terça-feira, 17 de julho de 2012

Antigos documentos no Fórum e no Museu de Macau
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Quando estive em Macau, em uma das minhas primeiras viagens, Benito Barros me levou até o cartório para procurar por inventários antigos. Mas lá, soube que estava tudo no Fórum Emídio Avelino. Soube, ainda, por Benito, que havia documentos, como velhos alistamentos eleitorais, no Museu José Elviro. No Fórum, Daniel Nasser me explicou que tinha que fazer uma petição para ter acesso ao arquivo. No Museu, Gilson Barbosa desconhecia a existência de tais documentos.
Em uma segunda vez, quando fui acompanhar a reportagem da TVU da nossa UFRN, para fazer uma matéria sobre a Ilha de Manoel Gonçalves, estive no Museu José Elviro, mas, novamente, não tive notícias dos documentos que Benito citara.
Depois que estive no Fórum de Assú e vi quantos documentos importantes já tinham desaparecidos, apressei minha ida para Macau em busca de documentos arquivados no Fórum Emídio Avelino. Parti para lá no dia 11 deste mês de julho, pela manhã, pois pretendia fazer uma nova investida no Museu, na parte da tarde.
Desta vez, Nossa Senhora da Conceição e o capitão João Martins Ferreira me ajudaram. Gilson foi lá para o fundo do Museu, abriu um depósito quadrado, e arrastou para cima uma série de livros antigos de Macau. Folheei, imediatamente, aqueles velhos livros. Eram atas da Câmara Municipal de Macau e alistamentos eleitorais, como informara Benito. Selecionei alguns mais importantes e comecei a fotografá-los. Deixei um único livro, mais robusto, para o dia seguinte, na parte da tarde, pois pela manhã minha missão seria no Fórum. Não deveria sair de Macau, sem as imagens desse livro de atas da Câmara Municipal de Macau, cujos registros começavam em 1848, e continha, tal livro, em uma das suas partes, termos de posse e juramento, de vereadores e juízes.
No dia seguinte segui para o Fórum. Por algum tempo esperei Daniel, funcionário do mesmo, que me acompanharia até o arquivo. Ele, embora trabalhasse no centro de Macau, morava em Diogo Lopes. O arquivo estava em reforma e nenhuma providência tinha sido tomada para proteger as caixas com os velhos documentos. Como não havia uma mesa para que eu pudesse fotografar os documentos, Daniel sugeriu que eu escolhesse alguns para levar para o Fórum, onde encontraria um lugar para fazer o trabalho. A maioria era constituída de inventários e questões de terra. Abrimos cada caixa, sujas de material daquela reforma, e fui escolhendo os mais importantes, por conta do pouco tempo que tinha.
Já no Fórum, comecei a fotografar vários daqueles documentos. Por conta do tempo, fui escolhendo as partes que me interessavam do ponto de vista genealógico. Escolhia os testamentos, se estivessem presentes nos inventários, e, também, as listas de herdeiros, pois, sempre são parentes, filhos ou netos.
Na lista dos processos, encontrei os inventários de Joaquim Rodrigues Ferreira e Felis Rodrigues Ferreira, dois filhos de Manoel Rodrigues Ferreira, e de sua mulher Izabel Martins Ferreira, que moraram na Ilha de Manoel Gonçalves e fizeram parte dos primeiros povoadores de Macau. Joaquim é considerado um dos fundadores do Alto do Rodrigues e seu irmão, Felis, de Pendências.
Outro inventário encontrado foi o de Manoel Jerônimo Caminha Raposo da Câmara. Ele foi casado com minha tia bisavó, Francisca Xavier Professora, filha de Miguel Francisco da Costa Machado e Anna Barbosa da Conceição.
Um outro documento,  que me chamou a atenção, é o que envolve Anna Fragosa de Medeiros, concubina e herdeira de Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, dono da Fazenda Morro. Há uma batalha de defesas nesse embargo de obras. Por isso, resolvi tirar uma cópia xerox do mesmo.
Todos esses documentos contêm muitas informações importantes para se reconstituir parte da História de Macau. Em um deles vi a cópia da escritura de venda de terras que Dona Francisca Rosa da Fonseca fez a Domingos Affonso Ferreira e ao tenente-coronel Bento José da Costa. Ainda está em tempo das autoridades se empenharem para preservação desses poucos documentos, antes que sejam destruídos de vez. Eles devem ser digitalizados, imediatamente. Por falar em digitalização, há um TAC entre a Fundação José Augusto e o IHGRN que não saiu do papel.
À medida que for examinando o que consegui copiar, irei postando neste jornal, na forma de artigos, ou no meu blog.
Os homens mudam as leis, mas as leis não mudam os homens. Está na hora de uma revolução na Educação.

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