sexta-feira, 23 de março de 2012

Tribuna do Norte.

ARTIGO.

 

Homenagem e solidariedade

Publicação: 21 de Março de 2012 às 00:00

Ticiano Duarte - jornalista

Sábado passado, dia 17, estava em Recife quando recebi a notícia pelo telefone. Do outro lado da linha era Fernando Paiva anunciando a morte de Ernani Silveira. Estava impossibilitado de comparecer às últimas homenagens ao velho amigo, companheiro de trabalho na prefeitura de Natal, sob o comando de Djalma Maranhão, onde o conheci mais de perto e depois na maçonaria, como venerável da Loja "Bartolomeu Fagundes" e Grão-Mestre do Grande Oriente Independente do Estado do Rio Grande do Norte (GOIERN).

À frente da Prefeitura de Natal, no tumultuado processo de posse, como vice-prefeito, após a prisão e deposição do prefeito Agnelo Alves, deu prova cabal de sua honorabilidade, de correção, de conduta inatacável como gestor, no que diz respeito aos negócios da administração pública. Como desportista toda cidade aplaudiu a aplaude sua ação e sua obra de dirigente do ABC e porque não dizer em favor das nossas Federações, de futebol, de profissionais e de atletas amadores.

Ernani Silveira ex-seminarista, músico, maestro do coral da igreja Bom Jesus das Dores, nasceu em Macau, na cidade que o poeta Gilberto Avelino dizia que adormecia sob o vento leste, sua "angra solitária" que "Entre ferrugens e sombras descansa âncoras, e navegam/Fantasmas de barcos cinzentos". Ele, sobrinho do santo monsenhor Honório, era marcado pelo mesmo sentimento do poeta, que a cidade conhecera ainda menino: Volto/Ao meu chão de sal./Sempre volto/Ele o agasalha/Sara/encanta/embala/E nutre-me/com a mesma seiva/do leite materno".

Há um episódio na maçonaria em que ele é personagem, que registro, para exaltar sua lealdade e dignidade. Um ex-dirigente da sua Potência Maçônica, num momento de fraqueza ou de ambição pessoal, deixara a casa paterna, por assim dizer, e se fora para outras bandas levando algumas Lojas num gesto inopinado, com o objetivo de enfraquecer o GOIERN, instituição que ele (Ernani) ocupava a vice-presidência, como Grão-Mestre Adjunto. Sua reação foi de indignação e lealdade. Imediatamente assumiu o comando da Potência e deu rumo e caminho ao Grande Oriente Independente do Estado do Rio Grande do Norte, hoje incontestavelmente, vivendo sua fase áurea, de trabalho, de respeitabilidade, no cenário nacional, com três dos seus filiados alçados à Presidência da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB).

Ele sempre buscou unir os homens, como na lição de João Evangelista, que está também no lema da bandeira de nossa COMAB: Ut Omnes Sint! - Que todos sejam um só! O amor fraternal, que segundo o apóstolo Paulo, supera a Fé e a Esperança, juntando-se às duas, com as quais se formam às três virtudes principais.

Antônio do Carmo Ferreira, meu querido Grão-Mestre de Pernambuco, em pronunciamento recente enfatizou que "Não há passagem sequer nos ensinamentos da Maçonaria que não seja de exaltação ao amor". E cita uma declaração de Frei Caneca, em sua X Carta a Damão, que assinava como Pítia... "Os estatutos maçônicos são extratos dos Evangelhos". E o Grão-Mestre pernambucano conclui: "E que são os Evangelhos, senão uma história de Amor, não a uma porção, mas a toda a humanidade?".

Nesta hora quero prestar minha solidariedade ao amigo Onofre Junior, que agiu em legítima defesa e de sua mulher Sílvia, ameaçados pela arma do bandido posta em suas cabeças. Não faz muito que meus netinhos passaram por maus momentos, no calçadão da praia dos Artistas, numa tarde de sol. Os bandidos de armas em punho ameaçavam atirar se não entregassem os seus pertences. Um deles gritava para o outro: "Atira! Atira de todo o jeito... Atira...

O braço de Deus evitou uma tragédia. Os marginais continuam agindo impunemente. Onofre Junior é um médico que salvou muitas vidas, professor da nossa Faculdade de Medicina. Um homem correto e íntegro que orgulha sua geração e seus amigos.

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