domingo, 1 de abril de 2012


Muito
Edição de sábado, 31 de março de 2012 
Entrevista >> Adriano de Sousa

"O propósito da revista é a ilusão"

O que acontece quando um dos melhores poetas em atividade do Rio Grande do Norte e também publicitário de sucesso resolve editar e publicar uma revista literária de conteúdo exclusivo dedicado à história do estado potiguar? A segunda edição da revista Perigo Iminente (Editora Flor do Sal, R$ 40, 152 pág) chega hoje às livrarias. Já na manchete o estímulo à reflexão: "Pensar/ se/ potiguar", publicado sobreposto para instigar possibilidades. E elas continuam no subtítulo: "Recortes do espaço, vislumbres do tempo, rascunhos das gentes que in/definem a identidade da tribo". E prosseguem pelo resto da edição em diferentes formatos de linguagem. A questão da identidade potiguar é tratada na publicação sob diferentes ângulos literários, antropológicos, históricos e culturais. Os textos ora explicam, ora confundem, ora ressaltam, ora divertem, ora ironizam, ora comprovam e, por fim, refletem um recorte significativo do que é e quem é o potiguar. Cartas e tratados datados do século 16 se juntam a imagens históricas, artigos antigos e novos, poesias (muitas), textos historiográficos e ensaio fotográfico, finalizando com um teatro de mamulengos, para um recorte, no tempo e no espaço, do mar ao sertão, da capital ao seridó, do sal ao sol do Rio Grande do Norte. Já no editorial, o editor Adriano de Sousa explica: "Perigo Iminente não pretende reduzir a identidade potiguar a uma revista nem tenciona ser um panfleto contra a historiografia oficial. A pretensão é mais singela, mais lúdica: ser um pequeno almanaque do que somos e do que pensamos de nós. E divertir-se com isso. Não como um mero pastiche gráfico dos almanaques - esses googles analógicos, gutemberguianos, quase extintos como fontes de saber e lazer; antes, como uma antologia dos modos de ser potiguar, que, elaborados em épocas diferentes, coexistem no tempo histórico como possibilidades de explicação de nós.


Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
O que lhe motivou a criar a revista Perigo Iminente? Qual o propósito da revista?

A editora publica a revista pela mesma motivação de publicar livros: o prazer de editá-los e a ilusão de que isso é viável num lugar onde mais gente escreve do que lê. O propósito é a ilusão.

O nome da revista é uma provocação?

Não, não é uma provocação. É uma expressão bacana, criativa, de Manuel Dantas, tema do número 1. O nome veio dessa pertinência.

O projeto gráfico deste segundo número mudou bastante com relação ao primeiro. Será definitivo? Aliás, a revista se pretende anual?

A variação de forma (no volume e na linguagem gráfica) é para a revista variar de si mesma, assim como a temática. A periodicidade anual dispensa-a da obrigação com formatos estanques. Mas ela vai sempre se parecer com um livro.

O conjunto de textos (ou a própria manchete da revista), se analisado de forma contextualizada, deixa transparecer a alguns, certa ironia, no sentido de que o RN não tem identidade.Qual a opinião do editor para esta questão?

Se há ironia, é inconsciente. No editorial, está dito que a revista não pretende provar nenhum sim, nenhum não. Nem talvez. Ela não é um dossiê científico, embora contenha textos acadêmicos de qualidade; é um almanaque que reúne possibilidades de identidade. Um retrato inacabado, sob o photoshop contínuo da história e da cultura. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário