quinta-feira, 6 de junho de 2013

Na Inglaterra, rede bancária funciona bem.

Uma Nova Inglaterra?
Carta da Europa No. 9  -  

Maria English, 6.6.13, Portsmouth,  Inglaterra
Logo após minha volta à Inglaterra, fui a um banco e senti  o impacto da diferença entre este país e o Brasil. A agência estava praticamente vazia e um funcionário se dirigiu a mim e perguntou gentilmente o que eu queria. No Brasil, a agência do meu banco estava sempre cheia e o serviço era feito sem normas precisas. Não quero dizer que aqui é o paraíso, mas o sistema funciona. Sou daquelas que acreditam que o paraíso  (e o inferno) está dentro da gente, portanto é uma questão de se adaptar às diversas circunstâncias. 
Recentemente ocorreu uma reunião de condomínio em meu prédio, onde uns 30 ingleses puderam opinar, criticar, sugerir diversos assuntos.  Vocês precisam saber o que foi aventado:  todo tipo de reclamação insignificante, como a limpeza dos vidros da janela, onde uma ligeira marca pode ser deixada por um respingo. Vejo no jornal, por exemplo, a reclamação de um leitor sobre o fato de que o governo dá passe livre aos mais velhos para ônibus, mas não proporciona meios de levá-los até a parada de ônibus. É, às vezes os ingleses querem mais e mais direitos.
A primavera finalmente chegou trazendo muito sol. Fui a um evento ao ar livre e lá recontatei uma firma que distribui produtos orgânicos em caixas. É uma das facilidades que gosto aqui: receber legumes e frutas sem pesticidas toda semana à minha porta. No seu último folheto, esta firma menciona que a comissão da Comunidade Européia decidiu restringir o uso de neonicotinoides nas plantas em florescência pois este produto estava matando as abelhas. Os ingleses vão ter que pensar muito antes de decidir se querem mesmo sair da Comunidade Européia ou não.
Existe um partido político em ascensão na Inglaterra: o UKIP, Partido da Independência Britânica, cuja bandeira maior é a saída da Inglaterra da Comunidade Européia. É um partido radical, mas  que está atraindo muitos eleitores. As últimas eleições locais demonstraram que os ingleses desejam uma grande mudança e votaram em grande número a favor do UKIP que saiu do zero para obter 25% dos votos. De qualquer maneira, a reviravolta  política na Inglaterra já começou. Já observei , por exemplo , um esforço maior do governo em dar caça aos imigrantes ilegais (segunda bandeira maior do UKIP).



Praça Pedro Velho em 1947.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A herança de FHC

Enquanto não surgir coisa mais avançada, as pesquisas de opinião continuarão a ser a melhor maneira de interpretar o pensamento da população a respeito das questões coletivas. Sem elas, ficamos com o que acha cada indivíduo ou dizem os grupos mais organizados e loquazes. Os sentimentos e atitudes da maioria permanecem ignorados. É como se não existissem.
Mas as pesquisas estão aí. E permitem uma compreensão dos juízos e as expectativas dos que não se expressam, não mandam cartas ou postam comentários na internet. Há outras formas de fazê-lo, mas nenhuma mais confiável.
Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Não custam tanto e um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, pode encomendar as suas. Nem um jornal ficará pobre se tiver de contratar alguma.
Por que então as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública?  Tome-se uma velha ideia: as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá por que, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências a sustentá-la.
Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.

Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro ofereceu-se para o posto. 
E os cidadãos comuns, o que pensam desse “legado”?


Em pesquisa recente de âmbito nacional, o Vox Populi tratou do assunto. Em vez de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito.  

Os entrevistados foram solicitados a avaliar 15 áreas de atuação do governo Dilma Rousseff. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.


Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram. Na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma. Nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas. Na educação, o tucano foi defendido por 5% e os petistas por 63%. Na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8%, enquanto Lula e Dilma, por 71% dos entrevistados. 
No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: para 10%, ele saiu-se melhor que os sucessores, mas 65% preferiram a atuação de Lula e Dilma no controle de preços.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados. Na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.

No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram ter Lula e Dilma sido superiores.
Os políticos e as empresas jornalísticas são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levy Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema-esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.
Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político. Nem Serra nem Alckmin quiseram praticá-lo. A derrota de ambos nada tem a ver com o fato de não terem feito tal defesa. O problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.

Resta ver como se comportará, na prática, Aécio Neves. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.

domingo, 2 de junho de 2013

Fátima tem chances de chegar ao Senado Federal. Você duvida?

Fátima Bezerra: Desejo ser candidata ao Senado

Foto: João Maria Alves/TN
A deputada federal Fátima Bezerra confirma que tem interesse em ser candidata a senadora. Embora afirme que o projeto prioritário, até agora, seja disputar a reeleição, ela admite que está com o nome disponível para a disputa ao Senado. Essa candidatura, revela a deputada, já foi discutida, inclusive, com a direção nacional do Partido dos Trabalhadores, fato que chegou ao conhecimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Para o pleito de 2014, ela afirma que o partido tem metas definidas: fazer três deputados estaduais, manter a vaga de deputado federal e lançar um nome ao Senado. Mas, quando o assunto é o Governo, a deputada é mais cautelosa. Afirma que é preciso definir o candidato, que ela não descarta ser do PT, com base em critérios de densidade eleitoral e capacidade de agregar.
 
Ela observa que é legítimo o vice-governador Robinson Faria se colocar na postulação ao Executivo, mas destaca que as definições ocorrerão apenas no próximo ano. [por Tribuna do Norte > Leia entrevista na edição deste domingo]
 
JBAnota  Sem esquecer que para o governo do Estado são lembrados, além do atual presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, os nomes do deputado estadual Walter Alves e também seu pai, o senador licenciado Garibaldi Filho, ministro da Previdência e ex-governador por dois mantos.


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 6/02/2013 10:03:00 AM

Resposta rápida

Está todo mundo se tremendo no Brasil?

TREMER? POR QUÊ?  
                                                                                                                                                           


      Públio José – jornalista



                       Um episódio, dia desses, me deixou curioso. Vi alguém tremendo, arfando, nervoso por conta de uma determinada situação, com a qual, graças a Deus, eu não tive nenhum envolvimento. Fui apenas um privilegiado espectador da cena. Daí me dei conta de como é estranho o tremer das pessoas diante de dificuldades, de conflitos, de fortes emoções. Até parece, nessas situações, que o organismo humano age no sentido contrário ao da lógica. Ao invés de nos endurecer psicologicamente, de enrijecer nossa mente diante da necessidade premente do embate; ao invés de impor um rigoroso controle sobre nossas emoções, nos preparando para vencer o inimigo, seja ele qual for, nos põe a tremer, a balbuciar, a perder totalmente o domínio sobre o raciocínio e a tomada de decisões. Então, pensando daqui, pensando dacolá, descobri ser o tremer um companheiro originário e inseparável da ira e do medo.
                        Logicamente, falo do tremer que não está ligado à manifestação de doenças biológicas. Sabe-se de distúrbios neurológicos que levam a pessoa, por mais dócil que seja, a viver tremendo de maneira incontrolável. O tremer que relaciono aqui é o que vem da ira, da raiva, do ódio, do descontrole das emoções, e também do que se origina do medo, da ansiedade, da dúvida, da incerteza. Este é o pavor do desconhecido, do amanhã, dos desafios, e que leva o organismo a sinalizar, de forma clara e visível, que a carga sobre a pessoa passou dos limites – ou, no mínimo, que o problema, na origem de tudo, está mal administrado. O que se conclui é que o tremer é uma sinalização bastante evidente do momento em que o corpo, a estrutura física e psicológica da qual somos dotados, não tem mais como controlar a situação. E vê no fenômeno a única condição de sinalizar que se aproxima a instalação do caos.
                        A conseqüência, no médio e longo prazo, é a chegada da depressão, da covardia, da inoperância ao enfrentamento dos problemas do cotidiano. O tremer que advém do medo corrói as pessoas por dentro, tornando o seu viver insípido, fugidio, carregado de uma desesperança sem fim, cujo desfecho, muitas vezes, é a tentativa da morte através do suicídio. O outro tremer, o que advém da ira, do ódio, tem manifestação passageira, é mais ocasional. Suas conseqüências, no entanto, podem deixar marcas profundas e prejuízos irremediáveis na vida do irado e das pessoas que transitam ao seu redor. Más querenças, agressões, quebradeiras, amizades e relacionamentos desfeitos, cizânias, desuniões, são frutos do descontrole daí advindo. O destino final desses casos deságua nas UTI’s dos hospitais, pelos acidentes cardiovasculares, ou nas delegacias de polícia, pelos homicídios daí decorrentes.
                        O tremer, enfim, não é um bom companheiro. Além de corroer por dentro, demonstra, quando explode exteriormente, a perda do controle da situação – com sua alta taxa de imprevisibilidade. E qual a solução? Receita pronta não existe. Todavia, é salutar evitar a instalação do extremo nas emoções e cultivar companhias e ambientes que não tragam sentimentos de conflito. Segundo a Bíblia, “um abismo puxa outra abismo”, ou seja, um problema acarreta o surgimento de outro problema – de proporções maiores e de conseqüências inimagináveis. A Bíblia também nos exorta a “fugir da aparência do mal”. Ou seja, é melhor evitá-lo do que confrontá-lo. Domínio próprio, outro instrumento poderoso, do qual fomos dotados interiormente para uso em situações de conflito, também se impõe ser exercitado. Com isso, o tremer poderá ser vencido. E vantagem maior: a qualidade de vida continuará a ser preservada.