sábado, 3 de dezembro de 2011

Edição da Tribuna do Norte deste domingo, 4, não publica nada, mas O POTI/DN ...

Política


Edição de domingo, 4 de dezembro de 2011
e seus repórteres assinam reportagem sobre os últimos escândalos na taba potengina. Leiam a matéria de O POTI:





Corrupção: 4 grandes operações só neste ano
Os desvios dos recursos públicos têm consumido uma quantia expressiva do dinheiro do contribuinte potiguar

Allan Darlyson // allandarlyson.rn@dabr.com.br



Passou o tempo em que os atos de improbidade administrativa dos políticos não se faziam notar pela população brasileira. Com a forte atuação do Ministério Público (MP) e a cobertura da imprensa, as ações desonestas dos gestores públicos começaram a vir à tona. Até a década passada, era incomum ver um prefeito, um vereador ou um governador preso ou denunciado como cabeça de um escândalo de corrupção. A situação mudou.



De 2007 para os dias de hoje, os políticos brasileiros têm sido protagonistas das grandes denúncias. No Rio Grande do Norte os Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) têm se desdobrado. Só neste ano, o MPE e o MPF realizaram quatro operações envolvendo políticos no RN: Via Ápia, Hefesto, Pecado Capital e Sinal Fechado. No rol de políticos investigados por corrupção, somam-se os denunciados pela Operação Impacto, realizada em 2007, e a Operação Hígia, deflagrada em 2009.



A Operação Impacto, que indiciou 21 réus, foi a primeira que expôso jogo sujo nos bastidores da política. O MP acusa vereadores de Natal de receberem propina para votar a favor dos interesses dos empresários contra veto do então prefeito Carlos Eduardo (PDT) no projeto do Plano Diretor de Natal. O atual presidente da Câmara, vereador Edivan Martins (PV), junto com os vereadores Adenúbio Melo (PSB), Dickson Nasser (PSB), Adão Eridan (PR), Aquino Neto (PV) e Júlio Protásio (PSB) respondem ao processo instaurado no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.



Dois anos depois do escândalo da Impacto, os potiguares foram pegos de surpresa por mais uma operação. Durante a Hígia, deflagrada pelo MPF, o filho da então governadora Wilma de Faria (PSB), o advogado Lauro Maia (PSB), foi preso junto com mais 12 acusados de formar um esquema de desvio de dinheiro da Saúde. A operação cumpriu mais de 40 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. O caso teve repercussão nacional e desgastou o governo do PSB, que acabou derrotado nas urnas em 2010.



Passado o ano eleitoral, oMPF voltou a agir. Em abril deste ano, o órgão, em parceria com a Polícia Federal, deflagrou a Operação Via Ápia, que prendeu o engenheiro Gledson Maia, sobrinho do deputado federal João Maia (PR), e o ex-superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fernando Rocha. Os dois haviam sido indicados para o cargo pelo deputado. Apesar de não ter sido envolvido na investigação, João Maia teve sua imagem pública abalada com o caso. Durante a operação, a PF efetuou 10 prisões.



Em setembro deste ano, o MPF deflagrou duas operações: Pecado Capital e Hefesto. A primeira denunciou nove pessoas pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Na ocasião, foram presos os irmãos Rychardson e Rhandson Rosário de Macedo Bernardo e a mãe deles, Maria das Graças de Macedo Bernardo. Os três são suspeitos de desviarem dinheiro do Instituto de Pesos e Medidas do RN (Ipem/RN). O protagonista político do escândalo foi o deputado estadual Gilson Moura(PV), que indicou Rychardson paraa presidência do Ipem e tem seu nome citado em gravações suspeitas.



A segunda operação, de setembro, foi denominada Hefesto. Na ocasião, a PF esteve na casa do vereador Enildo Alves (DEM), no Tirol, para cumprir um dos mandados de busca e apreensão. A Operação investiga indícios de formação de cartel no setor de combustíveis , como a pouca oscilação da margem média de revenda; a margem de revenda do combustível em Natal ser superior ao padrão da margem média observada para todo o RN.



Para finalizar 2011, mais um escândalo veio à tona. No mês passado, a Operação Sinal Fechado, realizada pelo MPE, prendeu 13 pessoas suspeitas de montar um esquema de fraude no processo de implantação da Inspeção Veicular no RN. Pelo menos três políticos se destacaram como protagonistas do escândalo: o suplente de senador João Faustino (PSDB), o ex-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que desafiou o MP a provar seu envolvimento no esquema.



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+ Mais

Operação Impacto: juiz espera julgar processo até o final do ano



Operação Hígia: Justiça ainda toma depoimentos



Operação Via Ápia: Sobrinho de João Maia é réu em processo



Sinal Fechado: Justiça aguarda denúncia do MP



Operação Hefesto: Ministério Público não apresentou denúncia



Pecado Capital: Principal suspeito aguarda julgamento na prisão

Ex-governadora Vilma envolvida no escândalo do Sinal Fechado.

MP denuncia 34 pessoas por fraudes

Publicação: 03 de Dezembro de 2011 às 00:00
Tribuna do Norte - Natal.

Marco Carvalho e Ricardo Araújo - repórteres



O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia à Justiça contra 34 pessoas investigadas por supostas fraudes envolvendo o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN). As acusações foram formalizadas ontem à tarde pelos promotores de Justiça da Defesa do Patrimônio Público. Crimes como formação de quadrilha, peculato, extorsão, corrupção ativa e passiva, fraude e dispensa ilegal de licitação são alguns dos delitos atribuídos aos acusados. Dentre os 34 suspeitos estão os ex-governadores do Estado Iberê Ferreira de Souza e Wilma Maria de Faria. Também foram denunciados o suplente de senador João Faustino Ferreira Neto e o atual diretor-geral do Detran, Érico Vallério Ferreira de Souza.



Alberto Leandro

Atual diretor do Detran-RN, Érico Valério Ferreira de Souza, é um dos 34 denunciados pelo MP



saiba maisSinal Fechado: infográfico explica funcionamento do suposto esquemaSinal Fechado: MP denuncia Wilma, Iberê e mais 32 pessoasSinal Fechado: juíza nega prisão preventiva de cinco suspeitos e libera o primeiroSinal Fechado: MP pede conversão de prisões temporárias em preventivasSinal Fechado: MP afirma que documentos apreendidos confirmam fraudesSinal Fechado: PM apreende tablet após revista no alojamento dos detidosO advogado George Anderson Olímpio da Silveira, apontado como líder da suposta organização criminosa, também é denunciado por cinco crimes. Outros empresários, políticos e ex-diretores do Detran compõem a lista do MP. O próximo passo do processo é a decisão da juíza Emanuella Cristina Pereira Fernandes em acatar integral ou parcialmente ou ainda rejeitar a denúncia oferecida pelos promotores de Justiça.



Em comunicado à imprensa, o Ministério Público afirma que "as provas são tão contundentes da existência do esquema que mesmo tendo analisado apenas 1/6 de todo o material apreendido durante a operação, já foi suficiente para embasar a denúncia ajuizada hoje [ontem]".



Os promotores relataram que novas interceptações telefônicas, telemáticas e informações bancárias ocorreram, além das já disponibilizadas através da petição. O MP esclareceu, no entanto, que depende de autorização judicial para divulgar o conteúdo obtido através da investigação.



Em decorrência dessa ausência da apresentação das informações, várias perguntas ficarão sem respostas por enquanto. Por exemplo: como os promotores justificaram a participação de Wilma Maria de Faria e Iberê Ferreira de Souza no suposto esquema, já que as prisões deles não foram pedidas em um primeiro momento por falta de provas.



Pesa contra Wilma de Faria as acusações de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e fraude em licitação. Contra Iberê, há as mesmas acusações e ainda soma-se dispensa ilegal de licitação.



O MP aguarda agora manifestação do Poder Judiciário que deve ocorrer somente na segunda-feira, já que durante o final de semana apenas o plantão do judiciário está em funcionamento.



A operação Sinal Fechado foi deflagrada na quinta-feira da semana passada e houve cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão no RN, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Foram presas 13 pessoas, sendo duas em Curitiba, uma em São Paulo e uma em Porto Alegre e as restantes no Rio Grande do Norte.



A investigação ocorreu entre os meses de fevereiro e novembro deste ano e constatou três supostas fraudes envolvendo o Detran/RN. A primeira diz respeito a taxa de registro de financiamento de veículos, tornada obrigatória durante a gestão do diretor-geral Carlos Theodorico de Carvalho Bezerra.



O segundo ato ilícito ocorreu em 2010, quando foi celebrado contrato emergencial com a empresa Planet Business para cobrança de taxa similar. Por fim, é questionado todo o processo que envolveu a elaboração do edital da inspeção veicular ambiental, e a empresa vencedora: o Consórcio Inspar.



Denunciados pelo Ministério Público



Lista foi divulgada ontem pelo MP e aponta acusações sobre cada um dos envolvidos em supostas fraudes no Detran-RN



1 - George Olímpio



advogado e empresário. É considerado pelo MP o mentor de processos fraudulentos no Detran/RN;



Situação: detido na Operação Sinal Fechado, de forma preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, extorsão, peculato, fraude em licitação, dispensa ilegal de licitação e corrupção ativa.



2 - João Faustino



suplente do senador José Agripino. Acusado de atuar como negociador entre os acusados pela Operação Sinal Fechado e, por isso, receberia R$ 10 mil/mês.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado, mas liberado pelo STJ, ontem, 2 de dezembro.



Acusação: formação de quadrilha, extorsão, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e fraude em licitação.



3 - Wilma de Faria



ex-governadora do RN, receberia 15% dos lucros do Consórcio Inspar.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e fraude em licitação.



4 - Iberê Ferreira



ex-governador do RN, teria assinado leis e decretos regularizando o funcionamento do CRC e a contratação da Inspar. Receberia 15% dos lucros do Consórcio.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



5 - Lauro Maia



filho de Wilma de Faria, é acusado de receber mesada de R$ 10 mil para intermediar negociações entre a ex-governadora e George Olímpio.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, tráfico de influência, corrupção passiva e fraude em licitação.



6 - Alcides Fernandes Barbosa



lobista paulista, acusado de obter contratos com o poder público de forma fraudulenta; receberia 5% dos lucros da Inspar para garantir que a Controlar não participaria do processo licitatório.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado de forma preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, tráfico de influência e fraude em licitação.



7 - Marcus Vinícius Furtado da Cunha



ex-procurador-geral do Detran/RN, acusado de receber propina mensal no valor de R$ 10 mil e vantagens com a contratação do Consórcio Inspar.



Situação: sua prisão preventiva foi decretada na Operação Sinal Fechado e hoje ele está preso.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



8 - Carlos Theodorico de Carvalho Bezerra



ex-diretor geral do Detran/RN, acusado de ter contribuído para as fraudes da organização comandada por George Olímpio, tendo celebrado os convênios com o IRTDPJ/RN e Inspar.



Situação: detido pela Operação Sinal Fechado, mas prisão temporária foi prorrogada uma vez e relaxada ontem, 2 de dezembro.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



9 - Marcus Vinícius Saldanha Procópio



genro do suplente de senador João Faustino, é tido como lobista e teria recebido R$ 5 mil/mês para contribuir com as fraudes.



Situação: detido pela Operação Sinal Fechado, mas prisão temporária foi prorrogada uma vez e relaxada ontem, 2 de dezembro.



Acusação: formação de quadrilha, extorsão, peculato, tráfico de influência e corrupção ativa.



10 - Eduardo de Oliveira Patrício



amigo, ex-cunhado e colaborador de George Olímpio na fraude da inspeção veicular. Teria doado dinheiro irregularmente para campanha eleitoral na Paraíba, com o intuito de implementar a inspeção naquele Estado.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.



11 - Marco Aurélio Doninelli Fernandes



apontado pelo MP como "guru" espiritual de George Olímpio. Teria participado das fraudes contribuindo, aconselhando Olímpio a firmar contratos com o poder público.



Situação: detido pela Operação Sinal Fechado, mas prisão temporária foi prorrogada uma vez e relaxada ontem, 2 de dezembro.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e fraude em licitação.



12 - José Gilmar de Carvalho Lopes



empresário e sócio oculto da Inspar. Teria contribuído com os terrenos para a construção das bases para inspeção veicular.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado. Liberado ontem (2 de dezembro), por habeas corpus.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.



13 - Edson Cézar Cavalcante Silva



sócio da Inspar e proprietário da Inspetrans. Teria pago R$ 2 milhões a Olímpio que seriam usados no pagamento de propinas a agentes públicos.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado - prisão temporária revertida para preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e fraude em licitação.



14 - Carlos Alberto Zafred Marcelino



sócio da NEEL Brasil Tecnologia, empresa que compõem o Consórcio Inspar. Teria participado ativamente do processo fraudulento para contratação da concessionária.



Situação: foragido. Pedido prisão temporária foi revertida para preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



15 - Luiz Antônio Tavolaro



ex-procurador geral de São José do Rio Preto, pediu demissão após a Operação Sinal Fechado do MP/RN. Teria colaborado com a formulação do projeto de lei que redundo na Lei Estadual nº 9.270/2009, que instituiu a necessidade da inspeção veicular no RN.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



16 - Jailson Herikson Costa da Silva



sócio minoritário da GO Desenvolvimento de Negócios Ltda. Teria contribuído com George Olímpio no processo da fraude de contratação da Planet Business, que opera o CRC, e da inspeção veicular.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e fraude em licitação.



17 - Caio Biagio Zuliani



sócio minoritário da GO Desenvolvimento de Negócios Ltda. Acusado de participação no processo de contratação da Inspar;



Situação: detido na Operação Sinal Fechado. Ontem sua prisão temporária foi revertida em preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



18 - Fabiano Lindenberg Santos Romeiro



operador financeiro da operação criminosa. Seria o responsável pelo pagamento de propina aos agentes públicos;



Situação: detido na Operação Sinal Fechado com prisão temporária revertida para preventiva ontem;



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e dispensa ilegal de licitação.



19 - Cézar Augusto Carvalho



sócio oculto da Inspar. Teria comprado 5% do negócio investindo R$ 500 mil. É diretor administrativo da Empresa Engelev;



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.



20 - Nilton José de Meira



sócio da Planet Business, empresa paranaense que assinou contrato emergencial fraudulento com o Detran/RN.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado. Ontem, sua prisão temporária foi revertida para preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



21 - Flávio Ganem Grillo



sócio da Planet Business, empresa paranaense que assinou contrato emergencial fraudulento com o Detran/RN.



Situação: detido na Operação Sinal Fechado com prisão temporária revertida para preventiva.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



22 - Marluce Olímpio Freire



tia de George Olímpio, transferiu todos os poderes para que o sobrinho operacionalizasse o IRTDPJ/RN, através de uma procuração.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa.



23 - Edson José Fernandes Ferreira



filho de João Faustino, é acusado de ter colaborado com a organização criminosa. Teria se valido da proximidade perante agentes públicos para defender interesses de grupos privados, sendo conhecido como "lobista".



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



24 - Jean Queiroz de Brito



sócio das empresas MBMO Locação de Softwares e DLJG Serviços de Administração e Gerenciamento Ltda. Prestou serviços ao IRTDPJ/RN e ofereceu o prédio das empresas para instalação da Planet Business.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



25 - Luiz Cláudio Morais Correia Viana



sócio das empresas MBMO Locação de Softwares e Equipamentos Ltda e DJLG Serviços de Administração e Gerenciamento Ltda. Suspeita-se que ofereceu o prédio das empresas para instalação da Planet Business.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



26 - Benevenuto Pereira Guimarães



sócio de Gilmar da Montana e sócio oculto da Inspar. Teria doado dinheiro irregularmente para campanha eleitoral na Paraíba com o intuito de instalar a inspeção veicular naquele Estado.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.



27 - José Confessor de Moura



trabalhou para Gilmar da Montana na construção dos centros de inspeção da Inspar, com participação nas negociatas do consórcio;



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.



28 - Priscilla Lopes de Aguiar



foi funcionária do antigo IRTDPJ/RN e atualmente é responsável pela Central de Registro de Cadastros (CRC) em Natal e Mossoró;



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e fraude em licitação.



29 - Eliane Beraldo Abreu de Souza



secretária de administração de São José do Rio Preto, tem ligação com Luiz Antônio Tavolaro.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



30 - Harald Peter Zwetkoff



diretor-presidente da Controlar, teria orientado Alcides Barbosa na implantação da inspeção veicular no RN e garantido que não participaria da licitação no estado em troca de participação nos lucros da Inspar.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação.



31 - Érico Vallério Ferreira de Souza



atual diretor-geral do Detran/RN.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: formação de quadrilha e fraude em licitação.



32 - Cíntya Kelly Delfino Patrício



funcionária da Delphi Engenharia, acusada de emprestar dinheiro a George Olímpio.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: lavagem de dinheiro.



33 - Maria Selma Maia de Medeiros Pinheiro



presidenta da Comissão Permanente de Licitação do Detran (RN).



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: peculato e fraude em licitação.



34 - Ruy Nogueira Netto



jornalista contratado pelo Consórcio Inspar para plantar notícias negativas sobre o Governo do Estado em jornais nacionais com o intuito de reverter a decisão de suspender as inspeções.



Situação: sem pedido de prisão.



Acusação: extorsão.
Veja abaixo no que consiste cada crime supostamente praticado pelos 34 acusados pelo Ministério Público na Operação Sinal Fechado
Tráfico de Influência
Consiste na prática ilegal de uma pessoa se aproveitar da sua posição privilegiada dentro de uma empresa ou entidade, ou das suas conexões com pessoas em posição de autoridade, para obter favores ou benefícios para terceiros, geralmente em troca de favores ou pagamento.
Pena: Reclusão de 2 a 5 anos e multa.
Formação de Quadrilha
De acordo com o artigo 288 do Código Penal Brasileiro, quando associarem-se mais de três pessoas para o fim de cometer crimes, está caracterizada a formação de quadrilha ou bando.
Pena: reclusão de 1 a 3 anos.
Peculato
O artigo 312 do Código Penal Brasileiro tipifica o peculato como crime de apropriação por parte do funcionário público. Pode ser de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou privado de que tenha a posse em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio. Além de, não tendo a posse, mas valendo-se da facilidade que lhe proporciona o cargo, subtrai-o ou concorre para que seja subtraído para si ou para alheio.



Pena: reclusão de 2 a 12 anos;



Dispensa Ilegal de Licitação



Licitação é o procedimento administrativo para contratação de serviços ou aquisição de produtos pelos entes da Administração Pública direta ou indireta. No Brasil, para licitações por entidades que façam uso da verba pública, o processo é regulado pela lei nº 8666/93 (Lei das Licitações). A Constituição Federal, determinou a obrigatoriedade da licitação para todas as aquisições de bens e contratações de serviços e obras, bem como para alienação de bens, realizados pela Administração no exercício de suas funções.



Lavagem de Dinheiro



Refere-se a práticas econômico-financeiras que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita de determinados ativos financeiros ou bens patrimoniais, de forma a que tais ativos aparentem uma origem lícita ou a que, pelo menos, a origem ilícita seja difícil de demonstrar ou provar. Ou seja, é dar fachada de dignidade a dinheiro de origem ilegal.
Corrupção Ativa e Passiva
O Código Penal, em seu artigo 317, define o crime de corrupção passiva como o de "solicitar ou receber, para si ou para outros, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem". A pena é de dois a doze anos de reclusão, além de multa.



A Corrupção Ativa consiste no ato de oferecer vantagem, qualquer



tipo de benefício ou satisfação de vontade, que venha a afetar a moralidade da Administração Pública. Só se caracteriza quando a vantagem é oferecida ao funcionário público.
Justiça libera cinco acusados
No início da tarde de ontem, a juíza Emanuella Cristina Pereira Fernandes, da 6ª Vara Criminal de Natal, decidiu converter em preventivas as prisões temporárias de cinco pessoas envolvidas e detidas no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar durante a Operação Sinal Fechado. De acordo com o texto da decisão, Edson Cézar Cavalcante Silva, Fabiano Lindemberg Santos Romeiro, Caio Biagio Zuliani, Nilton José de Meira e Flávio Ganem Grillo são o "braço operacional do esquema fraudulento" investigado pelo Ministério Público Estadual.
Estes cinco acusados se juntam a George Anderson Olímpio da Silveira, Marcus Vinícius Furtado da Cunha, Alcides Fernandes Barbosa e Carlos Alberto Zafred Marcelino (este último ainda foragido), que já tinham as prisões preventivas decretadas pela Justiça. Os demais envolvidos no esquema fraudulento de corrupção e pagamento de propina no Detran/RN - José Gilmar de Carvalho Lopes, o Gilmar da Montana, João Faustino Ferreira Neto, Carlos Theodorico de Carvalho Bezerra, Marco Aurélio Doninelli Fernandes e Marcus Vinícius Saldanha Procópio, tiveram suas prisões relaxadas.
O primeiro alvará de soltura foi assinado pela magistrada antes das 15h de ontem. A imprensa foi impedida de acompanhar a liberação dos empresários dentro da unidade militar após solicitação do comandante geral, coronel Araújo. Segundo ele, os familiares e advogados pediram que a imprensa não tivesse acesso ao local. "O Quartel é um espaço público, mas a liberação ocorreu fora do horário de funcionamento externo do Quartel", esclareceu. Somente às 17h45min, o oficial de Justiça chegou ao Comando Geral portando os alvarás de soltura de José Gilmar de Carvalho Lopes, Carlos Theodorico de Carvalho Bezerra e Marcus Vinícius Saldanha Procópio.

O alvará de soltura do suplente de senador João Faustino Ferreira Neto, foi assinado pelo acusado no Hospital São Lucas, onde está internado. Já o documento que garantiu o relaxamento da prisão de Marco Aurélio Doninelli Fernandes, foi encaminhado ao RS, onde ele estava preso. Nenhum dos acusados liberados no início da noite de ontem concedeu entrevista.
Novos nomes aparecem em denúncia
Nomes que antes não haviam sido citados ou apareciam pouco ao longo da petição, "ganharam força" e são listados como supostos criminosos pelo promotores de Justiça da Defesa do Patrimônio Público. O atual diretor-geral do Detran, Érico Vallério Ferreira de Souza, foi denunciado pelos crimes de formação de quadrilha e fraude em licitação. Na petição do "Sinal Fechado", Vallério é citado em interceptações telefônicas de terceiros. Os suspeitos dizem que tentarão convencer o atual diretor a entrar em nova negociata envolvendo a inspeção veicular ambiental.
O presidente da empresa Controlar, Harald Peter Zwetkoff, é outra novidade da lista. De acordo com a nota enviada pelo MP, Harald Peter é acusado dos crimes de formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. A empresa Controlar é acusada de participar do esquema fraudulento da inspeção veicular no RN. A petição do Ministério Público relata que a empresa recebeu dinheiro para não concorrer na licitação que contrataria a empresa responsável pelo serviço no estado, vencida pelo Consórcio Inspar. A Controlar é a responsável pelo mesmo serviço em São Paulo.
Também foi denunciada pelos promotores de Justiça Eliane Beraldo Abreu de Souza, secretária de administração do município de São José do Rio Preto. Associada ao ex-procurado-geral do município, Luiz Antônio Tavolaro, ela teria fraudado a licitação da inspeção veicular ambiental.
Rosalba diz que não aceitará corrupção

A governadora Rosalba Ciarlini afirmou ontem, em Mossoró, que manterá a mesma postura que adotou quando assumiu o Governo do Estado: não aceitará corrupção. As palavras da governadora foram direcionadas ao atual diretor-geral do Detran, Érico Vallério Ferreira de Souza, que foi incluído na lista dos denunciados pelo Ministério Público pela suposta prática de corrupção no órgão estadual.
A governadora também afirmou que continuará com a mesma transparência e que o caso envolvendo o diretor-geral do Detran será enviado para análise da assessoria jurídica do Governo. "O que digo é que tudo será feito de forma transparente e que manteremos a mesma postura e não aceitaremos corrupção no governo."
O ministro da Previdência Social, senador licenciado Garibaldi Alves Filho (PMDB), que desembarcou com Rosalba em Mossoró, disse que a denúncia formulada pelo Ministério Público é grave.
Garibaldi, disse que a denúncia formalizada pelo Ministério Público terá que ser devidamente apurada e julgada. "A denúncia agora vai para as mãos de uma juíza, que vai acolher ou não. Está bem entregue. Não adianta nós, políticos, fazermos comentários. Não sou daqueles que vai se aproveitar de uma situação para denegrir a imagem de ninguém."

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Instituto Histórico empossará novos sócios


Recebemos imeio do presidente interino do IHG/RN convidando para a posse coletiva de 24 novos sócios. A entidade, cujo presidente perpétuo, dr. Enélio Petrovich, está internado no hospital Casa de Saúde São Lucas, há cerca de um mês, passa por uma crise, em virtude de, não somente da ausência do seu timoneiro legal, mas pela semi-paralisia de suas atividades culturais nos últimos dois anos. O reforço de gente disposta a dar novos rumos ao Instituto Histórico e zelar pelo seu patrimônio, irá preencher as lacunas.
O convite tem o seguinte texto:



"A Presidência em exercício do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, convida Vossa Excelência e Família, para Sessão solene, em que tomarão posse na categoria de Sócio Efetivo, desta Instituição, os integrantes da lista inclusa, devidamente aprovados pela Diretoria.

Saudará os novos sócios, representando este Instituto, o historiador e escritor, Marcus César Cavalcanti de Morais. E, em nome dos empossados, falará o historiador João Felipe da Trindade.

Em seguida, fará o juramento em nome dos Sócios, ora empossados, o historiador e folclorista Severino Vicente, e tecerá outras considerações.

Após, em breve alocução, farão apreciação sobre seus novos livros, os sócios Cláudio Galvão e João Felipe da Trindade, respectivamente.

A sua presença abrilhantará o evento



Natal (RN), Dezembro de 2011



RELAÇÃO DOS NOVOS SÓCIOS





1. AUGUSTO MARANHÃO

2. AURICÉIA ANTUNES DE LIMA

3. CARLOS ADEL TEIXEIRA DE SOUZA

4. CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

5. GEORGE ANTÔNIO DE OLIVEIRA VERAS

6. GILENO GUANABARA

7. HOMERO DE OLIVEIRA COSTA

8. IVAN LIRA DE CARVALHO

9. JAIR FIGUEIREDO

10. JOÃO FELIPE DA TRINDADE

11. JOSÉ ADALBERTO TARGINO DE ARAÚJO

12. LÍVIO ALVES DE ARAÚJO DE OLIVEIRA

13. LÚCIA HELENA PEREIRA

14. LUIZ EDUARDO BRANDÃO SUASSUNA

15. MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS

16. MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO WANDERLEY DE CASTRO

17. MARIA JANDIR CANDÉAS

18. ODÚLIO BOTELHO

19. ORMUZ BARBALHO SIMONETTI

20. PEDRO VICENTE COSTA SOBRINHO

21. RACINE SANTOS

22. SEVERINO VICENTE

23. UBIRATAN QUEIROZ DE OLIVEIRA

24. UILAME UMBELINO GOMES





Dia 09.12.2011 - 6° feira

Horas: 20:00

Local: Salão Nobre do IHGRN

Rua da Conceição, 622









Jurandyr Navarro

Presidente em Exercício".

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

QUARTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2011

O VÔO RASANTE DO "AVIADOR" ALUÍZIO ALVES NO AEROPORTO DE SÃO GONÇALO!

Ô TERRINHA, A NOSSA!



Júnior Santos

Aeroporto de São Gonçalo do Amarante está com a construção da pista praticamente concluída



"Há cerca de um mês, os membros da Academia e do CEC se reuniram conjuntamente para discutir o assunto. Segundo Diógenes, houve consenso na escolha do nome de Aluízio Alves. No entanto, o presidente da ANL disse que "particularmente, preferia que o nome do aeroporto fosse 'Acadêmico Aluízio Alves', mas avalio que a decisão foi sábia. A atuação como ministro tem um peso maior. Estamos falando da nomenclatura de um aeroporto internacional e, como ministro, a biografia de Aluízio é riquíssima".



Aluízio Alves integrava a ANL onde ocupou a cadeira de número 17, cujo patrono era Antônio Basílio Ribeiro Dantas, intelectual que também foi governador do Estado.



O jornalista e membro da ANL, Ticiano Duarte, reconhece que é justa a homenagem ao ex-ministro Aluízio Alves. Para o escritor, a história do Rio Grande do Norte pode ser dividida entre antes e depois do político. "Existe um Rio Grande do Norte antes e um Rio Grande do Norte depois de Aluízio Alves. Aluízio sempre sonhou e lutou, a vida inteira, pelo desenvolvimento do povo potiguar. Ele foi grande e trouxe várias obras de infraestrutura e indústrias, mesmo fora do governo, para cá. A denominação do aeroporto de São Gonçalo é mais do que justa, é um reconhecimento a essa personalidade tão importante", afirmou.



Para o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) e também membro da ANL, Valério Mesquita, a proposta apresentada na Câmara dos Deputados deve ser aprovada, pois, para ele, "é uma forma de reconhecer o trabalho desbravador de Aluízio Alves". "Acho justa e necessária essa aprovação", completou.



"Aluízio Alves representa uma fronteira na história do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte", resumiu o jornalista, escritor e membro da ANL, Vicente Serejo. Segundo ele, a população de São Gonçalo do Amarante já demonstrou que é a favor da ideia, além disso, a proposta é "uma homenagem incontestável. Já temos o nome de Augusto Severo no aeroporto de Parnamirim e agora teremos o nome de Aluízio Alves nesse novo aeroporto internacional".



A ANL e o CEC sempre são consultados quando o Governo do Estado nomeia novos equipamentos públicos. Foi assim, por exemplo, com a ponte Newton Navarro. "Sugerimos nomes de personalidades que têm importância na história do Estado", explicou Diógenes da Cunha Lima." (Tribuna do Norte, 30/11/2011)



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COITADOS DE DONA MILITANA E DO SARGENTO MENEZES...!




Dona Militana, romanceira





O AEROPORTO...



"Nome da romanceira de São Gonçalo do Amarante é mais uma aposta que surge para o batismo da obra" (Sérgio Vilar, no Diário de Natal))





Não vá nessa não, Sérgio!

Pobre da Dona Militana - morreu com o Tesouro Estadual lhe devendo!

Você, meu caro, acha que tem quem tome do juramentado politiqueiro Aluízio Alves o nome do Aeroporto - logo agora que o filho sabidório manda e desmanda em Brasília e aqui no Rio Grande sem Sorte?

Esqueça, meu jovem!

Dias atrás, passei um e-mail para Diógenes da Cunha Lima, velho contemporâneo, lembrando o nome do SARGENTO MENEZES (João Menezes de Melo), irmão de Othoniel, pioneiro e mártir da aviação brasileira, O PRIMEIRO AVIADOR DO RIO GRANDE DO NORTE, natalense da gema, morto, no Campo dos Afonsos, em 1920, aos 24 anos, num desastre, fazendo o tal do "parafuso da morte" - macho todo!

Sobre ele já escrevi muita coisa (querendo, procure no afamado Professor Google).

Pois bem, até que Diógenes, lá no tal Conselho de Cultura, em meio aos seus compenetrados pares, fez referência ao herói, atendendo o apelo.

Pelo visto, ficou por isso mesmo...

Aluízio, pois, corre na frente, disparado, na carreira - não tem quem pegue.

A Jerimunlândia, meu jovem jornalista, adora desconsagrar!

E o piloto era poeta também, como o irmão...

Ô terrinha, esta nossa, Sérgio!



Abraço,

Laélio Ferreira






Quadro existente no MUSAL (Museu Aeroespacial-Campo dos Afonsos/RJ)




Hangar "Sargento Menezes", construído em 1927, no Campo dos Afonsos/RJ, em homenagem

ao Sargento Piloto. Foi a segunda construção desse gênero de edificação; a primeira está à esquerda - levando o nome de "Santos Dumont". Continuam de pé, na atual Base Aérea dos Afonsos.




A Segunda Turma da Escola de Aviação do Exército (Campo dos Afonsos - 1920). Menezes é o n. 4, à esquerda,

com um dos joelhos no chão. Pelo menos três dos seus colegas alcançaram o generalato. No centro, com

o capacete e logo abaixo da hélice do "Nieuport", o Capitão francês Etiene Lafay, responsável pela morte

do aviador natalense - o primeiro a receber o brevê do Aeroclube Internacional da França, em maio de 1920.




O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao

que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos

Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)

SARGENTO MENEZES






3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo

O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.

A RUA SARGENTO MENEZES

Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...

Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.

Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.

Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.

Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu! Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta.








Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I






1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.




Foto do Campo dos Afonsos em 1919




Hangar Sargento Menezes em 2001

Colaboração: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho











SEGUNDA-FEIRA, 25 DE ABRIL DE 2011

O SARGENTO MENEZES E O BRIGADIER-GENERAL URUGUAIO

http://www.pilotoviejo.com/elpajaroblanco.htm



Prólogo

Laferre de Melo es un ex-periodista brasileño, oriundo de Natal.

Su tío João Menezes de Melo, el Sargento Menezes, fue un héroe y un temprano mártir de la Aviación Militar brasileña. Los precursores uruguayos Tydeo Larre Borges, José Luis Ibarra y Coralio Lacosta, fueron sus compañeros de "turma", en el curso de vuelo realizado en 1920, en el Campo dos Afonsos, en Río de Janeiro.

Este relato es uno de tantos que ha publicado con los temas de los gloriosos comienzos de la aviación verde-amarelha. Laferre de Melo cuenta que la anécdota del "Pássaro Branco", así como la "gaffe" social de Larre Borges, están aún frescas en la memoria colectiva de su tierra natal.

Pilotoviejo

















No tempo dos americanos





O “PÁSSARO BRANCO”





Antes do tempo dos americanos, numa madrugada de muita chuva e relâmpago, voando baixo e sem nenhuma visibilidade, o monomotor Breguet passou por cima de Parnamirim, roncando. Pouco depois, no lusco-fusco do alvorecer, os poucos moradores da Fazenda “Maracujá”, em Santo Antônio do Salto da Onça, assombrados, ouviram o rojo daquele “bicho do céu” torando mato ralo no tabuleiro até parar, fumaçando, nas moitas de xiquexique. Correu, todo mundo, para acudir. Um dos aviadores, socorrido pelo colega, gemia baixo, com profundo corte na testa. Destroçado, o avião, pintado de branco, tinha, na fuselagem, a figura azulada de um pássaro e uma legenda: “L’Oiseau Blanche” (“O Pássaro Branco”). Começara mal, para os tripulantes, o raiar do dia 17 de dezembro de 1929.Voando a 150 KMs por hora, com um moderníssimo motor Lorraine de 450 HPs, tinham saído de Sevilha (La Tablada), na Espanha, 48 horas antes da queda, ao meio-dia de 15 de dezembro. Haviam sobrevoado o Marrocos e a Mauritânia – de onde, em Port Etienne, embicaram na direção da América do Sul. Natal e Parnamirim serviriam apenas como pontos de referência. A meta, o recorde que buscavam, era chegar a Montevidéu, no Uruguai, sem escalas. São Pedro e a tempestade não permitiram! Viram, de longe, do mar, o piscar do farol da Fortaleza dos Reis Magos. Neca de Parnamirim, da pista dos franceses da Aeropostale! Tudo breu, escuridão !

Molhado, sangrando na testa, o fidalgo Capitão León Challe, do Exército francês, herói condecorado na Grande Guerra, filho de General, detentor de mais de uma dezena de recordes mundiais de aviação, é acolhido com carinho por um casal de velhos, na humilde casinha de taipa e chão batido. O Tenente-Coronel Tydeo Larre Borges, do Exército uruguaio, na solidária companhia de vaqueiros, vai pedir socorro na vizinha Fazenda “Jucá”, de Epaminondas Martins, por coincidência Prefeito do município.

Tydeo Larre Borges, nesse final de década (1929), já era figura legendária no Uruguai e tinha, tanto quanto o francês Challe, renome internacional. Dois anos antes, em 03 de março de 1927, comandando um hidroavião, o “Uruguay”, caiu no litoral marroquino (Guad Fatma) e com três companheiros de vôo foi capturado por nômades do deserto, que pediram resgate de 5.000 pesetas ao governo do Marrocos Espanhol. No dia 05, os franceses da Aeropostale, Ville e Mermoz, baseados em Cap Juby, localizaram os restos da aeronave. Presos aos lombos de camelos, os uruguaios foram localizados, do ar, no dia 07, por Guillaumet e Riguelle. Exupery – aquele mesmo, o do “Pequeno Príncipe” - e Reine, no dia seguinte, chegam ao acampamento dos seqüestradores, em Puerto Casando, para negociar. Os árabes, alvoroçados, resolvem aumentar o preço para a soltura de Larre e seus companheiros. Estabelecida a confusão, três reféns correm para o Breguet de Reine. Borges, num golpe de sorte, entre tiros e desaforos em três idiomas, também se escafede no outro avião, com Saint-Exupery. Um dos pilotos resgatados foi o Capitão José Luis Ibarra. Coincidentemente ele e Larre Borges foram, no Campo dos Afonsos, colegas de turma do Sargento João Menezes, falecido em 1920, natalense, com quem fizeram larga amizade, no Rio. O diabo é que – vamos ver - a terra do Sargento não tratou muito bem o oficial uruguaio! Depois da estadia forçada no Rio Grande do Norte, obtendo alta León Challe, partiram os aviadores, no dia 22, para Montevidéu, onde foram homenageados. Além do pouso não previsto, do acidente, um incidente lamentável marcaria a passagem do futuro Brigadier General Larre Borges por Natal. Sem dúvida dolorido na alma e no corpo, acompanhando, no hospital, o tratamento do companheiro francês e amargando a derrota por não ter concluído o reide, ao não aceitar um intempestivo e provinciano convite para “um banquete de homenagem” na Escola Doméstica de Natal – na época era “chiquérrimo” ! –, o grande aviador entrou em rota de colisão com os costumes locais, provocando a ira da elite e o conseqüente ataque impiedoso da imprensa, açulada pelo padre João da Matta. Dias depois, de Montevidéu, com elegância, procurou desfazer o “imbróglio” constrangedor. Em cartas aos jornais da cidade, em bom português, afiançou a antiga admiração pelo Brasil, a convivência cordial com os brasileiros e a passagem pelo Campo dos Afonsos, revelando, ainda – para surpresa de muitos – ser a esposa (Elena Gallarreta Urrutia), a mãe dos seus filhos, brasileira ! Morreu de saudade, o Brigadier General, em 1984, aos noventa anos, uma semana depois da morte da sua Elena – com quem viveu setenta.



Laferre de Melo



(Publicado en "TRIBUNA DE PARNAMIRIM", Parnamirim/RN, octubre de 2003)







ÁBADO, 20 DE AGOSTO DE 2011

MUSEU AEROESPACIAL DO CAMPO DOS AFONSOS - II) SARGENTO-PILOTO JOÃO MENEZES




O editor do blogue, - sobrinho do pioneiro e mártir - à frente de um Nieuport semelhante ao

que vitimou, em 1920, o Sargento-piloto João Menezes de Melo (MUSAL, Campo dos

Afonsos, Rio de Janeiro - 2009)





http://www.reservaer.com.br/galeriahonra/sgtmenezes.html



SARGENTO MENEZES




















3º Sargento-Piloto João Menezes de Melo



"O Pesquisador e Jornalista Laélio Ferreira de Mello, que utiliza o pseudônimo de Laferre de Melo, é sobrinho do Sargento Menezes, e publicou na "Tribuna de Parnamirim", da cidade Parnamirim, RN, breve síntese da vida de seu tio, destacado militar, resgatando, assim, heróico episódio da História da Aviação Militar Brasileira.



A RUA SARGENTO MENEZES



Começando ali na Estação Ferroviária, quieta, sem bulício, está, existe, desde o tempo dos americanos, uma rua.“Sargento Menezes” é o seu nome. Raríssimas pessoas sabem, tanto ontem quanto hoje, quem foi o Piloto-Aviador JOÃO MENEZES DE MELO (1896-1920). Era natalense da gema, batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas de Melo (do Ceará-Mirim) e de Da. Maria Clementina Menezes de Melo (de Canguaretama). Desde 1927 é nome de hangar no Campo dos Afonsos (RJ) e no Campo de Marte (SP.). Um ano depois do seu sacrifício, em 1920, era (e é) rua em Bento Ribeiro, bairro carioca onde Ronaldinho nasceu e aprendeu a jogar bola. Somente há uns três ou quatro anos, decorridos oitenta, Natal, seu berço, sua terra, lembrou-lhe o nome para uma rua de periferia, nos cafundós-do-judas. Isso depois, parece, de um puxão de orelhas muito bem dado por Luiz G.M.Bezerra! Deixemos para lá a deslembrança do povo da Cidade dos Reis Magos...



Entretanto sobre um fato incontestável é bom, aqui, se dar notícia: no Estado, foi o povo de Parnamirim e os colegas aviadores do Sargento Menezes, na maioria “gente de fora” – como se dizia -, que antes, muito antes daqueles da capital, com clara primazia homenagearam o herói esquecido, pioneiro e mártir da Aviação Militar Brasileira.



Câmara Cascudo, dois anos mais novo (1898-1986), dizia-no “curumiaçu do meu lote” (leia-se “rapaz do meu tempo, da minha patota”), recordando-lhe “o espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, setembro de 1914, já de outubro a novembro, recruta ainda, prestou, como soldado de infantaria, “serviços de guerra” no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu - político metade-médico, metade-cangaceiro. Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio. Garboso 3º. Sargento, em fevereiro de 1920 era aluno da 2ª. Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no legendário Campo dos Afonsos. A Primeira, formada apenas por oficiais (12 capitães e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro. Apenas dois desses chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.



Essa 2ª.Turma do Sargento Menezes era formada por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato chegariam o uruguaio Tydeo Larre Borges – o maior herói da aviação platina – e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, do Exército Brasileiro. Entre todos, Menezes foi o primeiro a solar (voar só, sem instrutor), o primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e o primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar. Alegre, esportista (remador do Flamengo), elegante, fazia sucesso com as mulheres e era considerado por colegas e superiores como o melhor piloto do curso. Um indivíduo competente, uma “cobra criada” ! –dir-se-ia hoje.



Voando na manhã de 29 de setembro de 1920, notou um defeito no motor do caça “Nieuport”. Pousou para comunicar a ameaça de pane ao instrutor da Missão Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay (*). Além de não atendê-lo na requisição de outro aparelho para a manobra do “parafuso” (piruetas complicadas, desligando o motor, planando e religando) o francês, que não se dava bem com o Sargento, fê-lo de maneira sarcástica. Tomando a atitude do superior como uma ofensa ao seu brio - e não atendendo aos apelos dos colegas que lhe advertiam, nervosos, para o extremo perigo que correria - voltou ao avião, subiu, fez o que era para ser feito e... caiu!Falhara-lhe o motor ! Não havia pára-quedas, na época; tampouco condições de pouso de emergência. Antes de o avião espatifar-se nas cercanias da estação de trens de Marechal Hermes, livrando-se dos cintos, saltou, livre e só, para a morte. Tombou perto de um campo de futebol, no início da Rua Gravatá. Era solteiro, bonito e tinha só 24 anos de idade. Descansa na “Cripta dos Aviadores” do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Era o “Tio Joãosinho”, que não conheci - irmão do meu pai e também Poeta."



















Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos - 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay ( instrutor francês ), 8 Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11 Arthur, 12- N/I










1920 - Escola de Aviação Militar - Da esquerda para a direita: Prates; Rocha; Cunha; Vasques; NI; Scarniel; Level; Araújo e MENEZES.










Foto do Campo dos Afonsos em 1919




Hangar Sargento Menezes em 2001

Colaboração: Texto e fotos: Laélio Ferreira de Melo ( sobrinho do Sgt Menezes ), (Fotos:) Cel Av Fernando Hippólyto da Costa ( autor do livro Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira ) e Cel Av Manoel J. C. de Albuquerque Filho



(*) O Capitão francês picareta (e fazedor de negócios):









"Cia Nacional de Navegação Costeira - Independência



Em 25 de maio de 1922 voou o segundo avião projetado e construído pelo capitão Lafay, o Independência. O aparelho era um bimotor, biplano de três lugares, com motores Cleget importados, e realizou diversos vôos de longa duração sem, contudo, sensibilizar a cúpula da Marinha sobre o potencial técnico da empresa de Henrique Lage. Até meados dos anos 30, a Marinha continuou importando aviões para suprir suas necessidades ao invés de construir aeronaves no Brasil.



Fabricante: Companhia Nacional de Navegação Costeira

Motor: 2 Cleget

Autonomia: 3 Horas

Tripulantes 2

Passageiros: 3

Armamento: Nenhum



fotos Arquivo Carlos Dufrite








ICONOGRAFIA DO SARGENTO MENEZES






Histórico no MUSAL




A homenagem dos companheiros do Exército, em 1927 (o segundo hangar do

Campo dos Afonsos, com o nome do piloto. O primeiro, à esquerda da foto,

homenageava Santos Dumont)



Carta de Oswaldo Lamartine a Cláudio Galvão




Menezes, em 1917, no Flamengo, protestando

(V.carta de Oswaldo Lamartine, acima)





A HOMENAGEM DO IRMÃO



O aeroplano



A João Menezes de Melo (*) meu irmão.





Zunindo, em longas curvas singulares,

no esplendor de um verão americano,

– gigantesca libélula –, o aeroplano

galga o horizonte e apruma-se nos ares.





Em poucas horas, léguas, aos milhares,

vence; atinge o apogeu do vôo, ufano...

Paira, afrontosamente, soberano,

sobre florestas, precipícios, mares.





Sobre as nuvens! – É um pássaro fantasma!

Em baixo, a multidão segue-lhe, pasma,

a vertigem do assomo condoreiro...





Sobe, direto ao sol e à glória! e, avante,

leva-o – mais que a sua hélice possante –

o coração de herói do timoneiro!





Othoniel Menezes (in "Obra Reunida")





(*) João Menezes de Melo (Natal/RN, 1896-Rio de Janeiro/RJ, 1920).

Pioneiro e mártir da aviação militar brasileira (foi a sexta vítima). O primeiro

aviador do Rio Grande do Norte. Sargento-piloto, da 2ª. Turma da

Escola de Aviação do Exército. Voando num Nieuport (de caça), morreu,

caiu do céu, aos 24 anos, em Marechal Hermes, subúrbio do então Distrito

Federal, no Rio de Janeiro/RJ, nas proximidades do lendário Campo

dos Afonsos, no dia 29 de setembro de 1920. No início da carreira militar,

em 1913/1914, combateu, de arma na mão, os jagunços do “Padim Ciço”

do Juazeiro, no Ceará. Poeta, também. OM anotou, na primeira edição

deste livro: “Este soneto foi escrito para a glória de João Menezes, meu

querido irmão, morto no grande desastre de 29 de setembro de 1920, no

Campo dos Afonsos quando, intrépido sargento-aviador, tentava o Parafuso

da Morte, num dos aparelhos escangalhados que a França nos

impingiu. Deixa de ser publicado aqui o que se disse, a respeito, na revista

Terra Natal, porque pretendo, oportunamente, de maneira menos inócua,

estigmatizar o canalha do oficial francês responsável pela morte de João

Menezes”. (Nota de Laélio Ferreira, ob.cit.)

Postado por Laélio Ferreira de Melo às 03:52:00

PERFIL DA SEMANA - SGT. MENEZES - AVIADOR DE FATO EXCEPCIONAL - POR IRENIO DE FARO

por Somos Editora, terça, 1 de Novembro de 2011 às 11:40

O TRÁGICO FIM DE UM SARGENTO








Sargento-aviador João Menezes de Melo



Poucas pessoas sabem quem foi Sgt. Menezes (1896-1920), nome de rua no subúrbio carioca de Bento Ribeiro, e de dois hangares de Aviação — um no Campo dos Afonsos, também no Rio, e o outro no Campo de Marte, na capital paulista.

Segundo se sabe, é costume homenagear-se generais, brigadeiros, almirantes, altas patentes militares e raramente simples sargentos. A diferença é que o 3º sargento-aviador João Menezes de Melo não foi um militar comum, mas simplesmente um militar excepcional.

Mas, afinal, por que se homenagear um simples 3º sargento-aviador da antiga Aviação Militar Brasileira?

Vejamos:

João Menezes de Melo nasceu em Natal/RN e foi batizado em Nova Cruz. Filho do Capitão João Felismino Ribeiro Dantas e D. Maria Clementina Menezes de Melo.

Segundo o historiador e advogado Câmara Cascudo, Menezes foi sempre “um espírito esfuziante, comunicativo, original”. Alistado no Exército, em Natal, em setembro de 1914, de outubro a novembro, recruta ainda, prestou como soldado de infantaria, serviços de guerra no Ceará, combatendo os jagunços do Padre Cícero do Juazeiro, comandados por Floro Bartolomeu — um misto de político, médico, e cangaceiro.

Transferido, em 1915, para o 3º Regimento de Infantaria, no Rio, como 3º Sargento, em fevereiro de 1920, Menezes matriculou-se na 2ª Turma da Escola de Aviação Militar, sediada no Campo dos Afonsos, RJ. A primeira turma, formada somente por oficiais (12 capităes e tenentes), concluíra o curso em 22 de janeiro daquele ano.

Curiosamente, apenas dois desses alunos chegariam, mais tarde, a oficiais-generais: Henrique R.D.Fontenelle e Ivan Carpenter Ferreira.










O NIEUPORT 21E1 é uma aeronave de caça, para um só piloto, derivado do NIEUPORT 11 Bébé Nieuport (um dos melhores aviões de caça da Primeira Guerra Mundial). O modelo NIEUPORT 17 equipou as Forças Armadas de vários países aliados durante a Primeira Grande Guerra. No Brasil, o NIEUPORT 21E1 foi utilizado (de 1921 a 1930) como avião de treinamento da Escola de Aviação Militar, que funcionava no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro. O exemplar da foto, em exposição no Salão Velhas Garcas, do Rio, é uma réplica, montada com alguns componentes originais, dentre os quais: a cauda, a hélice e o motor. Especificações Técnicas Fabricado por Sociétè Anonyme des Etablissements Nieuport – França. Motor Le Rhône, 80 HP, radial rotativo, 9 cilindros Comprimento: 5,80 m Envergadura: 8,03 m Altura: 2,40 m Peso vazio: 370 kg Velocidade máxima: 150 km/h Alcance: 250 km



A 2ª Turma, à qual pertencia o Sgt. Menezes, muito mais heterogênea, era composta por dois tenentes, três oficiais uruguaios, onze sargentos, um cabo e um soldado. Ao generalato, segundo se sabe, chegariam somente Tydeo Larre Borges — o maior herói da aviaçăo uruguaia — e os sargentos Rodolpho Prates e Raul Dinoá Costa, os dois do Exército Brasileiro.

Dentre todos de sua turma, Menezes se destacou por seus primeiros lugares: primeiro a solar (voar só, sem instrutor), primeiro a receber o brevê internacional do Aeroclube da França e primeiro a concluir o curso de Piloto-Aviador Militar.

De temperamento alegre e atleta (era remador do Flamengo), Menezes era, além disso, bastante elegante, fazia sucesso com as mulheres. Consta que era considerado, por colegas e superiores, o melhor piloto do curso.



Foto de 1920 da 2ª Turma de Alunos: 3- Bandeira, 4- MENEZES, 5- Peixoto, 6- Level, 7- Lafay (instrutor francês ), 8- Vasques, 9- Rocha, 10- Reynaldo, 11- Arthur, 12- N/I.









Na manhã de 29 de setembro de 1920, percebeu um defeito no motor de seu caça Nieuport. Vai daí, pousou para comunicar o fato ao instrutor da Missăo Militar Francesa, Cap. Etienne Lafay. O problema foi que, além de năo atender à requisiçăo de uma outra aeronave, com a qual pretendia treinar operações de parafuso, Menezes foi recebido de modo sarcástico, visto que o instrutor não se dava bem com o sargento.

Levando a atitude de seu superior como uma ofensa pessoal, Menezes resolveu voltar a voar, apesar de seus companheiros o aconselharem a que não o fizesse, pois o defeito no motor do seu Neuport poderia evoluir para uma pane mais séria.

Pois bem: Menezes voltou à sua aeronave, executou com sucesso algumas das piruetas desejadas, até que os temores dos colegas se confirmaram: a falha no motor projetou a aeronave na direção do solo.

Pouco antes de o caça se espatifar no chão nas cercanias da estação ferroviária de Marechal Hermes, o piloto conseguiu se livrar dos cintos e saltar para o solo, mas já era tarde demais. Menezes caiu perto de um campo de futebol, no começo da rua Gravatá, falecendo em seguida.

Com apenas 24 anos de idade, o grande e experiente piloto encontrava tragicamente a morte. Seus restos mortais se acham na Cripta dos Aviadores, no Cemitério Săo Joăo Batista, no Rio de Janeiro. Foi o sexto mártir da aviação brasileira.



(Fonte: Artigo publicado na Tribuna de Parnamirim, de Parnamirim, RN, de autoria de Laferre de Melo, pseudônimo de Laélio Ferreira de Melo, sobrinho do Ten. Menezes e seu biógrafo).





Postado por Laélio Ferreira de Melo às 11:24:00 0 comentários

Dona Militana.
 
 
 
 
 
 
Sargento Menezes - nome de hangar em Campos dos Afonsos- Rio de Janeiro.