sábado, 15 de outubro de 2011

Caverna com 100 mil anos foi um ateliê pré-histórico de tintas
Paloma Oliveto

Publicação: 14/10/2011 14:13 Atualização:

A descoberta do mais antigo ateliê de pintura do mundo é a prova de que a inteligência e a sofisticação criativa do homem moderno, que teria aparecido há cerca de 160 mil anos, são características bem mais antigas do que se imaginava. Até agora, havia um consenso entre antropólogos de que o uso de pigmentos decorativos começou há 60 mil anos, com base na datação de artefatos pré-históricos encontrados na África. Uma equipe internacional de pesquisadores, contudo, relata na edição de hoje da revista Science a existência de um local quase tão antigo quanto o próprio Homo sapiens, com 100 mil anos de idade, destinado a produzir e armazenar tintas — de várias cores.

A 300km da Cidade do Cabo, na África do Sul, existe uma caverna, chamada Blombos, que é praticamente uma cápsula do tempo. Banhada pelo Oceano Índico, preserva milhares de anos da história do homem moderno e já forneceu diversos artefatos cobiçados por antropólogos e arqueólogos. Em 2008, uma equipe chefiada por Christopher S. Henshilwood, do Instituto de Evolução Humana da Universidade de Witwatersand, da África do Sul, encontrou vestígios do que seria um ateliê de pintura. Não se tratava de peças isoladas, mas de um conjunto de ferramentas e objetos com um significado comum. “Estávamos apenas escavando uma parte da caverna, não sabíamos o que esperar. Por isso, ficamos muito surpresos”, conta o antropólogo ao Correio.
Dois recipientes com vestígios de pigmentos estavam perto de resquícios de carvão e de ferramentas como amoladores, machadinhas de ossos e instrumentos semelhantes a colheres rudimentares. O conteúdo das embalagens, feitas de conchas, revelou que, há 100 mil anos, o homem já entendia de química. Os cientistas encontraram ocre, nome que se dá à argila colorida, rica em hematita (vermelha) ou limonita (amarela). “O ocre pode ter sido aplicado com intenções simbólicas, como decoração de corpos, de roupas e de acessórios decorativos durante a Idade da Pedra”, diz o artigo da Science.
Em entrevista ao Correio, o especialista italiano Francesco d’Errico, do Centro de Pesquisas e Restaurações dos Museus da França, diz que a análise química do conteúdo indica a mistura de três tipos de ocre, mostrando que o Homo sapiens já sabia pesquisar e experimentar materiais. “Como não havia resina, achamos que os fins eram mais decorativos. O importante, porém, é saber que eles já entendiam o processo de criação do pigmento. Em um dos recipientes, há a marca de um dedo, indicando, claramente, que o material foi misturado”, diz. “Documentamos o primeiro momento em que o homem planejou, executou e estocou esse tipo de produto”, orgulha-se Henshilwood.

Teoria desmentida

De acordo com o arqueólogo, sabe-se muito pouco sobre o comportamento dos primeiros homens modernos. Por isso, a tendência é imaginá-los como seres bastante rudimentares, ingênuos e pouco capazes. Novas descobertas, entretanto, estão desmentindo essa teoria, mostrando que a inteligência e a sofisticação nasceram com o próprio Homo sapiens. No início deste século, a mesma caverna de Blombos havia revelado artefatos de pedra e ferro, esculpidos com padrões avançados e com mais de 70 mil anos. “Essas descobertas mostram que nos primeiros estágios, o homem moderno era capaz de pensar de forma abstrata, se comportando como hoje, muito antes que o previamente imaginado. Acredito, inclusive, que os desenhos geométricos de Blombos podem ser uma linguagem simbólica, quase que uma pré-escrita”, acredita Henshilwood. “O uso do ocre da Idade da Pedra era decorativo e tinha significados simbólicos”, argumenta. Questionado se poderia haver outra explicação sobre a nova descoberta em Blombos, ele é enfático: “É muito óbvio o que cada objeto está fazendo ali. Não, não vejo outra alternativa”.
Para o arqueólogo John Shea, da Universidade de Stony Brook, nos Estados Unidos, está na hora de parar de imaginar os primeiros homens modernos como criaturas abrutalhadas, que só conseguiam emitir sons guturais e monossilábicos. “Não acho que eram significativamente diferentes de nós”, diz o especialista, que não participou da pesquisa publicada na edição de hoje da Science. “O problema é que as pessoas medem de forma equivocada o comportamento dos primeiros humanos. Os arqueólogos e os antropólogos estão sempre procurando provas da modernidade do Homo sapiens, quando deveriam se dedicar mais a observar a variedade cultural”, acredita.
Estudioso dos primeiros estágios do homem, Shea afirma que os artefatos encontrados até hoje em territórios africanos e asiáticos mostram que os mais antigos representantes da espécie eram extremamente versáteis e conseguiam desenvolver estratégias para se adaptar às novas necessidades. “À medida que se começaram a se deslocar mais, criaram ferramentas versáteis e fáceis de transportar. Essa capacidade criativa não é exclusividade do Paleolítico Superior, mas uma marca que sempre acompanhou o homem moderno”, defende.
Cultura europeia

A criação de objetos de arte é considerado um indicativo de avanço do desenvolvimento cultural e linguístico de uma população. A descoberta de pinturas rupestres na França, nos anos 1940, levou à hipótese de que, embora tenha se originado na África, o homem moderno só começou a se expressar de forma simbólica há cerca de 35 mil anos, data das cavernas francesas. Há algum tempo, porém, os especialistas já sabem que isso não é verdade, e que a arte já estava presente antes de o Homo sapiens emigrar do continente africano.

Palavras usadas nos jornais da Paraíba são registradas no

Dicionário de Investigação do Cotidiano é lançado em João Pessoa

Sexta, 14 de Outubro de 2011 10h58

Por Cecília Lima, da redação do Jornal O Norte



Por dois anos o Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estudou teoria do jornalismo aplicada aos três maiores periódicos do Estado, incluindo o jornal O Norte. A pesquisa deu origem ao primeiro volume do “Dicionário de Investigação do Cotidiano - Elogio da Palavra no Jornalismo Impresso”, livro que será lançado nesta sexta-feira, dia 14, às 19h, no Casarão 34, Centro da Capital.
O professor orientador do grupo, Wellington Pereira, afirma que a obra não possui caráter enciclopédico. “A linguagem não é denotativa. Nossa intenção foi entender como determinados termos se apresentam no cotidiano dos jornais. A palavra ‘crédito’, por exemplo, pode ter vários significados dependendo do contexto”, explica. Constam no livro mais de 40 verbetes presentes nas editorias de Cidades, Esporte, Cultura, Política e Economia. “Canção”, “Vandalismo” e “Infidelidade Partidária” são alguns dos termos que podem ser consultados no dicionário.
“Dicionário de Investigação do Cotidiano - Elogio da Palavra no Jornalismo Impresso” é resultado do trabalho conjunto de 22 autores, entre estudantes de graduação, pós-graduação e colaboradores, coordenados por Wellington Pereira. A pesquisa se debruçou sobre exemplares dos jornais circulados no ano passado. O Grupecj existe há nove anos e foi responsável pela publicação de sete livros impressos e um digital. O grupo se dedica a partir de agora ao estudo da pornografia expressa nos jornais. “Queremos saber agora como se revela o discurso pornográfico na imprensa paraibana. Vamos investigar as formas indiretas em que ele aparece e não o óbvio”, destaca Wellington.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cientista propõe 'clarear o mundo' para melhorar o ambiente

O superaquecimento nos centros urbanos e suas consequências para o meio-ambiente e para a vida das pessoas é um problema latente sobre o qual se precisa pensar com urgência. É o que defende Hashem Akbari, cientista e professor da faculdade de Concordia em Montreal, no Canadá. Ele coordena um programa mundial que cuida, mede e propõe soluções para o resfriamento do ambiente. Em entrevista, em São Paulo, afirmou que diminuir a temperatura nos grandes centros mundiais e beneficiar o mundo inteiro - literalmente - é muito mais simples do que se imagina. Tudo precisa começar no que está mais próximo do cidadão: a casa em que ele mora.

De acordo com Akbari, não é difícil explicar a diferença na temperatura entre grandes cidades, como São Paulo e Nova York, e regiões do interior próximas a essa cidade. "Pessoas que são ricas vão para o interior porque é mais frio que nas áreas urbanas. A razão pela qual as áreas urbanas são tipicamente mais quentes tem a ver com o fato de que elas são basicamente feitas de telhados e asfalto de cor escura, o que absorve mais energia.", explicou.

Ashem Akbari corre o mundo divulgando a proposta de 'clarear' telhados e cidades

Pode parecer inusitado, mas a alta temperatura em centros urbanos, a sensação de abafamento e a má qualidade do ar têm muito a ver com o telhado e o chão das casas, estabelecimentos e escritórios. A explicação é simples. "Quando o chão é escuro, ele absorve muita energia do sol. A terra embaixo do asfalto também esquenta, assim como o ar ao redor", afirmou. O mesmo raciocínio serve para o telhado. A questão é que tais materiais não perdem o calor com a mesma velocidade em que o absorvem no tempo de um dia. Somando-se vários dias, meses ou mesmo anos, o efeito só se potencializa.

A solução encontrada por Akbari está nos chamados cool roof e cool paviments. No inglês, a palavra "cool" quer dizer, entre outras coisas, "frio". Na prática, significa o uso de cores mais claras, que, naturalmente, refletem mais luz do que as cores escuras. "Se o telhado é escuro, podemos fazê-lo com cores mais claras. Se o chão é escuro, podemos fazê-lo mais claro", projetou o cientista.

A ideia parece óbvia, mas convencer as pessoas a adotá-la tem sido o árduo trabalho do professor ao longo de várias cidades da América do Norte, em um primeiro momento, e do resto do planeta. "Se todas as pessoas em uma comunidade utilizassem os cool roofs, toda a região iria se beneficiar, mais calor iria ser refletido para o espaço. Isso aumentaria a qualidade do ar e, consequentemente, a qualidade de vida", explicou Akbari.

Além disso, há uma série de questões decorrentes desse aquecimento anormal. Superaquecido, o asfalto escuro, por exemplo - principalmente em países tropicais como o Brasil -, se torna "mole" e mais sensível ao peso dos veículos. Assim, buracos surgem mais facilmente. Sem contar que a diferença de temperatura na superfície de um asfalto escuro em comparação com um claro pode chegar a 30ºC, submetidos às mesmas condições e tempo de absorção. O cénario fica pior quando os objetos são os telhados. "A diferença entre um telhado branco e um escuro, debaixo do mesmo sol, pode chegar a 50ºC", afirma Akbari. Mas os problemas causados pelo aquecimento dos centros urbanos não terminam por aí.

A alta temperatura, em conjunto com a poluição de grandes cidades como Los Angeles e São Paulo, também aumenta a concentração de ozônio no ar atmosférico. A longa exposição ao elemento degrada o pulmão e expõe os tecidos do corpo a este componente altamente oxidante. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe -, além de modificar o equilíbrio ambiental, ele altera a bioquímica das plantas em escala significativa. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos - EPA -, as perdas anuais naquele país causadas pelo excesso de ozônio na atmosfera têm chegado à casa de US$ 500 milhões.

"Em Los Angeles, estima-se que o custo do ozônio no ar é de cerca de US$ 3 bilhões anualmente, no que se refere ao gasto das pessoas caso fiquem doentes para ir aos hospitais e por não poderem ir ao trabalho", exemplificou. "Se você reduzir a temperatura na casa de 2ºC a 3ºC, a quantidade de ozônio cai significativamente entre 10% a 20%", concluiu.

Para Akbari, o futuro do homem em um planeta cada vez mais "concretizado", em referência ao aumento das áreas urbanas asfaltadas e à diminuição das regiões verdes, está estritamente ligado ao comprometimento com a vida e à necessidade de se pensar localmente para chegar a um objetivo global. E, de maneira simples e direta, tudo pode e deve começar na casa de cada cidadão." Os cool roofs são a maneira mais lucrativa de fazer uma casa ficar confortável e ao mesmo tempo economizar dinheiro", concluiu.

São Paulo é bom candidato para aderir ao programa

Akbari veio ao Brasil nesta semana - onde participou da 2ª Green Building, exposição e conferência sobre práticas sustentáveis na consttrução civil - para buscar a adesão da cidade de São Paulo como um dos grandes centros urbanos do projeto. "Ter São Paulo seria ótimo pelo que ela representa. Vamos cuidar de 20 milhões de pessoas. Além disso, a energia aqui é muito cara, então economizar seria excelente", disse o professor.

O projeto de mensuração da temperatura e proposição de soluções acontece em algumas cidades no planeta, como Nova York e Chicago, nos EUA. Outros centros urbanos estão considerando neste momento entrar no programa, como Los Angeles, Atlanta, Milão e Roma, na Itália, e algumas cidades do Oriente Médio. Akbari ainda quer, além de São Paulo, Nova Déli (na Índia) , Tóquio e Osaka, no Japão, e mais algumas cidades na África.

Para isso, o professor espera o comprometimento de autoridades políticas destes países e afirma a necessidade de um planejamento para o futuro que pense no meio-ambiente e em maneiras de tornar os ambientes urbanos mais "amigos" do planeta.

dp

Fonte: Terra.Ashem Akbari corre o mundo divulgando a proposta de 'clarear' telhados e cidades

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Morre um dos gênios do humor brasileiro.

Morre o humorista José Vasconcellos, aos 85 anos

da Redação do UOL.
Morreu na madrugada desta terça (11) o humorista José Thomaz da Cunha Vasconcellos Neto, aos 85 anos. Ele era conhecido por viver o personagem Ruy Barbosa Sá Silva na "Escolinha do Professor Raimundo", da Globo, e "Escolinha do Barulho", da Record.



José Vasconcellos sofria de Alzheimer, tinha problemas nos rins e estava internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, quando sofreu uma parada cardíaca.



Logo no início da manhã, Rick Régis, sobrinho do comediante, usou o Twitter para dar a informação: "Olá Homero, perdemos o Pai do humor: José Vasconcellos", disse, referindo-se a Homero Salles, diretor do "Programa do Gugu" e da "Escolinha do Gugu". Prontamente, ele também escreveu no microblog: "PERDI MAIS UM AMIGO....JOSÉ VASCONCELOS, UM DOS MAIORES HUMORISTAS DO BRASIL...".



Após várias mensagens em tom de homenagem, Homero pediu: "A nova geração de ’comediantes’ tem obrigação de rever vts de um dos precursores do stand up...ele fazia ’solo’ há decadas".



Segundo amigos da família, o velório de José Vasconcellos deve acontecer ainda hoje. Ele será cremado, segundo seu próprio desejo, e depois removido para o crematório de Embu das Artes, em SP.



Natural de Rio Branco, no Acré, José Vasconcellos era considerado um dos maiores nomes do humor brasileiro. Iniciou sua carreira no rádio e ganhou destaque interpretando personagens gagos, como o Ruy Barbosa Sá Silva.



Na década de 60, criou o projeto "Vasconcelândia". A ideia era montar um parque de diversões em Guarulhos/SP, semelhante à "Disneylândia". Porém, o projeto acabou não sendo realizado.



O humorista deixa sua esposa, dona Irene, e quatro filhos.