domingo, 29 de dezembro de 2013

MUNDO

Revista diz que NSA capta dados de cabos submarinos entre Europa e Ásia

Reportagem da revista alemã "Spiegel" denuncia que a Agência de Segurança Nacional dos EUA obteve dados sobre as maiores redes de comunicação entre a Europa e o Oriente.
O sistema de cabos – na maior parte, submarinos – SEA-ME-WE-4 tem 18 mil quilômetros de extensão. Completado em dezembro de 2005, ele se tornou o principal meio de conexão para internet e telefonia entre a Ásia e a Europa.
De acordo com uma reportagem da revista alemã Spiegel, a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) teria conseguido obter informações sobre o gerenciamento da rede do sistema.
Segundo a reportagem, o Departamento de Operações Customizadas (Tailored Access Operations) da NSA teria conseguido penetrar no site do consórcio que opera a rede e obter dados sobre a infraestrutura técnica do sistema de cabos. Os especialistas da agência americana estariam de posse de informações sobre uma "parte significativa" do sistema, publicou o semanário em sua mais recente edição.
Apenas um passo inicial
O sistema SEA-ME-WE-4 de cabos submarinos vai da cidade portuária de Marselha, na França, através do Mediterrâneo até o norte da África, passa então pelos países do Golfo até chegar ao Paquistão, Índia, Cingapura, Malásia e Tailândia. Ao longo do percurso existem 17 pontos de conexão onde os dados associados a cada região são conectados com o continente e a informação é ao mesmo tempo transmitida e recebida das redes locais.
O nome do sistema é composto das siglas em inglês das regiões de destino e de tráfego da rede: o Sudeste Asiático (em inglês: Southeast Asia – SEA), Oriente Médio (Middle East – ME) e Europa Ocidental (Western Europe – WE). Um total de 16 operadoras de telecomunicações compõe o consórcio que administra o sistema. Entre estas, a francesa Orange, a Telecom Itália e a indiana Tata Communications.
Segundo a reportagem da Spiegel, a obtenção das informações internas sobre o sistema pela NSA é apenas o primeiro passo. "Futuras operações estão sendo planejadas para a obtenção de informações adicionais sobre este e outros sistemas de cabos", afirmou a revista.
Tática repetida
Entre as revelações feitas pelo ex-consultor da NSA, Edward Snowden, consta uma denúncia de que a NSA compartilha informações com outras agências de inteligência – como a GCHQ do Reino Unido – obtidas de dados de conexões transatlânticas da rede de cabos SEA-ME-WE-3, de 39 mil quilômetros de extensão, que entrou em operação em 1999.
A denúncia foi divulgada na Alemanha pelo diário Süddeutsche Zeitung e pela emissora pública NDR, no final de agosto de 2013.
RC/dpa/dw

DW.DE

"As autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros". Carta aberta ao Povo do Brasil, por Edward Snowden.

Roberto Amaral » CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL, por Edward Snowden

Publicada na Folha de São Paulo em 17/12/2013
Por: EDWARD SNOWDEN
Edward Snowden
Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN


Sent from my iPad

 Aspas nossas:

"Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros."

Vale muitíssimo para o caso brasileiro.

 Fechaspas.
E PRA ONDE VÃO OS NÃO SELECIONADOS?


      Públio José – jornalista



                        O ser humano é, por natureza, seletivo. Seleciona amizades, relacionamentos, profissão, local de morada, de trabalho, bebidas, comidas, livros, filmes e uma série infindável dos mais variados itens que compõem o universo humano. E, da mesma forma que age seletivamente no campo racional, o homem é levado biologicamente a permanecer na esfera seletiva quando suas ações envolvem escolhas de natureza sensitiva, metafísica, espiritual. O olfato é seletivo, o tato também – como também o são todos os demais sentidos. Em vista disso, seria mais do que lógico gestar-se, no âmbito dos elementos que circunscrevem o homem, uma cultura correspondente. E isso realmente acontece, com a seletividade invadindo os terrenos mais díspares e celebrando os objetivos igualmente os mais variados. E aí (afinal, ninguém é de ferro) os limites extrapolam e os absurdos se fazem presentes, atingindo o inimaginável.
                        Hitler, por exemplo, praticou a seletividade na população alemã a grau extremo, querendo, com isso, atingir a expressão maior da pureza ariana, um sonho louco que outros loucos infelizmente apoiaram. Franco, na Espanha, à mesma época, exercitou a seletividade político/ideológica torrando, no campo do conflito armado, quem não se enquadrava nos seus devaneios ditatoriais. Stalin, um pouco depois, também se aprofundou na seara da seletividade, matando, a torto e a direito, aqueles que não se encaixavam no perfil que escolhera. Chegou, inclusive, a fazer seleção além mar, ao fincar, através de um fanático militante, uma machadinha na cabeça do camarada Trotsky. Como se vê, a prática da seletividade entregue ao livre arbítrio do homem consegue tisnar de negro a história em todos os quadrantes. (Embora, no que toca à Ciência, o selecionar tenha contabilizado enormes benefícios).
                        Mas não fiquemos somente ao lado de tais figuras. Aliás, bizarras figuras. Busquemos facetas mais amenas do ato de selecionar. Encontraremos? Dia desses, vendo um comercial de tv, tive a curiosidade despertada por um chavão que impregna a atividade publicitária e que quer nos fazer de idiotas. Em meio a imagens belíssimas de uma área gramada, (era um comercial de vinho), em idílico cenário, o locutor informa que o produto era resultado de um rigoroso processo de seleção de uvas. Fiquei a imaginar, então, a enorme quantidade de uvas lançadas fora após a seleção. Montanhas e montanhas delas certamente. Mais adiante, em anúncio de carne de frango, outro locutor comunica que a fábrica coloca no mercado frangos “rigorosamente selecionados”. E os não selecionados onde vão parar? O mesmo acontece com perfumes, leite, cervejas, roupas, produtos de beleza...

                        Faço um exercício mental e não consigo enxergar onde se encontra o resultado dessa gigantesca operação seletiva. Jogaram no mar? Distribuíram entre os pobres? O negócio começa a ficar complicado quando o processe envolve gente. Porque, entre frangos, uvas, roupas e que tais, sou “trabalhado” por outra empresa, cujo apresentador afirma, professoralmente, que o seu quadro funcional é resultado de uma “rigorosa política de seleção de recursos humanos”. Daí ser o seu produto o melhor, o maior, etc, etc, etc. E agora? Se em um processo seletivo apenas uma pequenina parte de um todo é escolhida, o que será feito da parcela sobrante? Em se tratando de mercadorias ainda dá pra amontoar o que restou da seleção em algum lugar. Ou, no mínimo, esperar que compradores menos exigentes adquiram o restolho. Mas com pessoas, com seres humanos, como se faz? É bronca! Alguma sugestão?       

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

SAMU com plantão no litoral sul e norte do RN.

23 de dezembro de 2013 17:54
 
Foto:Demis Roussos/Divulgação
Durante o verão e o carnaval os freqüentadores das praias do litoral norte e sul do Estado contarão com uma proteção extra do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 RN). A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) iniciou, no último sábado (21), a Operação de Verão 2013/2014 que se estenderá até o dia 06 de março, quinta-feira após o carnaval.
Segundo a coordenadora do Samu 192 RN, Cecília Picinin, o atendimento intensificado na rota do litoral está relacionado ao número de acidentes nesse período do ano. ‘‘Durante o verão aumenta a população flutuante e há uma elevação nos casos de emergência. Em virtude dessa demanda, o Samu 192/RN dará essa assistência diferenciada à Região Metropolitana’’, declarou.
Para diminuir o tempo resposta e atender melhor a população neste período, o Samu 192/RN acrescentou mais duas viaturas de suporte básico à sua frota, sendo uma para atuar na Praia de Búzios, litoral sul, e outra para a Praia de São Miguel do Gostoso, no litoral norte. “Os veículos extras possuem tração 4x4 e podem atender a ocorrências em dunas, beira mar e em outros lugares de difícil acesso. Somente para a operação verão estaremos reforçando o nosso efetivo com mais 15 condutores de veículos de urgência e 15 técnicos de enfermagem”, disse Cecília Picinin.
Cecília Picinin destaca ainda que além deste reforço de veículos e efetivo, toda a frota que habitualmente presta assistência a população para os atendimentos de urgência e emergência será mantida, com exceção da Unidade de Suporte Básico (USB), que normalmente fica no Posto de Atendimento da Avenida Maria Lacerda, será remanejada para a Praia de Pium, onde o fluxo de veículos aumenta.
Ao todo, a Região Metropolitana contará com 19 ambulâncias (sendo 15 de suporte básico e 04 de suporte avançando, incluíndo uma para atendimento neonatal e pediátrico) e 02 motolâncias.
As ambulâncias de suporte básico contam com um condutor e um técnico de enfermagem, para atender casos clínicos e de trauma de menor complexidade. As ambulâncias de suporte avançado possuem médico, enfermeiro e contam com equipamentos como um cardioversor, bomba de infusão, respirador mecânico, e outros aparelhos de reanimação e trauma.
Assessoria de Comunicação - ASCOM
Redação ASCOM (84)- 3232-2618/3232-2630/8137-2493
Fonte: assessorn.com.br

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

50 mil mortos na guerra contra o narcotráfico no México.


22/12/2013 - Copyleft
Fonte: cartamaior.com.br 

Javier Sicilia, um poeta mexicano contra o narcotráfico

O poeta mexicano Javier Sicilia fez da morte do filho de 24 anos uma causa não só sua, mas de todas as outras vítimas da chamada guerra ao narcotráfico.


 
 
 
Arquivo

Cuernavaca, México – A narração pontual do horror pode não bastar. O desfile interminável de mortos na rua, de imagens de gente pendurada nas pontes, de decapitados, fuzilados, a contagem regular de novas vítimas que se somam as 50 mil da véspera são só isso: imagens e estatísticas. A sociedade prossegue mergulhada em um estranho silêncio. Mas um estouro entre tantos torna-se uma revelação incrível.

O poeta mexicano Javier Sicilia encarna na pele e nos ossos essa transformação da sociedade mexicana. Com ele se passou do silêncio à rua, da mansidão à rebeldia, da solidão e do anonimato ao movimento, da mais profunda injustiça ao sonho de que exista uma justiça. Um drama precipitou esse despertar coletivo. No final de março de 2011, Juan Francisco Sicilia, seu filho de 24 anos, foi assassinado pelo crime organizado junto com outros seis jovens no Estado de Morelos.

Dessa morte íntima, Javier Sicilia fará uma causa, não sua, mas sim de todas as outras vítimas. Javier Sicilia saiu à rua para reclamar justiça, por seu filho e pelas dezenas de milhares de mortos que o narcotráfico deixou no país. Marchas, caravanas ao longo do país, pouco a pouco o México foi abrindo os olhos ante o horror com que convivia. Dessas marchas surgiu um grupo, o Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade.

Sicilia obrigou o presidente que havia lançado uma guerra contra o narcotráfico, Felipe Calderón, a dialogar, aceitar as responsabilidades do Estado, a pactuar uma lei geral de vítimas mediante a qual fossem garantidos os seus direitos. Sem disparar um só tiro. Só com as marchas, as caravanas, a poesia como aposta e alguns cadernos que foram sendo preenchidos com os nomes de tantos mortos anônimos.

O Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade é uma das iniciativas mais originais e únicas do último quarto de século. Deu nome e sobrenome aos mortos. Não tem similar no mundo: não só enfrentou o Estado, como também os criminosos, a impunidade e o pior inimigo da justiça: o silêncio.

“Já não há mais o que dizer. O mundo já não é digno da Palavra”, escreveu Javier Sicilia no último poema de seu último livro. O poeta decidiu calar-se para sempre, mas não o homem de ação que, em seus protestos por justiça coletiva, descobriu o México extenso da dor e do horror.

Em seu mundo natural de Cuernavaca, Javier Sicilia fala com essa marca que fica nos olhos quando a vida fere sem avisar. Não há ódio nem rancor em suas palavras, mas sim o peso de uma consciência viva e a bondade que, para além do mal, persiste no coração humano. Às vezes, a poesia pode convocar a consciência moral de uma nação no momento de máximo horror, de máximo adormecimento dessa consciência. Javier Sicilia e seu movimento tornaram realidade esse “milagre cívico”.

Seu movimento tem uma essência muito pessoal. Frente à violência extrema que assola o México, você saiu à rua para pedir justiça tendo a poesia como mediadora.

Os dois grandes movimentos dos últimos 20 anos que tem uma posição moral indiscutível foram gerados com uma linguagem poética. O zapatismo e o nosso.

Toda linguagem poética rompe a unicidade o unívoco das linguagens políticas e permite voltar a ver a realidade em sua profundidade, em seu horror e em sua humanidade. Ambos os movimentos, com diferentes linguagens poéticas, mas sempre utilizando os recursos da poesia, as imagens, os símbolos, as metáforas, funcionaram e desvelaram um horror que estava oculto sob as linguagens unívocas do político, sob a abstração da estatística. Também revelaram a responsabilidade do Estado frente a essa humanidade negada. No caso do Subcomandante Marcos foi com as comunidades indígenas, no caso do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade foram as vítimas desta guerra contra o narcotráfico lançada pelo ex-presidente Felipe Calderón.

Por que a poesia pode mais que a própria verdade do horror e do incontável número de assassinatos? Qual é sua capacidade de interação, de revelação ou de consolo?

A poesia nasce do mais profundo do humano, nasce do coração, e só desde o coração se pode assumir tanta dor e dar tanto amor. Isso é o que permitiu a ambos movimentos fazer o que fizeram pelas vítimas, ir contra o crime organizado, contra o Estado e plasmar o registo de sua respectiva desumanidade, de seu terrível desprezo, e das dívidas que o Estado tem com as vítimas.

Você conseguiu o que quase ninguém havia conseguido até então: interpelar o Estado, colocá-lo diante de sua responsabilidade.

A base de um Estado consiste em garantir a paz, a segurança e a justiça de uma sociedade. Quando isso não se cumpre há algo que está falhando profundamente.
E isso é o que ocorre no México, onde há 98% de impunidade. Se está se matando, sequestrando e destruindo a vida humana, como faz o crime organizado, há algo que não está funcionando bem no Estado. E alguém tem que interpelar o Estado. Em um dos diálogos com o ex-presidente Felipe Calderón, ele se atreveu a me dizer por que eu não reclamava para os narcos. Eu lhe respondi: diga-me que não há Estado e então nós nos acertaremos com os criminosos. Mas, até onde sei, o Estado tem que responder por isso.

O Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade nasceu em 2011, depois do assassinato de seu filho e amigos. O México já conhecia um grau de horror inqualificável, no entanto, essas mortes despertaram o país, o fizeram olhar de frente para o que estava ocorrendo.

As linguagens que descrevem fenômenos sociais não são suficientes para explicar isso. Por que, a partir de mim e de meu filho, foi possível conseguir uma coisa desta natureza? A explicação histórica, antropológica, não basta para entendê-lo.

Creio que pertence a uma ordem que nos rebaixa, a uma espécie de milagre cívico nascido do horror, da tragédia. Creio que não há resposta. Eu nunca pensei em passar à ação coletiva, não pensava que ia fazer um movimento. Eu só fui protestar, reclamar, expor minha palavra. E algo ocorreu a partir dessa palavra e tudo começou a se articular, algo estava aí à espera de uma palavra-chave, de uma palavra mágica que convocasse uma mobilização, uma dignificação, uma lógica humana de vida, de força moral.

Creio que a partir da morte de meu filho João Francisco e de seus amigos e das palavras proferidas se despertou a reserva moral do país, que estava adormecida, mergulhada. Mas estava viva. O terror adormece, o terror busca escapar por saídas psíquicas que nos levam à aparência de certa indiferença. Mas as reservas estão aí. Enquanto não se matar completamente a alma de um povo, a reserva moral está esperando algo que a detone. Aqui foi uma tragédia e uma palavra dura, indignada, ou seja, dizer: “Basta. Estamos fartos disso”. As forças vivas despertaram a partir da morte. O horror que era negado neste país tornou-se visível.

A partir desse despertar, foram realizadas caravanas em todo o país pela paz. O que descobriu neste périplo?

Vi um México que intuía que existia, do horror e do mal, um México que nunca havia sentido antes com todo o peso de minha carne, um México que toquei com todos os meus sentidos. Vi esse México massacrado, destroçado, sofrendo. Um dia, em uma das caravanas que fizemos em uma das zonas mais duras do país, Durango, se aproximou de mim um menino de cinco anos com o retrato de seu pai. Ele me disse: “esse é meu pai, mataram ele, ontem me entregaram ele envolto em um cobertor”. Esse menino órfão era a imagem do país. Nestes tempos, o horror é a incapacidade de vê-lo. Por isso o horror se torna mais brutal.

Devo dizer também que um Estado corrupto como este também gera uma tremenda corrupção moral. Há uma parte deste país que, junto com o Estado, está profundamente corrompida, degradada. Não se explica que tenhamos chegado onde chegamos. Este é um poder que se baseia na máfia e na delinquência. Por isso temos o que temos. Refazer isso será muito custoso. É muito fácil destruir, corromper. Construir é muito difícil.

O movimento se confrontou com dois poderes: o do Estado e o dos criminosos.

Todo poder é covarde porque utiliza uma força que transcende toda proporção humana. Os criminosos exercem um poder cínico, covarde. E tivemos que confrontar essa imensa covardia, esse imenso cinismo, tanto do Estado quanto dos criminosos. Os desafiamos desde nossa pequenez e com as armas que são o amor e a dignidade. Com isso atravessamos este país, atravessamos os Estados Unidos. Já não podem ocultar o horror, a dor e a impunidade. Terão que encontrar um caminho de justiça e de paz. A força coletiva é muito importante frente ao poder, o poder precisa ver uma nação de pé, expressando-se. A democracia não se resume às urnas. A democracia é o poder do povo. Quando um povo se une e desafia um Estado que não está cumprindo a vontade desse povo, aí começamos a viver a democracia.

Isso é o que ocorreu com as mobilizações. Neste momento, o Estado teve medo e começamos a viver a democracia. Foi a presidência, o poder político, que veio até nós e disse: “dialoguemos”. De acordo, dissemos, mas segundo nossas condições.

Não dialogamos na obscuridade, não dialogamos atrás de portas fechadas, dialogamos frente à nação porque este é um tema da nação e diz respeito a todos nós. Assim foram os diálogos. Chamamos o poder de tu e o confrontamos como o que ele é: servidor desta nação, da cidadania. Mas nós sozinhos não valíamos nada. O poder não zombou de nós porque chegamos unidos.

Vocês conseguiram também algo muito profundo: dar nome e sobrenome aos mortos, dotá-los da identidade que o Estado e os criminosos negavam. Retiraram o manto de silêncio.

O país acumulava cinco anos de profunda dor, de muitas vítimas. Neste momento, tínhamos mais de 40 mil mortos, 10 mil desaparecidos. E apesar disso, nada ocorria. O poder político falava de “baixas colaterais” enquanto que o presidente dizia: “estão se matando entre eles”. O poder negou às vítimas seus direitos civis, seus direitos humanos. Eu disse: através da morte de meu filho assumo a morte de todos. A partir deste momento, todos os jovens assassinados neste país, que são a maioria, são meus filhos. Assim começaram a chegar as vítimas, assim começaram a falar, assim começou a falar a alma de um povo. As vítimas vinham e narravam seu horror, sua dor, com suas próprias palavras.

Fomos do norte ao sul do país para que as vítimas falassem, para que contassem sua história. Uma palavra se tornou a palavra de todos, com seus respectivos nomes, sobrenomes e histórias. Formou-se uma grande coalizão, reunindo setores da esquerda e da direita, o que foi fundamental para este movimento. O nome de João Francisco Sicilia nomeou a todos. O que fizemos foi abrir os espaços públicos aos negados para que nomeassem seus mortos, suas dores, sua condição de vítimas. Eu não fui mais que a voz de uma tribo de pessoas que sofriam, por minha voz falaram as vítimas e através do nome de meu filho estão falando muitas outras vítimas.

Como se salva um ser humano que, em seu nome pessoal e no de sua sociedade, enfrentou o horror? Com esquecimento, perdão?

O perdão é complexo. É preciso entender o perdão. Há quem ache que o perdão é esquecimento, mas não é. O perdão é um dom, é um ato de gratuidade como o amor. Quando me perguntam se perdoei os criminosos que mataram meu filho eu respondo: sim, perdoei. Pedi justiça, não pedi sua morte. Mas para que esse dom se cumpra, o perdão não pode prescindir da justiça. Tem que haver arrependimento da outra parte. Caso o contrário o perdão não ocorre.

Você disse depois da morte de seu filho que não escreveria mais.

Minha relação com a escritura mudou substancialmente. Deixei de escrever poesia.

As palavras degradadas de minha época já não me bastam para dizer, veja o paradoxo, o horror indizível que estamos vivendo, nem para empreender a reconstrução do sentido. O idioma não me basta mais. Estamos diante de fenômenos onde a linguagem entra em crise. Fenômenos de horror, da morte, de ausência de sentido que colocam em crise a língua e, sobretudo, a mais alta expressão da língua que é a expressão literária. Um escritor vive da língua de sua época, quando essa língua se degrada pela barbárie que estamos vivendo no México, pelo uso mentiroso da linguagem, essa língua já não é suficiente para poder refundar os sentidos. Isso ocorreu em meu país.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



Créditos da foto: Arquivo

domingo, 22 de dezembro de 2013


O pior inimigo é o falso amigo.


DANUZA LEÃO 



J Á QUE É inevitável ter inimigos, a coisa melhor do mundo é ter um de verdade: que te odeie com lealdade e sinceridade -sem nenhum fingimento.
Ele é capaz de falar mal de você em público sem ter, em momento algum, medo de que repitam o que ele disse. E também pode te dar um tiro ou uma facada, mas sem nunca te enganar -sempre numa boa.
Não é, positivamente, do tipo que diz "vou te contar uma coisa, mas não repita, fica só entre nós". Dele você pode esperar sempre o pior: que impeça que aquele negócio que estava planejando havia anos se realize, que diga àquela gata que está povoando seus sonhos que você é um cafajeste, que o dinheiro que você esbanja vem do tráfico de drogas -ou coisas ainda piores. Sabendo do que ele é capaz, você pode sempre se defender -o que é mais fácil do que lidar com a hipocrisia.
Como guerra é guerra, nada que ele faça de ruim poderá surpreender -essa é a vantagem de ter um inimigo leal. Quando se encontram num restaurante, você já sabe que deve ficar alerta e se sentar de costas para a parede, como fazem os malandros.
Ele é capaz de seduzir sua filha menor, de contratar alguém para roubar seus documentos e de jurar sobre a Bíblia sagrada que viu você subornando um político. Tudo faz parte, e quanto mais coisas ele fizer contra você, mais você aprende a se defender; como se aprende com um inimigo assim -ah, como se aprende.
Perigosos mesmo são os pseudo-amigos, aqueles que te tratam bem e que volta e meia fazem um comentário sobre você -maldoso e irônico, mas não tão maldoso a ponto de chocar-, afinal, é apenas uma brincadeira, será que você perdeu o humor? E aquele que passou anos construindo a imagem do bom caráter de carteirinha pode fazer você levar a vida inteira na dúvida, sem ter coragem de encarar a verdade: que se trata apenas de um crápula.
A tal da imagem ilude muita gente, que durante anos pensa que o personagem é defensor das boas causas, dos fracos e oprimidos, e sempre politicamente correto -faz parte do modelo, claro. Incapaz de encarar uma briga de frente, ele não consegue nem ter inimigos, pois, como ser humano, não passa de uma fraude -e de um covarde.
Está sempre atrás de alguma vantagem -alguma pequena vantagem- e frequentemente comete traições -pequenas traições que dificilmente poderão ser comprovadas. E se alguém ousar acusá-lo de alguma coisa, sempre haverá alguém para defendê-lo -afinal, de uma pessoa com um passado tão correto, só um louco ousaria dizer alguma coisa.
Suas maldades e falhas de caráter nunca são grandiosas, porque nada nele é grandioso. Suas maldades são pequenas, porque tudo o que ele faz é pequeno; pequeno como sua pessoa, como sua alma. Mas, às vezes, se tem que conviver com gente assim -como fazer?
Se for seu caso, não faça nenhum tipo de concessão. Cometa um assassinato, internamente, e esqueça de que ele existe -mas esqueça mesmo. Mas atenção: é importante que ele saiba que você sabe perfeitamente quem ele é.
Fique cego quando passar por ele, e se alguém mencionar seu nome, não ouça; esqueça das mesquinharias de que é capaz um pobre ser humano.
E valorize seus inimigos, os bons. Eles estão sempre dispostos a liquidar com você, mas sempre com a maior lealdade.


Grande Natal registra dois homicídios de sábado para domingo

Publicação: 22 de Dezembro de 2013 às 10:11FONTE: TRIBUNA DO NORTE

Vinícius Menna - repórter

A Delegacia de Plantão da Zona Sul registrou dois homicídios na Grande Natal entre o fim da tarde de sábado (21) e a manhã deste domingo (22). José Carlos Augusto de Oliveira, 26, foi morto a tiros quando saía de uma festa, no Centro de São José de Mipibu.

De acordo com testemunhas, ele guiava uma motoneta Shineray vermelha, de volta para casa, com sua namorada e um amigo ao lado, quando foi abordado por dois homens que vinham em uma moto preta.

De acordo com o delegado que estava de Plantão na DP da Zona Sul, Sérgio Freitas, a vítima respondia por um homicídio que teria ocorrido há um mês, também no Centro de São José de Mipibu.

“Quando ele chegou próximo ao cemitério, há uns 500 metros da festa, os homens se aproximaram de moto e emparedaram a vítima. Foi dado um disparo, próximo do pescoço”, informou.

Parnamirim

Um adolescente de 17 anos foi morto dom dois tiros na Rua do Cemitério Central, no Centro de Parnamirim. O crime ocorreu por volta das 16h e o jovem chegou a ser socorrido para o Pronto Socorro Clóvis Sarinho, mas não resistiu aos ferimentos.

Conforme o delegado Sérgio Freitas, os disparos atingiram o adolescente pelas costas, acertando a região do abdômen e o braço.

Zona Norte

Um terceiro homicídio ocorreu na madrugada deste domingo (22). Alexandre Revoredo Fontes, 27, foi morto a tiros na Avenida Industrial, bairro Jardim Progresso, Zona Norte de Natal. Não há informações sobre o motivo do crime.

Querem transformar as cooperativas em ONGs.

 20 de Dezembro de 2013Data Meio---www.easycoop.com.br
Nesta foto: Sandra Campos, presidente da FETRABAS, com os juízes Paulo Sorci e Alberto Gentil, da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Sã Paulo

Olá, como vai?!

A luta não deve cessar até conquistarmos a vitória!!!

Com este pensamento e fé que a democracia será restabelecida no estado de São Paulo, estive na Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para apresentar a insatisfação do cooperativismo referente à imposição feita pela JUCESP com a  Deliberação 12, que obriga as cooperativas a se ligarem a uma ONG, de direito privado.

Fiquei muito feliz ao tomar conhecimento pelos juízes Alberto Gentil e Paulo Sorci que, segundo o Provimento CG 23/2013, de acordo com o código Civil, as cooperativas podem e devem ter seus atos registrados apenas em cartórios, a  exemplo dos sindicatos.

Veja o que diz o REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS - SEÇÃO I - DA ESCRITURAÇÃO

1. É atribuição dos Oficiais do Registro Civil das Pessoas Jurídicas:

a) registrar os atos constitutivos, contratos sociais e estatutos das sociedades simples; das associações; das organizações religiosas; das fundações de direito privado; das empresas individuais de responsabilidade limitada, de natureza simples; das cooperativas; e, dos sindicatos (grifo nosso).

Fiquei muito feliz ao receber essa informação, pois desta forma as cooperativas e seus cooperados serão bem atendidos, já que em toda cidade tem um cartório, o que não é o caso da Junta Comercial. E o melhor ainda, os cartórios são fiscalizados pela corregedoria e não legislam em favorecimento dos interesses inescrupulosos do capital, que a tudo acha que pode comprar.

Infelizmente, em nosso País muitos sujeitos sem escrúpulos acham que fechando mega espaços para fazer festas milionárias regadas a muito champanhe e whisky importado, com shows sertanejos e artistas globais top de linha, vão conseguir calar o “VERDADEIRO CLAMOR COOPERATIVISTA”. Mas isso não vai acontecer, pois não há dinheiro no mundo que compre a dignidade de pessoas honestas.

Não necessitamos de padrinhos mágicos ou favorzinhos, queremos ser livres para trabalhar e criar nossos filhos! Não podemos mudar o mundo, mas podemos fazer um mundo melhor e juntos vamos conseguir!

Desejo a você um Natal especial! Que Cristo esteja em seu lar, protegendo toda a sua família.

E que venha 2014, repleto de paz, sucesso e muitas vitórias a todos nós, que dia a dia fazemos a diferença para nossa família!!!

Beijos e Boas Festas!

Sandra Campos
Presidente
FETRABRAS – Federação Nacional dos Trabalhadores Cooperados
Editora Chefe - Portal e Revista EasyCOOP
Telefone: 11-3256-6009 ou 11-5093-5400
Endereço da sede da FETRABRAS/SINTRACESP
Alameda dos Jurupis, 1005 - CJ 114 - Moema
e-mail: sandra@sindicatodocooperado.org.br
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

POR QUEM OS SINOS NÃO DOBRAM
"Aos omissos, está reservada a antecâmara do inferno". (Dante Alighieri, in Divina Comédia)
(*) Rinaldo Barros
Em que pese a falta de memória do brasileiro, todos ainda lembramos da comoção (comedida, contida no interior dos lares) que tomou conta do Brasil como reflexo do assassinato da menina Isabela, fato que pode ser explicado pela dor profunda que nos envergonha, enquanto seres humanos.
Todavia, lamentavelmente, esse caso não é uma exceção: no Brasil, uma criança é assassinada a cada dez horas, mas por causa de sua condição social e da impunidade reinante, não se transformam em notícia.
Em seis anos (2005 a 2011), o Ministério da Saúde registrou 5.049 homicídios de meninos e meninas com idades até 14 anos. Os bebês não escapam da brutalidade e, segundo pesquisa do Lacri - Laboratório de Estudos da Criança, da USP, apenas 10% dos casos de violência física e psicológica em crianças é notificado. E o percentual dos "arrependidos" de ter filhos, sem planejamento, é maior entre as pessoas de menor renda (a maioria da sociedade). Com um agravante: a violência doméstica infantil é mais velada que a violência urbana. Vizinhos fingem não saber. A grande maioria é omissa, como se não fosse co-responsável.
Essa realidade é a mesma dos espancamentos e assassinatos de mulheres e de jovens na faixa entre 16 a 24 anos, compondo a banalização da vida, em cenários do inferno cotidiano de milhões de miseráveis morais, guiados pelo individualismo, e motivados para o ter, o ter mais.
Acrescente-se a isso a ausência de valores na Família (desestruturada), na Escola defasada em relação à complexidade do mundo pós-moderno, mutante, onde tudo é descartável; e teremos o caldo de cultura eivado de armadilhas que induzem à violência.
As crianças estão cada vez mais entregues à própria sorte, à televisão, à internet ou ao traficante. Quase nunca mantêm contato com o calor humano das relações familiares educativas (respeito, solidariedade, perseverança, tolerância, onde até o castigo físico era - antigamente - para corrigir e moralizar, era uma forma de amor), nem com os exemplos dos mestres inesquecíveis, nem com os grandes nomes da história ou da literatura; e muito menos com os valores universais que deveriam presidir as nossas instituições.
Aliás, já existe uma tese (do francês Charles Melman) de que, "pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e isso tem conseqüências imprevisíveis".
Tudo indica que, com raras exceções, o mundo contemporâneo vivencia uma crescente inversão de valores. Sobretudo, vivemos num mundo eivado de hipocrisia, cuja estrutura moral ameaça ruir; e o deus-mercado domina quase todas as instâncias da vida.
Em pleno século XXI, lanço um olhar sobre o Planeta e vejo que as mesmas potências que desenvolvem a ciência para a vida, estimulam a indústria da morte.
Prega-se a virtude, mas pratica-se a falsidade generalizada: um falso compromisso, uma falsa democracia, uma falsa justiça, uma falsa liberdade, uma falsa eterna juventude, uma falsa estética.
Dói constatar que as instituições que deveriam assegurar a Justiça e a Ética, em nosso país, num gesto muito estranho, não raramente desmoralizam seus próprios pilares.
Como orientar, preparar o espírito do jovem adolescente que adentra cada vez mais cedo na selva da vida? Como os jovens reagirão frente à inexistência de parâmetros morais?
Até quando consentiremos calados, na destruição gradativa da nossa civilização, em todos os campos da expressão humana?
Temo que esta situação já anuncie a derrota do pensamento, a morte dos sonhos e o florescer da barbárie. Será que não cabe mais perguntar "onde vamos parar?".
Será que já chegamos ao inferno mais profundo?
Para reverter essa tendência suicida, e evitar a barbárie, é urgente eliminar a miséria e a fome, urbanizar os espaços degradados, organizar as comunidades, universalizar o ensino fundamental e médio, valorizar a escola e resgatar o papel do professor, garantir a qualidade e vincular a escola ao mundo do trabalho, da ciência e da cultura, através de uma "Lei de Responsabilidade Educacional".
Resumo da ópera: nenhum de nós é inocente nesse sentido, e não é ético virar as costas. Estamos todos conectados. Não existe separação entre nós e o que fazemos uns aos outros.
"Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", como queria Mateus (6:24).
E não esqueçam que, em Dante, aos omissos está reservada a Antecâmara, o lugar mais quente do Inferno. Por serem tão perniciosos, nem o capeta permite sequer que os omissos adentrem ao círculo natural do inferno. Resumo da ópera: é pelos omissos que os sinos não dobram.
(*) Rinaldo Barros é professor - rb@opinaopolitica.com

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