Programas de Pós-Graduação com conceito mais elevado em nossa instituição. Geraldo Queiroz também dinamizou o setor de comunicação da UFRN e transferiu a TV Universitária para modernas instalações no Campus Central, onde hoje também funciona a Superintendência de Comunicação.

A primeira Gestão do Reitor José Ivonildo do Rêgo ganhou destaque pela tentativa de institucionalizar o Centro Internacional de Sistemas Complexos, iniciativa que teve o suporte do Governo do Estado e do Ministro da Ciência e Tecnologia José Israel Vargas. O apoio do Reitor José Ivonildo a esta idéia, talvez avançada de mais para aquele momento, constitui uma demonstração de sua visão de futuro. Seu reitorado ainda ficou notabilizado pela criação da CIENTEC, o maior evento em Ciência, Tecnologia e Cultura do Estado e por progressos no ensino, pesquisa e pós-graduação.

No Período do Professor Ótom Anselmo de Oliveira como Reitor, foram feitos grandes avanços na concretização de uma das vocações naturais da UFRN: a pesquisa na área do petróleo. A nossa Universidade conseguiu atrair financiamentos da PETROBRAS e dos Fundos Setoriais de Pesquisa, notadamente do CTPETRO. Vários grupos de Pesquisa foram implantados e professores da UFRN participaram ativamente de Redes Nacionais de Pesquisa. Prédios foram construidos e Laboratórios equipados.

O retorno à Reitoria da UFRN do Professor José Ivonildo do Rego foi marcado por uma fase de acelerada expansão das construções no Campus, em grande parte financiada pelos recursos do REUNI. Ocorreu também um evento de uma dimensão incomensurável: com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia a UFRN criou o Instituto Internacional de Física, órgão cujos objetivos e alcance das ações ultrapassam as fronteiras da nossa Universidade e de nosso Estado.

Estamos agora em pleno período da Reitora Ângela Maria Paiva Cruz, e vemos a UFRN continuar a manter o seu impulso vigoroso buscando se transformar numa universidade de grande porte, não apenas pelas bitolas e modelos brasileiros, mas pelos padrões internacionais. Claro que isto constitui um grande desafio. Para tanto é necessário promover a expansão da UFRN sem sacrificar a qualidade e sem banalizar o espírito da Universidade, procurando ao mesmo tempo servir à população e ao país, como nos ensinava Anísio Teixeira. Tenho certeza que a Magnífica Reitora Ângela Maria Paiva Cruz saberá liderar a nossa Instituição Acadêmica na direção do seu grande destino.

Na luta pela consolidação da UFRN, aprendemos algumas lições. Os bons resultados do Instituto de Física, e do órgão que o sucedeu, o Departamento de Física Teórica e Experimental, não aconteceram por acaso. Foram fruto de um trabalho coletivo que teve continuidade, planejamento e uma correção de rumos permanente, envolvendo o esforço coordenado de um grande número de professores. Além de Juarez Pascoal de Azevedo e de Milton Dantas de Medeiros que estavam presentes desde o primeiro momento, quero registrar o esforço de Remarque Fernandes da Silva, de Luciano Bezerra de Melo, de João Wilkes Rebouças Chagas, de José Wilson de Paiva Macedo, Mário Bravo Barbery, Eudenilson Lins de Albuquerque, Franciscus Jozef Vanhecke, Carlos Alberto dos Santos, Eraldo Costa Ferreira, José Alzamir Pereira da Costa, Artur da Silva Carriço, Nilson Sena de Almeida, Paulo Fulco, Nai Cheng Chao, Ciclâmio Leite Barreto e muitos outros.
Uma segunda fase do Departamento de Física ocorreu na época do Ciclo Indiferenciado quando conseguimos recrutar os melhores alunos da Área Tecnológica para o Curso de Física. Ananias Monteiro Mariz, Luciano Rodrigues da Silva e Ezequiel Silva de Souza foram os primeiros desta safra. Nas turmas seguintes surgiram José Renan de Medeiros, Fernando Dantas Nobre, Douglas Soares Galvão, José Ademir Sales de Lima, João da Mata Costa, entre outros. Infelizmente, apesar de todo o sucesso acadêmico do Ciclo Indiferenciado, ele acabou sendo extinto por decisão dos colegiados.

Uma terceira etapa foi registrada após o funcionamento do PET, do qual fui o tutor durante um período de 18 anos. O PET produziu um grande fluxo de bons estudantes que alimentou não somente a nossa Pós-Graduação em Física, mas Programas de Pós-Graduação semelhantes de outras universidades. Realmente mais de 50 bolsistas que passaram pelo nosso PET lograram obter o título de doutor e hoje integram os quadros de várias universidades e instituições de pesquisa. Somente para citar alguns nomes de ex-bolsistas do PET, quero mencionar Claudionor Gomes Bezerra, atual chefe do DFTE, Carlos Chesman de Araújo Feitosa, Professor Titular da UFRN, Suzana Nóbrega de Medeiros, Coordenadora do Curso de Graduação em Física, Edemerson Solano Batista de Morais, Amadeu Albino Júnior e Samuel Rodrigues Gomes Júnior, professores do IFRN.

Atingimos o status de um centro de formação de cientistas. Somos hoje uma fábrica de pesquisadores, um celeiro de bons físicos. Além do Rio Grande do Norte estamos suprindo as necessidade de várias regiões do país: temos ex-alunos nossos em São Paulo, no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Amazonas, em Rondônia, na Bahia, na Paraiba, no Piauí, no Ceará, em Pernambuco, no Maranhão, em Brasília, no Rio de Janeiro e até na Austrália.

Muitos dos físicos que iniciaram suas carreiras na UFRN agora são Professores Titulares na UNICAMP, na Universidade de São Paulo, a USP, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte ou se destacaram em muitas outras instituições. É o caso, por exemplo, de Douglas Soares Galvão, professor titular da UNICAMP e ganhador há alguns anos do Prêmio de Melhor Pesquisador do Estado de São Paulo. Fernando Dantas Nobre, outro exemplo, é Pesquisador Titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. José Ademir Sales de Lima por sua vez é Professor Titular do Instituto de Física da USP. Carlos Alberto dos Santos depois de passar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul atingiu a posição de Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UNILA, Universidade da América Latina. Nilson Sena de Almeida e José Alzamir Pereira da Costa são professores titulares da UERN em Mossoró e no momento estão envolvidos na criação de um novo Curso de Doutorado enquanto Francisco Edcarlos Alves Leite dirige o campus da UFERSA na cidade de Angicos.
Um lema que tenho seguido desde o início é o de procurar me adaptar e me amoldar às necessidades da

Universidade ou necessidades da população que possam ser estudadas ou atendidas pela universidade, em lugar de tentar fazer com que a universidade se adapte aos meus conhecimentos e interesses. Várias vezes tive de mudar a área de pesquisa para atender a este princípio.

Concluida a formação em Engenharia Civil transferi-me com armas e bagagens para o Campo da Física, movido pela necessidade de ajudar o desenvolvimento deste setor na UFRN. Inicialmente trabalhei em novas técnicas e métodos para ensino de Física, inclusive com o uso da televisão. Depois fiz um Mestrado realizando pesquisas sobre Partículas Elementares e Altas Energias, usando técnicas de Teoria de Campo, uma área fascinante, na qual atuava a grande maioria dos físicos brasileiros, porém de contribuição muito reduzida ou remota para o desenvolvimento econômico e para o bem estar da população. O interesse da UFRN e preocupações sociais ditaram minha saída desse tipo de pesquisa. Passei então a estudar a Propagação de Ondas de Rádio na Ionosfera. A razão determinante era que a UFRN precisava de alguém com competência nessa área para trabalhar no Rádio Observatório. As transmissões de rádio via satélite representavam naquela ocasião o principal meio de comunicação a longa distância.
Após consolidar o grupo da UFRN neste campo, mudei novamente de área durante o doutorado nos Estados Unidos quando percebi as enormes possibilidades para o nosso país que seriam decorrentes da pesquisa em Física da Matéria Condensada e especialmente do estudo dos materiais poliméricos. Para tanto tive de aprender as teorias e métodos da Física Estatística. Contribui um pouco para a consolidação dessa área de pesquisa no Brasil. Depois mudei novamente de área, passei a estudar Física do Petróleo, tentando ajudar a UFRN a alcançar uma de suas vocações. Este esforço produziu resultados porque, quando o governo federal criou o CTPETRO, Fundo Setorial do Petróleo, estávamos preparados para tirar proveito total do programa. Paralelamente tenho me dedicado ao estudo dos Sistemas Complexos, antevendo a grande abrangência de suas aplicações que vão desde a Economia e a Linguística, aos fenômenos sociais e até a Física Biomédica.

Realmente este procedimento de mudança permanente não é uma tarefa fácil pois exige um esforço redobrado para recomeçar, pensar sobre novos conceitos e modelos e aprender novas técnicas. A grande vantagem é a de podermos nos antecipar aos problemas e estarmos preparados para as crises que chegam sem aviso prévio. Existe ainda o bonus adicional de que profissionais treinados dessa forma terão mais versatilidade para enfrentar as dificuldades do mundo em processo constante de transformação e de se manterem atualizados com as tecnologias que se renovam praticamente a cada ano. Recentemente descobri que várias universidades americanas já se preocupam com esse novo paradigma. Na USP, o Centro de Altos Estudos dirigido pelo Prof. Sérgio Mascarenhas está exatamente buscando novas idéias e novas direções para que a universidade não perca o bonde da história. Por uma grande coincidência a idéia em pauta neste momento no Centro de Altos Estudos da USP é a dos Sistemas Complexos.

Confesso que sou um homem de muita sorte. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte representa para mim um sonho bem vivido que está se concretizando, que está se tornando realidade. Há ainda um longo caminho a percorrer. Temos de fazer o melhor para assegurar a sua trajetória ascendente. Não podemos desperdiçar a chance única de construirmos uma boa universidade.

Antes de concluir este discurso quero registrar o meu agradecimento à minha família. Grande parte do que consegui fazer devo ao meu pai e à minha mãe. Eles realizaram todos os esforços para que pudesse desfrutar da melhor Educação possível.
Além disso, nestes últimos 46 anos, tive a sorte de ganhar uma parceira que tem me acompanhado até hoje, minha esposa Regina. Dela tenho recebido permanentemente demonstrações de amor, de carinho e de muita paciência. É necessário ter muita paciência para ser mulher de um físico. Ela tem me proporcionado o ambiente de tranquilidade para me concentrar no trabalho e enfrentar situações difíceis, até mesmo quando desafiávamos o inverno frio e prolongado de Boston. Com ela, a caminhada no tempo se transformou numa viagem muito prazeiroza e feliz.

Também quero agradecer a meus filhos, Leonardo e Moacir Neto, exemplos de bondade e integridade, dos quais tenho muito orgulho. Tenho certeza que meus netos Daniel e Beatriz seguirão o mesmo caminho.

Sinto-me muito honrado e feliz, repito. Entrando neste grupo seleto de Professores Eméritos da UFRN, estarei ingressando na galeria dos ilustres professores que me precederam, verdadeiros ícones, entre eles Luiz da Câmara Cascudo, Onofre Lopes, Diógenes da Cunha Lima, José Idelfonso Emerenciano, Terezinha de Queiroz Aranha, Múcio Vilar Ribeiro Dantas, Paulo Bittencourt, José Antomar Ferreira de Souza, Hiran Diogo Fernandes e muitos outros.

Farei tudo o que estiver ao meu alcance para honrar este título!



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Professor Luciano saudou o Mestre Liacir.


Natal 19 de Dezembro de 2011
DDiscurso na ocasião de entrega do título de Prof. Emérito da UFRN ao Prof. Liacir dos Santos Lucena
Por Luciano R. da Silva

Boa noite a todos. É com imensa honra e prazer que recebo a incumbência de saudar e apresentar o Prof. Liacir dos Santos Lucena como o mais novo Prof. Emérito da nossa Universidade.
A história do Prof. Liacir é paralela à história da UFRN. Inicialmente vou destacar os principais pontos de sua extensa trajetória.

(1) Em 1964 ele concluiu o curso de Engenharia Civil na UFRN (primeira turma) juntamente com mais 6 colegas. Em seguida foi contratado como Prof. do curso de Engenharia Civil para lecionar disciplinas de Física.
                                              
(2) Em 1965, juntamente com o Professor Juarez Pascoal de Azevedo e com o Prof. Milton Dantas de Medeiros, criou o Instituto de Física da UFRN, o qual depois se transformou em Departamento de Física Teórica e Experimental         

(3) Foi o responsável pela ênfase inicial do Instituto de Física, pela criação em larga escala, de Recursos Humanos especializados na área de Física e de estabelecer um padrão internacional de qualidade.

(4) No período 1965-1970 promoveu em Natal vários cursos para treinamento de Professores de Física das Universidades do Norte e Nordeste trazendo a Natal, para ministrar esses cursos, nomes importantes da Física entre os quais podemos citar Newton Bernardes, Erasmo Ferreira, Nicim Zagury, Sérgio Costa Ribeiro, Silvio Ferraz de Melo, Humberto Siqueira Brandi, Pierre Kaufman, Silvestre Ragusa, entre outros.  Alguns participantes desses cursos tiveram destaque em várias universidades, como é o caso do prof. Hermano Tavares que veio depois a ocupar o Cargo de Reitor da UNICAMP e Reitor da Universidade Federal do ABC.

(5) Organizou e fez funcionar em 1969 o famoso Curso de Física do CETENE (Curso de Formação Técnico-Científica para Professores de Física das Escolas Técnicas e Cursos Científicos do Nordeste).  Muitos alunos daquele curso obtiveram posteriormente o doutorado em Física e integram hoje os quadros docentes de várias universidades no país.

(6) Como recompensa por realizar o Curso do CETENE obteve para o Instituto de Física da UFRN, um grande laboratório didático da marca LEYBOLD, importado diretamente da Alemanha, inclusive com equipamentos para demonstrações de Física Moderna.  Este laboratório, ainda ativo, tem servido a várias gerações de estudantes dentro da UFRN.

(7) Em 1971 organizou e estruturou os Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Física.

(8) Em 1972, com a ajuda dos Professores, Erasmo Ferreira e Sérgio Costa Ribeiro, conseguiu firmar convênios com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) para que estudantes do Rio Grande do Norte completassem sua formação em Física naquela universidade.

(9) A partir de 1974 o curso passou a ser feito inteiramente em Natal. No final de 1975 termina a primeira turma da qual fazemos parte eu, Prof. Ananias e Prof. Ezequiel, aqui presentes.

(10) Em 1974 implantou na UFRN o Projeto de Pesquisa sobre Cintilações Ionosféricas para investigar a propagação de ondas eletromagnéticas na ionosfera e, em particular, para estudar o efeito das instabilidades de plasma na atmosfera.  Para tanto instalou um Rádio-Observatório com uma antena parabólica de 10 metros de diâmetro, que ainda pode ser vista no perímetro do campus da UFRN.

(10) Foi responsável pela aprovação dos primeiros projetos de pesquisa da UFRN com financiamento do CNPq (1974 e 1975)

(11) Implantou a Biblioteca Setorial da Física, adquirindo com a ajuda do CNPq um acervo de livros e revistas que representam hoje o núcleo daquela biblioteca.

(12) Conseguiu com a família do Professor João Cristovão Cardoso, ex-presidente do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a doação para o Departamento de Física da biblioteca particular do Prof. Cardoso com um acervo de livros científicos históricos de valor inestimável, entre os quais um exemplar original da Tese de Doutorado da Madame Curie (premio Nobel de Física).

(13) Em 1977 foi agraciado com a Medalha do Mérito Universitário

(14) No período 1983-1987 foi Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação na gestão do Reitor Genibaldo Barros aqui presente, quando, entre outras ações, instituiu com apoio da Reitoria, o INDD, o primeiro sistema de avaliação de desempenho implantado em Universidades Brasileiras, o qual foi copiado por várias outras Universidades do país.

(15) (1988) Pioneiro em Natal na Internet: Antes da Internet existia uma rede bastante insipiente chamada Bitnet. Em Natal, no Departamento de Física tínhamos um link com o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) do Rio de Janeiro.

(16) Responsável pela criação em 1988 do primeiro Programa Especial de Treinamento (PET) na área de Física no Brasil. Da ordem de 50 bolsistas do PET da Física da UFRN já concluíram o doutorado. O nosso programa serve de Modelo para todos os estudantes que entram no curso de Física. Todos querem entrar no programa, ou gravitam em torno dele.

(17) Responsável pela formação de um grande número de estudantes de todas as áreas, desde Física, Química, Matemática, Engenharia, etc. Foi orientador de muitos estudantes nos níveis de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.

(18) Aprovou inúmeros projetos de pesquisa, tendo também articulado a formação de Redes Cooperativas de Pesquisa de âmbito regional abrangendo várias universidades do Nordeste.

(19) Estabeleceu programas de intercâmbio Científico com várias Universidades do Brasil e do Exterior, promovendo visitas de cientistas estrangeiros à UFRN e abrindo oportunidades para professores e estudantes brasileiros em centros de pesquisa no exterior. Dentre esses programas merecem destaque o Projeto binacional CAPES-COFECUB com a Université d’Orsay na França, o Convênio com a Universidade de Boston e um Consórcio Internacional de Pesquisa envolvendo, além da UFRN, várias universidades americanas e européias.

(20) Organizou várias Conferencias Nacionais e Internacionais. Há duas semanas atrás por exemplo, organizou uma Conferência Internacional  sobre Física do Petróleo no Departamento de Física.

(21) Publicou mais de 70 trabalhos científicos em Revistas de Difusão Internacional.

(22) É pesquisador 1 do CNPq
 
(23) Ganhador do Prêmio de Pesquisador FUNPEC 2003.

(24) Sabendo da vocação natural do RN para o Petróleo entrou nesta nova área de pesquisa tendo obtido sucesso, inclusive com a obtenção do Prêmio Nacional Petrobras de Tecnologia do ano 2005.

(25) Agraciado com a ordem Nacional do Mérito Científico em 2008 no grau de Comendador. 

(26) Em 2011 foi homenageado pelo XXIX Encontro Anual de Físicos do Norte Nordeste ocorrido recentemente em Mossoró

(27) Sua lista completa de realizações é longa e é conhecida por quase todos.

(28) Resumindo: o Prof. Liacir teve toda a sua vida dedicada à Academia e à Pesquisa. Ajudou a colocar o RN no cenário Nacional e Internacional. Talvez por isto tenha chamado a atenção do Comitê que julga a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico.

LEMA DO PROF LIACIR: Oportunidade a todos. O critério do Prof. Liacir é a competência. “Se o aluno ou o profissional for competente, terá todo apoio”.

(1) Ele sempre vestiu com orgulho a camisa da UFRN, quer estivesse em Natal, no Brasil, ou no exterior. Como um bom filho tudo que conseguia fora era sempre pensando em melhorar a nossa Universidade ou o nosso Estado.

(2)  Ele é uma pessoa justa, não discrimina ninguém: dá oportunidade a todos e sabe extrair o melhor que cada um pode dar. Ele dá o mesmo tratamento quer o aluno seja do Norte, do Sul, do Centro do país ou do exterior. O critério para ele é o talento. Talento não tem Pátria.

(3) Não se submete aos critérios de primeiro, segundo ou terceiro, mundos. Encara todos indistintamente quer esteja numa conferencia no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa.

(4) Homem de larga cultura: Ele teve o olho clínico para ver com antecedência a Ciência se encaminhando para a Interdisciplinaridade. Desde 20 anos atrás ele busca criar em Natal um Centro Internacional de Sistemas Complexos. Vários ex-Reitores que estão aqui presentes são testemunhas e apoiaram este sonho.

(5) Amor à vida: ele adora uma boa conversa, ele adora ouvir uma música de qualidade; adora uma boa cozinha; um bom vinho, ele tem uma família maravilhosa, a qual se dedica com muito amor. Podemos ver aqui sua Mãe Natália, sua esposa Regina responsável pelo sucesso dele, seus filhos e seus netos.  Ele adora dividir os seus conhecimentos com todos aqueles que o cercam. Como é bom conversar com ele e desfrutar da sua vasta amplitude cultural.

(25) O que faz o Prof. Liacir no momento?

No momento o Prof. Liacir se dedica à formação de equipes interdisciplinares, como já disse, voltadas para pesquisas na área de Sistemas Complexos, a qual foi precursor na UFRN. Nos seus artigos científicos ele sempre coloca além do endereço usual do Departamento de Física, um segundo endereço, qual seja, Centro Internacional de Sistemas Complexos (CISC).

A sua ascensão à categoria de Professor Emérito da UFRN (tendo obtido aprovação por aclamação no Departamento de Física e a indicação por unanimidade de todos os conselhos da UFRN) permitirá que continue a trabalhar em prol da UFRN com o mesmo ritmo incansável com que atuou até hoje, mesmo após ser atingido pela aposentadoria compulsória.

Parabéns ao “Eternamente Jóvem” Prof. Liacir dos Santos Lucena, por sua trajetória de vida profissional e pessoal. Parabéns à UFRN que soube reconhecer a bonita história do Prof. Liaicr. O título de Prof. Emérito vai representar também o reconhecimento de um paradigma de dedicação, competência e eficiência que, esperamos, sirva de modelo para os nossos Jóvens Professores e nossos Estudantes.

Mais uma vez Parabéns Prof. Liacir !!!!!!!!!!

Muito obrigado a todos !!!