segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um artigo do escritor de Parelhas/RN.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A ALEGRE DÉCADA DE 30

Jorge Rodrigues de Senna*
Por volta de 1937 ou 38, estabeleceu-se, no Rio de Janeiro, uma empresa mexicana chamada Conservas Del Rio, de vida efêmera, dedicada à fabricação de doces e, também, de conservas em geral. Uma das suas primeiras providências, para lançar-se entre nós, foi encomendar uma música a Ari Barroso, cuja fama de grande compositor já era notória.
O ubaense deu um capricho na ideia e saíram estes versos gostosos: “Sexta-feira à meia-noite / vou botar na encruzilhada / um feitiço pra você lerelê. Já comprei um galo preto/uma dúzia de amuleto e azeite de dendê, pra você lerelê”.
Quem comprasse qualquer dos produtos da Del Rio era convidado a escrever e informar que palavra ou expressão deveria ser usada em lugar do lerelê.
Cada acertador foi premiado com um dos produtos em lançamento no mercado nacional. Um deles foi Otávio, meu companheiro da “República” em que habitávamos, na Rua General Osório, n° 227, em Natal-RN. O rádio não parava de apregoar, a cada instante, a doçura, a maravilha de sabor com que se deliciavam aqueles que experimentavam os produtos tão intensamente anunciados. A favor da empresa, já havia a ideia impregnada em nossas cacholas, naquele tempo, de que “tudo que é estrangeiro é bom”. Havia a “convicção” de que qualquer produto brasileiro, se começasse a ter aceitação, logo seria falsificado pelos fabricantes ou distribuidores. Foi aí que a Del Rio se deu mal. O doce ganho pelo companheiro Otávio.
– Que mo deu a experimentá-lo – era de ruindade insuperável.
Uma lata redonda com água açucarada e 12 pedaços de maçã. E acho até que era maçã verde: dura e sem qualquer sabor. Para ganhá-la Otávio queimara as pestanas e respondera, acertadamente, que em lugar de lerelê devia ser usada a expressão “me querer”. Milhares acertaram, o que repercutiu bem entre os 40 milhões que nós éramos em 1940. Talvez 3 milhões tivessem acesso à pífia mídia de então. Quem se saiu muito bem desse acontecimento foi Ari. Talvez tenha sido essa a maior campanha de divulgação de uma entidade na época. Eleição era palavra proibida. A divulgação intensa e muito bem dirigida da sua música, certamente influiu para que logo depois fosse ele contratado pela Metro Goldwin Meyer, para acompanhar Carmem Miranda, que recentemente deixara o Cassino da Urca e partira para os Steites a fim de resplandecer nas telas do mundo com suas magistrais apresentações de Chica Chica Boom, Uma Noite no Rio e outros filmes, cujos nomes me fogem agora. Foi nessa época que dona Darci Vargas iniciou campanha para an- gariar fundo financeiro destinado à edificação de seu sonho maior, a “Cidade das Meninas”, onde seriam acolhidas mães solteiras adolescentes, para o que chegou a obter um grande terreno nas imediações do Estádio “Caio Martins”, em Niterói-RJ, certamente doação do genro, Almirante Amaral Peixoto, então Interventor Federal naquele Estado.

Foi quando ela promoveu uma série de espetáculos no Teatro Municipal do Rio, a que denominou “Joujoux de Balangandans” e encomendou a Ari Barroso música para engrandecer aquelas noites que marcaram o início da “Era do Rádio” no Brasil. Lá foi lançado, tocado pela primeira vez, a genial Aquarela do Brasil. Estavam no auge de suas carreiras Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Gilberto Alves e todos os outros monstros sagrados da época, como Dorival Caimmy, com seu No Tabuleiro da Baiana, Os Quindins de Yaiá e toda a sua já então vasta produção musical. Também estavam as irmãs Linda e Dircinha Batista, que, segundo as más línguas, seriam as culpadas pelo abandono, por Dona Darcy, do projeto da “Cidade das Meninas”.
Isto é outra estória. Triste. Não conto, mesmo sendo o eleitor da UDN, que vim a tornar-me.
*Jorge Rodrigues de Senna é escritor e acadêmico
Fonte Jornal Diário da Manhã - 04 de Janeiro de 2011.




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A foto é antiga, mas é do escritor Jorge Rodrigues de Senna, natural de Parelhas, parente de Zequinha Marcolina, morador do bairro de Candelária, em Natal/RN. Não o conheço pessoalmente, mas falei com por telefone. Qualquer dia a gente se encontra.

A foto é antiga, mas é do escritor Jorge Rodrigues de Senna, natural de Parelhas, parente de Zequinha Marcolina, morador do bairro de Candelária, em Natal/RN.  Não o conheço pessoalmente, mas falei com por telefone. Qualquer dia a gente se encontra.
O tempo é o senhor da história. Esta frase é repetida sempre que se quer enfatizar algo que acontecendo mais tarde se traduz como o reconhecimento de uma situação que estava de certa forma, esquecida ou desconsiderada.



Como corolário dos seus 80 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem sido alvo das mais efusivas comemorações, demonstrando assim o reconhecimento merecido pelo seu trabalho, pelo seu desempenho, por sua vida acadêmica e política, pelos mais variados segmentos da nossa sociedade.



Agora mesmo, acaba de receber uma significativa homenagem no Senado Federal, onde foi alvo de diversos discursos, todos laudatórios e congratulatórios.



Recebeu também uma mensagem muito carinhosa da nossa presidenta, reconhecendo o seu trabalho “…como o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica…” e, principalmente, a sua atuação como presidente da república. O que veio a demonstrar claramente uma diferença de atitudes entre a atual detentora do cargo de presidente e o seu antecessor.



Roberto Pompeu de Toledo, em sua coluna semanal na revista Veja, na edição de nº 2223, de 29 de junho de 2011, faz uma análise do comportamento de FHC em comparação aos de outros ex-presidentes, demonstrando assim uma diferença que só faz destacar a sua forma de agir. Nesse artigo em que analisa o comportamento de ex-presidentes desde Getúlio Vargas até Luiz Inácio, ele mostra como há similaridade de atitude entre eles, que não souberam viver o pós-presidência de forma consciente. O articulista deixou de mencionar o ex-presidente Dutra, nosso coestaduano, cujo comportamento foi similar ao de FHC.



O ex-presidente teve como suporte e apoio constante a presença marcante de da. Ruth Cardoso (vitimada por uma arritmia cardíaca em 24 de junho de 2008), que soube, com muita consciência e classe, entender, superar e perdoar comportamentos extraconjugais do seu marido, igualando-se, nesse aspecto, a Hillary Clinton e Jacqueline Kennedy.



O que se constata nesta quadra da vida do ex-presidente é que ele está tendo o seu valor reconhecido no contexto anterior e no atual. Pesado, medido e contado, como se refere o texto bíblico em assuntos desta espécie.



FHC é considerado o 11º pensador global mais importante pela revista Foreign Policy 2009 pelo debate sobre a política antidrogas. É integrante da Comissão Latino-Americana de Drogas e Democracia, que defende uma nova abordagem contra o tráfico. Ele defende que a atual política de combate às drogas pela repressão não está funcionando: “São necessárias outras medidas como a mudança da legislação para pequenos traficantes, com penas diferenciadas”.



Em maio de 2011, participou do lançamento do filme “Quebrando o Tabu”, uma manifestação pacifista em favor da descriminalização das drogas em que aparece como âncora, tendo ao seu lado os ex-presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter.



FHC continua em plena atividade, presidindo o Instituto Fernando Henrique Cardoso e a Fundação OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – organização criada para manter esta orquestra de nível internacional. Participa ainda de diversos conselhos consultivos em diferentes órgãos do exterior como o Clinton Global Initiative, da Brown University e da United Nations Foundation.



Em 2005, foi eleito, por meio de uma votação feita pela internet e organizada pela revista britânica Prospect, um dos cem maiores intelectuais ainda vivos do mundo.



Ou seja, FHC nunca parou. Aristóteles foi um dos primeiros a observar que nos tornamos as pessoas que somos em virtude das nossas próprias decisões. Com o conhecimento as pessoas acabam bebendo em muitas fontes, procurando aqui, ali, acolá. Mas no frigir dos ovos, o que resta verdadeiramente é o resultado da disciplina pessoal, quando o indivíduo se torna discípulo de si mesmo. Passa a ser seu próprio professor, treinador, técnico e orientador. É o que acontece com todas as pessoas conscientes. Penso que foi o que aconteceu com o Príncipe – pela sua postura pessoal, acadêmica, altaneira, altiva, política e intelectual, é assim que FHC é chamado por muitos.





Autor Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.



Campo Grande MS



publicado no Campo Grande News



Fonte:blog.msmacom.com.br

Campanha de alfabetização de adultos será lembrada.

Os 50 anos da campanha de alfabetização de adultos será lembrado em 2012 em Natal, por um grupo de admiradores do professor Paulo Freire, idealizador do método revolucionário de alfabetização que foi implantado em Angicos, terra do governador Aluizio Alves. Em 1992, publicamos uma série de reportagens no Diário de Natal, através do caderno Educação, editado pela jornalista Ana Maria Cocentino Ramos. Vamos transcrever as reportagens.


25/07/2011


Método Paulo Freire – 30 anos da campanha de alfabetização de adultos de Angicos/Rn.

1962-1992 – Série de Reportagens do jornalista Luiz Gonzaga Cortez – Prêmio jornalista Raimundo Ubirajara de Macedo – 1993.

A primeira matéria da série de reportagens foi publicada no Caderno “DN Educação”, do Diário de Natal, Ano I, número 002, em 16 de setembro de 1992, sob o título “ Igreja recusa apoiar método Paulo Freire”.



Há trinta anos, desenvolveu-se no centro geodésico do Estado do Rio Grande do Norte, em Angicos, a campanha de alfabetização em massa de adolescentes e adultos, de 14 a 70 anos de idade, da América Latina. Foi a aplicação do chamado “Método Paulo Freire” de Alfabetização de Adolescentes e Adultos que, em 40 horas/aulas, alfabetizou centenas de criaturas que tinham “fome da cabeça”, graças ao inédito sistema pedagógico que alfabetizava e conscientizava políticamente.

O método era diferente, até então, dos já aplicados pela educação tradicional. Não havia livros nem cartilhas, mas uma série de palavras geradoras. Não havia professor. O coordenador era quem ensinava. Classe? Não existia. Os alunos eram reunidos em “círculos de cultura”. E os locais? Eram colégios, salões ou locais suntuosos ou não? A resposta também é não.

As “turmas”de adolescentes e adultos, os círculos de cultura, reuniam-se em qualquer local – debaixo de uma mangueira, na cela de uma cadeia pública, no armazém da fazenda, no alpendre de uma casa do sítio do pequeno lavrador, numa escola abandonada, sem luz elétrica, água encanada e as tradicionais instalações escolares.

As aulas eram ministradas à noite, depois do término da labuta diária dos alunos, de ambos os sexos, com os mínimos meios que dispusessem. As primeiras turmas contavam com rapazes, moças, velhos, homens e mulheres calejados pelo trabalho pesado na agricultura, na marcenaria e construção civil etc. Eram jovens e velhos operários e camponeses de uma terra calcinada e abandonada pelos poderes públicos.

Planejada em 1962 e iniciada em 18 de janeiro de 1963, os participantes da “Experiência de Angicos”, executada pelo Serviço Cooperativo de Educação, da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do RN – SECERN, através do Setor de Alfabetização de Adultos, viveram momentos fantásticos e inusitados em Angicos – viram mudo falar, viram crianças de 5 anos se alfabetizar sem ser alunas e o povo pensar que o Presidente da República ainda era Getúlio Vargas.