quarta-feira, 12 de junho de 2013

INTELIGÊNCIA E CARÁTER – O EMBATE


      Públio José – jornalista



                       Pesquisas mais recentes sobre o funcionamento da mente humana, sobre os elementos que regem a formação da inteligência e suas várias formas de manifestação, demonstram não haver, necessariamente, nenhuma relação entre a inteligência e a moral. Os estudos, da mesma forma, concluem pela inexistência de conexão entre a inteligência e a ética, como também entre ela e o caráter. Nesse território ainda pouco vasculhado da mente, a conclusão a que se chega, lamentavelmente, é que o personagem de uma história, para ser inteligente, não terá, obrigatoriamente, de agir em sua comunidade como pessoa de moral, de caráter, de boa índole. Por tais estudos, a inteligência está desatrelada dos demais elementos que constituem a base do comportamento humano, para planar, como águia, acima dos valores e escolher o rumo indicado pela individualidade e pelo livre arbítrio.
                        Tais considerações são pertinentes pelo momento de verdadeira inversão de valores que se observa, praticados na vida das pessoas, independente do segmento social que se venha a analisar. Maliciosos, antiéticos e imorais são visíveis em todos os quadrantes a olho nu, sem a necessidade, para descobri-los, de sofisticados instrumentos de medição científica. De todo modo, a conclusão dos estudiosos vem a calhar, pois passa a estabelecer uma rigorosa conexão científica entre o resultado dos trabalhos acadêmicos e a realidade que se vive no dia a dia contemporâneo. E no que isso tudo resulta? Que conclusões, do ponto de vista prático, podemos tirar de tais observações? É que, se antes o homem, em sua grande maioria, agregava à inteligência fortes conceitos carregados de moral e de ética, atualmente posiciona-se numa direção contrária, separando-a e cultivando-a para a prática de delitos de toda ordem.
                        Se agora está explicado, cientificamente, que a inteligência corre por fora, desligada do caráter, da moral, da ética, nos trejeitos que articula diante dos embates diários da vida, está justificada, então, a onda de safadezas e malandragens que abarrota o noticiário e enche de vergonha, entre outros, os espaços mais nobres da rotina nacional. É corriqueiro, pois, notar-se o uso que se faz da inteligência a serviço dos valores mais mesquinhos, para, como isso, glorificar-se a máxima de que o negócio é levar vantagem – em tudo. Rigor exagerado no que afirmo? Gostaria demais que assim fosse. Gostaria, inclusive, de serem totalmente erradas as observações que faço em torno deste assunto e de outros que compõem o cotidiano humano. Entretanto, não se tapa o sol com a peneira. E o que fica em nós, inexoravelmente, diante da realidade que rola, é o gosto amargo da decepção, da impotência, do desengano.
                        E o caráter como é que fica? Pra que direção se inclina, afinal? Segundo o dicionário, o caráter é o conjunto de traços psicológicos, o modo de ser, de sentir e de agir do indivíduo. Já a inteligência é a capacidade de fazê-lo perspicaz, de fazê-lo aprender com rapidez, de adaptá-lo a situações adversas. Enfim, de resolver pepinos e propor soluções. Daí, logo se vê que a inteligência trava uma luta renhida entre devotar-se a causas nobres, tendo no caráter um bom parceiro, ou amolda-se de vez às exigências que afloram no contexto da tão apregoada modernidade. Para o caráter manter-se atrelado a princípios morais e éticos, com a inteligência se lambendo por vantagens imorais, não é tarefa fácil. Das duas uma: ou ele vence-a, subjuga-a – para permanecerem ambos num elevado padrão ético –- ou também embarca na gandaia.  Pois, como justificam – com cinismo – os tais inteligentes, resistir, quem há de?     
                                              






Carta a Governadora Rosalba
(*) Rinaldo Barros
Senhora Governadora,
Cumprimentando-a respeitosamente, solicito a valiosa atenção de Vossa Excelência para alguns aspectos mais ou menos óbvios de nossa realidade educacional, e suas consequências na economia do Rio Grande do Norte. Reflito sobre o papel do indivíduo na história, porquanto sei que Vossa Excelência compreende a importância e o alcance de sua missão. E relembro que, na história da Humanidade, algumas transformações importantes somente ocorreram porque uma determinada pessoa estava no lugar certo, e no momento certo.
A premissa dessa minha ousadia se prende à constatação histórica de que as regiões com maior desenvolvimento são aquelas que fizeram maiores investimentos em prol da escolarização de qualidade de seus povos. Há forte correlação entre os indicadores educacionais e avanços no setor produtivo e na qualidade de vida, bem como na redução das desigualdades.
Para a sociedade o efeito é o bem-estar social e, para a economia, maiores níveis de produtividade e competitividade, principalmente através da inovação tecnológica efetiva do nosso setor produtivo.
Sem querer ser desrespeitoso, insisto que - para superar o quadro de debilidade na aprendizagem da nossa educação formal - é necessário aumentar os recursos e melhor direcioná-los. Isso quer dizer aumentar os investimentos na qualificação permanente dos professores, oferecendo a eles uma melhor formação continuada, a par da garantia de um salário digno.
Muito mais do que defender a justa implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os docentes, estas afirmações óbvias, Senhora Governadora, formam um pano de fundo para trombetear que o Rio Grande do Norte já possui potencial e mecanismos capazes de alavancar o seu desenvolvimento e, melhor ainda, com excelente capital humano pronto para ser convocado a trabalhar nesse sentido, um instrumento potente e eficaz, em ponto de bala, para efetivar essa empreitada: P&D - Pesquisa e Desenvolvimento.
Falo de uma parceria com as nossas UERN e UFRN, integradas ao Sistema S e ao SEBRAE, na construção do Projeto MAIS RN (2014 a 2034); sob a coordenação do Governo do Estado, articulado com o Governo Federal.
É intrigante tentar entender como é possível existir uma estrutura educacional de nível superior tão qualificada, com centenas de Mestres e Doutores produzindo conhecimento em todas as áreas; tudo isso, inexplicavelmente - sem que os formadores de opinião e os dirigentes políticos se apercebam de sua importância estratégica para o nosso desenvolvimento. Não consigo compreender.
Perdoe-me, mas é um contrassenso, uma desinteligência coletiva.
Data vênia, não tem explicação a ausência de reconhecimento, na prática, acerca da importância da UERN e da UFRN enquanto instrumentos de desenvolvimento, como uma imensa e valiosa consultoria especializada, com plena capacidade de elaborar projetos, produzir conhecimento novo (pesquisa) e difundir soluções (extensão) por todos os cantos do Estado, levando a esperança em forma de capacitação, atualização e aperfeiçoamento para todos os cidadãos, destacando os empresários e técnicos, planejadores e empreendedores.
A comunidade universitária, Senhora Governadora, está capacitada e disponível para responder com responsabilidade aos desafios da construção do futuro do Rio Grande do Norte. Convoque-a, e verá.
Convocada, pode desempenhar, muito além do importante papel de instituição de ensino superior que já exerce, um papel fundamental no campo da produção científica e difusão do conhecimento, preservando os valores da civilização, construindo a logística estratégica em todos os modais de transporte; e formando cidadãos para uma sociedade mais digna e mais justa.
A UERN e a UFRN pertencem e servem a todo o Estado, com qualidade e responsabilidade social. Podem fazer muito mais, no presente e no médio prazo.
O momento atual é, sem dúvida, a oportunidade histórica de inscrever indelevelmente, com ouro, o nome de Vossa Excelência na história: a Governadora da Educação e do Desenvolvimento.
Renovo a Vossa Excelência os meus melhores votos de consideração e respeito.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com


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