segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Artigo de Jurandir Navarro no Jornal de Hoje.

Postado dia 07/12/2013 às 18h01

Nicanor Maia – Jurandyr Navarro

Quando estudante do Atheneu, do curso ginasial, tínhamos o hábito de, acompanhado de colegas, descer ao rio Potengi para exercitar…

Quando estudante do Atheneu, do curso ginasial, tínhamos o hábito de, acompanhado de colegas, descer ao rio Potengi para exercitar a natação, na maré alta. No caminho, chamava a nossa atenção a movimentação feita pelos filhos de Quirino Maia: Nicanor, Nabor e Chula. Sempre ocupados na fabricação de botes e jangadas. Um dia, ficamos admirados com uma nova “fabricação” dos irmãos Maia: era um carro todo de madeira, inclusive as rodas, sendo empurrado ladeira acima com um dos “inventores” no assento e os outros dois empurrando o “veículo”.
Desde a juventude que Nicanor Maia tinha o gênio inventivo.
Foi nosso colega, já depois, no curso científico, sendo já conhecido pelas “invenções”, na sala de aula – o melhor aluno de matemática e física – apelidado de “o cientista louco”.
O engenheiro Nicanor Maia, estudou no Atheneu e depois fez a Universidade. Nos anos 50 construiu, de sua concepção, um jipe rodo-ferroviário sendo utilizado na linha férrea, tendo construído, ainda, nesse período, um barco de pesca, movido à gasolina; um auto-giro e um triciclo. Na década seguinte, um veículo aéro-rodo-marítimo, tipo “Hoovercragt”, em que, na parte inferior, formava-se um “tapete de ar” para seu deslocamento no Potengi amado (Cortez, 1982).
Refere o livro de Luiz Gonzaga Cortez, intitulado “Cientistas e Pesquisadores Nor-te-rio-grandenses” (1982), que ele patenteou as seguintes invenções no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Rio de Janeiro:
1. “Motor de Ciclo fechado acionado por energia solar. Patente de invenção, PI. nº 8001624, de 19 de Março de 1980;
2. Motor de combustão interna de cabeçote móvel, PI. nº 8001629, de 19 de Março de 1980;
3. Motor Eólico com duplo sistema para transformação de energia. PI. nº 7908227, de 21 de Dezembro de 1979;
4. Digestor Anaeróbio de carga e descarga contínuas, PI. nº 8001447, de 12 de Março de 1980;
5. Acelerador Linear de Impulsos. PI. nº 8001508, de 14 de Março de 1980;
6. Câmara eçetrolítica de vapor. PI. nº 8001448, de 12 de Março de 1980;
7. Dosador variável de fluxo de fluido. PI. nº 8001449, de 12 de Março de 1980.
Esclarece o citado autor que as pesquisas de Nicanor Maia giraram em torno da energia solar e motores leves e pesados. Tendo feito, também, estudos com motores movidos a hidrogênio retirado da água, álcool e metano.
Declarou, ao escritor mencionado, que estava aguardando as cartas patentes de mais seis invenções (data da época):
“Conector inercial de desaceleração com distribuidor de corrente; Funcionamento telescópico de dois estágios; Suportes de sapatos de freios com giro e haste para acionamento de compressor; Dispositivo para reaproveitamento de energia perdida nas curvas (Efeito Rolling) e Reator para obtenção de carburante por gaseificação.”
E que realizou pesquisas sobre “Análise do comportamento de uma massa de ar premido entre duas superfícies (Tapete de Ar); “Comportamento magnético dos imãs permanentes e suas simplificações mecânicas”; “Aperfeiçoamento do processo de ex-tração de amidol”; “Obtenção e emprego de hidrogênio em motores”; “Carburante gasoso obtido de detritos orgânicos”; “Transformação e armazenamento de energia eólica” e “Motor de ciclo fechado, acionado por energia solar ou outra fonte de calor”.
Nicanor Maia, o cientista-inventor, professor da Universidade Federal do Rio Grande de Norte, lecionou, no Terceiro Grau, Mecânica Aplicada às Máquinas; Mecânica Racional; Máquinas e Equipamentos. Foi também docente da Escola Técnica Federal do nosso Estado.
Na Universidade ensinou ainda Máquinas Térmicas; Máquinas Hidráulicas; Mecânica de Automóvel e Física Técnica.
Fez parte de diversas Bancas Examinadoras. Exerceu a Comissão de Chefe do Departamento de Mecânica da Escola de Engenharia da dita Universidade, do Departamento de Eletricidade. Foi Diretor do Centro de Tecnologia da UFRN. Tendo exercido outros cargos de responsabilidade docente.
Tem Curso de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão, em Física, Matemática, Matemática Aplicada, Máquina de Fluxo, Tecnologia do Concreto e Engenharia Mecânica, na UFRN e na UFPB.
Pelos relevantes serviços prestados à Comunidade Universitária, o Professor Nicanor Maia recebeu a “Medalha de Mérito Universitário”, no grau de Oficial.
O seu nome, hoje, é conhecido nacional e internacionalmente.
Popularizou-se na gleba potiguar como “O homem que inventou o automóvel movido à água”.
Este seu Projeto teve êxito positivo. Chegou a saborear da sua vitória transitando pelas ruas natalenses, como fazia com o carro de madeira, pelas encostas do rio potengí, paisagem amada da sua adolescência cheia de audácia.
Não pôde progredir, a exemplo dos projetos do carro elétrico e o movido à energia solar, impulsionados por inventores estrangeiros. Os magnatas do Petróleo são poderosos. Serão inventos para o Milênio que começa…
Nicanor também não contou com o Poder público. Regra geral, os políticos brasileiros são insensíveis às coisas sérias.
Lembro-me de um artigo do Padre José Luiz, falando sobre as invenções de Nicanor Maia: “No auge do seu projeto do carro movido a água, o Professor Nicanor foi convocado, pela Universidade, para fazer matrícula… para os “feras” do vestibular!…” Coisas do Brasil!!

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