sexta-feira, 22 de junho de 2012

Jornalista Israel Carvalho lançou livro sobre a poesia de João Cabral.

Barroco Severino

Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br
O professor José Willington Germano falava para uma plateia que ocupava o espaço de lançamento de livros da Cooperativa Cultural Universitária da UFRN, nesta quinta-feira, 21 de Junho de 2012, aludindo a um novo livro que seria lançado, com o título “O Teatro da Morte e da vida – A Escrita Barroca de João Cabral de Melo Neto”. Ouvi atentamente, observando todos os presentes – intelectuais, professores, doutores, artistas e outras pessoas, que aguardava para aplacar a curiosidade do lançamento.
Naquele momento fiz uma viagem no tempo, para lembrar de um amigo de turma do Ginásio Industrial que cursamos na Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, de 1967 a 1970. Um colega humilde, simples, tímido, estudioso e caprichoso, que não revelava maiores sonhos para a sua vida, que não ambientados naquela realidade de pobreza estampada na maioria da nossa sala de aula, onde alguém com melhores condições de vida era exceção.
Olhávamos para os amigos de turma e sabíamos das dificuldades que a maioria tinha para estudar, muitos deles com fardas surradas, famintos e andando quilômetros a pé para aprender a ser gente. Aí retornei àquele ambiente de elite cultural, onde ouvia um doutor explicar para o público as bases daquele novo trabalho, que descobria certas ligações nunca mostradas na literatura brasileira e nordestina, especificamente.
O professor Willington falava de um novo trabalho que pode ter repercussão internacional, haja vista a abordagem que foi feita, mostrando importantes entrelinhas do poema de João Cabral de Melo Neto. E não poupava elogios ao seu autor, presente e ao seu lado, ouvindo atentamente as palavras do professor, que situava também todos sobre o conteúdo do novo trabalho.
Quantas pessoas não gostariam de estar naquele lugar, recebendo menções elogiosas e vivendo momentos gloriosos, com respaldo de amigos e da sociedade, valorizando a nova obra acadêmica... Uma obra importante, de qualidade, cujo valor não tenho maiores qualidades para aquilatar que os membros da mesa de avaliação; mas basta estes terem aprovado e elogiado, como fizeram, ao analisarem o seu conteúdo.
Estava ali como convidado e senti uma grande emoção ao participar do brilhante momento de lançamento daquele livro, com longa fila para autógrafos e uma performance onde o poema de João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina foi declamado, ao som de “Funeral do Lavrador”.
Fui também à mesa buscar o autógrafo para o meu exemplar. E o autógrafo foi dado por um homem também muito emocionado, o autor: Francisco Israel de Carvalho. Aquela figura destacada no meio acadêmico vem a ser aquele mesmo menino da minha turma de ginásio industrial - humilde, simples, tímido, estudioso e caprichoso – como sempre. Parabéns, Israel!
*Jornalista

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Padre e política.

Por Paulo Tarcísio Cavalcanti*
Jornalista tarcisiocavalcanti@bol.com.br http://ptarcisio.blogspot.com
A proximidade da campanha eleitoral deste faz voltar ao centro da discussão uma questão que não é nova: a presença de padres e outros representantes de religiões como militantes da disputa política.
Tem gente que é contra e tem gente que é a favor.
Há religiões, especialmente, as evangélicas, que até estimulam a conquista de espaço político-partidário por seus pastores.
Outras, como a Católica, ora admite, ora reprime a presença de padres na luta partidária.
Ou seja de tempos em tempos, cada  Igreja, isto é, cada Diocese, interpreta as normas do Direito Canônico que estabelecem essa proibição, em função de circunstâncias e interesses de cada momento.
Agora mesmo, aqui em Natal, o Arcebispo dom Jaime Vieira Rocha, emitiu comunicado aos padres deixando claro que a sua linha é a de seguir o que diz o Código de Direito Canônico.
E está lá, no parágrafo 3º do artigo 285: “Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil”. E, mais na frente, no parágrafo 2º do artigo 287, os clérigos são orientados a evitarem participar de partidos políticos e associações sindicais”.
Claro, sedimentando esse gesto de dom Jaime Vieira Rocha, lembrando tais preceitos do Direito Canônico, está o seu zelo apostólico. A política, não obstante constituir uma das formas mais sagradas do exercício da cidadania, está sujeita a muitas distorções, a muitos vícios e possui, em si mesma, um forte conteúdo divisionista.
Ou seja: Para um padre, cuja principal missão é evangelizar – e evangelizar “gregos e troianos” – quanto menor for o seu comprometimento com o que divide, com o que separa, com o que distorce, muitas vezes até sem medir distância, melhor.
É assim que compreendo a orientação e a diretriz que o arcebispo transmite ao seu rebanho. Agora, até por um dever de justiça, não posso deixar de reconhecer a grande contribuição que um padre, que eu tive o privilégio de conhecer, pôde oferecer à política e à administração do Rio Grande do Norte: o saudoso monsenhor Walfredo Gurgel, que foi governador do Estado, no período de 31 de janeiro de 1966 a 15 de março de 1971.
Que a lembrança dele e o exemplo que nos deixou sejam a luz para aqueles que, hoje, para entrar na política, tiverem que fazer a difícil escolha entre ser fiel ao seu ministério ou buscar nas urnas uma forma de contribuir para o resgate da atividade  política.
*Texto publicado na coluna do jornalista na edição desta quarta do NOVO JORNAL

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quem te viu, quem te vê...


UOL
20/06/2012 - 12h29

Erundina diz que Lula passou dos limites ao tirar foto com Maluf

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SÉRGIO LIMA
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA
Em conversa com jornalistas, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) disse nesta quarta-feira (20) que a aliança entre PT e PP na disputa pela Prefeitura de São Paulo foi "um preço alto por uma coisa muito pequena".
Questionada se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou dos limites ao tirar foto com o deputado Paulo Maluf (PP-SP), seu adversário político, a deputada disse que sim.
Erundina abandonou ontem a chapa do petista Fernando Haddad por conta de Maluf. A avaliação do PSB foi de que a aliança poderia ter sido firmada de forma institucional e não expressa na figura do deputado.
Ela afirmou que sabia das conversas entre PT e PP, mas que foi surpreendida com a presença de Lula na feijoada que selou a aliança.
"Aquele gesto foi ruim. O preço foi alto por uma coisa muito pequena. A mídia é importante, mas não determina o processo eleitoral se não vier somado a outras condições", disse.
A deputada disse que se não tivesse sido pega de surpresa poderia ter negociado de outra forma o apoio do PP.
"Sabia que estava sendo discutida a aliança com PP por conta do interesse do tempo de televisão. Isso sim, mas não foi me dito que era coisa certa, definitiva. Não teria deixado chegar ao ponto que chegou", afirmou.
Ela disse ainda que não ficou com mágoa do ex-presidente.
Erundina diz acreditar que a presença de Maluf no palanque de Haddad trará prejuízos ao petista.
"Poderá enfraquecer. Criou um clima de perplexidade. É um desconforto. A militância petista é feita de pessoas que têm exigências. Não são pessoas indiferentes ao que os dirigentes decidem", disse.
Ela prometeu fazer campanha para Haddad e o chamou de melhor candidato.

Rodrigo Coca - 18.jun.2012/Fotoarena/Folhapress
Maluf (à dir.) com Haddad e Lula em sua casa em evento para selar aliança com PT
Maluf (à dir.) com Haddad e Lula em sua casa em evento para selar aliança com PT

Sobre Celestino Pimentel.

Foi caminho e abriu caminho

20 de Junho de 2012
Ticiano Duarte - jornalista

No último número da revista “Palumbo”, o repórter Francisco Francerle lembrou a figura do professor Celestino Pimentel, “As sábias pegadas de Celé”, que durante 24 anos dirigiu o Atheneu Norte-riograndense, o mais tradicional estabelecimento de ensino público de nossa terra, por onde passaram as figuras mais ilustres e importantes de nossa história política, social, econômica e cultural. Em verdade, a nossa primeira universidade, como instituição que transmitia conhecimentos, através dos mais variados especialistas, de elevada cultura, mestres da linhagem de um Luiz da Câmara Cascudo, Padre Monte, Esmeraldo Siqueira, Israel Nazareno, Floriano Cavalcante de Albuquerque, Clementino Câmara, Véscio Barreto, Alvamar Furtado de Mendonça, Antônio Pinto de Medeiros, Luiz Maranhão Filho e o próprio Celestino Pimentel.

Se há um educador do passado que o Rio Grande do Norte deve uma homenagem permanente, pelo seu amor à causa educacional e ao estabelecimento que amou com largueza e devoção, dando o melhor do seu tempo e de sua energia pelo seu progresso e desenvolvimento, é sem dúvidas, o saudoso professor Celestino Pimentel.

Fui seu aluno e pupilo. Tinha por ele grande admiração, um misto de respeito e medo do seu olhar duro, das suas advertências e dos carões, quando me surpreendia fumando na balaustrada que dava para a antiga Junqueira Aires ou nos fundos do prédio, olhando para o mercado da cidade alta:

- Você parece um bueiro. Jogue esse cigarro fora...

Mas ficava só no pito, apesar do olhar duro e da voz de quem não estava gostando da cena. Os alunos cantavam nas antesalas, “La vem Celé, na ponta do pé... ligue, ligue, ligue, liguelhé. E um silêncio tomava conta de todo o prédio, quando Celestino botava a cara para ver se as coisas estavam funcionando bem, o professor na sala de aula, os alunos quietos ou no recreio, sem balbúrdia, sem colocar sabão no trilhos dos bondes que desciam ou subiam na ladeira da Junqueira Aires.

Ninguém foi mais duro e ao mesmo tempo humano e bom do que o inesquecível diretor, Celestino Pimentel. Quando ele apontava, pela manhã bem cedinho, às 07 horas, no início da balaustrada, a caminho do seu trabalho, com a sua roupa de casimira azul, os estudantes começavam a indagar – Estava raivoso? Dormira bem? Tomara uísque na noite anterior? Amanhecera com ressaca? Vinha da noitada na praça Padre João Maria, sua residência oficial? Ou visitara a amiga da rua Borborema, do Alecrim? Dormira mal? Pois se acautelassem porque naquele dia a coisa iria pegar fogo. Celestino não estava pra brincadeira. E se fosse no período das provas do fim de ano, que era ele próprio aritmeticamente calculava as notas que aprovavam ou reprovavam, o medo aumentava no meio da estudantada.

Era o imaginário dos alunos de um tempo de meia escuridão, da era getuliana, nos idos de 1940, do famigerado DIP, das censuras dos jornais, das prisões políticas, da guerra que tomava conta da Europa, de pouca liberdade.

Celestino tinha um rosto avermelhado, a cara de lobo, lobo do Atheneu, de um coração mais vasto do que o mundo do poeta. Comigo mesmo, sempre pensava, que os nomes passam, as obras, as mais ousadas e ambiciosas experimentações de ensino e de educação, os cenários, mas Celestino continuava vivo em nossa memória de menino. Um homem forte e voluntarioso que amou sua profissão e o seu trabalho, sua presença continuava viva entre nós. Ele foi caminho e abriu caminho.
Fonte: Tribuna do Norte.

Juros e economia desestruturada.

Juros e  economia desestruturada
Adriano Benayon *    14 de junho de 2012
I. Juros
1. Fez-se grande alarde da suposta pressão da presidente para que os bancos reduzissem um pouco as taxas de juros, acompanhando as baixas recentes na taxa SELIC, determinadas pelo Banco Central para os títulos do Tesouro Nacional.    
2. Houve polêmica, com alguns enaltecendo a iniciativa governamental, e a grande mídia veiculando, junto com os usuais economistas a serviço dos bancos, as tradicionais advertências de que seria perigoso diminuir as taxas de juros. Na essência, tudo não passou de teatro.
3. O fato é que os juros praticados no Brasil são os mais usurários do Planeta, e as  finanças da grande maioria dos brasileiros vai mal, pois os devedores perdem, cada vez mais, a capacidade de quitar as prestações.
4. Em suma, atuais taxas de juros são incompatíveis com a manutenção do volume do crédito no País. Ou seja: se elas não baixarem, grande número de pessoas físicas e  empresas não-oligopolistas não mais terão condições de tomar crédito, e os bancos verão cair muito seu volume de negócios.
5. Ademais,  os bancos foram compensados pelo BACEN com a diminuição dos depósitos compulsórios  sobre os depósitos a prazo. Além disso, o BACEN permite-lhes elevar em 10% (R$ 18 bilhões) o volume de seus financiamentos de automóveis e veículos comerciais leves.
6. Assim, o governo prossegue privilegiando dois dos setores poderosos, ambos controlados por grupos concentradores, o dos bancos - em que a participação estrangeira segue crescendo - e transnacionais estrangeiras montadoras de veículos.
7. O governo petista continua favorecendo essas montadoras com repetidas baixas e isenções de impostos, como voltou a fazer, há pouco. Parece querer, de qualquer maneira, fazer com que essas transnacionais prossigam remetendo ao exterior lucros oficiais (sem falar nos disfarçados) em montantes recordes, o último dos quais foram os US$ US$ 5,58 bilhões em 2011, com aumento de 36,1% em relação a 2010.
8. Estimula, de todos os modos, a compra de automóveis, enquanto a infra-estrutura de transportes públicos urbanos é  cada vez mais insatisfatória, as rodovias também se deterioram e inexistem transportes ferroviários e aquaviários. Desse jeito, os veículos automotores, sonho de consumo, se atravancam nas vias urbanas e, quando chegam ao destino, começa o sofrimento para estacionar, acompanhado de tarifas extorsivas.
9.  Com efeito, como temos demonstrado em vários artigos, as transnacionais e uns poucos  grandes grupos locais, em geral associados a elas, comandam a política econômica do Brasil, há muitos decênios.   Isso é verdade tanto em relação à  chamada economia produtiva, como no que se refere à financeira, como ilustram, entre outros, estes  instrumentos destinados a assegurar que a economia brasileira seja sangrada em favor de banqueiros estrangeiros e locais:
a) juros reais elevados;
b) prioridade a alocar recursos para o ?superávit primário?;
c) a emenda constitucional da Desvinculação das Receitas da União (DRU), pela qual se desviam vultosíssimos recursos tributários, inclusive os da seguridade social, para o serviço da dívida;
d) a Lei de ?Responsabilidade? Fiscal;
10. Muita gente tem a ilusão de que, nos últimos anos, houve mudanças significativas na redistribuição da renda, mas isso só se deu em relação a estratos marginalizados pelo sistema produtivo. Este prossegue oferecendo poucos empregos em geral e ainda mais raros quando se trata dos mais qualificados e bem remunerados, a não ser no topo dos executivos financeiros.
11.  A redistribuição que se faz é a recomendada pelo Banco Mundial e visa ao objetivo irrealista de manter acomodados os mais destituídos. De outra parte, praticamente nada mudou quanto ao privilegiamento aos concentradores financeiros mundiais, como exemplifiquei acima nos parágrafos 6 a 9.
12.  Alterou-se somente a retórica, supostamente mais à esquerda em relação a governos anteriores, o que serve para alimentar a oposição por parte da grande mídia e montar a encenação de que as instituições políticas oferecem alguma alternativa por ocasião das eleições.
II ? Camisa de força estrutural
13. O sistema de poder imperial amarrou a política econômica ?brasileira? numa camisa de força, uma vez que estabelece a meta de inflação associada à ideia (falsa) de que os juros funcionam contendo a alta dos preços.
14. Acontece que houve, ao longo dos últimos decênios, acentuada decadência estrutural da economia, causada pela desnacionalização. A desindustrialização, associada também à abertura ao comércio mundial,  é apenas uma das facetas dessa decadência.
15. Isso implica cada vez maior dependência de produtos importados, especialmente os de maior conteúdo tecnológico e maior valor agregado.
16. A população mal alimentada ou incorretamente alimentada, além de explorada por carteis  transnacionais nas sementes, fertilizantes e alimentos industrializados, submetida a stress por dificuldades financeiras, transportes precários, precariedade nos empregos etc. é grande consumidora de exames médicos em aparelhos importados e enorme quantidade de drogas (chamadas de remédios) cujos insumos principais são  importados. 
17. Além disso, impostos altos, tarifas absurdas, como a dos pedágios indecentes nas rodovias paulistas, as da eletricidade privatizada etc. Ademais,  os  produtos industriais encontrados no mercado são dominados,  na maioria, por carteis e empresas em oligopólio.
18. Assim, tanto a produção local, nas mãos das transnacionais, como as importações têm preços elevados, e tudo isso leva a pressão inflacionária. Então, a pretexto de conter essa pressão, os juros no Brasil têm-se mantido incomparavelmente altos (são atualmente negativos na Europa, EUA e outros).
19. Fundos e outros aplicadores estrangeiros tomam, no exterior, recursos a juro zero para aplicá-los no Brasil, em títulos públicos e outros instrumentos financeiros. Isso faz o câmbio do real sustentar-se em patamar alto e tornar menos competitiva a produção realizada no Brasil. Junto com a decadência estrutural, isso causa, nas contas externas do País, déficit de transações correntes dos mais altos do mundo, em proporção do PIB.
20. Portanto, o modelo econômico leva forçosamente a crises e  assegura que o País não realize o tão falado e jamais alcançado desenvolvimento. É o modelo da dependência, adotado desde meados dos anos 50 e radicalizado, a partir de 1990, com a adesão subalterna à globalização dirigida pelas potências imperiais.

*  - Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de ?Globalização versus Desenvolvimento? abenayon.df@gmail.com

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vão anular mais algumas centenas..............

Ministério da Justiça já anulou 133 anistias políticas concedidas a ex-cabos da FAB

Publicação: 18 de Junho de 2012 às 10:46

Em apenas quatro meses, o Ministério da Justiça anulou 133 anistias políticas concedidas a ex-cabos da Força Aérea Brasileira (FAB), desligados durante a ditadura militar (1964-1985). Ao todo, o grupo de trabalho interministerial criado para verificar se, de fato, os ex-praças licenciados foram alvo de perseguição política, deverá revisar 2.574 processos.

O atual processo de revisão dos benefícios concedidos desde 2001 pela Comissão Nacional de Anistia, ligada ao ministério, começou em 16 de fevereiro de 2011, com a publicação da Portaria Interministerial nº 134. O texto é assinado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo então advogado-geral da União substituto, Fernando Luiz Albuquerque Faria.
Wilson DiasMinistério da Justiça já anulou 133 anistias políticas concedidas a ex-cabos da FABMinistério da Justiça já anulou 133 anistias políticas concedidas a ex-cabos da FAB

Perguntado pela Agência Brasil sobre por que a revisão não é feita pela própria Comissão de Anistia, o Ministério da Justiça respondeu que o objetivo é dar imparcialidade ao processo. A reportagem tentou, sem sucesso, ouvir a opinião do presidente da comissão, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão Júnior.

Dos 154 processos já analisados, em apenas três casos o status de anistiado foi mantido. Dezoito processos acabaram sendo excluídos da revisão por não se enquadrarem nos objetivos do grupo de trabalho, criado para tratar exclusivamente dos efeitos da Portaria nº 1.104 GM3, de outubro de 1964.

Considerada pelo plenário da Comissão de Anistia como um "ato de exceção de natureza política" que visava a "renovar a corporação como estratégia militar, evitando que a homogênea mobilização de cabos eclodisse em movimentos considerados subversivos", conforme documento do Tribunal de Contas da União (TCU), a portaria do Ministério da Aeronáutica limitou a permanência dos cabos na ativa ao máximo de oito anos ininterruptos. Ao fim desse prazo, os que não haviam alcançado outra graduação passaram a ser automaticamente desligados, sem direito à remuneração.

Até a publicação da norma, aqueles que atingiam oito anos de serviço podiam pedir sucessivos reengajamentos. Embora não fosse um direito adquirido, a prática atendia às necessidades de mão de obra especializada da própria FAB. E o praça, por sua vez, conquistava estabilidade empregatícia quando completava dez anos de serviço, podendo progredir na carreira militar.

Em 2003, ao responder à consulta feita pelo Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União (AGU) concluiu que a Portaria nº 1.104 "não configura, genericamente, um ato de exceção", especialmente para os militares que ingressaram na FAB após a sua edição, "devendo a motivação exclusivamente política do desligamento ser verificada pela análise de cada caso".

Mesmo assim, para o presidente da Associação dos Anistiados e Anistiandos do Nordeste (Asane), Marcos Sena, a publicação da portaria foi uma "retaliação tardia" à participação de alguns então militares em movimentos reivindicatórios que aconteceram antes do golpe de março de 1964. Principalmente por ter sido usada para justificar o desligamento de pessoas que haviam ingressado na FAB antes mesmo de a norma ter sido publicada, abortando a carreira de milhares de praças que, segundo Sena, não tiveram direito à defesa. De acordo com ele, é o caso dos 495 ex-cabos cuja anistia foi revogada em 2004 por uma portaria do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sob a justificativa de que os ex-militares não podiam alegar terem sido prejudicados por uma norma que já estava em vigor quando ingressaram na força.

Desde a última terça-feira (12), a reportagem aguarda a resposta do Comando da Aeronáutica sobre o quanto a União deverá economizar com a suspensão do pagamento dos benefícios aos 133 anistiados cujos processos já foram anulados. No passado, a FAB chegou a dizer que a Portaria nº 1.104 teve mero caráter administrativo.

Já o Ministério da Defesa, por meio de sua assessoria, limitou-se a dizer que cumprirá as decisões do grupo interministerial, sem comentar as razões do processo de revisão. No Ministério da Justiça, além do presidente da Comissão Nacional de Anistia, Paulo Abrão, a Agência Brasil também não teve resposta para o pedido de entrevista com Rayanna Lemes Werneck Rodrigues, servidora do gabinete do ministro que preside os trabalhos do grupo interministerial.

* Fonte: Agência Brasil

Dilma foi torturada no DOI-CODI de São Paulo.

Foto de Dilma quando jovem

Dilma revela detalhes das torturas que sofreu nos porões da ditadura


                                             
                                                                                        AP/Arquivo Público do Estado de São Paulo
A presidente Dilma Rousseff foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária durante as torturas que sofreu na ditadura, segundo revelam os jornais "O Estado de Minas" e "Correio Braziliense".

Ambos periódicos reproduzem uma entrevista de Dilma ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais concedida em 2001, na qual narra as torturas que sofreu entre 1970 e 1973, quando foi detida e condenada por um tribunal militar como militante de um grupo de esquerda que lutava contra o regime militar.

No depoimento, a chefe de Estado disse que às vezes não sabia se os interrogatórios "de longa duração" aconteciam de dia ou de noite.

Os torturadores costumavam amarrá-la de cabeça para baixo para depois aplicar cargas elétricas, um método de tortura que "não deixa rastro, só te mina", segundo as palavras da presidente.

"O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida", afirmou Dilma.

Essas sessões de torturas foram realizadas no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, e também em uma prisão da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Comissão da Verdade é instalada

Foto 13 de 13 - 16.mai.2012 - Presidente Dilma Rousseff se emociona ao citar familiares de desaparecidos, em cerimônia oficial de instalação da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto. O grupo terá a missão de investigar e narrar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 (que abrange o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra até a publicação da Constituição Federal) Mais Sergio Lima/Folhapress

Crimes cometidos na ditadura: fatos e personagens

Foto 2 de 15 - Cela no antigo DEOPS-SP, hoje o Memorial da Resistência do Museu Estação Pinacoteca, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress

domingo, 17 de junho de 2012

A tapa de Djalma no pé do ouvido do capitão.

Lembranças do ex-cabo que prendeu Djalma Maranhão em 1964
Luiz Gonzaga CortezJornalista e pesquisador
O cabo Carvalho foi um dos homens que prenderam o prefeito Djalma Maranhão, no início de abril de 1964, no Palácio Felipe Camarão, na rua Ulisses Caldas, Centro de Natal. Foi uma operação militar, sem violência, conta Luiz Gonzaga de Carvalho, funcionário aposentado da Assembléia Legislativa, onde trabalhou muitos anos na Diretoria Legislativa, com o diretor Antonio Dantas, Toinho Careca, já falecido. Reencontrei "Luiz Manchinha", como é mais conhecido, no Bar Cabeça do Bode, em Candelária, um dos pontos mais conhecidos e freqüentados pelos boêmios da zona sul. Ele não teve medo de falar sobre a repressão militar durante e após o golpe militar de 1964, que teve apoio das elites políticas do Rio Grande do Norte, a partir das suas lideranças conservadoras, como Aluízio Alves e Dinarte de Medeiros Mariz, e dos empresários e entidades de classe (patronais e trabalhadoras), além dos clubes de serviço e outras organizações civis, como a maçonaria, por exemplo. Esta apoiou desde o começo. Naquela época, os maçons temiam o avanço do comunismo e das esquerdas em geral. Mas isso é outra história.
Certo dia (o cabo Carvalho, nº 3333, não se lembra da hora, mas garante que foi à tardinha), ele saiu do quartel do Regimento de Obuses, em Santos Reis, onde servia na 2ª Companhia, num comboio comandado pelos capitães Leitão e Torquato e o tenente Maia, que hoje seria general, para prender o prefeito Djalma Maranhão, que estava no seu gabinete de trabalho com assessores, enquanto uma multidão lotava as dependências da prefeitura. Há versões de que o povo correu quando as tropas chegaram. "Eu vi quando o capitão Leitão deu voz de prisão a Djalma Maranhão, depois que sugeriram que ele renunciasse ao cargo de prefeito. Levamos Djalma, escoltado por mim e outro colega,  num Simca Chambord, preto, um carro oficial da prefeitura, para o QG do Exército, ao lado da Catedral. De lá, foi conduzido um jipe militar para o quartel do 16º RI, no Tirol, sempre muito bem tratado pelos oficiais e soldados. Eu garanto isso porque eu fui  um dos que escoltaram Djalma Maranhão e vi tudo. Ele não resistiu à prisão, que considerou uma ilegalidade, mas os oficiais disseram que estavam cumprindo ordens. Mas ao chegar no 16° RI, a coisa pegou porque o capitão Lacerda (Ênio Lacerda), um dos encarregados da repressão e dos inquéritos contra presos políticos, famoso (ou famigerado?) pela sua (truculência), agrediu o prefeito com palavrões e deu uma "mãozada" em Djalma, mas este foi mais rápido, se abaixou e meteu-lhe uma tapa do pé do ouvido, que caiu "pronto" no chão. Ô tapa segura!, meu irmão. Os oficiais não deram apoio ao seu colega agressor, além de repreenderem-no, pois se tratava de um preso, sob a guarda do Exército", afirma Luiz Gonzaga de Carvalho.
O cabo Carvalho ainda participou de diversas operações de buscas comunistas, esquerdistas, prefeitos acusados de corrupção, lideranças rurais, etc. Ele disse que nunca esqueceu da prisão de um cidadão de Nísia Floresta, considerado perigoso, que foi encontrado debaixo da cama da sua casa. Ele não se lembra do seu nome, mas era dado como elemento subversivo de alta periculosidade, mas só acharam livros, jornais e revistas na casa, apesar das informações de que lá existia um grande arsenal de armas pesadas. Os soldados do RO passaram  uma madrugada inteira, cercando a casa e quando invadiram a residência do homem provocaram um pandemônio, com gritos de mulheres e crianças, que acordaram assustadas com os soldados armados de fuzis e baionetas escaladas.

Tome peia - Carlos Alberto Galvão de Campos é funcionário público aposentado. Em abril de 1964 foi acusado de possuir uma estação de rádio que tinha comunicação direta com Moscou. Foi preso e levado para o quartel do 16º Regimento de Infantaria, na avenida Hermes da Fonseca, onde foi espancado pelo capitão Ênio de Albuquerque Lacerda, de triste memória, dele recebendo pancadas nos ouvidos. Ele me contou que um rapaz chamado Diógenes, de Macaíba, ficou perturbado mentalmente por causa dos choques elétricos  recebidos dentro de um tanque cheio de óleo. "O capitão Lacerda mandava mais do que o comandante do quartel, era um torturador e um homem cruel. No RO, segundo eu soube, foi pior, pois fizeram uma estrada com xiquexiques para os prisioneiros andarem por cima dos espinhos. Eu me lembro dos sofrimentos de um grupo de salineiros de Macau, que tinham amizade com mestres-arrais. Eles foram confundidos pelos militares como simpatizantes ou gente da família do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que era considerado como comunista pela direita. O capitão Lacerda perguntava aos salineiros se gostava de Arraes e, como eles pensavam que estavam sendo indagados sobre os mestres-arrais, eles respondiam que sim. O capitão Lacerda dizia: "Ah, é?", e tome porrada nos pobres salineiros. Os militares eram despreparados e desinformados para lidar com os trabalhadores. Muitos mestres-arrais de Macau e Areia Branca foram espancados", revelou Carlos Galvão.
Carlos esteve preso com Geniberto de Paiva Campos, Aldo Tinoco e José Arruda Fialho, dentre outros, no 16º RI, onde chegou a organizar uma comemoração pelo aniversário do prefeito eleito de Natal, Djalma Maranhão. Ele mora na zona sul de Natal.
Em tempo: este artigo foi publicado em 2006, em O Mossoroense, Mossoró/RN. Como não encontrava uma cópia original, socorri-me do Google. a) Luiz G. Cortez.
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