quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A história não os absolverá.

Sonhos roubados e heróis caídos
(*) Rinaldo Barros
            Amo meu País de coração, e fico indignado só em pensar na grande nação que poderíamos ser hoje (e não o somos), se não existissem políticos corruptos e tanta incompetência imperando no poder público, em todos os níveis.
            Após doze anos de governos do PT (que o povo elegeu depositando esperança de que seria governado por legítimos representantes do interesse público), vejo com tristeza nossas riquezas ambientais e nossos potenciais econômicos esvaírem, perdendo oportunidades, a partir de uma política econômica equivocada (monetarista), quase fechada para o mundo, com pouquíssimos acordos bilaterais; juros altos beneficiando apenas o capital financeiro especulador; alta carga tributária desestimulando novos investimentos produtivos e - com a desindustrialização - vejo empregos sendo gerados todos os dias em outros países, a par da precariedade da infra-estrutura nacional, em todos os modais de transporte; prejudicando setores importantes de nossa economia e retardando o nosso desenvolvimento.
            Vejo a nossa juventude perdida, sem perspectivas, deseducada e consumida pelas drogas; vejo nosso povo cada vez mais doente e vítima da insegurança que se avoluma; vejo uma sociedade cujo tecido social se esgarça pela desigualdade brutal, pela corrupção em todos os níveis, e pela ausência de valores nas atitudes dos que deveriam liderar e comandar a nação.
            O líder é aquele que ensina, guia, inspira e motiva os que o rodeiam. Mas para ser líder não basta querer, é preciso ter sempre a atitude certa. Atitude certa!
            Por falar nisso, quero dizer que não me alegro nem comemoro com a prisão dos mensaleiros do PT, porque lamento e choro a tragédia do fracasso de tantos sonhos roubados, lamento muito que pessoas que um dia foram ídolos de uma geração inteira, líderes fomentadores de esperança, hajam abdicado desta virtude e desta missão histórica, para cair voluntariamente no vazio, traindo o povo e seus próprios princípios, ao assumir a ilusão do poder efêmero, em nome do pragmatismo, do clientelismo, e do patrimonialismo. Ampliaram a prática danosa de fazer alianças em troca de cargos e benesses, comprando consciências.
            Fizeram suas escolhas e, por opção, reduziram-se a meros heróis caídos que abandonaram a nobreza da luta pela transformação da sociedade, em nome da maioria dos dominados e subalternos; por uma prática política rasteira e lamentável de se manter no poder, pelo poder; como prepostos dos detentores do poder real.
            Mancharam suas biografias, pois, até onde eu percebo, a história não os absolverá.
            Até quando meu Brasil ainda vai sangrar, vítima da corrupção e da incompetência?
            O leitor sabe que o que caracteriza a corrupção brasileira é (ou era) a falta de punição. Em outros países, a punição costuma ser severa, e as pessoas poderosas têm muito mais receio de aplicar golpes e burlar as leis sabendo que provavelmente irão para a cadeia, ou até serem condenadas a pena de morte, como é o caso da China e de alguns países árabes.
            Historicamente, para o nosso país, é significativo que agora comece uma reação, já que os resquícios autoritários estão se extinguindo, com o amadurecimento da Democracia e, com isso, estão surgindo espaços para ações de pessoas que estão em outro processo ético-cultural que não aquele de quarenta anos atrás.
            A pressão do grito das ruas, ainda em seu início, provavelmente irá empurrar as instituições brasileiras para o seu aperfeiçoamento. O povo nas ruas vai aprendendo e ensinando o caminho da Estrela da Manhã.
            Todos sabem que a corrupção não é invenção brasileira, mas sim universal. O que temos ainda, aqui no patropi, é uma tendência à impunidade espraiada por toda a sociedade; a qual parece que está começando a mudar, especialmente com os tribunais colocando poderosos e ricos no banco dos réus, e até julgando-os, condenando-os e prendendo-os, sob o olhar atento de boa parte da opinião pública.
            Até este processo do mensalão do PT, aqui no patropi, somente iam para a cadeia os três "Ps" (pobre, preto e puta). Os poderosos e ricos eram quase que intransponíveis, tinham o poder de roubar o dinheiro publico protegidos pela impunidade. É preciso que a nova tendência surgida se amplie para punir a todos os que tiverem culpa comprovada, sem qualquer exceção. Democraticamente.
            Por essas e outras, repito, não comemoro a punição dos dirigentes nacionais do PT, ao lado de diretores de banco e empresários ricos também condenados; mas constato - com tristeza e com um forte gosto amargo de decepção na boca - que a sentença a ser cumprida com perda da liberdade serve como exemplo pedagógico para toda a nação.
            Será que estamos, de vera, construindo a cidadania, e começando a nos tornar civilizados?
           
                Rinaldo Barros é professor - rb@opiniaopolitica.com


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