sábado, 9 de novembro de 2013

Revista Època dá um furo jornalístico:

Black Blocs afirmam que são financiados por ONGs nacionais e estrangeiras

ÉPOCA passou o fim de semana num campo de treinamento do grupo que adotou o quebra-quebra como forma de manifestação política

REDAÇÃO ÉPOCA COM REPORTAGEM DE LEONEL ROCHA
08/11/2013 21h00 - Atualizado em 08/11/2013 21h36

Capa - Edição 807 (home) (Foto: ÉPOCA)
Em um sítio no interior de São Paulo, pouco mais de 30 pessoas se reuniram, no fim de semana do Dia dos Finados, para organizar uma nova onda de protestos contra tudo e contra todos. O local se tornou um centro de treinamento para uma minoria que adotou o quebra-quebra como forma de manifestação política e ficou conhecida comoBlack Bloc. O repórter Leonel Rocha testemunhou as reuniões e relata na edição de ÉPOCA desta semana que, ao contrário do que afirmam órgãos de segurança federais e estaduais, eles não são manifestantes que aparecem nos protestos "do nada", sem organização. Os Black Blocs têm método, objetivos, um programa de atuação e, segundo afirmaram, acesso a financiamento de entidades estrangeiras.
De acordo com Leonardo Morelli, jornalista que coordena a ONG Defensoria Social, braço visível e oficial que apoia os Black Blocs, a ONG Instituto St Quasar, ligada a causas ambientais, já repassou, neste ano, € 100 mil aos cofres da entidade. Morelli recebeu a reportagem de ÉPOCA no sítio em São Paulo. Segundo ele, o próprio veículo (uma Kombi) que levou Leonel Rocha ao local do treinamento, a partir do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), foi financiado com doação de entidades nacionais e estrangeiras. Morelli diz que um Jeep Willys também foi comprado com esse dinheiro. Ele também cita entre seus doadores organizações como as suíças La Maison des Associations Socio-Politiques, sediada em Genebra, e Les Idées, entidade ligada ao deputado verde Jean Rossiaud. Procurados por ÉPOCA, ambas negaram ter enviado dinheiro. Morelli diz que a Defensoria Social também foi abastecida pelo Fundo Nacional de Solidariedade, da CNBB. A CNBB negou os repasses. Morelli ainda relacionou entre seus contatos os padres católicos Combonianos e a Central Operária Boliviana.
 
TREINAMENTO Leonardo Morelli, da ONG Defensoria Social, e três dos participantes do encontro. Ele influencia os Black Blocs com suas causas (Foto: Leonel Rocha/ÉPOCA)

O sítio black bloc 1. Sem sinal de animais ou lavoura, dois dos três casebres  usados pelos ativistas são encobertos pela vegetação 2. Fachada da única casa habitável. Lá, tudo precisa de reparos  3. A mesa comprida chega até a cozinha.  É usada para reun (Foto: Leonel Rocha/ÉPOCA)

Em ÉPOCA desta semana, na reportagem Por dentro da máscara dos Black Blocs, Leonel Rocha relata o fim de semana com os ativistas que, de rostos cobertos, tomaram a frente dos protestos no país. E Todos contra a violência, outra reportagem da edição 807 (nas bancas a partir deste sábado e nos tablets), mostra diferentes grupos políticos e autoridades concordam que a democracia não pode conviver com movimentos que defendem o quebra-quebra como forma de protesto.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A herança da globalização: os pobres que foram ricos.

Pobres como nós

Pobres como nós

por Ricardo J. Rodrigues Fotografia de Pedro Loureiro
Fonte: dn.pt

Ter emprego, ter um curso superior, ter casa nos subúrbios, ter carro, ter cabo e acesso à net, ter telemóvel, ter os filhos na creche, ter contas para pagar, ter visa, ter dívidas, ter fome. A notícia incomoda, parece que não existe. Mas a verdade é que já se contam por 300 mil os portugueses que não se conseguem alimentar. Os novos casos não estão nos escalões mais excluídos da sociedade. Estão na classe média, na geração em idade activa, nos que têm mais aptidões académicas e maiores expectativas de conforto. Esta é a história do seu vizinho do lado.
«Boa tarde. Encontro-me numa situação muito difícil. Sou empregada de escritório, divorciada, tenho dois filhos menores. Para fazer face a todas as despesas (de água, luz, habitação) resta-me muito pouco para a alimentação. Gostaria de saber quais as condições necessárias para receber ajuda alimentar. Estamos a passar fome e precisamos da vossa colaboração.» Isto é um e-mail recebido no Banco Alimentar Contra a Fome em finais de 2008. O Banco Alimentar recebe e-mails destes todos os dias, às dezenas. Se o desespero chega por internet, então a pobreza atingiu definitivamente a pós-modernidade.
Os anos noventa ficaram marcados em Portugal pelo aparecimento dos novos ricos, empresários que ganharam dinheiro rapidamente e não se inibiram de mostrar a sua fortuna aos demais. Esta primeira década do século XXI, pelo contrário, salientou outra figura social - os novos pobres. Gente qualificada e habituada a um nível de vida confortável, que perdeu poder de compra e empobreceu repentinamente. Por culpa da crise, da precariedade laboral, do endividamento, de um divórcio, do desemprego. Muitos novos ricos são hoje novos pobres. E um dos traços mais distintos dos neo-aflitos é precisamente o de serem indistintos. Estas pessoas têm bom aspecto, casa, carro, telemóvel, internet. Mas passam fome.
Ao primeiro esgar, tem-se a impressão de que a angústia dos novos pobres é auto-inflingida. Mas se se perguntar a Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, se ela associa a pobreza de bens a uma certa pobreza de espírito, a resposta é directa: «Estas pessoas estão endividadas porque, durante anos, lhes foi vendido um sonho de um mundo maravilhoso que não é real. Quando acordam, percebem que foi tudo uma ilusão. Os novos pobres já tiveram acesso a bens de consumo, depois perderam-no. E agora tentam disfarçar, têm vergonha do seu novo estatuto social.» A pobreza é um catálogo pesado. Depois de se entrar na espiral, é muito mais difícil sair.
Que o diga Adelina Santos, 41 anos, que, ao contrário da maioria, dá a cara pela fome que passa. Há dez anos, a vida corria-lhe de feição, era empresária e tinha o seu próprio negócio, no mercado de peixe de Ermesinde. A crise bateu-lhe à porta sem avisos prévios. O marido abalou, o mercado fechou e a mulher viu-se subitamente desempregada, sozinha com três filhos nos braços e uma renda de casa para pagar. «Tentei arranjar um emprego em condições, como secretária, ou num escritório, mas não havia vagas.» Como precisava mesmo de ganhar dinheiro, meteu-se no emprego que conseguiu - a limpar o lixo das ruas para uma junta de freguesia.
Com a renda e a comida não havia dinheiro para o passe social e, por isso, Adelina saía de casa duas horas antes de pegar ao serviço, cumprindo a pé, na ida e na volta, um percurso que não lhe levaria mais de vinte minutos de autocarro. O contrato acabou passados nove meses, não o renovaram para não terem de a tornar efectiva. Continuou à procura, mas assim que dizia que tinha trabalhado a limpar lixo recusavam-lhe os empregos mais qualificados. «Tive de me pôr a fazer limpezas, a tomar conta de pessoas idosas, a desenrascar-me como podia. E ando há cinco anos nisto, sempre a mudar de casa porque não consigo pagar a renda, às escuras porque não tenho dinheiro para a luz, a passar a ferro às vizinhas a troco de uma garrafa de azeite ou de um pacote de arroz. Nunca imaginei que a minha vida se ia tornar nisto.» Há dias, discutiu com a filha adolescente, que queria comprar roupa nova, brincos e ténis como os outros miúdos da escola. «Eu gostava de oferecer-lhe essas coisas, mas não posso. Ela diz que eu dei tudo aos irmãos, quando tinham a idade dela. É verdade, mas nessa altura eu tinha dinheiro. Agora tenho de tratar a mais nova de maneira diferente. E isso dói-me tanto. Mas tanto.»
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, existem dois milhões de pobres em Portugal, com rendimentos inferiores a 360 euros mensais. Na maioria dos casos, são reformados, toxicodependentes, deficientes mentais, sem-abrigo, famílias numerosas. Estes são os número da pobreza estrutural do país - um em cada cinco habitantes. Mas a crise económica e o desemprego estão a criar uma pobreza mais conjuntural, e é essa que está a crescer a uma velocidade vertiginosa. Fala Isabel Jonet: «A classe média em Portugal está cada vez mais empobrecida e esvaziada - e o que se passa agora é apenas a ponta do iceberg. A crise económica de 2009 vai seguramente traduzir-se numa gravíssima crise alimentar. É absolutamente aberrante o que se está a passar. Temos gente que tem emprego, mas para quem é matematicamente impossível pagar as contas. Temos uma geração inteira, jovem, a ganhar 400 euros mensais, por mais qualificações e competências que apresente.» O fosso entre ricos e pobres em Portugal é o maior da União Europeia. O rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos é sete vezes maior do que o dos dois milhões mais pobres. Um terço dos jovens entre os 16 e os 34 anos seriam pobres se dependessem apenas dos seus rendimentos. Não são sintomas da crise. São sinais de subdesenvolvimento.
Portugal 2009
Estão 20 pessoas à porta de um centro comercial decrépito junto a Rio Tinto, nos arredores do Porto. Está uma velhota de calça e casaco, um lenço de seda e brincos que podiam ser de ouro, estão duas reformadas encasacadas que conversam animadamente sobre a queda da bolsa de Nova Iorque, está um par de gaiatos com o cabelo cortado ralo e uma bola de futebol velha aos pés. Sentados nos degraus da escadaria do edifício antiquado e escuro estão também alguns idosos carregados de sacos vazios, duas ou três mulheres de meia idade, com os olhos postos no chão, à espera. Estão todos a aguardar o badalar das nove, quando a Liga Nacional Contra a Fome (LNCF) começa a distribuir pão. Grande parte dos que estão ali vêm em nome de alguém. Dos filhos, das filhas, dos pais, dos avós - dos que estão a trabalhar e não podem ir receber ajuda.
A senhora elegante de pendentes dourados é das primeiras a recolher o pão num saco de plástico. Fala sem nome nem cara, fala com vergonha. «Eu nunca tive uma vida fácil, só tenho a quarta classe, trabalhei que me desunhei a vida inteira. Fui modista, funcionária das limpezas, criada e depois entrei para uma fábrica onde cresci a pulso, até me tornar assessora de direcção. O meu marido batia-me e roubava-me dinheiro, tive que pô-lo fora de casa para conseguir criar a minha filha. À gaiata dei tudo o que podia e o que não podia. Ela estudou, aprendeu serviço social, queria tomar conta dos outros. Era uma menina muito generosa e, quando a vida dela se estava a endireitar, veio a desgraça.»
A rapariga trabalhava então num lar de idosos, a recibos verdes. «Entrava ao serviço de noite e de noite saía.» Há cinco anos, quando acabou o turno, foi vítima de atropelamento e fuga. Um pé esmagado, três hérnias discais e uma incapacidade para sempre. O lar desresponsabilizou-se, não era funcionária do quadro. A mãe, reformada, tentou aguentar o barco com uma reforma de trezentos euros e a vender roupa de umas lojas para outras. Mas os medicamentos eram caros, as operações foram muitas, o dinheiro começou a escassear. «Gastei as minhas economias todas e de repente percebemos que não tínhamos o que comer.» Durante semanas, foram almoços de arroz com arroz e jantares de pão sem queijo. Depois passaram a fazer uma refeição por dia. Por fim nem isso e, com a barriga num tumulto, encontraram a LNCF, uma associação de solidariedade social que apoia 100 almas famintas nos subúrbios do Porto.
«Hoje temos pão, sempre dá para fazer uma açorda. Acredite que, mesmo assim, a nossa fome não é pouca. E não há direito disto nos acontecer. Eu trabalhei toda a minha vida, a minha filha estudou e tinha emprego, vivíamos bem - pois se ela andava a pensar comprar casa e tudo! E agora esta vergonha, termos de pedir comida para não morrer.» Quando irrompe aos soluços, a mulher mantém a pose digna, uma mão a tapar-lhe a boca, um suspiro de desculpas. «A minha filha continua em casa, mal pode sair da cama, mas agora arranjou uns biscates de modista, para fazer um dinheirinho. Eu, sempre que aqui passo a buscar o pão, corro também as lojas a vender roupa. Talvez agora as coisas se componham.» Talvez.
«Ninguém está livre de cair em desgraça.» Gaspar Pessoa, presidente da LNCF, assume que a sua luta parece cada vez mais perdida. «Há mais e mais gente a precisar de ajuda. Há mais e mais gente que tinha uma vida boa e que, de repente, se vê na estaca zero. E o pior é que, ao primeiro impacto, ninguém dá a mão a ninguém. O Estado vai tapando buracos, nós vamos fazendo o nosso trabalho com financiamentos precários. Era preciso haver uma campanha séria de prevenção da fome, sobretudo agora, que os riscos de uma crise alimentar são elevadíssimos. A minha experiência nesta área diz-me que as pessoas, sobretudo estes novos pobres, só nos procuram quando estão desesperadas, quando deram voltas e mais voltas até esgotarem todas as soluções de recurso. Além de passarem fome, estão psicologicamente muito fragilizados. E isso é um entrave a que saiam do buraco e dêem a volta por cima.»
Risco de ruptura
Nas instalações da Santa Casa da Misericórdia de Sintra (SCMS) há um cartaz pendurado junto a uma cruz, onde se pode ler a inscrição «Não temos leite.» Até Maio de 2008, a instituição sintrense recebia cinco toneladas anuais de leite em pó para distribuir pelos recém-nascidos em situação de carência. Com o patrocínio do Governo Civil de Lisboa, que um dia mandou uma carta a anunciar que, a partir do quinto mês do ano, acabariam as remessas, por questões de redução de orçamento. Os funcionários da Santa Casa tentaram encontrar alternativas, o Governo Civil indicou o Banco Alimentar - que está dependente de excedentes e donativos e não consegue distribuir um produto tão caro de forma continuada. O facto é inequívoco. Desde Maio, as famílias carenciadas do segundo concelho mais populoso do país não têm comida para os seus bebés. «Não temos leite.»
«A partir de Setembro, a coisa tornou-se explosiva», diz Ana Carrilho, coordenadora do departamento de acção social da SCMS. «Tivemos um aumento muito grande de pedidos de ajuda. E o número que mais cresce são de pessoas que nos habituámos a considerar das classes alta ou média-alta. São licenciados que não conseguem a integração no mercado de trabalho, são sobretudo mulheres entre os trinta e os quarenta anos, com empregos, com os filhos na creche, com dívidas. Os homens ficam no carro, por vergonha. Elas também têm vergonha, não querem perder a única coisa que lhes resta da vida anterior, que é a sua dignidade. Por isso, tivemos de criar novas medidas para um novo tipo de pobreza. Apesar de funcionarmos apenas até às cinco da tarde, é raro o dia em que saio daqui antes das oito da noite. Para atendermos estas pessoas longe da vista de toda a gente, para que elas não se cruzem com ninguém, ficamos abertos até mais tarde.»
Em Novembro de 2008, o Jornal de Negócios falava em 600 famílias apoiadas pela casa de Sintra. No final de Dezembro, o número tinha subido para mais de 800. «Todos os dias aparecem-me entre 15 a 30 novos pedidos de auxílio no departamento de acção social. Há quem peça comida, mas também quem queira ajuda para pagar a prestação ou a renda da casa, os medicamentos, as contas de água e luz. E esqueça tudo o que pensava sobre o pobre. Antes, o pobre era o pobre, tinha uma apresentação pobre, um rosto pobre, era identificável. Agora são pessoas como nós, bem vestidas, com bons carros. É neste sector da população, nos subúrbios das grandes cidades, que o problema da fome está a crescer.» A Misericórdia sintrense tem pouca margem de manobra: recebe apenas os excedentes de dois supermercados da região e algum apoio do Banco Alimentar. «Tenho sérios receios que, se o aumento da procura continuar a este ritmo, cheguemos a um ponto de ruptura alimentar.»
Em 2006, o Banco Alimentar Contra a Fome entregava comida a 200 mil pessoas, dois anos depois o número subiu para 250 mil. Há pelo menos 50 mil casos de cidadãos que recorrem a instituições que não estão sob a alçada do BACF, como paróquias, juntas de freguesia, organizações não-governamentais e instituições de solidariedade social. Mas esse número pode ser muito maior. E continua a crescer. Até quando? Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), que apoia mais de sete mil pessoas nos seus oito centros Porta Amiga, é firme em exigir responsabilidade social às empresas e à população - em Maio de 2008, já o rosto da AMI dizia à agência Lusa que «o combate à fome, à pobreza e à exclusão tem de ser um desígnio nacional.» O discurso foi repetido inúmeras vezes - por vozes como a de Nobre, Isabel Jonet, Gaspar Pessoa ou Ana Carrilho. Mas a fome não está na agenda política. Nem nos planos das empresas. Nem sequer está na consciência dos cidadãos.
As manhas do estômago
Ao fim de três dias sem comer, H. decidiu finalmente pedir ajuda. Chegou a um refeitório social no Porto, sentiu as pernas fraquejarem assim que o mandaram sentar, lembra-se que mal tinha forças para segurar a colher da sopa. Os dias anteriores tinham sido um suplício. «Há técnicas para enganar a fome, sabe? Beber café ou chá, beber muita água, comer papel, comer pacotes de açúcar ou aqueles saquinhos de ketchup que oferecem no McDonalds.» Ri-se. «Ao que eu cheguei.»
H. tem 56 anos. Até há seis meses, viveu uma vida larga. Tinha uma vivenda e duas lojas na Invicta - uma de roupa, outra de perfumes. Tinha semanas de vender 20 mil euros em camisas, gravatas e botões de punho. Tinha férias no estrangeiro com a família, um carro para cada membro da casa, jantaradas com os amigos. Mas a mulher morreu de cancro, abriram quatro hipermercados e centros comerciais no raio de um quilómetro em redor das lojas, e o homem começou a perder o fio à meada. «Acumulei dívidas com os fornecedores, porque com uma loja vazia é que não me safava. O comércio de perfumes ficou com a minha filha, a casa também, eu tentei aguentar o embate, modernizar a casa, mas não podia concorrer com os preços dos outros, que compram em grandes quantidades e por isso vendem mais barato. Quando dei por isso, já não havia nada a fazer. Fechei a loja, deixei a casa e fui para Espanha trabalhar como motorista.»
H. é um cavalheiro, aquilo a que se costuma chamar um homem de fino trato. Tivesse ele chapéu e seguramente tirá-lo-ia à passagem de uma senhora. É daquele tipo de pessoas que só sabem saudar um homem usando as duas mãos, que se levantam para abrir uma porta se topam que alguém está prestes a entrar, que matam o vício inquirindo: «Vossa excelência não se importa de que me oferecer um cigarro?» Tirou um curso na escola comercial, no tempo do outro senhor. Montou o seu negócio. «E depois tremi, ou desactualizei-me, ou simplesmente tramaram-me, desculpe a expressão.» Em Espanha ficou uns meses, com tecto e comida, mas sem nunca sentir o cheio do salário. Voltou de mãos a abanar. Com uma pensão de viuvez de 175 euros, alugou um quarto por 150. E foi nessa altura que começou a passar fome. Aguentou dois meses. Depois não aguentou mais.
P. é uma mulher bonita. Alta, esguia, de gestos delicados. As fotografias que tem em sua casa mostram um rosto mais cheio, uns olhos mais felizes. «Perdi dez quilos nos últimos oito meses», assume. «Não tinha o que comer.» Tem 38 anos, um filho de 12, o 12º ano completo e nunca tinha trabalhado na vida. «O meu marido ganhava bastante dinheiro, era ele que tomava conta de mim. Eu geria a casa, a educação do miúdo, as compras. Vivíamos bem, não éramos ricos mas também não passávamos dificuldades. Mas um dia decidi separar-me do meu companheiro, a nossa relação era muito má. Fiquei com o meu filho e descobri as dívidas do meu marido. Não fiquei com mais nada.»
Tentou uma imensidão de empregos e só conseguiu arranjar um - como funcionária de limpeza no hospital de São João. Salário: 430 euros mensais. A casa onde vivia serviu para saldar créditos, conseguiu alugar um cubículo de paredes esfareladas e janelas partidas, sem casa de banho, por cem euros. O resto vai para o passe social, água, luz, gás e para a escola do filho. «Habituei-me, logo a seguir à separação, a ir comendo pouco.»
Se fazia sopa para o rapaz, ela não lhe tocava. Cozinhava um bife ou uma perna de frango para o miúdo, ao domingo. Para ela, um caldo de cebola ou o que o pequeno havia deixado de sobra no prato. «Depois comecei a comer dia sim, dia não, a ver se me habituava. Desmaiava muitas vezes, quando estava a trabalhar. E um dia perdi finalmente a vergonha. Entrei no refeitório de Rio Tinto e pedi comida.» Desde então vai lá todos os dias, recolher o almoço. Não come ali, não se quer misturar. E também porque, da refeição que lhe dão, ela consegue inventar três. Um almoço para ela, que o filho tem alimento na escola, e dois jantares à noitinha. Encostada à porta de casa, tentando ignorar o frio, P. pára de falar para desatar num pranto desgraçado. «Ontem comecei a comer o almoço e soube-me tão bem que me apeteceu comê-lo todo. Mas eu não podia, eu não posso. O que é que hei-de fazer à minha vida?»
O fim da linha
A meio da Avenida Almirante Reis, mesmo em frente à igreja dos Anjos, fica o que os lisboetas se habituaram a chamar a Sopa dos Pobres, mas que na verdade tem o nome de Centro de Apoio Social dos Anjos, ou CASA. São quatro pisos que albergam quartos, gabinetes médicos, salas de actividades, lavandaria e refeitório. Todos os dias, em média, são servidas 500 refeições. Sobretudo a homens e mulheres sem-abrigo, a toxicodependentes e alcoólicos, a pessoas com problemas mentais, a desempregados de longa duração. Por aqui passam diariamente os rostos da pobreza estrutural do país. «Os que chegaram ao fim da linha», nas palavras de Julieta Martins, directora da unidade de emergência e apoio à inserção da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Nos últimos meses, e apesar da Santa Casa querer separar o apoio à pobreza estrutural do auxílio aos novos pobres, tem aumentado o vaivém de caras anónimas, discretas, que precisam de apoio imediato e depois desaparecem sem deixar vestígios. «Cada utilizador do CASA tem um processo, mas a verdade é que se nos aparecer aqui alguém com fome não lhe recusamos comida», diz António Antunes, director do centro dos Anjos. «Nos tempos de crise, nota-se mais o aparecimento de casos com necessidade de alimentação imediata. São pessoas que se aguentam uns tempos, com o apoio da família e dos amigos, mas que um dia têm fome e passam aqui. Ou deixam de pedir ajuda às pessoas mais próximas e recorrem aos nossos serviços.»
Foi o que aconteceu com Frederico Matias, 26 anos, sorriso pacato, olhar magoado. Filho de mãe portuguesa e pai crioulo, tem dupla nacionalidade. Cresceu em Cabo Verde e decidiu fugir à secura do arquipélago já lá vão três anos. A família ficou em Santiago, ele fez-se ao mundo sozinho. Com um curso técnico de cozinheiro arranjou trabalho facilmente, na copa de um estaleiro em Tomar. Passou lá nove meses, mas ao fim do contrato aconteceu a história do costume: para ficar, tinha de ser nos quadros. Foi dispensado. Rumou a Lisboa e arranjou novo emprego, na cozinha de um restaurante, num centro comercial. «Deixei crescer uma crista no cabelo, mas faziam-me a vida negra e acabei por me despedir. Prefiro passar fome a perder a dignidade». Não bebe, não fuma, nunca tomou drogas. Alugou um quarto numa pensão e já encontrou novo trabalho. Enquanto não chega o primeiro salário, vem almoçar e jantar aos Anjos. Em silêncio, sem conversar com ninguém.
Fred, como gosta de ser chamado, conhece casos de pessoas como ele, que estudaram como ele, que trabalharam com ele, que passam fome como ele. Mas que não pedem ajuda. Ainda não. Só se anuncia a desgraça quando não sobram alternativas. São sete da tarde e o refeitório dos Anjos está agora cheio. O polícia de serviço anda de um lado para o outro a acalmar as hostes - há sempre um ou outro utente a desafiar a ordem da cantina, a querer entrar para os gabinetes, a provocar alguém que está sentado à mesa. Vista de fora, a Sopa dos Pobres tem dois mundos - um barulhento e pobre, outro silencioso e pobre. E é então que, no meio da multidão, se descobre uma memória do passado. O tipo com quem jogávamos à bola em miúdos, um colega da escola, um vizinho do lado. Um ser familiar e mudo, que se tornou invisível, que chegou ao fim da linha. E esse é o momento da bofetada. Alguém que conhecemos passa fome. E nem sequer tínhamos reparado.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Na Inglaterra, lixo se transforma em energia elétrica para o país.

A Inglaterra e eu – Artigo 3       
Maria English *
07-11-2013 13:24

Esta semana visitei algo que desejava há muito tempo: fui finalmente à Usina de Reciclagem de Lixo de Portsmouth. Fica numa área industrial e as instalações são grandes e muito modernas. O que se passa nesta usina é uma prova de que lixo não é mais lixo e sim uma fonte de energia e de outros produtos úteis. Apesar de que uma parte dos rejeitos domésticos  vai ainda para o aterro de lixo da cidade, a maioria é reciclada nesta grande usina que absorve também o lixo de outras áreas vizinhas. Vi o lixo chegar em caminhões, de forma contínua, e se acumular em imensos depósitos. Daí ele vai para os incineradores, onde vapor é obtido para alimentar os geradores.A energia produzida é transferida direto para a rede nacional de energia elétrica, sendo que outra parte desta energia é aproveitada no próprio funcionamento da usina. As cinzas obtidas vão para a indústria da construção. Nada é perdido, pois até o ferro não reciclado é vendido para o ferro-velho. Isto é o que tenho a relatar sobre o lixo doméstico normal. Mas há também aquele que é separado pelos habitantes de Portsmouth em casa. Este lixo especial é transportado por veículos apropriados e vai para mesma usina, onde é separado (mecanica e manualmente) em longas esteiras rolantes. Este material reciclável  é constituído principalmente por alguns tipos de plástico, papel  e latas que vão daí para as respectivas usinas particulares de reciclagem.

Translation

This week I did something I’ve always wanted to do: I finally went to the Portsmouth waste facility. It is in an industrial area and it is huge and modern. This facility is a proof that waste is not waste any longer, but an asset, a source of energy and other useful products. Although some of the household waste still goes to the landfill, most of it is recycled in this big facility, which also receives the waste of surrounding areas. I saw the trucks carrying waste arriving continually and dropping it in huge deposits. Then it is transported to the incinerators where steam is produced to feed the generators. The energy there from is then transferred directly to the national grid, and some of it is utilized in the functioning of the facility itself. The ashes obtained go to the construction industry. Nothing is lost and the non-recycled iron is sold to the scrap yards. This is the process of recycling the normal household waste. But there is also special waste that is separated at home by the inhabitants of Portsmouth. It is transported by special trucks and is destined for this same facility, where it is carefully separated on long conveyor belts. This recyclable material is formed mainly by some types of plastic, paper and cans. After the separation, by both machine and by hand, they are sold to the respective recycling companies.
*Maria English é natalense residente na Inglaterra.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Entenda a economia da China.

03/11/2013 - Copyleft

O milagre econômico chinês: principais determinantes internos

A estratégia de desenvolvimento da China gerou uma dinâmica interna puxada por investimentos, sobretudo públicos em infraestrutura. Por Eduardo Costa Pinto


Eduardo Costa Pinto
EBC

Em 1793, Lorde Macartney e sua comitiva desembarcaram em terras chinesas com a missão de criar um canal comercial entre a Grã-Bretanha e a China que até aquela altura nunca tinha se aberto a outra nação. O imperador Qianlong refutou duramente a proposta e a reação da Grã-Bretanha foi arrombar as portas. Essa derrota chinesa garantiu o domínio inglês no Sudeste Asiático no século XIX.

Alain Peyrefitte, ao refazer o caminho de Macartney em 1960, constatou que muito do que havia sido descrito pela comitiva britânica, há quase dois séculos, se manteve quase intacto. O império chinês permaneceu imóvel entre 1793 e 1960 (nota 1).

Na década de 1990, o próprio Peyrefittealertara que a China estava saindo de sua imobilidade em virtude da era Deng Xiaoping, implementada a partir de 1978. Em outras palavras, o dragão estava despertando de sua longa hibernação e provocando profundas transformações econômicas no sistema internacional, como previra Napoleão Bonaparte há quase duzentos anos ao afirmar em 1816 que: “Quando a China despertar, o mundo tremerá”.

A China saiu da condição de Império Imóvel para se tornar o país mais dinâmico no início do século XXI, transformando-se na locomotiva mundial. Ascensão impressionante!

A economia chinesa cresce 10% ao ano há mais de trinta anos (entre 1978 e 2012), o que a alçou à condição de segunda maior do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos), de “fábrica do mundo” (nota 2), de maior exportador e importador mundial. 

Esse crescimento esteve e está associado ao impressionante desenvolvimento de sua indústria e de seu rápido processo de modernização (passagem do mundo rural ao urbano) que geraram profundas modificações em sua estrutura produtiva e social.

Em 1978, a China tinha uma população de cerca de 956 milhões de habitantes e era um país rural. Daquele ano até os dias atuais, a população chinesa saltou para 1,338 bilhão de pessoas em 2010 (20% da população mundial) e passou a morar cada vez mais nas cidades.

Essa dinâmica vem provocando um aumento no consumo de energia, de bens duráveis e não duráveis e de alimentos na China. Apesar disso, esse país ainda está distante do padrão de consumo por habitantes dos países desenvolvidos.

Existe um amplo debate a respeito dos determinantes do milagre econômico chinês. Apresentaremos aqui os seus condicionantes internos, sem negar a importância da dimensão externa (nota 3), que não será aqui tratada dado o escopo deste texto.

Em 1978, após a 3ª Plenária do 11º Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC), configurou-se uma nova rota para o modelo de desenvolvimento da China – idealizada por Deng Xiaoping – pautada pelas reformas (nota 4) e pela abertura ao exterior.

Essa mudança buscou deslocar a luta de classe como princípio aglutinador do partido e do Estado colocando em seu lugar o princípio do desenvolvimento econômico como elemento que possibilitaria a ampliação das condições materiais da população chinesa e a manutenção do socialismo com características chinesas.

As diretrizes gerais dessa nova rota chinesa foram: 1) a descentralização das decisões econômicas (redefinição do planejamento e do mercado) por meio da ampliação do papel dos mercados e por meio da delegação de poder para as províncias locais; 2) a adoção de padrões tecnológicos e de modelos de gestão empresarial do mundo capitalista; e 3) o princípio estratégico da abertura ao mundo exterior e da evolução pacífica.

Para Deng Xiaoping, a China só seria respeitada quando se tornasse rica. Em suas palavras: “Só se pode falar alto quando se tem muito dinheiro”. Para ele, isso só seria alcançado por meio da absorção de conhecimento gerenciais e tecnológicos do ocidente capitalista. Era necessário absorver mais capital externo, segundo Deng à época.  

A estratégia institucional para criar esse espaço de aprendizado das práticas estrangeiras foi a configuração das Zonas Econômicas Especiais – Zonas de Processamento de Exportações. Elas foram estruturadas para atrair investimentos estrangeiros (dados os benefícios concedidos) que, em contrapartida, introduziriam métodos modernos de administração e tecnologias no território chinês.

Essas reformas foram sendo construídas paulatinamente, entre 1978 e 1989, em virtude da forte resistência do segmento marxista-lenisnista do PCC. O período de maior tensão foi entre 1989 e 1991. Fatores políticos internos, articulado a queda do Partido Comunista da União Soviética, fortaleceram essa corrente que tomou o poder em 1991.

Para evitar essa nova direção do partido e do Estado, Deng voltou de sua aposentadoria para travar, entre 1991 e 1992, uma ampla batalha para restabelecer suas diretrizes, bem como acelerá-las.

Depois de enfrentamentos e jogadas políticas, Deng, apoiado pelos líderes provinciais do partido e pelo Exército de Libertação do Povo (ELP), conseguiu costurar em 1992 um amplo acordo – denominado o “Grande Compromisso” – entre os segmentos do PCC (anciões, marxistas-leninistas, pró-abertura, líderes locais, tecnocratas e o ELP) para garantir e acelerar o processo de reformas e abertura. O fio condutor do acordo foi a ideia de transformar a China numa nação rica e poderosa até a metade do século XXI.

A estratégia de desenvolvimento nacional gerou dois eixos articulados propulsores do crescimento da China.

De um lado, a dinâmica exportadora promovida pela configuração das ZEEs e pela política cambial (manutenção do iuan desvalorizada em relação ao dólar) e, do outro, a dinâmica interna puxada pela expansão dos investimentos, sobretudo os públicos em infraestrutura.

A expansão pela via do investimento foi possível em decorrência da reforma do sistema financeiro chinês, realizada em 1985, que tanto ampliou o funding (recursos financeiros) como criou instrumentos para direcioná-los para o investimento. Expandiu-se a participação do setor privado, mas o controle do sistema bancário foi mantido na administração pública, possibilitando o direcionamento da poupança das famílias e das empresas para as corporações públicas e privadas que desejam investir.

Além dessas reformas, o crescimento chinês também vem sendo impulsionado por uma condução gradualista da política macroeconômica (monetária e fiscal) que combina a busca pelo controle inflacionário e pela manutenção do ritmo de crescimento estável e relativamente rápido, que garante a legitimidade interna do PCC.

Articulada aos elementos macroeconômicos, a política industrial foi e é também um instrumento importante para a dinâmica chinesa. Dentre as medidas nessa área, podemos destacar: i) o crédito subsidiado para as empresas estatais por meio dos bancos públicos; ii) os incentivos voltados aos investimentos estrangeiros de alta tecnologia;iii) as barreiras não tarifárias e tarifárias, sendo que estas últimas caíram após a entrada da China na OMC em 2001;iv) as políticas que estimulam a transferência de tecnologia por meio de mecanismo que requer a produção de conteúdo por empresas locais; e v)os múltiplos instrumentos que tem como objetivo criar empresas nacionais – privadas ou públicas – de classe mundial que possam concorrer com as empresas multinacionais.

Em suma, essas medidas em conjunto (reformas e políticas) – que conformaram uma estratégia nacional de desenvolvimento – foram os determinantes internos do crescimento da China.

Crescimento que já dura mais de trinta anos e vem provocando transformações estruturais na própria China e na economia mundial. Quais foram os impactos desse crescimento para a população chinesa? Como a ascensão da China vem transformando a economia mundial, a América Latina e o Brasil? Quais são as lições da China que podemos aproveitar para o desenvolvimento brasileiro? Essas são questões que tentaremos responder nos próximos artigos.


Notas

(1) PEYREFITTE, A. O império imóvel. Casa Jorge Editorial: Rio de Janeiro, 1997.

(2) Em 2011, a China tornou-se o país com a maior participação do valor adicionado da indústria de transformação mundial (20,7%) ultrapassando os Estados Unidos.

(3) Dentre os principais determinantes externos, podemos destacar: i) a aproximação entre os Estados Unidos e a China no final dos anos 1970; ii) a ofensiva comercial americana contra o Japão por meio do Acordo de Plaza em 1985; iii) o acesso da China na OMC em 2001; e iv) configuração do eixo sino-americano na década de 2000.

(4) As principais características das reformas foram: i) transformação da utilização da terra por meio do sistema de responsabilização por contrato familiar que possibilitou a comercialização do excedente agrícola; ii)  transição gradual de um sistema de preços controlado centralmente (determinado pelo planejamento centralizado) para um sistema misto de preços regulados, controlados e de mercado; iii)  reformulação do setor público por meio de reformas, privatizações de boa parte das empresas públicas e o fortalecimento de algumas empresas estatais que atuavam em setores estratégicos; iv) abertura ao mundo exterior por meio da criação das zonas economias especiais; e v) promoção de  empresas coletivas (empresas de vilas, etc.)


*Eduardo Costa Pinto é professor de economia política do Instituto de Economia da UFRJ. E-mail: eduardo.pinto@ie.ufrj.br

 

Filho do escritor e advogado Hélio Galvão, faleceu hoje José Arno, colaborador dominical do jornal Tribuna do Norte.

Morre advogado José Arno Galvão

Publicação: 05 de Novembro de 2013 às 08:18Tribuna do Norte online.

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Faleceu na manhã desta terça-feira (5) o advogado José Arno Galvão, em Natal, em consequência de um câncer. O velório começa às 10h, no Centro de Velório São José, e o sepultamento às 16h no Cemitério Parque Nova Descoberta.
Advogado José Arno Galvão estava em tratamento contra câncer
Filho do também advogado e historiador Hélio Galvão, José Arno era colaborador da TRIBUNA DO NORTE, onde mantinha artigos na coluna Quadrantes, com publicação aos domingos.

O advogado faleceu às 2h25 de hoje. José Arno estava internado há cerca de um mês.

domingo, 3 de novembro de 2013

Os problemas de Ponta Negra

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Ano: I nº 8 - Natal/RN, 1º de novembro de 2013.

Sessão Popular debate Políticas Públicas para Ponta Negra


 

Audiência será realizada na Vila de Ponta Negra com participação de moradores do bairro objetivando aproximar Legislativo da população.

Na próxima terça-feira (5) a Câmara Municipal de Natal realiza uma Sessão Popular, em conformidade com seu regimento interno, para debater sobre “a efetivação das políticas públicas na Vila de Ponta Negra, Alagamar e Conjunto Ponta Negra”. Esta sessão, diferentemente das convencionais, será realizada fora do plenário da Casa com a participação direta dos moradores do bairro. A proposição, de iniciativa do Vereador George Câmara (PCdoB), acontece às 19 horas no Centro Pastoral da Vila de Ponta Negra.
As políticas públicas referem-se ao conjunto de ações desencadeadas pelo Estado, nas três esferas - federal, estadual e municipal – objetivando atender aos anseios dos mais variados setores da sociedade civil. Cabe aos gestores, estabelecerem metas e encaminharem soluções para resolver problemas sociais nas mais diversas áreas, como educação, saúde, assistência social, habitação, lazer, transporte, segurança e meio ambiente.
Para o Vereador George, a Sessão Popular é uma oportunidade de reunir a sociedade civil e a Prefeitura para discutir propostas e critérios para a expansão das políticas públicas locais. De acordo com o parlamentar é necessário pensar em projetos que dialoguem com a realidade do bairro. “Pensando nisto, convocamos representantes de várias Secretarias Municipais de Natal com a perspectiva de ouvir destes técnicos, alternativas e possibilidades estruturantes para Alagamar, Vila e Conjunto de Ponta Negra que contemplem os mais diversos eixos que envolvem as políticas públicas”, disse.
Durante a sessão popular, técnicos de diversas Secretarias do Município apresentarão projetos de nas áreas específicas de atuação aos moradores do bairro. Participam da audiência, representantes das Secretarias Municipais de Educação (SME), Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Serviços Urbanos (SEMSUR), Segurança Pública e Defesa Social (SEMDES), Obras Públicas e Infraestrutura (SEMOPI), Trabalho e Assistência Social (SEMTAS) e do Comando Geral da PM/RN.
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Petrobrás: do Brasil ou S.A.?*


Aniversário de 60 anos da Petrobrás, 03 de outubro de 2013. Uma história inquestionável de sucesso, a confirmar a engenhosidade do ser humano.

E mais: a comprovar a extraordinária capacidade do povo brasileiro, na política e na técnica. Desde a luta para sustentar a tese da existência de petróleo em território nacional, às mobilizações patrióticas da campanha “O Petróleo é Nosso!” Os “malucos” tais como Monteiro Lobato dialogando com os “teimosos” do porte de Euzébio Rocha. Lado a lado com as forças mais avançadas da sociedade brasileira. Contra os vendilhões da pátria e a mídia de então. Nas palavras de Barbosa Lima Sobrinho, foram os partidários de Tiradentes contra os de Joaquim Silvério dos Reis.
Vencidas essas etapas ao custo de muitas prisões, mortes, perseguições e até o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, novas batalhas e o novo desafio de enfrentar não apenas os entreguistas, a serviço do capital estrangeiro. Agora, travar a luta com a própria natureza e buscar petróleo onde muitos jamais imaginavam sequer a sua existência. Assim em águas profundas, assim na camada do pré-sal. Outra vez a dupla tarefa: comprovar a existência e demonstrar a capacidade de explorar essa riqueza, em condições tão adversas.
Em duas décadas, muito mais do que duas grandes descobertas: a demonstração do que acontece quando se coloca o Estado a serviço da nação e do seu povo. Mesmo que a duras penas. Enfrentando, nessa caminhada, inimigos que outrora se curvaram à coroa portuguesa e/ou ao império inglês. E que hoje afirmam: “esqueçam o que escrevi”. Gente que ainda considera o Brasil como um quintal daqueles que espionam até mesmo o Palácio do Planalto. E a Petrobrás. Do tipo que cultua a subserviência e prefere dirigir a palavra, preferencialmente, em inglês ou, como no passado, em francês.
Como foi possível remar contra a maré e edificar essa obra chamada Petrobrás, orgulho do povo brasileiro? Sem dúvida, combinando a boa política com a boa técnica. Ao sangue das pessoas que tombaram na luta contra os dominadores, somam-se a inteligência e o espírito desbravador de uma valorosa categoria de trabalhadores. Colegas de ontem e de hoje que forjaram a ferro e fogo e que continuam a fazê-lo com tamanha capacidade técnica, colocando a Petrobrás como campeã mundial em setor tão complexo, diante de concorrentes tão fortes.
Esforço coletivo que tornou essa empresa um poderoso instrumento de nosso país e de nosso povo. Instrumento de nossa ciência, de nossa tecnologia, de nossa afirmação em plano mundial frente à concorrência. Portanto, um verdadeiro objeto de afirmação de nossa soberania. E de nossa brasilidade.
Sua trajetória, porém, a fez passar de objeto a sujeito. Sujeito de nossa história. Posto que alcançou não como uma empresa, uma “S.A.” Por mais que seja uma empresa de sucesso inquestionável. Seus acionistas que o digam. Sujeito porque se confunde com o nosso conceito de nação.
Ao se colocar, sob a orientação de um governo progressista e comprometido com o futuro do povo brasileiro, a serviço do desenvolvimento, da geração de riquezas e valorização do trabalho, no combate às desigualdades regionais, a Petrobrás sai da condição de objeto para o patamar de sujeito. Muito mais do que uma empresa, uma vez que seu maior acionista é o povo brasileiro.
Financiar os investimentos no pré-sal ao preço de abandonar as demais regiões do país torna a Petrobrás uma simples S.A., um mero objeto. Porém fazê-lo sem abdicar do papel que lhe reservou a história, como peça chave para o desenvolvimento do nosso país, a torna fiel ao que merece o povo brasileiro: a Petrobrás é Brasil!
 *George Câmara, petroleiro, advogado e vereador em Natal pelo PCdoB.
Publicado no Portal Vermelho em 8 de outubro de 2013.
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George vota a favor da venda compartilhada de Passagens
Proposta coloca Prefeitura como fiscal e divide responsabilidade pela comercialização entre SITOPARN e SETURN.
Os Vereadores de Natal aprovaram em sessão na última terça-feira (9) uma emenda ao projeto da bilhetagem única enviado pela Prefeitura à Câmara e que estabeleceu um mesmo cartão de transporte para ônibus e alternativos que circulam na cidade. A emenda aprovada institui o compartilhamento da venda das passagens entre o Sindicato dos Transportes Opcionais (SITOPARN) e o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (SETURN). O Vereador George Câmara (PCdoB) votou favorável à proposta.
Desta forma, a comercialização dos bilhetes de passagens na bilhetagem eletrônica ficará a cargo das Concessionárias (Permissionárias) ou Entidade representativa das empresas de ônibus e dos Opcionais (Alternativos) de Natal, assegurando, porém, a integração no uso das carteiras junto à todo o Sistema de Transporte Público da capital. A Prefeitura será a responsável por fiscalizar e regular o serviço.
O vereador George Câmara (PCdoB) julgou como vitoriosa a decisão. Para ele, a derrubada do controle majoritário na comercialização das passagens fortalece a democracia e dará mais transparência ao serviço oferecido. “Com esta aprovação, teremos como analisar melhor a planilha de custos do serviço prestado. Ao comparar alguns dados entre Alternativos e Ônibus, poderemos ver se há inverdades nas contabilidades divulgadas. De toda forma, temos ainda que acompanhar e cobrar da Prefeitura, uma fiscalização atuante da venda das passagens. No final das contas, só quem tem a ganhar é o usuário do Sistema de Transporte Público”, explicou o parlamentar.

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O blog está aberto aos demais partidos e/ou vereadores com assentos na Câmara Municipal de Natal e Assembléia Legislativa do RN.