quinta-feira, 19 de setembro de 2013

QUINTA-FEIRA, 19 DE SETEMBRO DE 2013


Comissão da Verdade da UFRN ouve novos depoimentos no CERES Caicó

18/Set/2013 às 16:45
Clique para ampliar a imagem Comissão da Verdade da UFRN realiza audiência pública no CERES-Caicó 

AGECOM/Cícero Oliveira
A Comissão da Verdade (CV) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realizou uma Audiência Pública no Centro Regional de Ensino Superior do Seridó (CERES), em Caicó, nessa terça-feira, 17. A reunião foi realizada com o objetivo de ouvir depoimentos de pessoas que viveram no período da Ditadura Militar (1964 até 1985).

Para o vice-presidente da Comissão da Verdade da UFRN, Ivis Bezerra, o intuito é descobrir o que de fato ocorreu durante o Regime Militar na Universidade. “A Ditadura impedia o livre pensamento, que é a base da Instituição, mas também queremos saber sobre os episódios trágicos, como torturas e mortes, que aconteceram”, explica.

No turno da manhã, foram ouvidos os depoimentos dos professores do CERES-Caicó. O chefe do Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas, Celso Luiz Souza de Oliveira, contou que começou a trabalhar em Caicó no ano de 1982. “Desse período, o que sabemos a respeito da Ditadura aqui é o que se falava nos corredores. Não sabíamos e nem procurávamos saber, mas ouvíamos que fulano de tal havia sido chamado para depor no batalhão (quartel do Exército Brasileiro do município)”.

O professora do Departamento de Geografia, Isabel Cristina dos Santos, contou que, como nasceu em 1965, teve a infância e a adolescência “perturbada”. “Vivi em um bairro calmo de Caicó, mas lembro que, quando passava um avião, eu e meus irmãos corríamos gritando que era guerra”.

“Em 1984, entrei no CERES no curso de Geografia e comecei a me envolver nos movimentos sociais e estudantis. Tínhamos um certo temor, mas, como eu era engajada, eu e meus colegas enfrentávamos tudo. Lembro de uma professora de Reforma Agrária que tremia muito na sala de aula e, quando começávamos a fazer perguntas, ela mandava a gente calar a boca. Outro professor de Estudos dos Problemas Brasileiros também pedia que a gente não levasse esses assuntos à sala. Um dia ele teve um problema cardíaco e a coordenação pediu que eu não levantasse esses temas na aula
dele”, lembra Isabel.

Sandra Kelly de Araújo, chefe do Departamento de Geografia do CERES-Caicó, começou a estudar no Centro em 1983, aos 16 anos.  “Minha percepção foi muito dispersa. Tínhamos uma formação muito superficial sobre política, cidadania e cultura. A proposta de ensino era assim, a conjuntura social estava refletida na formação acadêmica, mas senti tudo de uma forma implícita, era tudo incorporado”.

“Aqui em Caicó a palavra ‘comunista’ era um palavrão. Um short curto ou uma mãe solteira era comunismo. O ‘Diretas Já’ (movimento civil que lutou por eleições presidenciais diretas) foi algo que assisti na TV, não me lembro de movimentos nas ruas daqui”, conta Sandra Kelly.

Foram convidados ainda o monsenhor Ausônio Tércio de Araújo, diretor do Colégio Diocesano Seridoense; Joseilson Ferreira de Araújo, secretário de Organização do PCdoB; Salomão Gurgel, ex-presidente da União Estudantil Caicoense; e João Batista de Brito, irmão de Zoé Lucas de Brito, que foi preso e morreu no período do Regime Militar.

Além do vice-presidente da Comissão, Ivis Bezerra, participaram ainda o professor José Antonio Spinelli; o servidor da UFRN Moisés Alves; o estudante Juan Almeida e a secretária-executiva Kadma Maia. Já do CERES-Caicó, houve a participação da diretora do Centro, Ana Aires; do professor de História Almir Bueno e de alunos.

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