quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Se os médicos fossem alemães, americanos do norte e ingleses, o tratamento seria o mesmo?

Dilma vê 'imenso preconceito' contra os médicos cubanos

UOL
PUBLICIDADE
 
PAULO PEIXOTO
DE BELO HORIZONTE
Ouvir o texto
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (28) haver um "imenso preconceito" contra os médicos cubanos que estão vindo para o Brasil.
Segundo ela, os médicos vindos de Cuba para o programa Mais Médicos do governo federal têm "estatuto próprio" e foi feito um acordo com a OPA (Organização Panamericana de Saúde) para que eles se integrassem a esse programa.
Ela falou nesta manhã a duas emissoras de rádio de Belo Horizonte --uma católica e outra pentecostal-- e foi questionada sobre uma eventual revisão do convênio de trabalho com os médicos cubanos e a busca de uma garantia para que eles efetivamente fiquem com o salário que receberão --e não o governo cubano.
"É um imenso preconceito esse que algumas vezes a gente vê sendo externado contra os médicos cubanos", disse a presidente, que assinalou que outros médicos estrangeiros também estão vindo para o país "para trabalhar onde os médicos daqui não querem trabalhar, que são as regiões da Amazônia, do interior do Brasil e as periferias das regiões metropolitanas".
"Os médicos cubanos têm estatuto próprio", disse ela, acrescentando que, segundo a OPA (Organização Panamericana de Saúde), uma parte do salário eles recebem aqui no Brasil e que o salário que eles recebiam em Cuba continuará sendo pago às famílias deles.
"Então, a forma de pagamento dos médicos cubanos é diferente das demais", disse a presidente, sem entrar em detalhes sobre o governo cubano ficar com alguma parte.
"Mas, de qualquer jeito, todos os médicos estrangeiros recebem uma bolsa de R$ 10 mil mais ajuda de custo", disse ela, explicando que "no meio da selva" a ajuda será de R$ 30 mil e no semiárido, em áreas mais remotas e com condições de vida mais precária, R$ 20 mil.
Segundo a presidente, os demais médicos do programa brasileiro vão receber "todo o apoio e sustentação" do governo brasileiro e também o apoio que as prefeituras "puderem dar".
"Agora, é um grande preconceito contra os médicos cubanos. Porque estão vindo médicos cubanos e médicos estrangeiros. O que não é correto é a gente supor que em algum país do mundo há um bloqueio à vinda de profissionais especializados em ajudar o país, quando ele não têm médicos suficientes", afirmou ela.
Ela disse que "na maioria dos países" se vê médicos estrangeiros trabalhando. Ela citou que nos Estados Unidos eles são 24% dos médicos e que no Canadá chega a 37%. "O Brasil tem uma taxa baixíssima, não chega a 2%º, afirmou, afirmando que no Brasil havia cerca de 700 municípios onde não morava nenhum médico.
Dilma disse que o convênio com a OPA é no mesmo padrão de 58 países que têm as chamadas missões humanitárias. "São médicos que ficam por tempo determinado. Alguns desses médicos podem até ficar depois no Brasil se quiserem. A grande maioria vai entrar, vai ficar e depois sair, porque fazem parte dessas missões", disse.
Segundo ela, os médicos estrangeiros que estão vindo de fora do país terão sempre o trabalho monitorado e acompanhado.
A presidente disse que o governo e as prefeitura vão dar as condições de moradia, de alimentação e "tranquilidade material" para que eles atendam bem a população.
"Tudo que pudermos fazer dentro da lei para levar os médicos para locais onde não têm médicos, nós faremos", concluiu Dilma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário