sábado, 8 de dezembro de 2012

"Queremos Aluizio em 70".

Por Walter Medeiros*
 
Na efervescência política dos anos sessenta, quando a disputa no Rio Grande do Norte se dava principalmente entre os seguidores do ex-governador Aluízio Alves e do senador Dinarte Mariz, firmava-se a preferência pela corrente democrática e populista que garantira a eleição do Monsenhor Walfredo Gurgel para o Governo do Estado. Havia uma sintonia que já levava às ruas uma palavra de ordem que ganhava corpo junto ao eleitorado entusiasmado da corrente denominada de “Bacuraus”, a qual dizia nos quatro cantos: “Queremos Aluízio em 70”.
 
Aquela demonstração de desejo do retorno de Aluízio Alves ao Governo não era nada contra o governo do Monsenhor Walfredo, mas a antecipação do que o grupo político e seus seguidores desejavam. Ela vinha como resultado de um governo que havia mudado o Rio Grande do Norte, estabelecendo modernas relações no âmbito da energia elétrica, telefonia, habitação e outros setores de forma nunca antes vista. Havia sido um grande salto para o nosso estado.
 
 
Lembro bem do meu avô, Francisco Bezerra e minha avó, Dona Constância, caracterizados do verde da Cruzada da Esperança e do retrato de Aluízio na oficina de arte onde ele (meu avô) trabalhava. Do outro lado da minha casa, a minha tia, Mariêta, que guardava orgulhosa um disco de 78 rotações com a Marcha da Esperança e outra música, com Jackson do Pandeiro, enaltecendo Aluízio. O disco ela deixou para mim e eu achei que ficaria melhor guardado no Memorial do ex-governador.
 
Naquele entusiasmo, ouvíamos Erivan França apresentando o programa “Falando Francamente” na rádio Cabugi, início da noite. Não deixávamos de dar uma passada e ouvir enraivecidademente Eugênio Netto fazer o seu programa na Rádio Nordeste, com aquela característica que cantava “O velho tinha razão”. E a síntese daquilo era meus parentes, entre eles Wellington Medeiros, meu irmão, radialista, já na Rádio Cabugi, comentando o que diziam: que na fronteira da Paraiba os paraibanos pediam que empresássemos Aluízio para mudar o estado vizinho.
 
Era a época em que os livros didáticos popularizavam o poema de Drummond que anunciava: “Tinha uma pedra no meio do caminho”. Inesperadamente, inacreditavelmente, supreendentemente, eis que vem a notícia de que os militares haviam decidido cassar o mandato e suspender os direitos políticos de Aluízio Alves e outros. Não sei e jamais saberemos o que o povo diria nas urnas de 1970, mas aquele gesto de força, arbítrio e injustiça mudou a história do Rio Grande do Norte. Calava-se o grito ensaiado do povo, que não poderia mais dizer “Queremos Aluízio em 70.
 
Por esses dias, a Câmara dos Deputados devolveu, simbolicamente, os mandatos de 173 deputados federais cassados ao longo de quatro legislaturas entre 1964 e 1977, durante o regime militar (1964-1985). O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a solenidade foi um ato que busca apagar a nódoa causada pelos gestos autoritários que muito nos envergonham. Ele lembrou que os deputados cassados foram calados não pelo debate, mas por imposição e força da ditadura.
 
O presidente da Comissão Nacional da Verdade, ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles disse que o ato deve servir para “que nunca mais venhamos a permitir que nossas divergências sejam decididas pelo arbítrio, pela truculência e pelo desaparecimento”. Para a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, a restituição simbólica dos mandatos “é um compromisso para que jamais permitam que a democracia, a justiça e a paz sejam aviltadas como foram no golpe de 1964”.
 
Ao tratarmos aqui dessa realidade que havia no Rio Grande do Norte em meados dos anos 60 pinçamos uma pequena mostra do que ocorreu Brasil afora. Os ambientes políticos em que viviam 173 parlamentares, cujas palavras foram cerceadas, cujas trajetórias foram violentamente obstruídas, contrariando a decisão antes tomada pelo povo que os elegeu, foram todos mutilados. De todos esses tristes episódios, restam, pelo menos, as lições. A cena que a sociedade desejava à época jamais será recomposta. Entretanto, ficou comprovado que os canhões do arbítrio deixam seus rastros de sangue, mas são derrotados e a democracia ressurge mais forte.
 
*Jornalista


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/08/2012 06:12:00 PM
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Para: AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo
     

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Feitiço do tempo
(*) Rinaldo Barros
            A conversa de hoje segue o rumo das inquietações e perplexidade em relação à irrealidade do nosso mundo contemporâneo. Ando angustiado porque tenho um entendimento de que, neste início de Milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão.
            Uma perplexidade que, espero, não seja somente minha, mas de todos os que ainda almejam construir a cidadania e vivem as dificuldades para manter a dignidade e colocar em prática os valores civilizatórios.
            Estou cada vez mais convicto de que a sociedade, acuada pela insegurança física e moral, desaba diante dos olhos de um Estado cada vez mais fraco, da impunidade que beira à anomia (pode ir ao dicionário), e de práticas indecentes disseminadas por todas as classes e segmentos sociais.
            Lamento informar, mas estamos num mundo volúvel e volátil pautado pelos caprichos do capital financeiro, sem pátria, sem regras e sem lei que o regule. Um mundo que gira como uma roleta, como uma banca de apostas onde o único valor é o lucro fácil, sem qualquer compromisso com o desenvolvimento das sociedades.
            Recentemente, encontrei respaldo para minhas suspeitas no sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “Tiempos Líquidos”, Tusquets editores, México, 2008. Bauman me ajudou a entender melhor esse nosso tempo sem raízes, sem memória, através um conjunto de análises que ajudam a elucidar esses descaminhos.
            Aprendi que a modernidade resultou da fragmentação do que antes era sólido.
            Bauman aponta cinco pontos representativos dessa mudança de curso, sem precedentes na história da humanidade.
1)      Desmantelamento das organizações sociais - a velocidade das alterações ocorridas nas organizações sociais fez com que estas não mais consigam manter seu formato e se dissolvem rapidamente. O controle social se desmancha gradativamente, em marcha acelerada.
2)      Fragmentação do Estado moderno - o poder antes era circunscrito ao Estado de cada nação. Hoje, o poder é globalizado e se afasta na direção de um espaço global, planetária; mas - contraditoriamente - o poder local continua sendo exercido em cada lugar, de forma fragmentada, pulverizada, desarticulada. O Estado nacional tende a se tornar impotente frente às grandes questões sociais e econômicas.
3)      O mercado substitui as relações sociais - a comunidade, como forma de se referir à totalidade da população que habita um território soberano, perde substância e significado. Os laços inter-humanos se tornam cada vez mais frágeis e descartáveis porque são regulados pelas leis do deus-mercado. A exposição e submissão das pessoas aos caprichos dos mercados de força de trabalho, de mercadorias e de serviços inspiram e promovem a divisão do trabalho, a competição e o individualismo; em detrimento da colaboração, da cooperação e do trabalho em equipe.
4)      Colapso do pensamento - estão cada vez mais relegados ao segundo plano o pensamento formulador, o planejamento e as ações de longo prazo, do que resulta o enfraquecimento das estruturas sociais; e coloca em risco a construção do desenvolvimento sustentável. Dessa forma, a vida fica fragmentada, sem continuidade histórica. O conhecimento do passado não assegura a probabilidade de vitórias futuras. Na correria cotidiana, não há tempo para reflexões ou novas construções teóricas; não se planeja e não se tem noção para onde estamos caminhando.
5)      Desequilíbrios da economia global - metade do comércio mundial e mais da metade do investimento global beneficiam apenas 22 países, os quais acomodam apenas14 por cento da população mundial. 90 por cento da riqueza total do planeta estão nas mãos de apenas (01) hum por cento de seus habitantes. E não há qualquer instrumento ou mecanismo à vista capaz de deter essa maré global de polarização entre o poder e a riqueza, de um lado, e a crescente miséria material e espiritual, na ponta dos famélicos esquecidos.
Pelo andar da carruagem, as consequências desta globalização imperialista são e serão desastrosas, pois o que se vê é a concentração de riquezas e de poder, ao lado do crescimento do desemprego, da miséria, da exclusão social, e da violência urbana, com drogas e criminalidade crescentes.
Ingenuamente, talvez, como queria Agostinho (354 a 430 d.C), só me resta continuar com a Esperança, ao lado de suas duas filhas lindas, a Indignação e a Coragem; ainda uma vez mais, com a única arma que possuo - a palavra - gritando para tentar construir um mundo melhor.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


"Maria do Céu não viu aparecer
nenhum herói na insurreição

Luiz Gonzaga Cortez *

No dia 21 de abril de 1987, Maria do Céu Pereira Fernandes, que foi a primeira deputada estadual do Rio Grande do Norte, irmã do falecido ex-governador José Cortez Pereira de Araújo (filha de Olindina Pegado Cortez, irmã da minha avó paterna), prima legítima do meu pai, Manoel Genésio Cortez Gomes, me concedeu uma entrevista na residência do seu filho Paulo de Tarso, em Natal, publicada no extinto semanário Dois Pontos. Eis o teor da entrevista:

Como a sociedade recebeu o lançamento da sua candidatura pelo Partido Popular?

MC – Naquele tempo, eu fazia o que queria. Lia livros proibidos, inclusive sobre comunismo e Freud. Sobre comunismo, por exemplo, eu li muito, mas não aceitei a ideologia. Mas sobre a receptividade da minha candidatura posso dizer que os remanescentes do tradicionalismo não aceitaram. Houve um certo impacto no começo, mas depois a Igreja aceitou. Não houve choque nenhum, todos aceitaram.

E o seu pai, político tradicional e conhecido coronel da política de Currais Novos, como viu a sua candidatura?

MC – Eu tinha 24 anos naquela época. Sou de novembro de 1910. Papai não queria que eu fosse candidata, mas não tomei conhecimento porque o que eu fazia era o que achava certo. Veja bem, em 1934, eu tinha amigos e amigas, o que não era comum naquele tempo. Com amigos, eu passeava e viajava. Você já pensou uma mulher de 24 anos passear na cidade com amigos? Passeava com Mário Porto, Eider Trindade e outros grandes amigos. Fui eleita com o apoio do meu pai, Vivaldo Pereira, e do meu noivo, Aristófanes Fernandes.

Logo após a eleição dos deputados para a Assembléia Constituinte Estadual ocorreu a revolta dos cabos e soldados do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, em Natal. Como a sra. viu a revolta?

MC – Até gostei de ter havido a revolução comunista. Eu gostei que os comunistas tivessem se rebelado. Gostei porque eles eram idealistas, mas não porque quisesse participar, não. O Brasil estava se tornando horrível. Lendo o livro "Olga", de Fernando Morais, a gente fica sabendo como os comunistas eram idealistas, mas não tinham meios, coitados, de dominar o Brasil. Como eles iriam vencer num país-continente como o nosso? Como iriam arregimentar gente e recursos para que pudesse haver um congraçamento de norte a sul? Se eles tivessem se levantado de norte a sul, teriam conseguido a vitória. E foi bom assim porque o povo brasileiro não está preparado para o comunismo. Ainda hoje o Brasil não comporta o regime comunista, mesmo com toda a miséria e ignorância.

A sra. tem alguma admiração pelo comunismo?

MC – Há muita coisa que não aceitamos no comunismo da União Soviética e de Cuba. Eu tenho uma admiração e entusiasmo por Fidel Castro. Cuba não é o regime ideal, mas só o fato de Fidel tirar o povo da situação anterior já é grande coisa.

A sra. era de direita?

MC – É, eu era de direita total. Hoje sou de esquerda. Meu pai era um homem de direita, de muita autoridade, mas eu não baixava a cabeça pra ele; ele me ouvia e não discutia comigo, mas era um tipo de patriarca. Embora como pai tivesse ternura pelos filhos, mantinha uma certa distância de nós. (Em 1924, perdi a minha mãe e passei a confiar mais no meu pai).

Que lições tirou desse período?

MC – Casada, procurando aproveitar uma outra situação, escondendo o real, aprendi a "engolir" alguns fatos, a aparentar outra coisa, aquilo que não estava mais vivendo. Quase fico maluca (risos). Não tenho porque alimentar minhocas, cheguei aos 76 anos de idade e não há mais o que mudar. Boto tudo pra fora o que sinto. E vou continuar assim, embora ache que esteja perto de terminar.

Que conselhos a sra. daria às mulheres de hoje?

MC – A mulher deve ser rebelde até certo ponto. Quando ela está convicta que seus objetivos estão certos, deve lutar até o fim. Apesar de sempre ter sido uma mulher rebelde, eu vivi muito bem com o meu marido.

E a política daquele tempo?

MC – Naquele tempo se pensava em fazer alguma coisa pelo povo, mas isso já era utópico. Quando se entra no governo, a gente pensa muito pelos pobres. Por isso, aconselho Geraldo Melo, em que não votei porque não me recadastrei, que olhe mais para quem não tem e olhe menos para quem tem muito. Hoje só se faz política com muito dinheiro, só se elege quem tem dinheiro. Naquele tempo, os coronéis mandavam na política, mandavam votar em quem eles queriam, mas não se comprava votos. As campanhas eram bonitas. Fazíamos campanhas e comícios em cima de caminhões. E assim a gente falava para o povo e pedia votos.

A história registra que a campanha política de 1934 foi muito agitada. Há o famoso episódio do tiroteio de Parelhas que redundou numa morte.

MC – Eu não fui a Parelhas, fiquei em Acari. Por isso, não posso falar sobre esse tiroteio.

E o governo Mário Câmara, antecessor de Rafael Fernandes, cuja administração a sra. apoiou como membro da bancada do Partido Popular?

MC – Se foi um período de violências, eu não sei. Acho que houve alguma violência, mas há muitas controvérsias sobre isso, não é? Houve o caso do assassinato do filho de Juvenal Lamartine, Otávio, mas um grande amigo meu constituinte daquele tempo, rebate essa acusação de que Mário Câmara foi o responsável. Fomos obrigados a ir para a Paraíba, por causa da tensão reinante em Natal. Na Paraíba, o governador Argemiro Figueiredo, recebeu e hospedou os 14 deputados do Partido Popular. Forças federais garantiram o  regresso a Natal, que encontramos deserta. Aqui, os 14 deputados ficaram hospedados na casa de Alberto Roselli, amigo nosso. A casa ficava no Grande Ponto e, no dia seguinte, muita gente querendo nos ver. Ficamos na casa de Alberto Roselli até o dia da votação indireta na Assembléia Legislativa, que funcionava na rua Junqueira Ayres, onde hoje está a Ordem dos Advogados. A eleição dos deputados foi muito agitada, mas a eleição de Rafael Fernandes foi pacífica. Os catorze deputados ficaram unidos e coesos e elegemos Rafael Fernandes por um voto de maioria. Foi uma vitória sofrida e bonita. Depois da votação, saímos do prédio da Assembléia para buscar Rafael Fernandes. No meio desse povo, eu era a única mulher.

A sra. recebeu ameaça de morte?

MC – Bom, na época da campanha houve algumas ameaças. Por três vezes, entraram na minha residência para me seqüestrar. Uma vez senti que um homem estava no banheiro da minha casa e gritei. As pessoas que  estavam em minha casa viram o homem pulando o muro e desaparecer, na rua 13 de Maio (hoje Princesa Isabel). Em seguida, forças federais vigiaram a minha casa até 1935.

Acredita que as demissões de guardas civis, nomeados por Mário Câmara, precipitaram a insurreição do 21º BC?

MC – A insurreição de 35 não foi eminentemente comunista. A coisa já vinha lá do sul, mas aqui anteciparam um pouco, pois não era para estourar no dia 23 de novembro. Essa antecipação favoreceu o governo de Getúlio Vargas, pois se eles estivessem articulados de norte a sul, acredito que não teria fracassado. Mas voltando ao caso das demissões dos guardas civis, creio que eles favoreceram a rebelião. Na época, eu disse ao monsenhor Mata (presidente da Assembléia Legislativa e membro do PP): "Sou uma pessoa disciplinada, mas não aceito certas coisas. Eu não sou uma ovelha que segue um só rebanho para deixar de lado a minha discordância com as demissões. Quanto a antecipação da revolta por causa das demissões feitas pelo governador Rafael Fernandes, não posso garantir, mas pode ter influenciado. Foram mais de 300 pais de famílias demitidos em poucos dias.

Chegou a ver atos de heroísmo durante a revolta?

MC – Não. Quando estourou a revolução eu estava no Teatro Carlos Gomes. Fui obrigada, muitas vezes, a me arrastar e me esgueirar no meio do mato. Chegamos na casa de José Mesquita, na avenida Deodoro, onde hoje fica o edifício Chácara 402. Passamos o resto da noite lá e, de manhã cedo, caminhamos para a praia do Meio. Durante o governo revolucionário não sofremos nada, não sei porque. Sabíamos que um dos líderes da revolução era José Macedo, natural de Santana do Matos e, parece, que ele mandou que a nossa família fosse respeitada. Dos quatro dias que passamos na praia só me lembro que faltaram alguns alimentos em Natal. Soube que alguns seguidores de José Augusto, do Partido Popular, em Macaíba, participaram da insurreição, mas não sei porque. Por ouvir dizer, em Macaíba, sei da participação de Alfredo Mesquita na insurreição. A insurreição comunista foi uma surpresa para muita gente. Eu lia muito e sabia que alguma coisa iria acontecer, mas que não rebentaria na noite do dia 23 de novembro de 1935. Quanto a heróis, desconheço que tenha aparecido algum em Natal, durante a revolução comunista."


*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.



domingo, 2 de dezembro de 2012

UBE fará homenagem a Bartolomeu Correia.

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Hospital de Parnamirim pára amanhã, 3.


Médicos de Natal (RN) voltam a paralisar as atividades

Elendrea Cavalcante
Do UOL, em Natal
  
Os atendimentos de urgência e emergência na ortopedia de dois hospitais de Natal, um de Parnamirim (a 15 quilômetros da capital) e o Samu Metropolitano, estão paralisados desde a manhã deste sábado (1º). A interrupção ocorre em protesto contra uma dívida de R$ 1,5 milhão do Estado com a Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed).
A cooperativa havia alertado desde o último dia 22, em reunião na Secretaria de Saúde do Estado, sobre a suspensão dos serviços, caso o pagamento não fosse realizado.
Há quatro dias, médicos da mesma cooperativa voltaram ao trabalho nas unidades do município após sete dias de paralisação nos atendimentos de baixa complexidade, também pela falta de pagamento.
Porém, além da paralisação nas unidades do Estado a partir de hoje, a mesma cooperativa informou que paralisaria o atendimento de média e alta complexidade nas unidades do município, na segunda-feira (3), caso o pagamento do município por esses dois contratos de serviço não seja realizado até este domingo (2).
A interrupção iniciada neste sábado deve-se, segundo a cooperativa, ao atraso do Estado no pagamento dos plantões de agosto, setembro e outubro, que juntos, somam R$ 1,5 milhão.
O presidente da Coopmed, Fernando Pinto, informou que o atraso no pagamento dos médicos cooperados já está entrando no quarto mês (novembro).
Por enquanto, um dos hospitais mais prejudicados com a interrupção do atendimento é o Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. Principal hospital de urgência e emergência do Estado, a unidade passou os últimos meses acumulando pacientes – principalmente da ortopedia – em seus corredores.
Além dele, está prejudicado o atendimento no Hospital Universitário Onofre Lopes, localizado em Natal, e no Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim – cidade da Grande Natal.
O secretário estadual de Saúde classificou como intransigente a decisão da Coopmed de interromper mais uma vez os atendimentos nas unidades de saúde públicas. Segundo ele, a cooperativa foi alertada de que o pagamento do Estado será feito na segunda-feira.