sábado, 21 de abril de 2012

O ácido fólico na prevenção de más-formações fetais

O foco das discussões durante a última semana esteve voltado para a
realização do aborto terapêutico no caso de fetos anencéfalos, uma
anomalia completamente incompatível com a vida na qual o concepto se
desenvolve sem a caixa craniana ou sem a maior parte do encéfalo. Essa
semana gostaria de lançar um olhar diferenciado não sobre a
má-formação congênita, mas sobre sua prevenção.
Toda mulher que deseja engravidar deve buscar um médico antes que isso
aconteça, pois com uma antecedência mínima de 3 meses ela deve iniciar
o consumo de ácido fólico. Trata-se de uma vitamina do complexo B,
hidrossolúvel e presente em alimentos como gema de ovo, fígado e
espinafre. Sua ingesta em doses adequadas é fundamental para o bom
desenvolvimento do Sistema Nervoso do feto.
Iniciar o consumo de vitaminas após o diagnóstico de gravidez tem uma
eficácia consideravelmente menor. A formação do tubo neural – o
Sistema Nervoso primitivo - ocorre entre a 3ª e a 4ª semana de
concepção. Quando a mãe percebe o atraso menstrual, o processo já
aconteceu. Dentre as patologias prevenidas através do consumo precoce
de ácido fólico, cita-se a anencefalia, a Síndrome de Down, a espinha
bífida, a meningomielocele, lábio leporino, má-formação cardíaca
dentre outras. Os defeitos do tubo neural ocorrem em cerca de 16 em
cada 10 mil nascidos vivos. O problema, no entanto, é que mais da
metade das gestações não são planejadas – entre as jovens, esse número
chega a 95% e entre as mulheres acima de 40 anos, 75%.
Esse ano completa-se 30 anos da obrigatoriedade da inclusão do iodo no
sal de cozinha. Com isso, diversas patologias tireoidianas são
prevenidas, dentre elas o cretinismo e o famoso bócio endêmico – o
crescimento excessivo da tireóide formando uma “bolota” ao redor do
pescoço. Essa foi uma grande vitória da saúde pública brasileira. O
mesmo a ANVISA vem tentando fazer com o ácido fólico. Desde 2004 é
obrigatória a fortificação das farinhas de milho e de trigo com ácido
fólico e ferro, garantindo com isso um suprimento básico para as
populações de baixa renda que, geralmente, não tem acesso médico
adequado, nem muito menos realizam planejamento familiar.
O cumprimento verídico de tal Lei traria benefícios tão grandes à
população brasileira quanto a inclusão do Iodo no sal. Uma medida de
baixíssimo custo e de amplitude considerável, dado o grande consumo de
farinha pela nossa população. Nos Estados Unidos, desde a
obrigatoriedade da fortificação dos alimentos feitos de grãos com
ácido fólico, a incidência defeitos do tubo neural reduziu-se em 25%.
Façamos o mesmo no Brasil.

Paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
paulo_tarcísio@hotmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário