quinta-feira, 7 de março de 2013

Dr. Eider preocupado com o destino do arquivo do Diário de Natal.


DN, um destino ainda incerto

Tribuna do Norte - Publicação: 01 de Março de 2013 às 00:00


O destino do acervo acumulado pelo Diário de Natal ao longo de quase 74 anos permanece incerto, mas logo o assunto terá de ser definido pois o prédio onde o jornal funcionava na zona Norte passou a pertencer ao Sistema Fiern/Sesi/Senai/Iel - a pretensão do Sistema, de acordo com o diretor regional do Senai, Afonso Avelino, é instalar cursos profissionalizantes no local até próximo ano; porém ainda não há um prazo para ocupação definitiva do imóvel adquirido em setembro de 2012. Por lá ainda funcionam duas rádios vinculadas ao grupo Diários Associados, que controlava o DN, as emissores Poty (AM) e Clube (FM), e todo o arquivo permanece no prédio recebendo os devidos cuidados como controle de umidade e temperatura. A versão impressa do periódico deixou de circular no começo de outubro do ano passado, e desde então muito se tem especulado em torno do paradeiro final de seu espólio formado por vasta documentação, fotografias e obras de arte.
Emanuel AmaralUm dos primeiros a integrar a equipe do DN, Furtado trabalhou como repórter e diretor da rádio Poti. Hoje, é advogado dos AssociadosUm dos primeiros a integrar a equipe do DN, Furtado trabalhou como repórter e diretor da rádio Poti. Hoje, é advogado dos Associados

"O assunto está sendo tratado pela direção nacional do grupo, e não há interesse de levar esse acervo para outro estado como estão dizendo por aí", garantiu Deliomar Soares, ex-superintendente do Diário de Natal e que hoje está como colaborador do grupo DA nessa fase de transição. "As rádios ainda estão procurando um outro lugar se instalarem, e o prazo para desocupação do prédio que findaria agora em março pode ser prorrogado", informou Soares. A superintendência regional dos Associados, sediada no Recife, também não acrescentou muito sobre o destino do acervo: "Não chegamos a uma resolução. O assunto já foi discutido internamente na diretoria mas não há nada definido", disse o diretor Paulo Guilherme por telefone.

Diante do impasse, surgem especulações sobre o valor estimado do acervo e seu rumo - informalmente circulam duas avaliações para o arquivo guardado pelo DN desde 1939: uns sugerem R$ 3 milhões outros R$ 7 milhões. A única opinião consensual é a possibilidade de expropriação do patrimônio pelo Governo do Estado em nome da memória cultura do RN, que pagaria um valor abaixo do de mercado.

ABRIGO

A nova diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do RN já demonstrou interesse em abrigar os documentos; o Departamento de História da UFRN e a Fundação José Augusto também estão na fita, mas qualquer definição a respeito deve partir da direção do Diários Associados. "Como o assunto voltou ao centro das atenções,  instituições, gestores e iniciativa privada precisam agir para resolver esse impasse. Só vai dar certo se todos se unirem", acredita Valério Mesquita, presidente eleito do IHGRN.

Eider Furtado 

O advogado e escritor Eider Furtado, 88, um dos primeiros a integrar a equipe do Diário de Natal no início da década de 1940, sabia que ali seriam registradas passagens importantes da história de Natal e do Rio Grande do Norte. "Sabíamos da importância histórica que o DN desde seu lançamento", recorda. Os primórdios do Diário foi capitaneado por nomes como o ex-prefeito Djalma Maranhão, Rivaldo Pinheiro, Valdemar Araújo e Aderbal de França. Depois o jornal foi vendido para o empresário Rui Moreira Paiva, pernambucano radicado em Natal e que chegou a ser presidente do América, para em seguida integrar o grupo comandado por Assis Chateuabriand.

"Não podemos questionar a decisão empresarial de fechar o jornal, nenhuma empresa quer se manter no prejuízo, mas e se o poder público adquirir esse acervo, vão botar na mão de quem toda essa história? Do Instituto Histórico e Geográfico do RN? Da Fundação José Augusto?É fato que nossas instituições culturais recebem um apoio muito franzino do poder público, por isso minha preocupação", observa. Para ele a grande questão é saber se o público terá acesso a esse acervo.

Eider Furtado começou como músico - tocava violino - na Rádio Educadora de Natal (REN), que passou a se chamar Rádio Poty quando o controle foi para as mãos do DA. Furtado trabalhou como repórter, diretor artístico e diretor comercial da rádio. Também foi gerente da Poty e do próprio Diário de Natal. "Tudo o que sei devo a essa vivência", garante. Membro da Academia Norte-riograndense de Letras desde 2010, Eider dedicou 26 anos de sua vida ao DN, foi editorialista por três anos, substituindo o professor Edgar Barbosa, que tinha "um texto primoroso, musical, foi uma responsabilidade muito grande".

Segundo o próprio, que responde como advogado do grupo Diários Associados no RN, até hoje sua carteira de trabalho está em aberto. "Acredito que não é interessante para ninguém tirar esse acervo daqui do RN; se querem vender e alguém tem interesse em comprar então que ele possa ser consultado, popularizado", finaliza.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Luxo e falta de médicos.

Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br
 
A UNIMED – Cooperativa de Trabalho dos Médicos vem há alguns anos repetindo práticas perigosas para quem pretende manter-se e realizar o seu objetivo mais importante, que seria prestar serviços de saúde. Ao invés de investir e desenvolver esforços para atender as necessidades dos clientes, investe na aparência, criando diuturnas e seguidas situações de conflito e crise com pessoas que precisam do atendimento. Ao invés de facilitar a vida de quem paga caro pelo plano de saúde, opta por sempre dificultar esse atendimento, irritando muita gente.
 
Os clientes sabem que quando precisam fazer certos exames, procedimentos ou cirurgias são obrigados a se deslocar até uma unidade da cooperativa localizada à rua Joaquim Manoel ou na Apodi, dependendo do assunto. Sabem que lá chegando encontrarão prédios caracterizados, climatizados, com estacionamento pago (nem isso oferecem), portas automáticas, móveis modernos, monitores de última geração, controle automático de fichas. Encontrarão também muitas pessoas vestindo trajes elegantes, a maioria expondo beleza natural e maquiagens. 
 
Tudo isso, no entanto, de nada serve quando o usuário chega para marcar o que poderia ser marcado no consultório, sem essa relação de desconfiança que poderia ser resolvida por outro estilo de auditoria que não aquela que leva toda clientela a se humilhar aos pés do médico auditor. Além da humilhação, em meio a tanta beleza existe uma grande desorganização, que faz com que sócios de atendimento preferencial sejam atendidos depois, em vista de falta de controle e gerência. Além do que, se o sistema de informática falha, a pessoa morre à míngua, pois os funcionários não utilizam o método manual para atender essas emergências, inclusive nas faltas de energia. Aí está outra aberração: falta de energia suspende atendimento, ao invés de manterem o serviço através de no-break ou geradores.
 
Parece muito, mas tem coisas mais graves: as remunerações dos médicos credenciados e cooperados, que é irrisória e está afastando muitos profissionais dos quadros da UNIMED, em todas as especialidades. Aí sobra para os clientes, que pagam o plano de saúde e em muitos momentos têm de pagar consultas e procedimentos particulares aos médicos de confiança, que a cooperativa mantinha como cooperados mas tiveram de deixar o vínculo, recusando-se a trabalhar por remuneração aviltante.
 
Basta permanecer minutos num desses pontos ou outros prédios suntuosos da UNIMED, para tomar conhecimento da vasta lista de médicos bons que deixaram os quadros da cooperativa. Consequentemente, essa situação do plano de saúde no qual as pessoas confiaram - muitas delas desde a sua fundação – levam os cidadãos a se sacrificarem financeiramente, se quiserem continuar sendo atendidas pelos médicos de sua confiança.
 
Esta abordagem faço na qualidade de cliente Unimed desde data próxima à sua fundação – com um pequeno hiato involuntário de alguns dias de Agmed. Já cheguei a escrever cartas para a direção que resultaram em melhorias no atendimento e nos tratamentos do seu hospital. Torço sinceramente para que a cooperativa encontre um rumo menos preocupante que este, onde o sinal vermelho para a sua saúde como plano é a debandada de muitos bons médicos. A UNIMED jamais deveria considerar normal essa situação. Mas trata como se nada de importante estivesse acontecendo.
 
*Jornalista


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 3/06/2013 05:51:00 PM
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