terça-feira, 27 de agosto de 2013

Médicos estrangeiros: o debate continua. Agora já falam em paredão.

Mais uma diatribe:

MEDICOS NO PAREDÃO
Samuel Gueiros (Médico)
Os médicos estao emparedados.
Se não bastasse a desfiguração do ato médico costurado com tanta paciencia pela classe, e detonado pelos assessores de saúde do governo,  as imagens da midia vão empurrando os médicos contra a parede: enquanto as cenas da chegada dos médicos estrangeiros com imagens de paz, amor são de quem vem para ajudar, a reação dos médicos brasileiros é de quem quer só atrapalhar. Essas reações já causam mal estar na mídia, através da manifestação de jornalistas independentes que de forma crescente vão perdendo o medo do “poder médico”.
Na novela das 8 os médicos ainda aparecem piores, envolvidos em sacanagens, incompetência, maracutaias e até assassinatos, em um folhetim da maior audiencia no país. E no Fantástico, de grande audiência, médicos assinam ponto no serviço público e fogem para as clínicas particulares. É isso que é "falta de condiçoes"!..
São imagens de grande impacto social, que resultará em crescente rejeição da população à classe médica. As pessoas vão desenvolvendo a idéia de que só há nos médicos uma preocupação com seus próprios interesses e de desprezo pelos pacientes: a consulta é de um tempo mínimo e a ênfase é nos artefatos do complexo industrial médico-hospitalar sucedendo procedimentos caros e desnecessários. Reportagem da Veja desta semana caracteriza de forma clara a escalada do desprestígio, e do excesso tecnológico, em que um médico renomado afirma que 80% das ressonancias são desnecessárias.  Há uma ancoragem tecnológica e não humana no ato médico dos últimos tempos.
Há um filme da década de 80 (Blade Runner) em que Harrison Ford interpreta uma espécie de “médico cibernético” à procura de réplicas humanas (“androides”) defeituosos. O mais interessante é que o médico cibernético não utilizava nenhuma tecnologia para identificar os androides doentes, nenhuma tomografia ou ressonância, ele utilizava simplesmente a “clínica”, ou seja, era uma entrevista a ferramenta na qual ele procurava identificar as contradições do discurso do andróide que revelava a sua “não humanidade”.  Ou seja, o autor enfatiza que no futuro, mesmo cercado de toda a tecnologia, seria a entrevista, a investigação psicológica, a abordagem clínica, a única forma válida de entender o outro.
A desfiguração do ato médico representa uma reação dos novos profissionais da saúde que vêm nos médicos uma postura de arrogância histórica, inclusive pela pretensão de ocupar todos os cargos administrativos da área da saúde.
A súbita preocupação com riscos para a saúde da população e com os direitos trabalhistas dos cubanos, soa completamente hipócrita, configurando uma das maiores contradições históricas da classe médica: nunca, neste país, houve preocupação dos órgãos de classe com relação aos riscos das pessoas sem assistencia médica no interior. E subitamente, agora, aparece uma angelical preocupação com os riscos para essa população somente com a chegada dos médicos estrangeiros.
O presidente do CRM-MG chegou a ser patético quando ameaçou que não iria autorizar socorrer pessoas vítimas de erros médicos dos cubanos, imediatamente rechaçado por outro médico, Padilha, ameaçando com a “segurança jurídica” da medida. Eu não sou contra o Mais Médicos e como outros colegas estamos contra os que estão contra, dá pra entender? pois é, caminhamos para uma esquizofrenia ética.
Se a classe médica ameaça com os médicos estrangeiros com o Revalida, a população certamente não revalida essas atitudes. Se ninguem se manifestou ainda, em breve os prováveis resultados positivos para a saude das populações assistidas pelos médicos estrangeiros vão se constituir mais um tijolo nessa parede contra os médicos brasileiros que estão vivendo um impasse histórico. Os argumentos relacionados à espionagem,  falta de condições de trabalho, mensalão cubano, etc., não simples manobras diversionistas em relação ao foco: não há médicos para o interior do Brasil e ponto final.
Sem liderança política, sem sensibilidade e sem exemplos de dignidade e preocupação social, os médicos vão perdendo moral e seu papel histórico como formadores de opinião. Viraram deformadores de opinião.
Com isso, os médicos estão ajudando a eleição de Padilha para o governo de S. Paulo e a reeleição de Dilma Roussef, prenunciando mais uma década de tirania petista.
Os cubanos colocam os dissidentes no paredão. E agora, vieram para o Brasil para colocar os médicos brasileiros no paredão da  irracionalidade.


Em 24 de agosto de 2013 20:22, Armando Negreiros <armandoanegreiros@hotmail.com> escreveu:

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