segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fuja do Carrefour.


[PLURAL] Fuja do Carrefour.

FRANÇOIS SILVESTRE
Escritor
fs.alencar@uol.com.br
Fui a Natal. Precisava resolver algumas coisas e comprar uma televisão. Resolvi fazer isso no Carrefour; tem caixa eletrônico do Banco do Brasil e um chope de boa qualidade na praça de alimentação, apesar do banheiro mal cuidado e fedido. A compra teve tudo de normal, quase tudo. A primeira “TV” foi desaprovada no teste. O testador descobriu que fora usada. Voltei e me entregaram outra. Deixei a “televisão” no carro e voltei à praça de alimentação, onde sou conhecido, de longas datas, dos proprietários e garçons.
Após um certo tempo, fui embora. Ao chegar ao carro, nada notei. Quando mexi na capa do computador que deixara no banco dianteiro, notei que estava fofa. O computador sumira. Fui verificar a “televisão”; também sumira. Aparentemente nada arrombado.
Indicaram-me um senhor, aparentemente sério, responsável pela segurança. Numa pequena sala, ele passou a mexer em papéis, escrever numas folhas soltas, telefonar. Uns cinquenta minutos. Depois me disse: “O senhor resolva juridicamente”.
Perguntei o porquê da demora para ele decidir aquilo. “Se era pra resolver na justiça, por que o senhor me reteve aqui esse tempo todo”? Ele respondeu que era a rotina e que eu deixara o carro aberto. Perguntei: “Você fez a perícia”? Silêncio.
Tempo suficiente para a fuga do roubo.
Fui ao Via Direta fazer um BO policial. Descobri que uma porta do carro fora violada. Violação de perito. Voltei ao supermercado. Encontrei funcionários da “casa” entre risinhos, cochichos, sem qualquer atenção a mim. Num certo momento, um dos empregados, talvez ausente do esquema, aproximou-se e falou baixinho: “O senhor levou sorte. Tem coisa muito mais grave acontecendo por aqui”. Disse e saiu empurrando um carrinho de compras.
Conclusões de uma coisa terrível dos nossos tempos. Aprendi, por um amigo policial, que tudo tem uma explicação nessa atividade hoje institucionalizada. O fato de não levar a capa do computador é para o roubado sair dali pensado que nada aconteceu. Feito isso, libera a Loja da responsabilidade do estacionamento.
A demora, na sala de “segurança” da Loja é outra maçada para conseguir a segunda via da Nota Fiscal. Tudo muito suspeito. Você notou que grafei “televisão” com aspas? Pois é. No BO, da Polícia, foi descoberto que o Carrefour me vendera um Monitor e não uma Televisão. Um dentão no ligar da cioba.
Fui enganado na Loja e roubado no estacionamento. O Carrefour não é uma loja comercialmente digna. Fuja de lá. Té mais.
1 comment
1 François Cavalcante { 07.01.12 at 23:01 }
Já faz um bom tempo que o Carrefour e o Hiper Bompreco vem prestando um verdadeiro desserviço à população. Além do problema relatado por Silvestre é corriqueiro os preços divergentes, sempre mais caros do que anunciado nas gôndolas. Esses supermercados hoje vivem mais só cartão de credito e do mercado financeiro do que da prestação de serviços. Fiquemos atentos e boicotemos esses grupos.

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