sexta-feira, 24 de maio de 2013

Será Deus o nosso maior mistério?

Por Flávio Rezende*
 
O tempo em que navegamos pelas águas e caminhamos pelas terras deste lindo planeta azul já soma alguns bilhões de anos, o que certamente dá a certeza que já estamos por aqui há muito.
 
Ao longo desta trajetória muitos mistérios foram sendo decifrados por nossa crescente inteligência, com os cientistas, estudiosos, professores, mestres, profetas e tantos outros, dando explicações para fenômenos climáticos, comportamentos diversos, jogando luz para coisas antes misteriosas e, hoje, perfeitamente compreensíveis.
 
Apesar dos avanços praticamente diários, alguns pontos ainda persistem, sendo um deles, o que geralmente chamamos de Deus.
 
Universalmente caracterizado como onipotente - com poder absoluto sobre todas as coisas, onipresente e onisciente, essa tão citada figura tem seus atributos e poderes descritos em textos como o Bhagavad-gita, dos hinduístas; o Tipitaka, dos budistas; Tanakh, dos judeus; Avesta, dos zoroastrianos; a Bíblia, dos cristãos; Livro de Mórmon, dos santos dos últimos dias; Alcorão, dos islâmicos; Guru Granth Sahib dos sikhs e no Kitáb-i-Aqdas, dos bahá'ís.
 
O conteúdo acerca de Deus contido nestes livros é transmitido através de mensageiros como: Abraão e Moisés, na fé judaica, cristã e islâmica; Zoroastro, na fé zoroastriana; Krishna, na fé hindu; Buda, na fé budista; Jesus Cristo, na fé cristã e islâmica; Maomé, na fé islâmica; Guru Nanak, no sikhismo e Báb e Bahá'u'lláh, na fé Bahá'í.
 
Apesar de certa disponibilidade de informações, o tão afamado Deus na verdade, nunca apareceu de maneira concreta por aqui, sendo apenas uma questão de fé sua verdadeira existência.
 
Por causa deste tempo que passa e não consegue sensibilizá-lo ao ponto de comparecer a este amável planeta, cresce a cada dia o número de pessoas que não se importam com o assunto, tocando suas vidas sem que Deus tenha maior ou menor importância.
 
E são pessoas boas e ruins, claro, como assim também são os que dizem acreditar nisso ou naquilo. Apesar de alguns ditos religiosos acreditarem na existência de um Deus único, muitos particularizam sua crença, como por exemplo, os devotos de Krishna, que afirmam ser ele, a Suprema Personalidade de Deus.
 
Muitas civilizações antigas construíram a crença em algo superior, em decorrência do medo que tinham de trovões, terremotos, maremotos, frio e calor excessivos, nos legando um DNA de tementes, que sobrevive até hoje, amparado também em autoridades religiosas que passam mensagens aterrorizantes do Deus que defendem, contaminando gerações com pavores de castigos e de infernos caso o ser não siga as regras que ele diz existirem.
 
Em meio a tantas discussões, palestras, rezas, argumentos, Deus segue invisível para quem não leva a questão para o lado da fé e, na indagação mais curiosa sobre quem é Deus, ouvimos quase sempre que é amor, é luz, é uma energia, deixando a dúvida aumentar mais ainda, posto que essas respostas não sejam concretas e definitivas.
 
Particularmente acredito que existam vidas diferentes em outros rincões por ai. Nestes lugares, esses seres podem ser como nós e alguns outros diferentes, existindo em dimensões que não temos olhos de ver.
 
Acredito que são muitos lugares, muitos líderes, seres bem mais evoluídos que a gente e acredito que alguns atuem em nosso planeta, uns numas regiões, influenciando algumas pessoas com determinados tipos de conduta, roupa, alimentação, outros em outras e, acredito que eles até brigam em busca de mais espaço, tirando essa suposta santidade de todos aqueles que são superiores.
 
Acredito que muitos decidem viver a experiência da carne e, por isso mesmo, ao estarem entre nós, diminuem sobremaneira seus plenos poderes, mas mantém alguns, o que os diferenciam de quase todos nós e, em muitos casos e épocas, os colocam como verdadeiros deuses diante de nossa fraquinha falta de poder e de vontades próprias, fragilizadas em pecados como egoísmo, gula, língua ferina e desejos e mais desejos contínuos.
 
Uns mais legais outros mais ou menos e, até uns malévolos, circulam entre nós e, seus planos, não sei. Existem muitas mensagens mediúnicas, livros diversos, canalizações, que quando lemos percebemos milhares de planos de facções diversas, portais que se abrem, eras que se anunciam, anjos que vão chegar, legiões que vão migrar, gente que vai morrer, crianças índigos que vão nascer, enfim, um oceano de informações e o tempo passa e continuamos afogados em dúvidas e incertezas do que realmente é ou deixa de ser.
 
Às vezes penso que tudo é, cada verdade tem seu naco e Deus nada mais é que o superior que aceitamos, que nos agrada, aquilo que é conveniente ter, acreditar, uma forma de alívio da nossa impotência diante de coisas que acontecem, é bem mais cômodo dizer: se Deus quiser, graças a Deus, Deus quis assim...
 
O tempo passa, Deus é Krishna, Jesus, Javé, Deus é o Pai, é Sai Baba, Deus é amor, uma energia, isso e aquilo, mas ninguém aparece com autoridade, lá do alto, de uma maneira insofismável e cabal para assumir ou esclarecer.
 
Então o melhor, enquanto estamos por aqui, acreditando ou não, é que sejamos todos legais uns com os outros, respeitemos regras básicas de convivência urbana, social, pois só assim poderemos viver mais e melhor, até que um dia, esse mistério possa realmente ser resolvido.
 
Quem navega hoje no mundo da neurociência fica cada vez mais convencido de que as chaves estão dentro do nosso cérebro. Não será surpresa que no futuro, a resposta seja bem simples.
 
Perceba que os grandes pensadores, cientistas e estudiosos modernos estão explicando coisas que antes eram tidas como sobrenaturais, metafísicas, esotéricas e, não se admirem que um dia fique claro que nós mesmos somos Deus, que ele não é nada exterior, que nós é que ainda estávamos usando pouca potência mental.
 
Se isso ocorrer, vai ser uma revolução e, ninguém mais, vai poder influir negativamente em cada um de nós, afinal, se chegarmos à potência superior, construiremos inevitavelmente em nosso castelo interior, um reino de luz, de boas energias, de ações e de emanações amorosas, vivendo na carne a delícia de ser divino e maravilhoso.
 
Além, de recebermos definitivamente o passaporte para a convivência cósmica e fraterna com seres de todos os cantos e recantos do universo.
 
*É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/24/2013 06:58:00 PM

Subcomandante do BPChoque é exonerado por comando da PM

Publicação: 24 de Maio de 2013 às 15:30
Fonte: Tribuna do Norte
O subcomandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Major Antonio Marinho da Silva, foi exonerado do cargo pelo Comando Geral da PM no estado nesta sexta-feira (24). O oficial foi o responsável por comandar o policiamento durante o primeiro protesto relacionado ao aumento na tarifa de ônibus, em vigor desde o dia 18 de maio. O motivo para a exoneração, no entanto, não estaria ligado à manifestação.

Major Marinho esteve à frente do policiamento que visou impedir a ocupação de manifestantes na BR-101, no dia 15 de maio. Através das redes sociais, manifestantes criticaram a forma como ocorreu o policiamento e chegaram a citar a forma como o major Marinho conduziu as ações do BPChoque.

O Comandante Geral da PM/RN, coronel Francisco Araújo, falou que não se trata de uma exoneração, mas sim de uma movimentação administrativa. "Foi um procedimento que acontece normalmente com os subcomandantes", disse.

Major Marinho foi transferido para para o 1º Batalhão, nas Rocas, zona Leste de Natal. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou diversas vezes falar com o major, mas o celular do oficial estava desligado. 
A RÁDIO NORDESTE                      Gileno Guanabara.
Nostalgias à parte, boas lembranças urdem teimosamente, vez por outra, e nos comovem. As tradições da Cidade do Natal servem de inspiração.
O Bairro da Cidade Alta, que se estendeu a partir da “Campina”, onde ficava a “Cidade Baixa” (atualmente a Praça Augusto Severo e adjacências), viu nascer a Rua João Pessoa atual, a partir dos fundos da Catedral centenária, onde está a “Praça Padre João Maria”, que se notabilizou, defronte a casa do Cel. Joaquim Guilherme, em os rapazes se reunirem para bisbilhotar a vida alheia. Passeio largo, os bancos da praça tornaram-se privilegiados pela crescente sombra dos fícus benjamim. O busto do padre João Maria ao centro, velas ardentes, fitas e “ex votos” pelos milagres alcançados. Da Ribeira, vindo pela Catedral, passava o bonde pela lateral da praça, preguiçosamente sobre trilhos, indo ao Alecrim.
Pelo lado da frente da Praça ficava a edificação majestosa do Salão Imperador. Da Rua Vigário Bartolomeu (que fora “Rua da Palha”), indo pela Rua João Pessoa, a sequência de portas dava acesso ao salão das mesas de bilhar. O Salão Imperador deu lugar ao primeiro edifício da cidade, homenagem à Loja Maçônica “21 de Março”. Defronte, um casario cuja família acomodava moças que vinham estudar na capital. De cômodos dispostos para a lateral da praça, os janelões pouco eram abertos à luz do sol. Pelos anos de 1970, deu lugar a sede do Banco do Nordeste do Brasil. Do outro lado, o local que notabilizara o casario do Cel. Joaquim Guilherme deu lugar a imponente sede da Irmandade do Senhor dos Passos, entidade que congregava religiosos católicos, desde o ano de 1825.
Ano de 1955. Pela Rua João Pessoa, confluência das Ruas Gonçalves Ledo e Vaz Gondim  (tradicional “Beco da Lama”), o imóvel que abrigava o Serviço Social do Comércio deu lugar a Rádio Nordeste, propriedade do então senador Dinarte de Medeiros Mariz. O auditório com 600 poltronas, ar condicionado, jardins internos, serviços de lanchonete, a Sorveteria Oasis. O radialista Eider Furtado foi o seu primeiro diretor. Chamado “Palácio do Rádio Potiguar”, a Superintendência foi exercida inicialmente por Roberto dos Wanderley Mariz, e depois por Aldo Medeiros que foi sucedido por Garibaldi Alves, em face da aquisição da Rádio por Aristófanes Fernandes.
 A equipe de colaboradores incluía radialistas, como José Garcia Câmara, Nilson Patriota, que produzia a Revista “Motivos Brasileiros” e divulgava as coisas do rádio. Contava ainda com Jaime Wanderley, Robério Santos, Hélio Fernandes. Do Departamento Esportivo os radialistas Ivan Lima, Amauri Dantas, Jaime Queiroz e Fernando Garcia, com transmissões diretas do Estádio Juvenal Lamartine.
Entusiasta do rádio/teatro, lá colaborou Agnaldo Rayol, com as presenças das rádio-atrizes Suzan Lopes, Neide Maria, Lurdes Nascimento, e Luiz Messias. O “cast” artístico, além de Agnaldo Rayol, contou com Marli Rayol, José Honório, Francisco de Assis, Francineide Lima, Valdira Medeiros, Tônia Santos, Lurdinha Silva, Trio Puraci e Isis Del Mar, esta que se intitulava rumbeira e rádio-atriz.
Sob a direção de Geraldo Melo, atuavam os jornalistas Eugênio Neto, Aluísio Meneses, José Guará, Marcino Dias, Otomar Lopes Cardoso e Hênio Melo. E o “cast” dos locutores, Vanildo Nunes, Fernando Garcia, Danilo Santos, Etevaldo Santiago, Edmilson Andrade, Gutemberg Marinho e Paulo Macedo (crônica social). Programas radiofônicos semanais: “Vozes do Brasil”; “Não Diga a Ninguém” (de Nilson Patriota); “Tardes Femininas” (de Etevaldo Santiago e Suzan Lopes); “Palácio da Alegria” (Paulo Teixeira); e “Vida apertada” (Luiz Carlos). Pelos seus microfones desfilaram Gregórios Barrios, Ivon  Curi, Trio Yrakitan, Trio Marabá, Trio de Ouro, Ataulfo Alves, Orlando Silva, Gilberto Alves, Carlos Gonzaga, Caubi Peixoto, Elza Laranjeira, Consuelo Leandro, Duo Guarujá, Heleninha Costa, Costinha e Cascatinha.
A disputa político-eleitoral do ano de 1960 e a eleição dissidente de Aluízio Alves, interferiu no êxito daquele empreendimento, partidarizando o espaço radiofônico. Com a decadência da “época de ouro do rádio” deu-se a transferência do projeto para o conglomerado “Cireda” (Cinemas Rex, São Luiz e Cine São Pedro). A partir da década de 1980, o Cine Nordeste se resumiu à rotina de filmes “pornôs”. As plateias limitaram-se ao gosto menos exigente. Adquirida pelo empresário Felinto Rodrigues, a Rádio Nordeste foi transferida para o local de seus transmissores. Inativo, o cinema fechou suas portas. Atualmente o espaço do que antes fora o “Palácio do Rádio Potiguar” serve ao comercio de variedades.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Criminalista sugere desmilitarização das PMs. "A missão dela não é o combate de guerra, mas a proteção do cidadão", disse o jurista. Vejam o caso dos BOMBEIROS: foram desmilitrarizados e funciona bem em todo o Brasil


ENTREVISTA - 10/05/2013 21h46 - Atualizado em 17/05/2013 12h22
Revista Época

Mariz de Oliveira: "Vivemos a era da violência sem causa"

O criminalista, antes contrário à redução da maioridade penal, mudou de opinião – mas diz que antes é preciso resolver outros problemas, como o dos presídios

ALBERTO BOMBIG

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PATOLOGIA O criminalista Mariz de Oliveira no seu escritório, em São Paulo. “Hoje, o assaltante despoja você de todos os seus bens e depois dá um tiro na cara” (Foto: Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA)
Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, de 67 anos, é um dos mais experientes advogados criminalistas do Brasil. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e é conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Atuou em casos importantes, como o Collorgate e o mensalão. Nunca escondeu sua simpatia política pelos partidos de esquerda – na ditadura, apoiou o MDB. Mesmo quando esteve à frente da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, entre 1990 e 1991, não abandonou suas convicções de defensor dos direitos humanos – entre elas, a inimputabilidade dos menores de 18 anos garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Agora, diante de um cenário que ele classifica como uma “violência de caráter patológico”, Mariz de Oliveira mudou: “Hoje, me sinto impossibilitado com minha consciência de continuar com esse discurso”. 

ÉPOCA – Até uma década atrás, o alto grau de violência da sociedade brasileira era atribuído quase totalmente às desigualdades sociais. O senhor concorda com isso?
Antônio Cláudio Mariz de Oliveira – Esta violência urbana, do assaltante, do estuprador, teve sua raiz no social, impulsionada pelo consumismo que tomou conta do país. Hoje, as questões sociais e algumas de caráter econômico, como a ampliação do crédito, estão se desprendendo do crime, ou o crime está se desprendendo delas. Temos uma criminalidade extremamente preocupante, a violência sem causa. Isso demonstra um desamor, um desrespeito à vida humana. Mesmo sob a ótica do criminoso, a violência não apresenta nenhuma razão de ser. O assaltante despoja você de todos os seus bens e depois dá um tiro na cara. O professor morre porque deu nota baixa ao aluno. Estamos diante de uma violência de caráter patológico.

ÉPOCA – Qual a causa?
Mariz de Oliveira – Não sei. Mas sei dizer o que não deve ser a resposta: o combate a esse tipo de violência não pode se limitar à cadeia. A punição não resolverá o problema. Estamos enxugando gelo há 50 anos, pedindo mais polícia na rua, pedindo pena de morte e aplaudindo veladamente os grupos de extermínio. Ou passamos a ter um discurso voltado para a descoberta das causas da criminalidade, causas de caráter social, ético, moral, sociológico, psiquiátrico, ou viveremos cada vez mais reféns da insegurança subjetiva, do temor do crime. O medo é o terror gerado por toda uma cultura da insegurança.

ÉPOCA – Como o senhor acompanha o debate em torno da redução da maioridade penal, relançado agora pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP)?
Mariz de Oliveira – Sempre fui contra, a vida inteira, veemen­temente contra. Hoje, tenho mudado de opinião. Primeiro, porque a infância e a adolescência não são mais as mesmas de 30 anos atrás. Não há mais ingenuidade, aquele elevado grau de pureza. Por causa dos avanços tecnológicos, a sociedade é mais liberal, os pais tratam os filhos de maneira mais democrática. Isso dá às crianças um acesso prematuro a informações de todas as espécies. Por outro lado, embora possamos teorizar em torno da inimputabilidade do menor, isso tudo perde sentido diante do fato concreto. Como posso usar esse discurso de que o menor não está devidamente formado, de que ele não sabe o que faz, diante de um rapaz de 16 anos que dá um tiro na cabeça de outra pessoa? Hoje, me sinto impossibilitado com a minha consciência de continuar com esse discurso. Mas, simplesmente, diminuir a idade (penal) não resolverá nada. O sistema penitenciário é fator de aumento do grau de criminalidade.

ÉPOCA – Qual a solução?
Mariz de Oliveira – A proposta do governador Alckmin não é ruim: aumentar o tempo de internação, que deve variar de acordo com a gravidade do crime e periculosidade de quem o comete, possibilitando ao juiz graduar, e não mais ficar limitado a três anos, como hoje. Mas, depois de prender, é preciso investir na liberdade, fazer com o menor preso o que não foi feito quando ele estava em liberdade, suprir as carências na saúde, educação e cultura.

ÉPOCA – Os presídios brasileiros têm condições de fazer isso?
Mariz de Oliveira – Não, teríamos de investir, de criar escola presídio, indústria presídio.

"Depois de prender, é preciso suprir as carências de saúde, educação e cultura do menor"
ÉPOCA – É possível dizer que os diferentes governos de diferentes partidos falharam no combate ao crime?
Mariz de Oliveira – Atribuo essa falha ao discurso sem foco e enganoso de que apenas cadeia resolve. A prisão como única resposta é uma falácia. Essas leis criadas em momento de pânico servem apenas para enganar a população. Isso que a classe política faz é criminoso. Qual é a raiz do crime de colarinho-branco? É falta de ética. E não discutimos isso. Pedem apenas a prisão do outro para que possam continuar a praticar seus crimes, continuar levando vantagem. O Brasil sempre foi um país com desvios de conduta, com esse jeitinho de contornar as normas. Se um menino aprende com o pai a comprar produtos piratas, na idade adulta não terá muito clara a noção do ilícito. O próprio sistema tributário brasileiro é um fator criminógeno, porque a alta carga é incompatível com a renda de 90% da população. Ela paga sem sequer saber o que paga e para onde vai esse dinheiro. Quem não pode pagar sonega para sobreviver.

ÉPOCA – O Brasil ficou famoso como país da impunidade, que não coloca criminosos na cadeia. O senhor acredita nisso?
Mariz de Oliveira – Isso é uma falácia. O que é a impunidade? Você tem ideia de quantos autores de crimes não são descobertos? As pessoas dizem assim: “Aumentaremos as penas, porque o sujeito sabendo que pegará 25 anos de cadeia não cometerá crimes”. Mentira. Nada intimida o criminoso, porque ele não só não tem medo da punição, como tem quase certeza de que não será descoberto. Quem descobrirá? Mato uma pessoa no meio da rua e vou embora, pronto. Os sistemas de repressão têm falhas. Há uma estrutura de Polícia Militar e Polícia Civil que não funciona.

ÉPOCA – O senhor é favorável à unificação das polícias?
Mariz de Oliveira – Sim, com a desmilitarização da Polícia Militar. A missão dela não deve ser o combate de guerra, mas a proteção ao cidadão. Fui secretário da Segurança de São Paulo e posso dizer: não há 5 mil policiais na rua. Eles não vão para a rua.

ÉPOCA – O senhor foi advogado do jornalista Pimenta Neves, que matou a namorada, Sandra Gomide, em 2000 e só foi preso em 2011. Esse caso foi apontado como um exemplo de impunidade.
Mariz de Oliveira – O crime e o processo em si já foram uma punição para ele. O fato de ele ter sido preso somente depois de dez anos não diz nada, não significou nenhum embaraço à sociedade. Ele em liberdade não matou mais gente.

ÉPOCA – O julgamento do mensalão foi bom para o Brasil na sua visão?
Mariz de Oliveira – Durante um tempo, ficará essa visão de que se fez justiça. Mas não sei se isso durará muito tempo, porque não se fez justiça por inteiro. Ela foi parcial e para satisfazer anseios sociais. Fui advogado do PC (Paulo César Farias, morto em 1996), durante o Collorgate(processo que levou ao impeachment de Fernando Collor, em 1992), e posso dizer que, desde então, o Brasil não mudou. Continuam existindo a necessidade de obter recursos para campanhas, as sobras, as empresas que dão dinheiro, mas não querem dizer que deram, a montagem dos apoios aos governos. É tudo igualzinho até hoje.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Artigo de Rinaldo Barros.


Zé tá deixando de ser besta
(*) Rinaldo Barros
Zé,
Sei que você não sabe ler direito e, se aprendeu, não gosta muito de ler, até porque a escola que você frequentou nunca incentivou o hábito em seus primeiros anos de vida. Mas, quero que saiba que existe um livro chamado “Escuta Zé Ninguém” de Wilhelm Reich (1896 a 1957), um psicanalista austríaco-americano, discípulo dissidente de Sigmund Freud.
O livro é, na verdade, um apelo ao inconformismo, uma reflexão sobre o poder de cada zé-ninguém, isto é, de cada anônimo a nada poder, e ter direito apenas a obedecer e conformar-se; mas que, potencialmente, tem o poder de revoltar-se e mudar o caminho da sua era.
Ou seja, o livro de Reich fala sobre o que nós, individualmente, podemos ou não fazer. O livro é ilustrado por uma foto da época do regime nazista na Alemanha, e mostra-nos um homem, um único homem, no meio de milhares de pessoas, a não agir coletivamente, mas a manter-se fiel àquilo em que acredita, independentemente das consequências.
O homem era August Landmesser e, quando a fotografia foi publicada num jornal em 1991, foi reconhecido pela filha, que certamente se terá sentido orgulhosa ao comprovar que o seu pai, entre milhares, se tinha mantido sempre fiel às suas convicções.
O que me toca profundamente nesta foto emblemática é perceber que sim, sem dúvida alguma, a maioria de nós compactua com a corrupção, com a violência, e outras barbaridades da nossa sociedade, desde que não nos atinja diretamente ou a alguém muito próximo.
Estamos embrenhados apenas no nosso umbigo e na crença de que tudo o que não nos toca, não nos diz respeito. É que a maioria de nós se conforma, levantando o braço ou balançando a cabeça em sinal de acordo, e só uma pequena minoria se manifesta para combater o sistema vigente, por mais inumano que seja.
E por mais que nos custe, no nosso sentido moral de quem vive numa democracia e sem medo, convictos de que nos teriam horrorizado os campos de concentração nazista e os assassinatos em massa, a verdade crua é que maioria de nós teria compactuado com o sistema que todos nós hoje condenamos.
Compactuaríamos, sim, por conformismo ou por medo, sem questionar.
E isto porque a maioria de nós ainda se acha apenas um zé-ninguém, sem importância, sem relevância numérica, e por isso prezando o conforto da segurança pessoal acima de tudo, achando que a revolta e miséria individuais não mudarão nada, e que por isso não vale a pena lutar; e, com medo, escolhe ficar quietinho, escondido no conforto do lar, sem fazer ondas pra não chamar a atenção dos poderosos.
Todavia, Reich ensinou que cada um de nós tem responsabilidade, sim, pelo que se passa à nossa volta e no mundo, e as maiores revoluções foram feita por conjuntos de zés-ninguém, que sozinhos não eram nada, mas que, em conjunto, foram conseguindo mudar as suas realidades, como surpreendentemente se tem visto em alguns países, árabes e europeus, ultimamente.
 August Landmesser era um zé-ninguém igual a você, um zé-ninguém sem esperança de instaurar mudanças, mas ainda assim um zé ninguém que hoje é um símbolo do inconformismo, integridade e resistência ao que se considera profundamente errado, com uma foto reproduzida mundialmente. Tal como você, como todos nós também podemos ser. Basta ter coragem para fazer sempre o que achamos certo, mesmo quando parecer que estamos sós.
Sei que você, Zé, não foi educado para ter coragem. Por isso, você escolhe permanecer com a vidinha que já conhece, ainda que não goste dela.
A explicação é que, apesar de manter-se fiel às “suas convicções”, as propostas que representam o futuro a ser construído com Desenvolvimento e Paz, representam igualmente o inusitado. São - ao mesmo tempo - inovadoras e assustadoras, exatamente por serem transformadoras. No fundo, Zé, você é um conservador.
Você não sabe, por exemplo, que a economia global é guiada predominantemente, pelas gigantescas empresas multinacionais. E que a trama destes negócios é tão emaranhada que muito pouca gente é capaz de descobrir o fio da meada. O universalismo e o ecumenismo que, antes, diziam respeito somente a algumas religiões, hoje concernem a todo e qualquer aspecto da vida: da criminalidade aos cartões de crédito, das batatinhas fritas ao design, dos remédios aos combustíveis; pior, até a produção do conhecimento novo, as novas invenções – como a nanotecnologia – quase todas as patentes são propriedades dos poderosos conglomerados econômicos internacionais.
Ou seja, nem os governantes de cada país podem decidir sobre as grandes questões. O poder é global.
Zé Ninguém, eu lhe entendo. Não é que você não deseje a mudança, você a quer. Mas, você tem medo Zé, porque você foi “educado” para não assumir responsabilidades, você foi feito para se conformar.
Escuta Zé, tenho observado que você, aos poucos, está começando a deixar de ser besta. Será?
E a eleição passada mostrou que  já somos quase 50 milhões almas inconformadas, aqui no patropi.  
Quem sabe, na próxima?

 (*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com



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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Leiam o que Ariano Suassuna disse sobre o "forró" de hoje.



Veja o que o nosso Ariano Suassuna falou a respeito do forró atual.

‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando- se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo est tico. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na plateia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna