terça-feira, 15 de outubro de 2013

Natal já tem esgotos tratados. Veja matéria do Novo Jornal de maio passado.

Eficiência da ETE do Baldo é superior a 95%

ARUALMENTE A ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DO BALDO RECEBE EM MÉDIA 330L/S DE ESGOTOS MAS EM MENOS DE CINCO ANOS JÁ DEVE OPERAR COM UMA VAZÃO DE APROXIMADAMENTE 450 L/S

11:18 18 de Maio de 2013
 
Cada gota de água utilizada em uma residência - no banho, descarga ou lavagem de louça, por exemplo - se transforma em esgoto pelo uso. O processo não dura mais que alguns segundos ou minutos. Para que esta água possa voltar ao meio ambiente, porém, o processo pode levar até 12 horas, como acontece na Estação de Tratamento (ETE) do Baldo, que recebe os esgotos coletados de 21 bairros de Natal. O tratamento tem como objetivo transformar o esgoto em água limpa que seguirá para o rio Potengi. A eficiência da ETE é superior a 95%, ou seja, melhor qualidade que a da água do estuário.
O esgoto coletado pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) passa por nove etapas de tratamento, na estrutura que recebeu R$ 83 milhões em investimento, sendo a estação mais moderna do Nordeste. Os custos para manter essa estrutura funcionando 24 horas por dia nos 365 dias do ano são altos. A fatura mensal de energia paga pela Caern para manter a ETE do Baldo em funcionamento é de aproximadamente R$ 120 mil.
Apesar dos custos altos em investimento, grande parte do esgoto doméstico que chega à ETE não é somente esgoto. Isso mesmo: é lixo que a população descarta indevidamente dentro de vasos sanitários, ralos e outras partes da rede coletora de esgotos, ou mesmo lançado diretamente no meio ambiente.
De acordo com o coordenador da ETE do Baldo, o engenheiro civil e sanitarista Cícero Fernandes, atualmente, a ETE do Baldo recebe em média 330L/s de esgotos. "Mas, em menos de cinco anos, deveremos operar com uma vazão de aproximadamente 450 L/s", afirmou o engenheiro.
Eficiência do tratamento
O parâmetro mais adotado para medir a eficiência de uma ETE é a "Demanda Química de Oxigênio" (DQO). O engenheiro elétrico Felipe Ferreira explica que, atualmente, o esgoto chega à ETE do Baldo com uma DQO de 500mg/L e, após tratado, sai com o parâmetro reduzido para 25mg/L.
"Apesar de o esgoto tratado realizar uma espécie de "limpeza" no rio Potengi, pela alta eficiência do tratamento, a complexidade do processo demonstra que é preciso evitar o desperdício de água, evitando também a necessidade de técnicas mais caras para o tratamento dos efluentes", enfatizou.
A ETE do Baldo trata hoje o esgoto que chegam dos bairros de Areia Preta, Alecrim, Barro Vermelho, parte de Bairro Nordeste, Candelária, Cidade Alta, Cidade da Esperança, parte de Dix-Sept Rosado, Lagoa Nova, Lagoa Seca, Mãe Luiza, Morro Branco, Nazaré, Nova Descoberta, Petrópolis, Praia do Meio, parte das Quintas, Ribeira, Rocas, Santo Reis e Tirol.
Etapas
Por causa do lixo que é lançado pela população na rede coletora de esgotos, todo o efluente que chega à ETE do Baldo é submetido a um pré-tratamento, que se inicia pelas grades grossas e finas. Estas estruturas, que parecem garfos, retiram resíduos sólidos maiores que 20 mm e 3mm, respectivamente, que poderiam danificar as bombas do sistema. Entre os resíduos mais encontrados no efluente que chega à estação estão sacolas plásticas, preservativos, fraldas descartáveis e absorventes.
Um Estação Elevatória de Esgoto (EEE) é responsável por bombear o efluente até a caixa de areia, e a partir daí, segue por gravidade nas demais etapas, eliminando a necessidade de novas elevatórias. Devido à grande dimensão da caixa de areia, o esgoto diminui sua velocidade, o que permite a sedimentação de inúmeras partículas, transportadas e despejadas em containeres para serem descartadas.
Após o pré-tratamento, o esgoto é distribuído para quatro reatores anaeróbios, que removem cerca de 60% da carga orgânica. Eles são vedados porque as bactérias responsáveis pela digestão desse material não utilizam oxigênio. Depois, o esgoto segue para os tanques de aeração. A partir deste ponto, torna-se imprescindível para a cultura de bactérias a presença de oxigênio: seis sopradores são responsáveis por inserir o ar atmosférico dentro do líquido através de difusores de bolhas finas e bolhas grossas.
A etapa seguinte é a decantação, que reduz consideravelmente a velocidade de fluxo do efluente, favorecendo a subida dos sólidos menos densos para a superfície, de onde são retirados, tornando o líquido mais claro. Como as unidades anteriores da ETE não removem de forma efetiva os microrganismos patogênicos do esgoto bruto, na etapa final do processo é realizada a desinfecção por raios ultravioletas, que penetram no efluente clarificado e este é finalmente lançado no canal do baldo.
A tecnologia moderna da ETE do Baldo permite que a imensa estrutura fique localizada numa área urbana, sem prejuízos à população. "Todos os possíveis pontos geradores de odores são atendidos por tubulação de captura dos gases odoríferos", afirmou Felipe Ferreira, acrescentando que estes gases são encaminhados ainda para lavagem no sistema de tratamento de odores antes de sua emissão para atmosfera.

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