sábado, 31 de março de 2012

Novo artigo de Paulo Tarcísio Neto.

Estimados,

Segue abaixo o texto da semana. Um pouco maior que o de costume para
compensar minha falha na semana passada.
Um abraço,

Paulo Tarcísio Neto






Menopausa e climatério
       Com o aumento da expectativa de vida na sociedade, diversas
patologias que no passado eram inexistentes vão se tornando cada vez
mais comuns. Hoje, entrar na fase dos “Enta” está longe de significar
o fim da vida, aproximando-se muito mais do começo de uma fase
maravilhosa regida pela maturidade e não pelo fervor, muitas vezes
cego, da juventude.
       Se a descoberta da pílula anticoncepcional é talvez o melhor símbolo
da emancipação feminina ocorrida no século XX, talvez a Terapia de
Reposição Hormonal venha dar continuidade a esse fenômeno garantindo
ainda mais qualidade de vida e, porque não, liberdade, às mulheres de
nossa era.
       Os ovários, órgãos que acumulam e amadurecem os óvulos, tem, entre
muitas outras funções, o papel de ser o centro produtor dos hormônios
femininos, conhecidos como progesteronas e estrógenos. O ciclo
menstrual e de fertilidade da mulher está intimamente ligado com esses
e outros hormônios.
       Por volta dos 45 anos, na maioria das mulheres, inicia-se o
climatério: os ovários passam a ter cada vez mais dificuldade pra
produzir a mesma quantidade de hormônios que produziam na juventude, o
que vai gerando alterações no ciclo menstrual das mulheres que vai se
intensificando até que ocorra a famosa menopausa – a última
menstruação da mulher. Com a falência ovariana, as taxas de hormônios
circulantes tornam-se drasticamente mais baixas.
       Apesar de se dizer por ai que “a menstruação é a saúde da mulher”,
para muitas pacientes seria um grande alívio entrar na menopausa se
ela se resumisse apenas ao cessar dos ciclos menstruais. O problema é
que a queda desses hormônios leva à ocorrência de diversos outros
sintomas que, esses sim, alteram em muito a qualidade de vida da
mulher.
       Os sintomas do chamado climatério incluem, além das famosas ondas de
calor, ou “fogachos”, alterações do sono, humor, do desejo sexual, da
lubrificação da mucosa vaginal, osteoporose etc. Para a alopatia, é a
alteração dos níveis hormonais que provoca todas essas alterações no
corpo da mulher. Não se sabe porque, exatamente, algumas mulheres
passam pelo climatério como se “nada estivesse acontecendo”, e outras
tem sua vida transformada quase num pequeno inferno.
       Caso o climatério seja algo insuportável, o melhor mesmo é procurar
um ginecologista. Existe, na atualidade, a opção da tão falada Terapia
de Reposição Hormonal (TRH).
Em geral, mulheres com sintomas muito fortes da menopausa se
beneficiam muito dessa terapia. Cada caso é um caso, no entanto, e a
que se avaliar em cada paciente se há indicação de iniciar a TRH.
O grande medo das pacientes é o risco de câncer associado á TRH. No
entanto, não há nenhuma comprovação científica de que a Terapia
aumenta os riscos, isto é, até agora a quantidade de mulheres com
câncer que fazem TRH é igual ou muito próxima da quantidade de
mulheres sem TRH que desenvolvem câncer.
       Na dúvida, e como sempre falo, o melhor é procurar um bom médico e
seu caso será individualmente considerado – como tudo deve ser em
medicina.

Paulo Tarcísio
Medicina UFRN
paulo_tarcisio@hotmail.com

Precatórios no TJ/RN: um balcão de negócios.

Política
Edição de sábado, 31 de março de 2012 
Ponteio

Aluisio Lacerda
aluisiolacerda@gmail.com

O Judiciário sangra

Quatro pontos graves nas revelações de Carla Ubarana vão fazer sangrar o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. O primeiro: os precatórios judiciais foram transformados num balcão de negócios. Nas palavras da principal denunciada: "O que fazíamos era comprar e vender". O segundo: a quebra desavergonhada da ordem cronológica. A precedência já estava no ordenamento constitucional desde 1934. A grande mudança veio com a CF-1988, quando foi fixada a distinção de precatórios pela natureza (alimentar e não alimentar). Em qualquer repartição pública estadual ou municipal eram corriqueiras as queixas sobre a quebra da ordem cronológica. Ninguém acreditava nem o reclamante conseguia provar o malfeito. No ano passado, os precatórios alimentares ainda não adimplidos no Brasil desde 1988 somavam um calote de R$ 13 bilhões. E começaram os pedidos de sequestro pela via judicial. O terceiro ponto grave é o descontrole. Quem recebeu, como recebeu e quanto recebeu. Quem "vendeu" seu rico crédito com deságio de até 72%, acreditava que a fazenda pública somente havia desembolsado aquele valor. Um absurdo sem tamanho. E o quarto fato grave: o TJ/RN também não sabe a quem pertenciam as requisições de pequeno valor ("dinheiro sem dono", segundo Ubarana).

- Sobre as requisições de pequeno valor (RPV), só faltou a ex-chefe do setor de precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Carla Ubarana, dizer que aquilo ali era um achado. E que achado não é roubado.

- RPV é um crédito cujo montante, por beneficiário, é igual ou inferior a 60 salários mínimos, se devedora a fazenda federal. Nos Estados, 40 salários ou valor definido em lei. Nos municípios, 30, ou o que a lei fixar.

- Nos últimos dois casos - fazenda pública estadual e municipal - é obrigatória a juntada da publicação do texto legal para efeito de comprovação do valor diferenciado definido em lei. O TJ/RN exigia o procedimento?

- Tudo aquilo que ultrapassar esses limites deve ser requisitado mediante precatório, exceto se o credor renunciar, de forma expressa, ao valor excedente. Era ai que a quadrilha aproveitava a brecha para impor o deságio.

Sobrepreço na br-101


Foto: Dnit/PB/Divulgação/ON/D.A Press
A superintendência regional do Dnit no Rio Grande do Norte tem prazo de 15 dias para reduzir, mediante termo aditivo, preços contratados com o consórcio Constran, Galvão e Construcap para as obras de duplicação da BR-101, Lote 2, e suspenda, imediatamente, o pagamento da diferença a maior constatada pelo Tribunal de Contas da União.

Energia solar

A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) vai encaminhar sugestão ao Ministério de Minas e Energia para realização de um leilão ainda este ano, consolidando a entrada da energia solar na matriz energética brasileira, que ainda demandará tempo. Atualmente o custo para gerar um MW de energia com tecnologia solar é de 300 reais.

Fiscal ambiental

O quadro funcional ainda é diminuto em função do tamanho da cidade, mas os 35 fiscais ambientais do município já não têm do que reclamar. A Câmara Municipal de Natal aprovou projeto de lei que cria a carreira de fiscalização urbanística e ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo. E com todas as vantagens incorporadas.


Cidades
Edição de sábado, 31 de março de 2012 
MP confirma acusação de envolvimento de Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro
Em nota, promotores afirmam que os desembargadores foram citados em juízo


A o final dos depoimentos prestados pelos cinco réus da Operação Judas, o Ministério Público emitiu Nota de Esclarecimento em que confirmou que os réus Carla Ubarana e George Leal confessaram sua participação no esquema de desvio dos precatórios e indicaram os desembargadores Osvaldo Soares da Cruz e Rafael Godeiro Sobrinho, ambos ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, como co-autores dos ilícitos. O MP requereu a remessa das cópias do processo, dos vídeos e dos depoimentos ao presidente do Superior Tribunal de Justiça, ao presidente do Conselho Nacional de Justiça e ao Procurador Geral da República, para providências. No entanto, a ação penal prosseguirá na 7ª Vara Criminal de Natal.

Teor dos depoimentos será enviado para o CNJ, STJ e PRG para providências. Fotos: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Além de revelar detalhes do esquema, Carla Ubarana e George Leal assinaram um termo restituindo ao tesouro estadual os seguintes bens e valores: uma propriedade no município de Baía Formosa, avaliada em cerca de R$ milhões, composta por cinco terrenos e três casas; seis veículos automotores (dois MercedesBenz, dois Omegas/GM, um Pajero Full e um selvagem), avaliados em cerca de R$1 milhão; um apartamento na Rua Maria Auxiliadora, Petrópolis, avaliado em cerca de R$700 mil; as quantias em espécie de cerca de R$170 mil, 18.870 euros e 5.050 francos suíços.

Segundo a nota divulgada pelo Ministério Público, o teor dos termos de colaboração ainda não havia sido divulgado para a segurança dos réus. O MP requereu também a revogação da prisão preventiva de Carlos Alberto Fasanaro Júnior e Carlos Eduardo Cabral Palhares, além de ter mantido a prisão domiciliar do casal Ubarana.

Sem declarações

Antes da nota ser divulgada, os advogados de defesa, promotores, e o juiz José Armando Pontes haviam saído do Fórum sem esclarecer o teor das oitivas. O primeiro a sair da sala de audiências foi o advogado de defesa de Claudia Sueli, Heráclito Higor, por volta das 18h50. Ele afirmou que sua cliente continua em liberdade, mas não quis dar detalhes dos depoimentos. "Eu prefiro não falar sobre o teor dos depoimentos, mas tudo correu dentro do esperado", disse. Cerca de dez minutos depois saiu o advogado de Carla e George, Marcos Braga. "Eu não posso me pronunciar, procurem os meios oficiais como a assessoria do TJ ou o Ministério Público", disse aos repórteres.

Carlos Fasanaro e Carlos Palhares saíram do Fórum algemados e foram levados para o presídio. "A gente expede o alvará de soltura, mas quem libera é a autoridade carcerária", disse o juiz. Os dois ficarão em liberdade, mas estão proibidos de sair do estado sem autorização judicial. Carla Ubarana e George Leal saíram do Fórum do mesmo jeito que entraram: calados. Acompanhados do advogado José Maria Bezerra e com escolta de quatro homens do Bope, eles deixaram o fórum por volta das 19h10. "Nós não vamos nos pronunciar, o que podia ser dito já foi dito", disse o advogado.

O juiz José Armando Pontes foi o último a deixar a sala de audiências. "Não posso falar nada por questões legais", afirmou a princípio. Quando questionado se a imprensa teria acesso aos depoimentos, já que o processo não corre sob segredo de justiça, ele afirmou que afirmou que "ainda vai avaliar se o segredo de justiça será decretado ou não".  
Fonte: Diário de Natal.

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quarta-feira, 28 de março de 2012



A verdade sobre o Forte dos Reis Magos.

Livro de Veríssimo de Melo confirma que Forte não foi obra de padre
Texto de Luiz Gonzaga Cortez.

A presidente da Fundação José Augusto, a assistente social e ex-professora da ESAM, Isaura Amélia Rosado, em entrevista concedida à jornalista Hayssa Pacheco, do Diário de Natal, anunciou hoje a instalação de uma “exposição histórica sobre a Fortaleza dos Reis Magos, quer vai contar a história do Forte”. Muito boa a iniciativa, mas seria melhor, ainda, se a FJA procurar enfocar os autores e documentos que divergem da versão oficial sobre a autoria do projeto de sua construção, atribuído ao padre Gaspar de Sam Peres (ou Gaspar de Samperes?), um sacerdote jesuíta responsável por uma tosca, grosseira e inútil obra na boca da barra do rio Potengi. O que o referido padre fez mesmo foi obrar, pois o que “projetou” não agüentava nem um tiro de espingarda de soca. A Fortaleza dos Reis Magos foi desenhada e construída pelo Francisco de Frias da Mesquita, engenheiro-mor do Brasil, que acompanhou e fiscalizou, pessoalmente, todas as etapas dos serviços. Eu não sou o primeiro a escrever sobre Frias, não. Hoje, 16 de dezembro de 2006, tenho em mãos um exemplar do “Calendário Cultural e Histórico do Rio Grande do Norte”, de Veríssimo de Melo, editado pelo Conselho Estadual de Cultura-RN (Natal, 1976), que, na página 29, registra o seguinte: “6.1.1598 – Inicio da construção da atual Fortaleza dos Reis Magos, obra do engenheiro-mor Francisco Frias de Mesquita, sendo concluída entre 1614 e 1619”. Eis aí um “gancho” para os jornalistas e pesquisadores sobre as fontes que Veríssimo de Melo utilizou para escrever o seu calendário cultural e histórico.


Mas os folcloristas e historiadores do Rio Grande do Norte continuam escrevendo que foi o padre Gaspar quem construiu o forte.
Até hoje não encontrei os motivos para se omitir fontes bibliográficas brasileiras e portuguesas sobre o Forte dos Reis Magos, em Natal, considerado um dos principais pontos turísticos da capital.


Aqui, nos últimos anos, foram publicados vários livros e estudos sobre esse monumento histórico, inclusive “atlas” , mas continuam repetindo as velhas lorotas, de que a atual fortaleza foi projetada pelo padre Gaspar de Samperes.


Mas se acham que foi o Padre Samperes que construiu a fortaleza dos Reis Magos é porque não querem buscar fontes fidedignas e sérias que existem há muitos anos. Vou citar duas fontes, uma escrita e outra da Internet .A primeira é o Volume 9, de 1945, páginas 9 a 84, da Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, edição do antigo Ministério da Educação e Saúde, que publica ensaio sobre “Francisco de Frias da Mesquita, engenheiro-mor do Brasil”, de autoria de D. Clemente Maria da Silva-Nigra. O. S. B. Se o leitor acessar o sítio www.funceb.org.br vai encontrar mais informações a respeito ou ir direto a www.funceb.org.br/revista9/06_Frias-da-Mesquita.pdf. Lá, vocês vão saber que o padre Gaspar de Samperes fez o 1º projeto da Fortaleza dos Reis Magos, mas a atual edificação foi desenhada e executada diretamente por Frias da Mesquita. Na página 23 do ensaio de D. Clemente, quando se refere à fortaleza de Cabedelo, Paraíba, outro projeto de Frias, o autor escreveu o seguinte: “Semelhante à Reis Magos, a fortaleza fora construída com material precário; fabricada de huas (duas) taipas fraquíssimas em area solta, sem modo ou regra algua de fortificação pelo q não podia resistir a qualquer encontro de inimigos”. Em resumo, era uma construção feita de duas paredes de taipa, nas dunas (areia solta), que não tinha nada de fortificação militar. Compare a descrição de “duas taipas” para a magestosa fortificação de hoje, com corpo da guarda, prisões civis, calabouço militar, almoxarifado, depósitos, quartéis, cisternas, subidas para as baterias, prisões subterrâneas, casa do comandante, cozinha, estado-maior, capela e farol. O padre Samperes deixou uma tapera que não agüentaria um tiro de espingarda de soca. Frias da Mesquita deixou uma construção feita com cal, pedra e azeite mais forte, que substituiu o casebre de pau,barroepalha.  
O PhD em arquitetura Augusto C. da Silva Telles, graduado em 1948, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro é o autor do texto sobre os fortes das costas brasileiras projetados, desenhados, justificados (manuscritamente) e executados pelo engenheiro Francisco de Frias da Mesquita. Dr. Telles assegura que o governador D. Diogo de Menezes contratou o arquiteto português para construir o forte Natal, pois “o primeiro projeto foi projetado pelo padre jesuíta Gaspar Samperes, segundo Frei Vicente do Salvador, mas anos depois deteriorou-se”, antes de 1614, e que a edificação de Frias “ainda se conserva no local, próximo da cidade de Natal”. Augusto Telles, na extensa bibliografia, cita Gaspar Barléus, Vitterbo Souza, Silva Nigra, Diogo de Campos Moreno, Francisco Adolfo Varnhagen, Frei Vicente do Salvador e Pedro Calmom, entre outros. Frias da Mesquita construiu os fortes da Laje (Recife), do Mar (Salvador), São Diogo (Salvador), São Mateus (Cabo Frio-RJ), São Felipe, São Francisco e São José(São Luís do Maranhão), Santa Catarina (Cabedelo-PB), além de igrejas e mosteiros noBrasil.


Não acredito que o arquiteto Augusto C. da Silva Telles esteja equivocado.Creio que os folcloristas potiguares estão incorretos sobre a autoria do projeto e que a FJA poderia se aprofundar nas pesquisas pertinentes, examinando as anotações de Francisco de Frias da Mesquita, publicadas no volume 9 da revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, de 1945. Eu tenho um exemplar da revista, apesar de parcialmente danificado, mas são boas as reproduções das anotações de Frias sobre a Fortaleza dos Reis Magos. Você duvida? Ou você quer continuar com a mania estalinista de adulterar e distorcer os fatos históricos?


*Jornalista e pesquisador
Fonte: Google.  Artigo escrito em 2006.
Artigo publicado em jornais de Natal e no blog candelariaeasuarealidade.blogspot.com
Postado por Luiz Gonzaga Cortez às 07:34 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif

segunda-feira, 26 de março de 2012


ONDE ESTÃO AS IDÉIAS?


      Públio José – jornalista



                   Tornei-me um político ao longo do ano de 2002 quando coordenei, aqui no estado, a campanha do candidato a presidente Anthony Garotinho. Antes, tinha com a atividade política uma ligação meramente profissional. Como profissional de marketing, tomara parte em várias campanhas eleitorais, elaborando trabalhos para candidatos a prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador... Enfim, todos os níveis da disputa eleitoral. Como coordenador da campanha presidencial de Garotinho restringi meu trabalho à área urbana de Natal em virtude da falta de recursos para me deslocar pelo interior. Já em 2004, tendo em vista os excelentes resultados que o trabalho de coordenação em 2002 apresentara, vários companheiros acharam por bem lançar minha candidatura a prefeito de Natal, lamentavelmente destruída por uma aliança que, cheios de esperança, imaginávamos seria benéfica.                    
                    Para alavancar a candidatura fizemos contato direto com o eleitor. Foram centenas de reuniões, encontros de bairros, participação até em atividades festivas, tudo com o objetivo de estabelecer um relacionamento estreito com o eleitor, além de ouvir seus desejos, sonhos, frustrações. Foi um período muito rico. Experiências novas, modificação de conceitos, conhecimento de novas realidades e o estabelecimento de um elo de esperança entre nós e as pessoas que nos recebiam. Porque? Pela valorização do debate de idéias. Nesses encontros, as lideranças de bairros, as donas-de-casa, até mesmo os jovens (injustamente acusados de alienados e desinteressados do processo político) apresentavam idéias, articulavam proposições, se abriam, enfim, para um debate sério, profícuo, inovador. Por esse processo, os problemas locais eram passados a limpo, deixando de existir espaço para o besteirol, para a conversa fiada.
                        Durante o tempo em que esses encontros foram realizados, sempre priorizei o debate de idéias. A conseqüência, extremamente positiva, foi a formatação de um belíssimo programa de governo, por sinal bastante elogiado, e as condições de apresentá-lo, discuti-lo, debatê-lo. Tornei-me, assim, um político desejoso de manter acesa a chama da exposição construtiva de idéias, com o objetivo de enriquecer a discussão, de ocupar espaços nas mentes e nos corações das lideranças com propostas que apontassem soluções para as dores coletivas do povo. Entretanto, as dificuldades são inumeráveis para o político que quer se manter nesse diapasão, pois a quase totalidade das lideranças não está disposta a trilhar esse caminho. E o que se vê, com raras exceções, é tão somente a partidarização da atividade política, com o noticiário e as agendas entupidas com especulações as mais variadas possíveis.
                               Tudo gira em torno do novo partido de fulano, da nova filiação de beltrano, da candidatura de fulano a isso ou àquilo, quem vai trair quem, quem vai largar quem no meio do caminho, quem vai ser passado para trás. O político celebrado passa a ser, então, o que sabe enrolar mais, dissimular mais, trair mais. Sabido, matreiro, experiente não é aquele que levanta e defende uma bandeira, uma causa. Sabido e matreiro é aquele que sabe indicar o maior número de afilhados para cargos comissionados, é aquele que vence o adversário com estocadas próximas da marginalidade, que pratica a maior taxa de fisiologismo, que tem um discurso cujo conteúdo ninguém sabe qual é. Que, enfim, não se compromete com nada, muito antes pelo contrário. Ideologia não existe mais, virou palavra fora de moda. Eu, contudo, não penso assim. E por pensar assim, continuarei a luta pela exposição das minhas idéias.