segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Médicos: a opinião do ex-secretário de educação do RN e professor Dalton Melo.

Caros amigos, estou anexando três artigos (num único arquivo) escrito por Dalton Melo de Andrade. Simplesmente genial!!! Abraços, Armando Negreiros.

Mais médicos

            Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Esse é o nome. Programa aparentemente sem pé nem cabeça, até para leigos no assunto, como eu. Contestado pelas entidades médicas, não pode ser boa coisa. Quem, por amor de Deus, vai fazer milagre em postos de saúde, mínimos em quantidade e ínfimos em qualidade, ou hospitais (se é que podem ser chamados assim) desequipados das menores coisas, até água potável, segundo se escuta, em alguns casos? E essa história de obrigar o estudante a ir para lugares incertos e não sabidos, por dois anos, depois de seis anos de curso, para poderem receber seu diploma?
Se fala agora de transformar esse período em residência. Parece uma emenda pior que o soneto. Residência pressupõe qualidade. É onde o recém-formado adquire sua especialidade, devendo estar cercado de bons professores e dos equipamentos necessários, de preferência de último tipo. Será que os locais onde se pretendem colocar esses médicos oferecem tais condições?
            A UFRN, por seu Reitor Dr. Onofre Lopes, criou o programa  CRUTAC (Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária), em Agosto de 1966, quase 50 anos passados. Prestava assistência à saúde,  sem  violentar o estudante e durante o seu período normal do curso. Dava ele sua contribuição às comunidades interioranas, aprendia como era conviver com as dificuldades da profissão, e sentia o valor do seu saber.
            Teve repercussão nacional. O MEC chegou a patrociná-lo e apoiou sua extensão para outras regiões do pais. Foi adotado por várias  universidades e bem atendeu às populações interioranas por um largo tempo. Levou, junto, a instalação de ambientes adequados aos trabalhos desenvolvidos, promoveu o apoio dos professores às atividades dos estudantes no campo, e deixou, em algumas regiões, estruturas apropriadas. Aqui no RN ainda há hospitais, como o de Santa Cruz e Santo Antônio, que foram criados ou melhorados em razão do CRUTAC e, creio, ainda recebem apoio da UFRN.
            Não sei como está hoje o funcionamento do programa. Segundo tenho escutado, como aconteceu com tantas outras coisas interessantes, terminou sendo relegado a segundo plano, ou esquecido, pois algumas inteligências privilegiadas das nossas novas estruturas educacionais o consideraram invenção dos militares, imposto pela ditadura.
Ledo engano, pelo menos com o CRUTAC. Saiu da cabeça de Onofre Lopes que, nascido no campo e tendo vivido sua infância e parte da juventude, como dizia ele, “no mato”, sentiu na pele a falta de assistência médica. Formado em Medicina, nunca esqueceu as suas agruras passadas e o CRUTAC foi uma tentativa de redimir esses tempos.
Que os estudantes das nossas universidades públicas, ou bolsistas, venham a ressarcir parte de seus custos, pagos pelo povo, prestando um serviço comunitário, nada mais justo. Mas, que os façam penar por dois anos, apos seis de estudos intensos,  é pura maldade. Que prestem essa assistência durante o curso. Que voltem a funcionar como no passado os CRUTACs. Foram muito úteis. Podem voltar a sê-los.
Que esse programa, na parte que busca levar médicos ao interior, buscando melhores condições de trabalho e remuneração condigna, dentro de uma carreira estabelecida, seja implementado. Mas, sem o autoritarismo inerente ao programa Mais Médicos.



Mais médicos (II)

Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Fiquei feliz com a notícia. O ex-presidente Lula foi totalmente liberado pelo Sírio-Libanês. Está apto a continuar usando sua arenga demagógica e perambular por todo o pais. Por atendimento semelhante passaram a Presidente Dilma, e o bispo namorador do Paraguai, Fernando Lugo. Todos também totalmente recuperados. Além, claro, de muitas outras figuras mais ou menos célebres e que puderam arcar, de uma ou outra forma, com os custos. Hugo Chávez, oferecido a oportunidade, resolveu ir para Cuba. Deu no que deu.
            Mas, o hospital não faz milagres. Encontraram todos, e receberam, o que há de melhor e mais moderno em atendimento. Médicos e enfermeiros competentes, equipamentos adequados e de última geração, e todos os medicamentos atuais mais apropriados para cada tipo de doença. Alguns desses medicamentos, ainda em nível de teste. Super avançados. Os demais mortais, no meio dos quais me incluo, estão longe de tanto privilégio.
            E isso nos leva de volta ao programa acima. Tenho certeza, até mesmo convicção, que a intenção do governo é das melhores. Ninguém, por mais incompetente que seja, inventa alguma coisa que não seja cheio de bons augúrios. Especialmente políticos, que dependem de votos. O problema não é esse. O problema é a falta de comunicação. Houvesse diálogo com a classe medica, e provavelmente programa semelhante poderia ter sido desenvolvido e, com certeza, com mais sucesso.
            Dizem os jornais que cerca de 6% das vagas oferecidas já foram preenchidas, ou estão a ser. Candidatos há que se sujeitam a um regime de bolsa, com duração de dois anos sem garantia de renovação, salários razoáveis, mas condições de trabalho, no mínimo, duvidosas, além de restritas a determinadas áreas. Não devem ser os mais competentes, pois estes já estão trabalhando. Especialmente se vêem do exterior. Com exceção dos cubanos, ansiosos por deixarem a ilha, segundo se lê. Se, nas principais cidades, com médicos livres, os serviços são precários, imagine-se nesses ermos locais, que também, claro, merecem um mínimo de atendimento. Faltarão enfermagem, equipamentos e medicamentos, como falta hoje por todos os lados. O estetoscópio, que todos os médicos levarão consigo, são extremamente úteis, especialmente para confirmar a morte.
            Portanto, ao me regozijar pela saúde recuperada do ex-presidente, não me alegro com as perspectivas de tantos outros que irão ser atendidos por essa nova medicina cativa. Rezemos ao Papa Francisco. Que Deus os proteja. Aliás, que nos proteja a todos.

Trabalho escravo

            Dalton Melo de Andrade

            Voltamos ao tempo da escravidão. O governo acaba de firmar acordo, com interveniência da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e Cuba, no sentido de serem enviados para cá 4.000 supostos médicos cubanos. O Brasil pagará dez mil reais por cada um deles. Vai entregar o dinheiro à OPAS que, por sua vez, o entregará à Cuba. Esta pagará aos supostos médicos uma importância não estabelecida no acordo. Lá, informa-se, eles ganham vinte dólares por mês. Ficarão em locais pré-determinados, e dele não se podem mover. Pelo menos é o que se escuta na TV e se lê nos jornais. Portanto, voltamos ao tempo da escravidão e, pior, terceirizada. Duas coisas que os nossos sindicatos de trabalhadores, com razão, vêm combatendo há muito. Vamos ver o que dirão os defensores dos direitos humanos. E o Ministério Público.
            O outro aspecto incrível desse acordo é que esses médicos não farão exames de revalidação. Passarão, segundo parece, por uma rápida análise em algumas universidades, onde se pretende ensinar português, e irão diretamente para o trabalho. Ninguém sabe de sua capacidade profissional, que atendimento prestarão, e se realmente contribuirão para a saúde do povo. E como se entenderão com esse povo. Uma coisa é certa. Só virão para cá os apadrinhados do regime, com toda a feitura para agirem como prosélitos do sistema, pois os dissidentes não terão qualquer chance de aqui aportarem. E não se podem rebelar, pois suas famílias continuam em Cuba. Podem pagar um preço alto.
            Este governo do PT, apoiado por quase todos os partidos, obviamente comprados com cargos e benesses, está de mal a pior, totalmente perdido. Para onde se olha, o descalabro. A economia em frangalhos. Basta olhar o preço do dólar e a queda da Bolsa, da produção industrial, das contas externas, do desemprego que começa a aumentar e da inflação que ressurge. Insatisfação nas ruas. Saúde, educação, mobilidade urbana, corrupção, desmandos e malfeitos abundam. As soluções são engodos, como os desses supostos médicos. 
            Aparecem protestos das entidades médicas. É de supor que agirão com mais firmeza, e usarão os meios legais ao seu dispor para buscar o cancelamento desse acordo espúrio. E é de se acreditar que contarão com o respaldo da Justiça, que não pode se coadunar com tamanho despautério. É esperar para ver.

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