quinta-feira, 21 de junho de 2012

Padre e política.

Por Paulo Tarcísio Cavalcanti*
Jornalista tarcisiocavalcanti@bol.com.br http://ptarcisio.blogspot.com
A proximidade da campanha eleitoral deste faz voltar ao centro da discussão uma questão que não é nova: a presença de padres e outros representantes de religiões como militantes da disputa política.
Tem gente que é contra e tem gente que é a favor.
Há religiões, especialmente, as evangélicas, que até estimulam a conquista de espaço político-partidário por seus pastores.
Outras, como a Católica, ora admite, ora reprime a presença de padres na luta partidária.
Ou seja de tempos em tempos, cada  Igreja, isto é, cada Diocese, interpreta as normas do Direito Canônico que estabelecem essa proibição, em função de circunstâncias e interesses de cada momento.
Agora mesmo, aqui em Natal, o Arcebispo dom Jaime Vieira Rocha, emitiu comunicado aos padres deixando claro que a sua linha é a de seguir o que diz o Código de Direito Canônico.
E está lá, no parágrafo 3º do artigo 285: “Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil”. E, mais na frente, no parágrafo 2º do artigo 287, os clérigos são orientados a evitarem participar de partidos políticos e associações sindicais”.
Claro, sedimentando esse gesto de dom Jaime Vieira Rocha, lembrando tais preceitos do Direito Canônico, está o seu zelo apostólico. A política, não obstante constituir uma das formas mais sagradas do exercício da cidadania, está sujeita a muitas distorções, a muitos vícios e possui, em si mesma, um forte conteúdo divisionista.
Ou seja: Para um padre, cuja principal missão é evangelizar – e evangelizar “gregos e troianos” – quanto menor for o seu comprometimento com o que divide, com o que separa, com o que distorce, muitas vezes até sem medir distância, melhor.
É assim que compreendo a orientação e a diretriz que o arcebispo transmite ao seu rebanho. Agora, até por um dever de justiça, não posso deixar de reconhecer a grande contribuição que um padre, que eu tive o privilégio de conhecer, pôde oferecer à política e à administração do Rio Grande do Norte: o saudoso monsenhor Walfredo Gurgel, que foi governador do Estado, no período de 31 de janeiro de 1966 a 15 de março de 1971.
Que a lembrança dele e o exemplo que nos deixou sejam a luz para aqueles que, hoje, para entrar na política, tiverem que fazer a difícil escolha entre ser fiel ao seu ministério ou buscar nas urnas uma forma de contribuir para o resgate da atividade  política.
*Texto publicado na coluna do jornalista na edição desta quarta do NOVO JORNAL

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