sábado, 31 de agosto de 2013

Gracinha e a Inglaterra.

A Inglaterra e eu – Capítulo 1
Maria das Graças English.*

Vou começar uma estória hoje sobre fatos atuais dessa grande ilha européia, saxônica com pinceladas latinas. Quando faço palavras cruzadas, o alemão não me ajuda, pois foi transformado de tal maneira que virou uma língua própria, só compreensível pelos lingüistas  - o inglês.
Nessa ilha  estão agora conglomerados povos de várias origens coloniais e outros ficam tentando fincar pé, atraídos pelo bem-estar. O serviço nacional de saúde, o NHS, é muito eficiente e muito indulgente. É tanto que trata de muitos pacientes estrangeiros  que de alguma maneira burlaram as normas. Ouvem-se agora muitas reclamações dos ingleses, fala-se de privatização deste órgão público, há protestos. Tento não botar fogo neste fogo lento, cuidando da minha saúde e aproveitando as iniciativas que visam evitar maiores problemas físicos e mentais, tais como administração do peso, do bem estar, prevenção contra o câncer mamário e do sistema digestivo, etc. Tem muito inglês que não utiliza estes  serviços pois não acredita que pode ficar doente ou se está doente.
Com a crise econômica outros males humanos aparecem. O que aconteceu há poucas semanas foi lamentável. Dois homens com idade por volta dos sessenta, se altercam para ocupar um lugar no estacionamento de um grande supermercado, destinado a pessoas inválidas. Tudo vira agressão física. O resultado é morte. No entanto, a polícia reage rapidamente e o atacante é preso por homicídio involuntário. O chocante foi também a revelação de que o morto tinha recebido poucos dias antes a liberação médica de um tratamento contra câncer. Por aí se vê que males da psiquê podem ser mais determinantes que o próprio câncer.

E depois vem a estória dos cachorros. Num  país com muitos deles, não passa muito tempo sem haver um acontecimento grave ou fatal envolvendo caninos. O público em geral está de saco cheio e demanda intervenção da polícia. Que fazer se os ingleses adoram seus “bichinhos”? Obrigar os donos a por um michro chipe da identificação em todos eles e, em caso de  acidente, prender o patrão. A lei vai entrar em vigor breve, mas eu já me sinto aliviada.
*Maria das Graças English é natalense.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

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Ano: I nº 5 - Natal/RN, 30 de agosto de 2013.

Sessão popular debate

 

Urbanização do Planalto

 

Audiência pública será realizada no bairro com participação direta da comunidade buscando aproximar legislativo da população.

Na próxima terça-feira (3), a Câmara Municipal de Natal (CMN) realiza uma Sessão Popular, em conformidade com seu regimento interno, para debater sobre “a urbanização do bairro Planalto”. Esta sessão, diferentemente das convencionais, será realizada fora do plenário da Casa Legislativa com a participação direta dos moradores do bairro. A proposta é de autoria do vereador George Câmara (PCdoB) e começa às 18 horas na Escola Municipal Emanuel Bezerra (Rua Mira Mangue, bairro Planalto).
A Prefeitura do Natal anunciou no primeiro semestre de 2013 que vai promover a urbanização de diversas localidades de Natal. O cronograma de atividades incluiu o bairro do Planalto que já tem disponibilizado recursos federais na ordem dos R$ 196 milhões. Com a verba já garantida para o início das obras surge o debate sobre como garantir que o projeto preserve as principais características do bairro e atenda as reivindicações de seus moradores, dotando a área com infraestrutura e equipamentos urbanos condizentes com os novos modelos de gestão urbanística das cidades.
 
Durante a sessão popular, representantes da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SEMOPI) apresentarão o projeto aos moradores do Planalto. O projeto prevê a pavimentação, drenagem, construção e melhorias de casas, regularização fundiária, construção de escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), Unidades de Saúde, Centros de zoonose, odontológico e de medicamentos, praças, quadras, Centros de artesanato e de educação musical, Pontos de Memória, Centro Integrado de Atendimento ao Trabalhador (CIAT) e Ecopontos, entre outros equipamentos urbanos.
 
De acordo com o vereador George Câmara, o objetivo desta sessão popular é reunir a comunidade local para debater os principais aspectos que o projeto de urbanização do Planalto aborda. As instalações e infraestrutura das ruas, avenidas, rede de esgoto, rede elétrica, edificações e serviços urbanos são algumas das questões a serem discutidas durante o encontro. Segundo o parlamentar, os problemas ambientais e a preservação das áreas verdes do bairro também serão tema da audiência. “É fundamental que o projeto esteja adequado ambientalmente, assegurando a implantação de todas as atividades, infraestruturas, instalações pertinentes ao saneamento ambiental”, explica George.
 
Participam da audiência, representantes da Secretaria Municipal de Educação (SME), Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Secretaria Municipal de Habitação Social, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes (SEHARPE), Urbana, Secretaria de Mobilidade Urbana do Município (SEMOB), CBTU/RN, CAERN, membros do Conselho Municipal de Habitação de Interesse Social (CONHABINS) e do Conselho Municipal de Saneamento Básico (COMSAB), entre outras representações responsáveis pela gestão do desenvolvimento urbanístico em Natal.
Separador

 

 

Notas

 
Transporte Alternativo, Greve da Polícia Civil
e ITEP são temas de audiências na CMN
 
 
A Câmara dos Vereadores de Natal, por iniciativa do vereador George Câmara (PCdoB) realizou na última semana duas audiências públicas que debateram pautas distintas, mas de importância essencial ao dia-a-dia do cidadão natalense. O primeiro encontro foi realizado na terça-feira (27) e teve como tema “a importância do Transporte Alternativo para a população de Natal” quando reuniu permissionários dos veículos opcionais, gestores e população para discutir, entre outras questões, a unificação do Cartão de Passageiros entre alternativos e ônibus nos Serviços Públicos de Transportes Coletivos do Município. Na quarta-feira (28) o legislativo municipal recebeu a categoria dos policiais civis e servidores do ITEP para debater a situação dos dois órgãos no RN. A audiência pública d iscutiu a crise instalada na segurança pública do estado e os problemas específicos desta classe de trabalhadores.

Deputada do PCdoB defende
Reforma Política ampla e democrática
 
 
A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Manuela D'Ávila, falou na última semana sobre a importância da realização do plebiscito da reforma política, reiterando o posicionamento dos comunistas sobre o tema. De acordo com Manuela o PCdoB defende a participação popular nas decisões da reforma.
 
Veja o vídeo AQUI.
 

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Se os médicos fossem alemães, americanos do norte e ingleses, o tratamento seria o mesmo?

Dilma vê 'imenso preconceito' contra os médicos cubanos

UOL
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PAULO PEIXOTO
DE BELO HORIZONTE
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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (28) haver um "imenso preconceito" contra os médicos cubanos que estão vindo para o Brasil.
Segundo ela, os médicos vindos de Cuba para o programa Mais Médicos do governo federal têm "estatuto próprio" e foi feito um acordo com a OPA (Organização Panamericana de Saúde) para que eles se integrassem a esse programa.
Ela falou nesta manhã a duas emissoras de rádio de Belo Horizonte --uma católica e outra pentecostal-- e foi questionada sobre uma eventual revisão do convênio de trabalho com os médicos cubanos e a busca de uma garantia para que eles efetivamente fiquem com o salário que receberão --e não o governo cubano.
"É um imenso preconceito esse que algumas vezes a gente vê sendo externado contra os médicos cubanos", disse a presidente, que assinalou que outros médicos estrangeiros também estão vindo para o país "para trabalhar onde os médicos daqui não querem trabalhar, que são as regiões da Amazônia, do interior do Brasil e as periferias das regiões metropolitanas".
"Os médicos cubanos têm estatuto próprio", disse ela, acrescentando que, segundo a OPA (Organização Panamericana de Saúde), uma parte do salário eles recebem aqui no Brasil e que o salário que eles recebiam em Cuba continuará sendo pago às famílias deles.
"Então, a forma de pagamento dos médicos cubanos é diferente das demais", disse a presidente, sem entrar em detalhes sobre o governo cubano ficar com alguma parte.
"Mas, de qualquer jeito, todos os médicos estrangeiros recebem uma bolsa de R$ 10 mil mais ajuda de custo", disse ela, explicando que "no meio da selva" a ajuda será de R$ 30 mil e no semiárido, em áreas mais remotas e com condições de vida mais precária, R$ 20 mil.
Segundo a presidente, os demais médicos do programa brasileiro vão receber "todo o apoio e sustentação" do governo brasileiro e também o apoio que as prefeituras "puderem dar".
"Agora, é um grande preconceito contra os médicos cubanos. Porque estão vindo médicos cubanos e médicos estrangeiros. O que não é correto é a gente supor que em algum país do mundo há um bloqueio à vinda de profissionais especializados em ajudar o país, quando ele não têm médicos suficientes", afirmou ela.
Ela disse que "na maioria dos países" se vê médicos estrangeiros trabalhando. Ela citou que nos Estados Unidos eles são 24% dos médicos e que no Canadá chega a 37%. "O Brasil tem uma taxa baixíssima, não chega a 2%º, afirmou, afirmando que no Brasil havia cerca de 700 municípios onde não morava nenhum médico.
Dilma disse que o convênio com a OPA é no mesmo padrão de 58 países que têm as chamadas missões humanitárias. "São médicos que ficam por tempo determinado. Alguns desses médicos podem até ficar depois no Brasil se quiserem. A grande maioria vai entrar, vai ficar e depois sair, porque fazem parte dessas missões", disse.
Segundo ela, os médicos estrangeiros que estão vindo de fora do país terão sempre o trabalho monitorado e acompanhado.
A presidente disse que o governo e as prefeitura vão dar as condições de moradia, de alimentação e "tranquilidade material" para que eles atendam bem a população.
"Tudo que pudermos fazer dentro da lei para levar os médicos para locais onde não têm médicos, nós faremos", concluiu Dilma.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Médicos estrangeiros: o debate continua. Agora já falam em paredão.

Mais uma diatribe:

MEDICOS NO PAREDÃO
Samuel Gueiros (Médico)
Os médicos estao emparedados.
Se não bastasse a desfiguração do ato médico costurado com tanta paciencia pela classe, e detonado pelos assessores de saúde do governo,  as imagens da midia vão empurrando os médicos contra a parede: enquanto as cenas da chegada dos médicos estrangeiros com imagens de paz, amor são de quem vem para ajudar, a reação dos médicos brasileiros é de quem quer só atrapalhar. Essas reações já causam mal estar na mídia, através da manifestação de jornalistas independentes que de forma crescente vão perdendo o medo do “poder médico”.
Na novela das 8 os médicos ainda aparecem piores, envolvidos em sacanagens, incompetência, maracutaias e até assassinatos, em um folhetim da maior audiencia no país. E no Fantástico, de grande audiência, médicos assinam ponto no serviço público e fogem para as clínicas particulares. É isso que é "falta de condiçoes"!..
São imagens de grande impacto social, que resultará em crescente rejeição da população à classe médica. As pessoas vão desenvolvendo a idéia de que só há nos médicos uma preocupação com seus próprios interesses e de desprezo pelos pacientes: a consulta é de um tempo mínimo e a ênfase é nos artefatos do complexo industrial médico-hospitalar sucedendo procedimentos caros e desnecessários. Reportagem da Veja desta semana caracteriza de forma clara a escalada do desprestígio, e do excesso tecnológico, em que um médico renomado afirma que 80% das ressonancias são desnecessárias.  Há uma ancoragem tecnológica e não humana no ato médico dos últimos tempos.
Há um filme da década de 80 (Blade Runner) em que Harrison Ford interpreta uma espécie de “médico cibernético” à procura de réplicas humanas (“androides”) defeituosos. O mais interessante é que o médico cibernético não utilizava nenhuma tecnologia para identificar os androides doentes, nenhuma tomografia ou ressonância, ele utilizava simplesmente a “clínica”, ou seja, era uma entrevista a ferramenta na qual ele procurava identificar as contradições do discurso do andróide que revelava a sua “não humanidade”.  Ou seja, o autor enfatiza que no futuro, mesmo cercado de toda a tecnologia, seria a entrevista, a investigação psicológica, a abordagem clínica, a única forma válida de entender o outro.
A desfiguração do ato médico representa uma reação dos novos profissionais da saúde que vêm nos médicos uma postura de arrogância histórica, inclusive pela pretensão de ocupar todos os cargos administrativos da área da saúde.
A súbita preocupação com riscos para a saúde da população e com os direitos trabalhistas dos cubanos, soa completamente hipócrita, configurando uma das maiores contradições históricas da classe médica: nunca, neste país, houve preocupação dos órgãos de classe com relação aos riscos das pessoas sem assistencia médica no interior. E subitamente, agora, aparece uma angelical preocupação com os riscos para essa população somente com a chegada dos médicos estrangeiros.
O presidente do CRM-MG chegou a ser patético quando ameaçou que não iria autorizar socorrer pessoas vítimas de erros médicos dos cubanos, imediatamente rechaçado por outro médico, Padilha, ameaçando com a “segurança jurídica” da medida. Eu não sou contra o Mais Médicos e como outros colegas estamos contra os que estão contra, dá pra entender? pois é, caminhamos para uma esquizofrenia ética.
Se a classe médica ameaça com os médicos estrangeiros com o Revalida, a população certamente não revalida essas atitudes. Se ninguem se manifestou ainda, em breve os prováveis resultados positivos para a saude das populações assistidas pelos médicos estrangeiros vão se constituir mais um tijolo nessa parede contra os médicos brasileiros que estão vivendo um impasse histórico. Os argumentos relacionados à espionagem,  falta de condições de trabalho, mensalão cubano, etc., não simples manobras diversionistas em relação ao foco: não há médicos para o interior do Brasil e ponto final.
Sem liderança política, sem sensibilidade e sem exemplos de dignidade e preocupação social, os médicos vão perdendo moral e seu papel histórico como formadores de opinião. Viraram deformadores de opinião.
Com isso, os médicos estão ajudando a eleição de Padilha para o governo de S. Paulo e a reeleição de Dilma Roussef, prenunciando mais uma década de tirania petista.
Os cubanos colocam os dissidentes no paredão. E agora, vieram para o Brasil para colocar os médicos brasileiros no paredão da  irracionalidade.


Em 24 de agosto de 2013 20:22, Armando Negreiros <armandoanegreiros@hotmail.com> escreveu:

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Médicos: a opinião do ex-secretário de educação do RN e professor Dalton Melo.

Caros amigos, estou anexando três artigos (num único arquivo) escrito por Dalton Melo de Andrade. Simplesmente genial!!! Abraços, Armando Negreiros.

Mais médicos

            Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Esse é o nome. Programa aparentemente sem pé nem cabeça, até para leigos no assunto, como eu. Contestado pelas entidades médicas, não pode ser boa coisa. Quem, por amor de Deus, vai fazer milagre em postos de saúde, mínimos em quantidade e ínfimos em qualidade, ou hospitais (se é que podem ser chamados assim) desequipados das menores coisas, até água potável, segundo se escuta, em alguns casos? E essa história de obrigar o estudante a ir para lugares incertos e não sabidos, por dois anos, depois de seis anos de curso, para poderem receber seu diploma?
Se fala agora de transformar esse período em residência. Parece uma emenda pior que o soneto. Residência pressupõe qualidade. É onde o recém-formado adquire sua especialidade, devendo estar cercado de bons professores e dos equipamentos necessários, de preferência de último tipo. Será que os locais onde se pretendem colocar esses médicos oferecem tais condições?
            A UFRN, por seu Reitor Dr. Onofre Lopes, criou o programa  CRUTAC (Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária), em Agosto de 1966, quase 50 anos passados. Prestava assistência à saúde,  sem  violentar o estudante e durante o seu período normal do curso. Dava ele sua contribuição às comunidades interioranas, aprendia como era conviver com as dificuldades da profissão, e sentia o valor do seu saber.
            Teve repercussão nacional. O MEC chegou a patrociná-lo e apoiou sua extensão para outras regiões do pais. Foi adotado por várias  universidades e bem atendeu às populações interioranas por um largo tempo. Levou, junto, a instalação de ambientes adequados aos trabalhos desenvolvidos, promoveu o apoio dos professores às atividades dos estudantes no campo, e deixou, em algumas regiões, estruturas apropriadas. Aqui no RN ainda há hospitais, como o de Santa Cruz e Santo Antônio, que foram criados ou melhorados em razão do CRUTAC e, creio, ainda recebem apoio da UFRN.
            Não sei como está hoje o funcionamento do programa. Segundo tenho escutado, como aconteceu com tantas outras coisas interessantes, terminou sendo relegado a segundo plano, ou esquecido, pois algumas inteligências privilegiadas das nossas novas estruturas educacionais o consideraram invenção dos militares, imposto pela ditadura.
Ledo engano, pelo menos com o CRUTAC. Saiu da cabeça de Onofre Lopes que, nascido no campo e tendo vivido sua infância e parte da juventude, como dizia ele, “no mato”, sentiu na pele a falta de assistência médica. Formado em Medicina, nunca esqueceu as suas agruras passadas e o CRUTAC foi uma tentativa de redimir esses tempos.
Que os estudantes das nossas universidades públicas, ou bolsistas, venham a ressarcir parte de seus custos, pagos pelo povo, prestando um serviço comunitário, nada mais justo. Mas, que os façam penar por dois anos, apos seis de estudos intensos,  é pura maldade. Que prestem essa assistência durante o curso. Que voltem a funcionar como no passado os CRUTACs. Foram muito úteis. Podem voltar a sê-los.
Que esse programa, na parte que busca levar médicos ao interior, buscando melhores condições de trabalho e remuneração condigna, dentro de uma carreira estabelecida, seja implementado. Mas, sem o autoritarismo inerente ao programa Mais Médicos.



Mais médicos (II)

Dalton Melo de Andrade
Escrevinhador

            Fiquei feliz com a notícia. O ex-presidente Lula foi totalmente liberado pelo Sírio-Libanês. Está apto a continuar usando sua arenga demagógica e perambular por todo o pais. Por atendimento semelhante passaram a Presidente Dilma, e o bispo namorador do Paraguai, Fernando Lugo. Todos também totalmente recuperados. Além, claro, de muitas outras figuras mais ou menos célebres e que puderam arcar, de uma ou outra forma, com os custos. Hugo Chávez, oferecido a oportunidade, resolveu ir para Cuba. Deu no que deu.
            Mas, o hospital não faz milagres. Encontraram todos, e receberam, o que há de melhor e mais moderno em atendimento. Médicos e enfermeiros competentes, equipamentos adequados e de última geração, e todos os medicamentos atuais mais apropriados para cada tipo de doença. Alguns desses medicamentos, ainda em nível de teste. Super avançados. Os demais mortais, no meio dos quais me incluo, estão longe de tanto privilégio.
            E isso nos leva de volta ao programa acima. Tenho certeza, até mesmo convicção, que a intenção do governo é das melhores. Ninguém, por mais incompetente que seja, inventa alguma coisa que não seja cheio de bons augúrios. Especialmente políticos, que dependem de votos. O problema não é esse. O problema é a falta de comunicação. Houvesse diálogo com a classe medica, e provavelmente programa semelhante poderia ter sido desenvolvido e, com certeza, com mais sucesso.
            Dizem os jornais que cerca de 6% das vagas oferecidas já foram preenchidas, ou estão a ser. Candidatos há que se sujeitam a um regime de bolsa, com duração de dois anos sem garantia de renovação, salários razoáveis, mas condições de trabalho, no mínimo, duvidosas, além de restritas a determinadas áreas. Não devem ser os mais competentes, pois estes já estão trabalhando. Especialmente se vêem do exterior. Com exceção dos cubanos, ansiosos por deixarem a ilha, segundo se lê. Se, nas principais cidades, com médicos livres, os serviços são precários, imagine-se nesses ermos locais, que também, claro, merecem um mínimo de atendimento. Faltarão enfermagem, equipamentos e medicamentos, como falta hoje por todos os lados. O estetoscópio, que todos os médicos levarão consigo, são extremamente úteis, especialmente para confirmar a morte.
            Portanto, ao me regozijar pela saúde recuperada do ex-presidente, não me alegro com as perspectivas de tantos outros que irão ser atendidos por essa nova medicina cativa. Rezemos ao Papa Francisco. Que Deus os proteja. Aliás, que nos proteja a todos.

Trabalho escravo

            Dalton Melo de Andrade

            Voltamos ao tempo da escravidão. O governo acaba de firmar acordo, com interveniência da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e Cuba, no sentido de serem enviados para cá 4.000 supostos médicos cubanos. O Brasil pagará dez mil reais por cada um deles. Vai entregar o dinheiro à OPAS que, por sua vez, o entregará à Cuba. Esta pagará aos supostos médicos uma importância não estabelecida no acordo. Lá, informa-se, eles ganham vinte dólares por mês. Ficarão em locais pré-determinados, e dele não se podem mover. Pelo menos é o que se escuta na TV e se lê nos jornais. Portanto, voltamos ao tempo da escravidão e, pior, terceirizada. Duas coisas que os nossos sindicatos de trabalhadores, com razão, vêm combatendo há muito. Vamos ver o que dirão os defensores dos direitos humanos. E o Ministério Público.
            O outro aspecto incrível desse acordo é que esses médicos não farão exames de revalidação. Passarão, segundo parece, por uma rápida análise em algumas universidades, onde se pretende ensinar português, e irão diretamente para o trabalho. Ninguém sabe de sua capacidade profissional, que atendimento prestarão, e se realmente contribuirão para a saúde do povo. E como se entenderão com esse povo. Uma coisa é certa. Só virão para cá os apadrinhados do regime, com toda a feitura para agirem como prosélitos do sistema, pois os dissidentes não terão qualquer chance de aqui aportarem. E não se podem rebelar, pois suas famílias continuam em Cuba. Podem pagar um preço alto.
            Este governo do PT, apoiado por quase todos os partidos, obviamente comprados com cargos e benesses, está de mal a pior, totalmente perdido. Para onde se olha, o descalabro. A economia em frangalhos. Basta olhar o preço do dólar e a queda da Bolsa, da produção industrial, das contas externas, do desemprego que começa a aumentar e da inflação que ressurge. Insatisfação nas ruas. Saúde, educação, mobilidade urbana, corrupção, desmandos e malfeitos abundam. As soluções são engodos, como os desses supostos médicos. 
            Aparecem protestos das entidades médicas. É de supor que agirão com mais firmeza, e usarão os meios legais ao seu dispor para buscar o cancelamento desse acordo espúrio. E é de se acreditar que contarão com o respaldo da Justiça, que não pode se coadunar com tamanho despautério. É esperar para ver.



        Médicos cubanos: avança a  integração  da América Latina!



                       “O que brilha com luz própria , ninguém pode apagar
                        Seu brilho pode alcançar a escuridão de outras costas
                        Que pagará este pesar do tempo que se perdeu....
                        Das vidas que nos custou e das que nos podem custar..
                        O pagará a unidade dos povos em questão....
                        E a quem negar esta razão, a história condenará...”

                        Canción por La Unidad Latinoamericana
                        Pablo Milanez


       
Não faltaram emoção, lágrimas e dignidade na chegada dos 176 médicos cubanos, que desembarcaram neste sábado à noite em Brasília, para um trabalho indispensável em municípios brasileiros, mais de 700, ainda sem qualquer assistência médica.  Quando aqueles cidadãos cubanos, muitos deles negros, muitas mulheres, com bandeirolas brasileiras e cubanas nas mãos, pisaram  o solo brasileiro,  ali estava o retrato do enorme progresso social, educacional e sanitário alcançado pela Revolução Cubana. Mas, também, uma prova concreta de que a integração da América Latina está avançando; não é só comércio, é também  saúde. O Brasil coopera com Cuba na construção do Complexo Portuário de Mariel  -   sua  mais importante obra de infra-estrutura  atualmente  - e Cuba coopera com o Brasil preenchendo uma lacuna imensa, a falta de médicos.

A campanha conservadora contra a integração latino-americana sofrerá um revés tremendo quando o programa Mais Médicos ,  começar a apresentar seus efeitos concretos. Esses resultados terão a força para revelar o teor medieval  das críticas feitas pelas representações médicas e pela mídia teleguiada pela publicidade da indústria farmacêutica.

                                                                Volumosa desinformação

Tendo em vista o volume de desinformação que circulou contra a vinda de médicos estrangeiros,  mas contra os médicos cubanos em especial, é obrigatório travar a batalha das idéias, primeiramente, em defesa da Revolução Cubana como uma conquista de toda a humanidade. Cercada, sabotada, agredida, a Revolução Cubana,  que antes de 1959,  possuía os mais tenebrosos indicadores sociais,  analfabetismo massivo, mortalidade infantil indecente, desemprego e atraso social generalizado, consegue libertar-se da condição de colônia, e, mesmo sem ter uma base industrial como a brasileira, por exemplo,  e passa a exportar médicos, professores, vacinas, desportistas.Exporta, principalmente, exemplos!

Esse salto histórico da Revolução Cubana deixa desconcertada a crítica, seja  emanada pela mídia colonizada  pelas lucrativas transnacionais fabricantes de fármacos ou equipamentos hospitalares, seja a crítica oligarquia difundida pelas representações médicas. Os que questionam a qualidade da formação profissional dos médicos cubanos são desafiados a responder por que a mortalidade infantil em Cuba é das mais baixas do mundo, sendo inferior, inclusive, àquela registrada no Estado de Washington, nos EUA?


                                                             Cuba e a libertação africana


Vale lembrar que Cuba possuía, antes de 1959, pouco mais de 6 mil médicos, dos quais, a metade deixou o país porque não queria perder privilégios, nem concordava com a socialização da saúde. Apenas cinco décadas depois, é esta mesma Cuba que tem capacidade de exportar milhares de médicos para socorrer o povo brasileiro de uma indigência   grave construída por um sistema de saúde ainda determinado pelos poderosos interesses das indústrias hospitalar, farmacêutica e de equipamentos, privilegiando a noção de uma medicina como um negócio, uma atividade empresarial a mais, não como um direito, como determina nossa constituição.

Já em 1963, quando a Revolução na Argélia precisou, iniciou-se a prática de cubana de enviar brigadas médicos aos povos irmãos. Ensanguentada pela herança da dominação francesa, a Revolução Argelina encontrou em Cuba a fraternidade concreta, quando ainda não havia na Ilha um contingente médico tão numeroso como o existente atualmente. Predominou sempre na Revolução Cubana a idéia de que em matéria de solidariedade internacional comparte-se o que se  tem, não o que lhe sobra. Foi exatamente ali na Argélia que se estabeleceram laços indestrutíveis entre a  Revolução Cubana e os diversos movimentos de libertação da África. A partir daí, Cuba participou com  brigadas militares e médicas em diversos processos de libertação nacional do continente. De tal sorte que, em 1966, a primeira campanha de vacinação contra a poliomielite realizada no Congo, foi organizada por médicos cubanos! Os CRMs conhecem esta informação? Sabem que a poliomielite foi erradicada em Cuba décadas antes do Brasil fazê-lo?

       
                  Será  o Revalida capaz de avaliar a dimensão libertadora da medicina cubana?


Quando Angola foi invadida por tropas do exército racista da África do Sul, baseado nas supremas leis do internacionalismo proletário, Agostinho Neto, presidente angolano, também médico e poeta, solicita a Fidel Castro ajuda militar para garantir a soberania da nação africana. Uma das mais monumentais obras de solidariedade foi realizada por Cuba que, ao todo, enviou a Angola, cerca de 400 mil homens e mulheres para, ao lado dos angolanos e namíbios, expulsar as tropas imperialistas sul-africanas tanto de Angola como da Namíbia. E sob a ameaça de uma bomba atômica, que Israel ofereceu à  África do Sul, argumentando que as tropas cubanas tinham que ser dizimadas porque pretendiam chegar até Pretória..... Na heróica Batalha de Cuito Cuanavale  -  que todos os jornalistas, historiadores, militantes deveriam conhecer a fundo   -   lá estavam as tropas cubanas, mas lá estavam também as brigadas médicas de Cuba, que se espalharam por várias pontos de Angola. A vitória de Angola e da Namíbia contra a invasão da África do Sul,  foi também a derrota do regime do Apartheid. Citemos Mandela: “ A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do Apartheid.  Devemos o fim do Apartheid a Cuba!”.

Qual exame Revalida será capaz de dimensionar adequadamente o desempenho de um médico cubano em Cuito Cuanavala, com sua maleta de instrumentos numa das mãos e na outra uma metralhadora, livrando a humanidade da crueldade do Apartheid?  Como dimensionar o bem que o fim do Apartheid, com a decisiva participação cubana, proporcionou  para a saúde social da História da Humanidade?

                                                      As crianças de Chernobyl em Cuba

O sentido de solidariedade internacionalista está tão plasmado na sociedade cubana que, quando aquele terrível acidente ocorreu na Usina Nuclear de Chernobyl, em 1986,   o estado cubano recebeu, das organizações dos Pioneiros  -   que congregam crianças e adolescentes cubanos  -   a proposta de oferecer tratamento médico às crianças contaminadas pela radioatividade vazada no desastre. Um documentário realizado pelo extinto Programa Estação Ciência, dirigido pelo jornalista Hélio Doyle, exibido com freqüência TV Cidade Livre de Brasília, registra como Cuba compartilhou seus recursos médicos e hospitalares, mas, sobretudo, sua fraterna solidariedade com cerca de 3 mil crianças russas que foram levadas para tratamento na Ilha, nas instalações dos Pioneiros, em Tarará.  Destaque-se, primeiramente, que a idéia partiu dos Pioneiros. Segundo, que Cuba não se colocava na condição de doadora, mas apenas cumprindo um dever solidário. Lembravam que o povo soviético havia sido solidário com Cuba quando os EUA iniciaram o bloqueio contra a Ilha cortando a cota de petróleo e do açúcar, suspendendo o comércio bilateral, na década de 60. A URSS passou a comprar todo o açúcar cubano, pelo dobro do preço do mercado internacional, e a abastecer Cuba de petróleo, pela metade do preço de mercado mundial. São páginas escritas, em uma outra lógica, solidária, fraterna, socialista. É de se imaginar o quanto os dirigentes das representações médicas brasileiras poderiam aprender com aquelas crianças cubanas que ofertaram tratamento às 3 mil crianças russas, um contingente menor que o de médicos cubanos que virão para o Brasil?


                                                                     Impublicável

A cooperação entre Brasil e Cuba em matéria de saúde não está iniciando-se agora. Durante o governo Sarney, recém re-estabelecidas as relações bilaterais, em 1986,  foram as vacinas cubanas contra a meningite que permitiram ao  nosso país enfrentar aquele surto. Na época, a mídia teleguiada também fez uma sórdida campanha contra o governo Sarney, primeiro por reatar as relações, mas também por comprar grandes lotes da vacina desenvolvida pela avançada ciência de Cuba.  De modo venenoso, tentou-se desqualificar as vacinas, afirmando serem de qualidade duvidosa, tal como agora atacam a medicina cubana.  Na época, foram as vacinas cubanas que permitiram controlar aquele surto e salvar vidas. Mas, também trouxeram, por meio do exemplo, a possibilidade de que aprendêssemos um pouco dos valores e das conquistas de uma revolução. Afinal, por que um país com poucos recursos, com uma base industrial muito mais reduzida, conseguia não apenas elevar vertiginosamente o padrão de saúde de seu povo, mas, também desenvolver uma tecnologia com capacidade para  produzir e exportar vacinas, enquanto o Brasil, com uma indústria muito mais expandida, capaz de produzir carros, navios e aviões,  não tinha capacidade para defender seu próprio povo de um surto de meningite? São sagradas as prioridades de uma revolução. E é por isso, que, ainda hoje, a sexta maior economia do mundo,  se vê na obrigação de recorrer a Cuba para  não permitir a continuidade de um crime social configurado na não prestação de  atendimento médico a milhões de brasileiros.

Mais recentemente, quando a Organização Mundial da Saúde convocou a indústria farmacêutica internacional a produzir vacinas para combater um tenebroso surto de febre amarela  que se espalhou pela África, obteve como resposta desta indústria o mais sonoro e insensível NÃO. Os preços que a OMS podia pagar pelas vacinas não eram, segundo as transnacionais farmacêuticas, apetitosos.  Milhões de vidas africanas passaram correr risco, não fosse a cooperação entre dois laboratórios estatais, o Instituto Bio Manguinhos, brasileiro, e o  Instituto Finley, cubano. Essa cooperação permitiu a produção, até o momento, de 19 milhões de doses da vacina que a África necessitava, a um preço 90 por cento menor que o preço do mercado internacional. Onde foi publicada esta informação?

        Apenas na Telesur e na imprensa cubana. A ditadura dos anúncios da indústria farmacêutica, que dita a linha editorial da mídia  brasileira em relação ao programa Mais Médicos e à cooperação da Medicina de Cuba, simplesmente impediu que o grande público brasileiro tomasse conhecimento desta importantíssima cooperação estatal brasileiro-cubana.


Os médicos cubanos e o furacão Katrina


Para dimensionar a inqualificável onda de insultos que os médicos cubanos vêm recebendo aqui na mídia oligárquica, lembremos um fato também sonegado por esta mesma mídia, o que revela suas dificuldades monumentais para o exercício do jornalismo como missão pública. Quando ocorre o trágico furacão Katrina, que devasta Nova Orleans, deixando uma população negra e pobre ao abandono, dada a incapacidade e o desinteresse do governo dos EUA naquela oportunidade, em prestar-lhe socorro,  também foi Cuba que colocou  à disposição  do governo estadunidense   -   malgrado toda a hostilidade ilegal deste para com a Ilha   -   um contingente de 1300  médicos ,  postados no Aeroporto de Havana, com capacidade de chegar prestar ajuda à população afetada pelo furacão. Aguardavam apenas autorização para o embarque, e  em questão de 3 horas de vôo estariam em Nova Orleans salvando vidas. Esta autorização nunca chegou da Casa Branca.  A resposta animalesca do presidente George Bush foi um sonoro NÃO  à oferta de Cuba, o que tampouco foi divulgado pela mídia oligárquica, provavelmente para protegê-lo do vexame de ver difundido seu tosco caráter,  que tal recusa representava. Os Eua estão sempre prontos para enviar militares e mercenários pelo mundo. Mas, são incapazes de prestar ajuda ao seu próprio povo, e também arrogantes o suficiente para permitir uma ajuda de Cuba à população pobre e negra afetada pelo furacão.

                                              Uma Escola de Medicina para outros povos

Também não circulam informações aqui de que Cuba, após o furacão Mity, que devastou a America Central e parte do Caribe, decide montar uma Escola Latino-americana de Medicina, que, em pouco mais de 10 anos de funcionamento, já formou mais de 10 mil médicos estrangeiros, gratuitamente. Entre eles,  500 jovens negros e pobres dos EUA, moradores dos bairros do Harlem e do Brooklin. Eles me revelaram que se tivessem continuado a viver ali, eram fortes candidatos a serem presa fácil do narcotráfico. Frisavam que, estar ali em Cuba, formando-se em medicina, gratuitamente, era uma possibilidade que a maior potência capitalista do mundo não lhes oferecia. Há,  estudando na ELAM, cerca de uma centena de jovens do MST, filhos de assentados da reforma agrária.  Isto significa que Cuba compartilha com vários países do mundo seus modestos recursos. Também estudam lá cerca de 600 jovens do Timor Leste, sendo que existem 40 médicos cubanos trabalhando já agora no Timor. O tipo de exame Revalida seria capaz de dimensionar esta solidariedade cubana com a saúde dos povos?


                                                       Ampliar a integração em outras áreas


 Também não se divulgou por aqui,  que Cuba montou três Faculdades de Medicina na África, (Eritreia, Gambia e Guiné Equatorial),  em pleno funcionamento, com professores cubanos. Toda esta campanha de insultos contra Cuba e os médicos cubanos, abre uma boa possibilidade para discutir e conhecer  mais a fundo todas estas conquistas da Revolução Cubana, mas, especialmente, para que as forcas progressistas  reflitam sobre quantas outras possibilidades de cooperação existem entre Brasil e Cuba, em muitas outras áreas.

Mas, serve também para reavaliar a posição de certos parlamentares médicos da esquerda no Brasil que se opõe,  inexplicavelmente, ao Programa Mais Médicos, alguns chegando, ao  absurdo de terem apresentado  projetos de lei proibindo, pelo prazo de 10 anos, a abertura de qualquer novo curso de medicina no Brasil.
             
                                                     Qualificar o debate sobre a integração


Enfim, um debate democrático e qualificado em torno do programa Mais Médicos, da presença de médicos cubanos aqui no Brasil e em mais de 70 países, e também, sobre as conquistas da Revolução Cubana, deve ser organizado pelos partidos e sindicatos, pelo movimento estudantil, pelos movimentos sociais, pela Solidariedade a Cuba, pelas TVs e rádios comunitárias, como forma de impulsionar a integração da America Latina, que, neste episódio, está demonstrando o quanto pode ser útil à população mais pobre. A TV Brasil pode cumprir uma função muito útil, pode divulgar documentários já existentes sobre o trabalho de médicos em regiões inóspitas e adversas em diversos países.

 É preciso expandir esta integração, avançar pela educação, pela informação, não havendo justificativas para que o Brasil ainda  não esteja conectado com a Telessur, por exemplo, que divulgado amplo material jornalístico informando que 3 milhões e meio de cidadãos latino-americanos já foram salvos da cegueira graças a Operação Milagro,  pela qual médicos cubanos e venezuelanos realizam, gratuitamente, cirurgias de cataratas em vários países da região. Enquanto o povo argentino, por exemplo, já  pode sintonizar gratuitamente a Telesur e informar-se de tudo isto, o povo brasileiro está impedido, praticamente, de receber informações que revelam o andamento da integração da America Latina. Mas, com a chegada dos médicos cubanos, a integração será cada vez mais pauta da agenda do debate político nacional e  receberá , certamente,  um impulso político e social, notável, pois o povo brasileiro, saberá , com nobreza e humanismo, valorizar e apoiar o programa Mais Médicos. Alias, é exatamente  isto o que tanto apavora a medicina capitalista.

                              Há 70 mil engenheiros estrangeiros no Brasil hoje!

Segundo dados recentes do Ministério do Trabalho, existem hoje trabalhando no Brasil cerca de 70 mil engenheiros estrangeiros. Nenhuma gritaria foi feita. Neste caso, trata-se de petróleo e outros projetos, muito lucrativos para as multinacionais. Mas, quando se trata de salvar vidas, acendem-se todas as fogueiras do inferno da nova inquisição contra uma cooperação que é lógica e indispensável, solidária e humanitária. Por que é aceitável  a importação de telefones, equipamentos médicos, remédios, cosméticos, roupas, caviar, bebidas, vacinas e não se aceita a cooperação de médicos de Cuba, sendo este o único pais  em condições  objetivas  de apresentar-se prontamente e de maneira eficaz com profissionais experimentados.  Será que as representações médicas brasileiras possuem sequer uma remota idéia de que estão proferindo insultos a esta bela história da medicina  socialista de Cuba?

                                              Quem pagará a conta da demora?


 A presidenta Dilma tem inteira razão em convocar os Médicos Cubanos, algo que já poderia ter sido feito há mais tempo, amenizando a dor e o sofrimento de milhões de brasileiros abandonados por um sistema de saúde e por uma mentalidade de parcelas das representações médicas que, por mais absurdo que pareça, ainda tentam justificar este abandono. Aliás, com a determinação da presidenta Dilma está absolutamente revelada a importância da integração da América Latina, não havendo justificativas para que esta modalidade de integração nas esferas sociais,  não avance também para outras áreas, como a educação, por exemplo. Foi exatamente com o método cubano denominado “Yo, si, puedo”,  que Venezuela, Bolívia, Equador são países declarados pela UNESCO como “Territórios Livres do Analfabetismo”, sempre com a participação direta de professores cubanos. Muito em breve, será a Nicarágua, que vai recuperar aquele galardão, que já havia conquistado durante a Revolução Sandinista, mas depois perdeu,  na era neoliberal.  Por quanto tempo o Brasil terá apenas projetos pilotos, em apenas 3 cidades, com o método de alfabetização cubano, que, aliás, já tem absoluta comprovação e reconhecimento mundiais?  Que espera a sexta economia do mundo em  convocar ainda mais a cooperação cubana para erradicar o analfabetismo? Quem pagará a conta desta injustificável demora?

Termino com a declaração da Dra Milagro Cárdenas Lopes,  cubana, negra, 61 anos “Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou.  Em seguida, dirigiu-se com seus companheiros para os ônibus organizados pelo Exército Brasileiro, que cuida de seu alojamento. Sinal de que a integração está escrevendo uma nova página na história da América Latina.

Beto Almeida
Diretor da Telesur                   

25 de agosto de 2013