segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pneumonias

       Todas as vezes que surge uma nova terapia de qualquer natureza que
seja e que se propõe a ser uma panaceia, isto é, a cura definitiva de
inúmeras patologias ao mesmo tempo, sempre fico com uma pulga atrás da
orelha. Por mais “lógico” que pareça, a evolução da ciência não se
baseia numa lógica observacional pura – as teorias necessitam de ser
postas em provas para que sejam confirmadas, ou não.
       Digo isso pois com o surgimento dos antibióticos alguns séculos
atrás, imaginou-se que dentro de alguns anos as doenças
infecto-contagiosas deixariam de existir. Acreditou-se nisso e, no
entanto, somente aqueles que ficaram vivos para ver constataram que
não foi isso que aconteceu. Só existe um método capaz de erradicar
doenças infecciosas: as vacinas. Não contávamos, décadas atrás, com a
astúcia das bactérias em criarem mecanismos de resistência contra os
antibióticos chegando a extremos que não temos o que fazer contra
elas!
       As pneumonias são um bom exemplo disso. Velhas conhecidas da
alopatia, tratam-se de patologias mediadas por uma bactéria, sendo a
mais comum delas o “pneumococo” na faixa etária adulta. Em todos nós,
seres humanos, bactérias vivem sem geralmente provocarem problema
algum na chamada microbiota– na verdade muitas vezes auxiliando em
nossa defesa. Misteriosamente, uma importante parcela da população
convive com o pneumococo em sua microbiota sem, no entanto,
desenvolverem doenças por muitos anos. Sabemos hoje que não basta um
“germe” para que uma doença se desenvolva, sendo também necessário o
terreno fértil para que ele “germine”.
       Como não temos o poder de atuar no “terreno”, isto é, na psique das
pessoas evitando que elas desenvolvam as doenças, atuamos nos
“germes”. Num adulto normal, as pneumonias costumam se manifestar com
febre, tosse cheia com secreção amarelada ou esverdeada, dor quando se
respira profundamente e um Rx e exame de sangue sugestivos, embora
esses exames não sejam necessários para que se dê o diagnóstico da
doença. Isso é o quadro típico num adulto normal. Crianças, idosos e
portadores de doenças como AIDS e câncer podem apresentar um quadro
completamente diferente e até mesmo jovens saudáveis podem
apresentar-se de maneira atípica. Só uma boa avaliação médica pode nos
dar o diagnóstico.
       O tratamento das pneumonias e com antibióticos e com medicações para
a febre. Ressalto, no entanto, que é fundamental que se faça todo o
tratamento prescrito pelo médico mesmo que você já se “sinta bem”. Não
gostamos de passar remédio e quando o assunto é antibiótico, menos
ainda. A interrupção do tratamento pela metade pode ajudar a criar
populações de bactérias resistentes aos antibióticos que temos até que
não tenhamos com que tratá-las.  À medida que se iniciarem as chuvas,
mais e mais doenças respiratórias surgirão. Na dúvida, procure seu
médico e se for confirmada a pneumonia, tome a medicação até o final.
O que “ofende” é não seguir o que está na receita.

paulo Tarcísio Neto
Medicina UFRN
Paulo_tarcisio@hotmail.com

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