sábado, 1 de dezembro de 2012


NATAL É CITADA NA MÍDIA NACIONAL
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor
 
Mais uma vez a cidade de Natal é manchete na mídia nacional, a teor do que publica a Folha de São Paulo deste derradeiro dia de novembro.
Infelizmente, a evidência não é pelo fato de ser a “Cidade do Natal”, nem mesmo do execrável Carnatal, ou roteiro turístico, mas pelo descaso, irresponsabilidade, incompetência do governo municipal, que se descurou do planejamento mais singelo, em relação às necessidades mais elementares e prioritárias, indispensáveis à sua sobrevivência.
Lixo nas ruas, buracos em monta, orla marítima sem conservação afastando os turistas, servidores sem pagamento, fornecedores idem, saúde pública comprometida e objeto de corrupção e agora, a bola da vez, a educação, que está à beira do recesso forçado, posto que sem professores, sem merenda ou merendeiros, tudo pela inadimplência irresponsável para com os que fazem a estrutura educacional do Município.
O que impressiona é a conivência do Prefeito de emergência, pois mantém nos postos secretários comprovadamente incompetentes, que estão apenas pastorando os cargos e recebendo subsídios, pois não tiveram competência para minimizar o caos e não mostraram a iniciativa de entregarem seus cargos.
Praticamente, o único Secretário em efetiva atividade, e com resultados visíveis, é o Procurador Geral Francisco Wilkie. Este merece respeito.
Natal em colapso, diz a matéria, a Prefeitura decreta estado de calamidade pública na saúde, Município sem aulas, sem professores, sem saúde, sem turistas, sem vergonha.
Enquanto isso, transfere recursos vultosos para a Câmara Municipal, que não assume as suas responsabilidades para intervir nessa situação sem controle.
Isto tudo é um desrespeito à população, um escárnio à coisa pública, um desgoverno imperdoável, um somatório de omissões.
Estamos atravessando a maior crise da nossa história e não se presta os devidos esclarecimentos de nada e a ninguém. Vivemos tempos terríveis, que nos lembram o clima da Revolução Francesa e a Queda da Bastilha.
Para tudo há um tempo certo, diz o livro do Eclesiastes – AGORA É TEMPO DE SE CRIAR VERGONHA.
E o governo do Estado que se cuide!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012


 Tenho o prazer de enviar artigo.

                Cordialmente,

      Adriano Benayon *  13.11.2012

Eleições Tenho o prazer de enviar artigo.

                Cordialmente,

      Adriano Benayon *  13.11.2012

Eleições

EUA

Analistas qualificados dos EUA confirmaram o que sabemos: havia pouca diferença entre os dois candidatos à presidência. 
2. Mais de 90 milhões de eleitores não compareceram, e parcela importante dos que votaram preferiu Romney, mais radical que Obama, em militarismo e desprezo pelos direitos sociais dos estadunidenses e pelos direitos humanos dos povos massacrados pela política imperial.
3. Ambos estão a serviço da oligarquia financeira, que inclui o complexo industrial militar e as mega-empresas de energia (entre outras)  concentradoras de ganhos absurdos e destruidoras do meio-ambiente.
4. Como assinala Paul Craig Roberts,  Obama e Romney posicionam-se a favor do prosseguimento da política intervencionista dos EUA, notadamente no Oriente Médio, e da confrontação militar contra a Rússia e a China.
5. Nem o “democrata” nem o “republicano” questionam as leis e medidas, instituídas por Bush e pelo próprio Obama, que  significaram rasgar a Constituição dos EUA, ao suprimir as garantias do Estado de direito aos alvos da repressão política, estrangeiros e nacionais, inclusive as dezenas de milhões de estadunidenses vítimas da depressão econômica.
6. Essa é a “democracia” do país que emprega a força militar, bem como a corrupção, sob a direção dos serviços secretos, para intervir em todo o mundo a serviço da oligarquia predadora,  acusando os países visados  de não ter regime democrático e de desrespeitar os direitos humanos ou o meio-ambiente.
7. De modo semelhante, embora mais discreto, agem o Reino Unido,  outro líder do sistema imperial, e os coadjuvantes, membros da OTAN. Em todos, os bancos e as corporações transnacionais controlam o Estado.
8. Onze anos de guerras imperiais e políticas econômicas que tudo permitem aos grandes bancos e transferem para eles dezenas de trilhões de dólares, oneraram os EUA com fabulosos déficits orçamentários. Esses – lembra Roberts – resultam em hiperinflação e na perda de posição do dólar como divisa mundial.
9. Esse privilégio é altamente prejudicial para o  Mundo, e todos se beneficiariam com o fim dele. Os próprios EUA, privados do parasitismo, passariam a cuidar de sua infra-estrutura deteriorada e a investir mais produtivamente, em vez de exercerem pressões militares para coagir os países exportadores de petróleo a vendê-lo por dólares e fazer guerras destruidoras contra os que resistem a essa imposição.

Brasil

10.  Tivemos eleições municipais, nas quais  as qualidades de um candidato a prefeito e a nulidade ou perversidade de outro podem fazer diferença. Nas eleições à presidência da República, a probabilidade disso é praticamente inexistente, porque a importância da política federal leva o sistema de poder a afastar candidatos propensos a mudar as coisas.
11. Dilma é um pouco menos alinhada com o império que os políticos do PSDB. Entretanto, a continuação dela também implica que a situação do Brasil prossiga deteriorando-se.
12. O mesmo não se dá na Argentina, Equador e Venezuela, países nos quais os atuais mandatários têm dado passos na direção da autonomia nacional, enquanto as oposições são totalmente caudatárias do império.
13. O Brasil apresenta um dos maiores descompassos do mundo, entre o potencial e o que realiza, porquanto a política econômica é ditada por transnacionais estrangeiras e bancos. Não, pelos interesses nacionais.
14. O extraordinário potencial do País, notadamente a dotação de recursos naturais, fez com que as potências imperiais atuassem intensamente para inviabilizar o desenvolvimento econômico e social, além de promover a destruição da cultura e da educação.
15. Nos raros períodos em que o Brasil caminhou para o desenvolvimento, as potências imperiais, EUA à frente, desestabilizaram e derrubaram os governos, como os de Getúlio Vargas em 1945 e em 1954.
16. Vargas foi extremamente clarividente nas medidas econômicas e  chamou gente competentíssima para assessorá-lo. O prosseguimento de suas políticas teria levado o País ao progresso econômico e social. Além disso, conquistou grande apoio popular.
17. Entretanto, faltou-lhe força de vontade ou de percepção política, ao dar  espaço aos agentes de sua desestabilização, promovida pelas potências hegemônicas.
18. Ele se havia composto com os EUA no contexto da Segunda Guerra Mundial. Não havia como não autorizar as bases norte-americanas no Nordeste, que, do contrário, seria invadido, pois o País carecia de poderio militar, sequer de longe, comparável ao das potências.
19. Vargas cometeu o erro desnecessário de enviar tropas para combaterem na Itália, fazendo improvisar a Força Expedicionária, que lutou bravamente, mas subordinada a uma divisão dos EUA.
20. Envolvidos pela interessada “amizade” dos estadunidenses,  oficiais brasileiros adotaram a ideologia prevalecente nos EUA. Esses lideraram a facção militar atuante nos golpes de 1945, 1954 e 1964.
21. Acusado de ditador, Vargas tolerou, mais que devia, os abusos, inclusive ilegais, de opositores, ávidos de poder a qualquer custo, como Carlos Lacerda, grandemente difundidos pela mídia comprada por dinheiro externo.
22. Além disso, consciente da influência política e econômica dos interesses estrangeiros, pôs no governo, na tentativa de aplacá-los, gente que, como João Neves da Fontoura, contribuiu para desestabilizar o presidente.  Permitiu, ademais, que militares nacionalistas fossem alijados, em vez de neutralizar os partidários dos EUA.
23. As conquistas da Era Vargas começaram a ser destruídas, de 1946 a 1950, com Dutra na presidência. De novo, desde agosto de 1954, teve andamento, não mais interrompido,  o favorecimento às empresas transnacionais.
24. A calamitosa gestão de FHC (1995-2002) concluiu o processo de destruição da Era Vargas, com as escandalosas privatizações e a desestruturação do serviço público.
25. Antes, em 1985, Sarney, o primeiro presidente civil desde 1964, encontrou enormes dívidas externa e interna, cujos montantes haviam crescido absurdamente com a submissão do País às imposições dos banqueiros mundiais.
26. Além disso, quase todas as indústrias importantes já estavam sob controle das transnacionais, a nova classe dominante,  graças às doações e aos demais subsídios da política econômica.
27. Isso explica que o  poder econômico tenha tido êxito ao sabotar as medidas de Sarney favoráveis à população e que ele se rendesse,  entregando o ministério da Fazenda a um elemento da Federação dos Bancos.
28. Daí, favorecida por uma fraude no texto da Constituição de 1988, a sangria do serviço das dívidas aumentou assustadoramente. Em cima dela e da inflação, o descalabro acentuou-se sob Collor. Sobreveio o interregno inconclusivo de Itamar e a ruína cavada por FHC. Seguiram-se os petistas, conservadores do essencial das políticas desastrosas.
29. Ainda assim, a mídia entreguista quer a volta do PSDB, por ser mais radical. A mesma mídia que trabalhou para derrubar Getúlio Vargas, reforçada, desde 1968, pela VEJA.
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.





EUA

Analistas qualificados dos EUA confirmaram o que sabemos: havia pouca diferença entre os dois candidatos à presidência. 
2. Mais de 90 milhões de eleitores não compareceram, e parcela importante dos que votaram preferiu Romney, mais radical que Obama, em militarismo e desprezo pelos direitos sociais dos estadunidenses e pelos direitos humanos dos povos massacrados pela política imperial.
3. Ambos estão a serviço da oligarquia financeira, que inclui o complexo industrial militar e as mega-empresas de energia (entre outras)  concentradoras de ganhos absurdos e destruidoras do meio-ambiente.
4. Como assinala Paul Craig Roberts,  Obama e Romney posicionam-se a favor do prosseguimento da política intervencionista dos EUA, notadamente no Oriente Médio, e da confrontação militar contra a Rússia e a China.
5. Nem o “democrata” nem o “republicano” questionam as leis e medidas, instituídas por Bush e pelo próprio Obama, que  significaram rasgar a Constituição dos EUA, ao suprimir as garantias do Estado de direito aos alvos da repressão política, estrangeiros e nacionais, inclusive as dezenas de milhões de estadunidenses vítimas da depressão econômica.
6. Essa é a “democracia” do país que emprega a força militar, bem como a corrupção, sob a direção dos serviços secretos, para intervir em todo o mundo a serviço da oligarquia predadora,  acusando os países visados  de não ter regime democrático e de desrespeitar os direitos humanos ou o meio-ambiente.
7. De modo semelhante, embora mais discreto, agem o Reino Unido,  outro líder do sistema imperial, e os coadjuvantes, membros da OTAN. Em todos, os bancos e as corporações transnacionais controlam o Estado.
8. Onze anos de guerras imperiais e políticas econômicas que tudo permitem aos grandes bancos e transferem para eles dezenas de trilhões de dólares, oneraram os EUA com fabulosos déficits orçamentários. Esses – lembra Roberts – resultam em hiperinflação e na perda de posição do dólar como divisa mundial.
9. Esse privilégio é altamente prejudicial para o  Mundo, e todos se beneficiariam com o fim dele. Os próprios EUA, privados do parasitismo, passariam a cuidar de sua infra-estrutura deteriorada e a investir mais produtivamente, em vez de exercerem pressões militares para coagir os países exportadores de petróleo a vendê-lo por dólares e fazer guerras destruidoras contra os que resistem a essa imposição.

Brasil

10.  Tivemos eleições municipais, nas quais  as qualidades de um candidato a prefeito e a nulidade ou perversidade de outro podem fazer diferença. Nas eleições à presidência da República, a probabilidade disso é praticamente inexistente, porque a importância da política federal leva o sistema de poder a afastar candidatos propensos a mudar as coisas.
11. Dilma é um pouco menos alinhada com o império que os políticos do PSDB. Entretanto, a continuação dela também implica que a situação do Brasil prossiga deteriorando-se.
12. O mesmo não se dá na Argentina, Equador e Venezuela, países nos quais os atuais mandatários têm dado passos na direção da autonomia nacional, enquanto as oposições são totalmente caudatárias do império.
13. O Brasil apresenta um dos maiores descompassos do mundo, entre o potencial e o que realiza, porquanto a política econômica é ditada por transnacionais estrangeiras e bancos. Não, pelos interesses nacionais.
14. O extraordinário potencial do País, notadamente a dotação de recursos naturais, fez com que as potências imperiais atuassem intensamente para inviabilizar o desenvolvimento econômico e social, além de promover a destruição da cultura e da educação.
15. Nos raros períodos em que o Brasil caminhou para o desenvolvimento, as potências imperiais, EUA à frente, desestabilizaram e derrubaram os governos, como os de Getúlio Vargas em 1945 e em 1954.
16. Vargas foi extremamente clarividente nas medidas econômicas e  chamou gente competentíssima para assessorá-lo. O prosseguimento de suas políticas teria levado o País ao progresso econômico e social. Além disso, conquistou grande apoio popular.
17. Entretanto, faltou-lhe força de vontade ou de percepção política, ao dar  espaço aos agentes de sua desestabilização, promovida pelas potências hegemônicas.
18. Ele se havia composto com os EUA no contexto da Segunda Guerra Mundial. Não havia como não autorizar as bases norte-americanas no Nordeste, que, do contrário, seria invadido, pois o País carecia de poderio militar, sequer de longe, comparável ao das potências.
19. Vargas cometeu o erro desnecessário de enviar tropas para combaterem na Itália, fazendo improvisar a Força Expedicionária, que lutou bravamente, mas subordinada a uma divisão dos EUA.
20. Envolvidos pela interessada “amizade” dos estadunidenses,  oficiais brasileiros adotaram a ideologia prevalecente nos EUA. Esses lideraram a facção militar atuante nos golpes de 1945, 1954 e 1964.
21. Acusado de ditador, Vargas tolerou, mais que devia, os abusos, inclusive ilegais, de opositores, ávidos de poder a qualquer custo, como Carlos Lacerda, grandemente difundidos pela mídia comprada por dinheiro externo.
22. Além disso, consciente da influência política e econômica dos interesses estrangeiros, pôs no governo, na tentativa de aplacá-los, gente que, como João Neves da Fontoura, contribuiu para desestabilizar o presidente.  Permitiu, ademais, que militares nacionalistas fossem alijados, em vez de neutralizar os partidários dos EUA.
23. As conquistas da Era Vargas começaram a ser destruídas, de 1946 a 1950, com Dutra na presidência. De novo, desde agosto de 1954, teve andamento, não mais interrompido,  o favorecimento às empresas transnacionais.
24. A calamitosa gestão de FHC (1995-2002) concluiu o processo de destruição da Era Vargas, com as escandalosas privatizações e a desestruturação do serviço público.
25. Antes, em 1985, Sarney, o primeiro presidente civil desde 1964, encontrou enormes dívidas externa e interna, cujos montantes haviam crescido absurdamente com a submissão do País às imposições dos banqueiros mundiais.
26. Além disso, quase todas as indústrias importantes já estavam sob controle das transnacionais, a nova classe dominante,  graças às doações e aos demais subsídios da política econômica.
27. Isso explica que o  poder econômico tenha tido êxito ao sabotar as medidas de Sarney favoráveis à população e que ele se rendesse,  entregando o ministério da Fazenda a um elemento da Federação dos Bancos.
28. Daí, favorecida por uma fraude no texto da Constituição de 1988, a sangria do serviço das dívidas aumentou assustadoramente. Em cima dela e da inflação, o descalabro acentuou-se sob Collor. Sobreveio o interregno inconclusivo de Itamar e a ruína cavada por FHC. Seguiram-se os petistas, conservadores do essencial das políticas desastrosas.
29. Ainda assim, a mídia entreguista quer a volta do PSDB, por ser mais radical. A mesma mídia que trabalhou para derrubar Getúlio Vargas, reforçada, desde 1968, pela VEJA.
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.




quinta-feira, 29 de novembro de 2012


PT é refém do poder real
 (*) Rinaldo Barros
O tema da conversa de hoje foi colocado em pauta por Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, frade dominicano, escritor, autor de 53 livros: por que a esquerda brasileira logrou ser alternativa de governo, mas nunca conseguiu ser alternativa de poder?
Esclareço logo que não falo apenas dos comunistas, mas da esquerda em geral, incluindo a católica.
Refrescando sua memória, lembro que, ao chegar ao Governo Federal – além de renunciar aos princípios do seu partido no documento “Carta ao povo brasileiro” (22.06.2002) - o governo Lula preencheu considerável parcela das mais de 20 mil funções administrativas com a nomeação de militantes do PT e aliados, líderes de movimentos sociais e sindicais; fenômeno conhecido como “aparelhamento do Estado”. O mérito e a competência não foram considerados, o que explica a incompetência e a corrupção.
Afastados de suas bases, essas lideranças estão hoje perfeitamente adaptadas às benesses do poder, sem o menor interesse em retomar o “trabalho de base”. Instados a se manifestar, são a voz do governo junto às bases, e não o contrário. Ou seja, contrariando os princípios do PT original, o governo Lula optou por uma governabilidade baseada numa política clara de beneficiar o capital financeiro e as grandes empresas, (com crédito fácil, juros altos e isenção de impostos) e; na outra ponta, políticas compensatórias para os excluídos e dominados, com milhões de famílias endividadas, iludidas pelo crédito fácil e juros altos; sem perspectiva de alforria. Os lucros astronômicos dos bancos e das grandes montadoras de veículos assim o comprovam.
Lula poderia ter assegurado sua sustentabilidade política em duas pernas: o Congresso Nacional e os movimentos sociais. Poderia, mas não o fez. Julgando-se esperto, tornou-se refém (voluntário) de forças políticas tradicionais, oligárquicas, reacionárias, que deixou como herança, e ora integram o grande arco de alianças de apoio ao governo Dilma; a exemplo do Sarney, Collor, Maluf e Renan.
Paralelamente, Lula adotou uma política para os excluídos, sem a mediação dos movimentos sociais, como é o caso do programa “Bolsa Família”, que ocupou o lugar do fracassado “Fome Zero”, o qual se apoiava em comitês gestores integrados por lideranças da sociedade civil, que controlavam e fiscalizavam a iniciativa. Com o “Bolsa-família”, o “controle” passou a ser exercido pelas prefeituras; com consequências no jogo eleitoreiro.
É óbvio também que tal prática enfraqueceu e imobilizou os movimentos sociais e, ao mesmo tempo, pôs o núcleo governante voltado unicamente ao seu próprio projeto de perpetuação no poder. O poder pelo poder. Este projeto de poder, em seu desvario, gerou monstros como o mensalão; tenebrosas transações que colocaram em risco o próprio regime democrático.
Ou seja, o fenômeno do Lulismo se descolou do petismo histórico. A direção nacional do PT, por sua vez, aceitou restringir-se ao jogo do poder. Em outras palavras, o lulo-petismo mantém um falso discurso neopopulista de esquerda ou, pior ainda, fazendo-se de vítima das “zelites”. Lamentavelmente, na verdade, é apenas uma espécie de inocente útil a favor do sistema.
Tais características apontam para a perda do horizonte ético que sempre norteou a esquerda. Trata-se agora apenas de sobreviver politicamente, a qualquer preço.
Após 10 anos de governo petista, o Brasil é hoje um Estado obeso, depredador do meio ambiente, com alta carga tributária, infraestrutura precária, obras estruturantes paralisadas ou atrasadas, sem planejamento, sem capacidade de poupança, nem de inovação, nem de competitividade. E continua a ser o campeão da concentração de renda e da desigualdade social; com pobreza urbana, violência e criminalidade crescente.
Registre-se que questões maiores da pauta histórica da esquerda, como as Reformas agrária, fiscal, urbana, política e universitária foram relegadas a um futuro incerto. Um retrocesso histórico, sem dúvida.
Dilma, por sua vez, representava a esperança dos petistas históricos, mas não conseguiu corresponder a essa expectativa. Explico: a mãe do PAC até queria, mas não conseguiu ser alternativa de poder. Em nome da governabilidade (com menos habilidade e menos astúcia que o Lula), Dilma continua refém de forças políticas e econômicas descompromissadas com o desenvolvimento sustentável de nossa sociedade. Resumindo, o PT está no governo, mas não exerce o poder real; apenas o serve.
Daí a obsessão com o controle da imprensa, uma ideia fixa do PT que, envergonhado, diminuído, imagina ser possível disfarçar suas contradições e, com isso, fugir ao julgamento da história.
Termino citando Frei Betto, em seu artigo “A pasteurização da esquerda”, publicado no Le Monde Diplomatique, dez. 2008: “o Projeto civilizatório da Nação brasileira foi descartado em beneficio de um projeto de poder de um grupo dominante, fazendo alianças com partidos e forças sociais e econômicas que o PT, o PSB, o PCdoB, e o PDT, ao serem fundados, propunham enfrentar e derrotar”.
Decifro assim a charada do Lulopetismo. Todavia, fica a dúvida se a história o absolverá.

(*) Rinaldo Barros é professor - rb@opiniaopolitica.com


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O Rio Potengi e o cais do Porto de Natal.



Rio Potengi nos anos 30 - Observe os navios no estuário do rio aguardando vaga no cais. Compare com as duas fotos mais recentes (anos 60) e hoje.




















quarta-feira, 28 de novembro de 2012


Pense num decassílabo gostoso de ler!
________________________________________________
Peleja virtual de Ismael Gaião (IG) e Júnior Vieira (JV)

IG-  Eu sou um furo de espinho
Que entra como uma cunha
Entre o couro e a unha
Pelo seu dedo mindinho.
Sou um prego no caminho
Entrando no seu pé nu,
Sou almoço de urubu,
Sou o chulé no sapato…
Eu sou o mijo do rato,
Mas sou melhor do que tu.                           
 
JV- Sou um carrasco sem pena,
Eu sou o cocô do gato,
Sou um prego no sapato,
Sou sobejo de hiena.
Eu sou a gota serena,
Pior que cobra urutu,
Sou a bufa do timbu,
A mijada da ticaca,
Veneno de jararaca,
Mas sou melhor do que tu!                           

IG- Sou membro do mensalão
E a pregação de um crente.
Eu sou uma dor de dente
E a mágoa da traição.
Sou um petista ladrão.
Sou um corte com bambu.
Sou filho de belzebu,
Marido de uma “gaieira”
Sou sócio de Cachoeira,
Mas sou melhor do que tu!                           

JV- Eu sou a pior megera,
Doença que cai a língua.
Sou a mula que dá íngua,
Faço medo a besta fera.
Sou a doença que impera
No couro do cururu,
Serro te de caititu,
Que arranca os dedos da mão.
Sou o câncer de pulmão,
Mas sou melhor do que tu!

IG- Sou anão do orçamento
Que roubou nossa nação,
Picada de escorpião
E o coice de um jumento.
Sou pé frio d’um azarento,
Chifrada de boi zebu,
Mordida de pit bull,
Veneno de uma coral.
Sou o fim do carnaval,
Mas sou melhor do que tu!                          

JV- Sou o pior traficante,
Sou um rato de esgoto.
Eu sou o fim do arroto,
Sou patada de elefante.
Sou lepra contagiante,
Doença do gabiru,
Chefe do Carandiru,
Sou ladrão, sou desordeiro,
Estuprador, maconheiro,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Eu boto fogo em mendigo
Que dorme pelas calçadas.
Em veado dou lapadas.
Qualquer criança eu castigo.
Sou a lagarta no trigo,
Na ferida, o tapuru…
Pra mulher sou brucutu,
Pro velho, dor de barriga.
Vivo procur ando briga,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Quando meu pai mata um
Sou eu que assino embaixo.
Eu toco fogo em despacho
E sem remorso nenhum,
Eu provoco zum, zum, zum,
Faço o pior sangangu;
Meu pai cria buruçu…
É genética, a gente herda,
E boto fedor em merda,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Sou um “bebo” pegajoso
Que cospe na tua cara.
Sou ferida que não sara,
Sou covarde e mentiroso.
Sou vagabundo e seboso
E aguado como chuchu.
Sou cobra surucucu
Engolindo um roedor.
Sou freguês mal pagador,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Adoro falar mentira
E desconheço o perdão.
Eu inventei traição,
Tédio, ódio, raiva, ira…
Somente o mal me inspira,
Arranco carnegão cru,
Eu sou pivô de rebu,
Só compro tudo fiado,
Dou em cego e aleijado,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Sou um grande puxa-saco
Sou traidor, inseguro…
Eu vivo em cima do muro,
Sou cafajeste e velhaco.
Jogo um irmão num buraco
Pra ganhar qualquer tutu.
Eu desafio o vodu
Para me dar bem na vida…
Sou justiceiro homicida,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Puxo faca pra irmão,
Com minha mãe eu discuto,
Confesso que fico puto
Se não vejo confusão.
Viro frango, sapatão,
Passo quinau, dou pitu,
Abalei Caruaru,
Lá eu causei terremoto…
Só gente ruim eu adoto,
Mas sou melhor do que tu!               
 
IG- Sou chefe de um arrastão,
Sou decisão que malogra,
Sou a visita da sogra
Quando tem feriadão.
Sou Domingão do Faustão,
Sou sal grosso em cururu.
Sou tarado andando nu
Atrás de uma sodomia,
Sou um padre em pedofilia,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Eu me viro na mazela,
Atrapalho a tua rima,
Sou bomba de Hiroshima,
Eu sou a febre amarela.
Pior que erisipela,
Sou espírito belzebu,
Me viro no cafuçu,
Rezo o credo atravessado,
Deixo o capeta amarrado,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- A migo Júnior Vieira
Tô adorando a peleja
Só tá faltando a bandeja
Pra gente fazer a feira…
Nessa nossa brincadeira
Eu me lembrei de Xudu.
Não sou um Zezé Lulu,
Porém não canto tão ruim…
Tu não ganhaste pra mim,
Também não ganhei pra tu!                           
 
JV- Ismael, pra encerrar
Desfaça que eu desfaço.
Me abrace que eu lhe abraço,
Pra quê a gente brigar?
E eu não quero botar
Veneno no teu angu…
Vamos pescar um pacu,
Pois aqui ninguém perdeu…
Nem tu és melhor que eu
Nem sou melhor do que tu!










segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cuca podre com cigarros.


Pesquisadores britânicos afirmam que fumar 'apodrece' o cérebro

Redação SRZD | Ciências | 26/11/2012 08h37
Foto: Divulgação
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade King's College London, na Inglaterra, comprovou que o cigarro "apodrece" o cérebro ao danificar a memória, o aprendizado e o raciocínio lógico.

A pesquisa, que foi divulgada na revista científica "Age and Being", foi feita com 8,8 mil pessoas com mais de 50 anos e apontou que a alta pressão sanguínea e estar acima do peso também afetam o cérebro.

As pessoas que participaram do estudo realizaram testes de memorização de novas palavras e provas onde tinham que dizer o maior número de animais em um minuto.
Os mesmos teste foram repetidos por duas vezes, num intervalo de quatro anos entre cada um deles, e comprovaram que o risco de ataque cardíaco e derrame estão associados de forma significativa com o declínio cognitivo. Cientistas também confirmaram uma "associação consistente" entre fumo e baixos resultados no teste.
Leia também:

Oxigene seu cérebro!


Tribuna do Norte - 25.11.2012.

Oxigene seu cérebro!

 Dr.  Jorge Boucinhas - médico e professor da UFRN

Todo trabalho, nisto incluído o intelectual, acarreta incremento da circulação cerebral. Ela leva ao cérebro, além dos elementos nutritivos, um elemento indispensável para o metabolismo, o oxigênio. As células nervosas, os neurônios, são mais sensíveis do que as outras células à privação gás. Experiências clássicas mostraram que um nervo de rã conservado num líquido apropriado perde sua excitabilidade em 3 a 5 horas se o líquido for privado de oxigênio. Recupera-a em minutos sob a influência do mesmo. Os nervos dos mamíferos resistem muito menos tempo à asfixia (apenas minutos).

No ser humano, 100 g de substância cerebral absorvem entre 600 e 800 cm3 de oxigênio por minuto e a circulação sangüínea cerebral não pode ser interrompida sem provocar rapidamente perturbações graves.  Assim, a compressão digital das duas carótidas, bloqueando o fluxo de sangue para o cérebro, provoca rapidamente, desfalecimento. A hipotensão arterial, uma hemorragia séria, uma anemia severa, uma aterosclerose extensa, todas refreiam o funcionamento cerebral. Para garantir seu bom funcionamento, deve-se levar ao cérebro o máximo de oxigênio, e o melhor meio de consegui-lo são os exercícios respiratórios.

Normalmente cada inspiração absorve e cada expiração expele 0,5 1itro de ar. Na inspiração forçada, porém, a capacidade do tórax aumenta ao máximo, e, nesse caso, a quantidade de ar absorvida a mais chega a cerca de 1,5 1. Do mesmo modo, na expiração forçada, o volume de ar expelido ultrapassa em igual volume o ar expelido em condições habituais. Pode-se portanto, graças à respiração profunda, aumentar em proporções notáveis a ventilação pulmonar e fornecer um aumento do aporte de oxigênio ao sangue e, conseqüentemente, ao Sistema Nervoso Central.

Os exercícios de respiração profunda são muito simples e convêm geralmente a todos.  Podem ser executados a qualquer momento do dia, porém recomenda-se que sejam executados sistematicamente de manhã e à noite, durante 3 a 8 minutos. Aconselha-se, também, fazer algumas respirações profundas quando, depois de um trabalho intelectual prolongado, as idéias se “embaralham” e a cabeça fica “pesada”. Alguns toques de leve com as mãos na cabeça e no pescoço auxiliarão a aliviar o cérebro. Para isto toca-se o lado direito com a mão direita e o lado esquerdo com a mão esquerda. Coloca-se a mão na testa em seguida, mantendo contato com a pele, baixa-se a mão para o peito tendo cuidado para que a extremidade dos dedos passe sucessivamente na têmpora, atrás da orelha, para descer em seguida pelo pescoço. Quando a mão chega ao peito, interrompe-se o contato e torna-se a colocá-la na posição inicial. Uns dez toques bastam geralmente para “aliviar” o cérebro e tornar as idéias mais claras.  Tamouco deixar-se-á também de respirar profundamente durante passeios, marcha acelerada e ginástica.

Os exercícios respiratórios são particularmente eficazes se, durante o dia, forem feitos próximo a áreas arborizadas. Por sua função clorofiliana os vegetais saneiam a atmosfera, enriquecendo-a de oxigênio.  Em contrapartida, é útil afastar do local em que se dorme as plantas, as quais contribuem para viciar o ar que se respira.  Certas flores são até particularmente perigosas pelos perfumes algo tóxicos que exalam. Estão nesse caso as violetas e os lírios.

Sob o ponto de vista fisiológico, as vantagem da respiração profunda não se limitam a uma melhor oxigenação do cérebro. Ela desenvolve, naturalmente, a capacidade torácica, mas também regulariza a atividade cardíaca e estimula os órgãos da digestão.  Com efeito, uma vez que os ritmos pulmonar e cardíaco estão parcialmente ligados, qualquer ação que contribua a normalizar o ato de respirar normaliza também as batidas cardíacas. Ademais, o movimento como que de massagem que a respiração profunda imprime à cavidade torácica estimula suavemente a maior parte das vísceras, sejam elas supra- ou sub-diafragmáticas.

Tão úteis (e tão simples!) são os procedimentos que abrem portas a conseguir tais vantagens que o Artigo vindouro será dedicado a algumas das técnicas empregadas para conseguir executá-los com o devido sucesso. Que se os aguarde um pouco!