quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Americanos e a Al Qaeda estão juntos na Síria.

Obama e Al Qaeda estão do mesmo lado e apoiam oposição armada a Assad na Síria.
 no twitter @gugachacra
Gustavo Chacra - O Estado de S. Paulo. - 16.02.2012.

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Os Estados Unidos e a Al Qaeda estão do mesmo lado na Síria. Não que seja o errado. Mas não deixa de ser irônico que Washington e a rede terrorista compartam os mesmos interesses no conflito que opõe Bashar al Assad e a oposição.

Esta será a terceira vez que os EUA e os integrantes da rede terrorista adotam a mesma posição. A primeira, claro, foi no Afeganistão, nos anos 1980. Na época, o nome Al Qaeda ainda não existia. Diante de um governo aliado da União Soviética, os americanos treinaram e armaram os mujahedin e integrantes do Taleban. Uma década mais tarde, o Taleban, tratando as mulheres como lixo, dava guarida à Al Qaeda, composta por mujahedins como Bin Laden, que estiveram ligados ao 11 de Setembro.

Em 1991, os EUA lançaram uma guerra para expulsar as forças de Saddam Hussein do Kuwait. George Bush, o pai, evitou os erros de Ronald Reagan e não derrubou o regime e tampouco aceitou o apoio dos mujahedin, que eram inimigos radicais do regime de Bagdá. Uma década mais tarde, o ditador iraquiano era um “pato manco”, como dizem nos EUA, sem poder algum. Mas o Bush filho decidiu derrubá-lo e hoje o governo é o principal (isso mesmo) aliado de Teerã, maior inimigo dos americanos.

Desta vez, a administração de Barack Obama quer a queda de Assad. A Al Qaeda, também, afinal o governo sírio é o mais secular do mundo árabe, sendo tolerante com homossexuais, drogas, bebidas e proibindo, até pouco tempo atrás, que mulheres cobrissem a cabeça com o véu em prédios públicos. A rede terrorista estaria por trás de atentados contra o regime em Damasco e Aleppo. Cada vez mais, membros das milícias opositores se aliam aos herdeiros de Bin Laden. Seu sucessor, Ayman al Zawahiri, declarou apoio à oposição em Homs.

Mas, insisto, a Al Qaeda estar apoiando os opositores não significa que o movimento anti-Assad esteja errado. Apenas serve de advertência para os EUA. Na Líbia, bandeiras da rede terrorista são hasteadas em instituições governamentais. As armas também aos poucos passam para simpatizantes da organização de Bin Laden, que ocuparam o espaço de um regime derrubado justamente pela OTAN.

Na verdade, o maior inimigo dos EUA é o Irã. E, da Al Qaeda, também.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio

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