sexta-feira, 22 de novembro de 2013

SEXTA-FEIRA, NOVEMBRO 22, 2013

Empresário culpa “poderosos do PMDB” por falta de milho no RN


O empresário Gustavo Rocha, da Lanila, criticou a classe política do Rio Grande do Norte, especialmente a bancada federal, especificamente o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), por abandonar o setor agropecuário. Segundo o empresário, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) quebrou a regularidade na distribuição de milho para o Estado, por incompetência do governo federal, mas o que é pior, é que “ministro do PMDB, gente poderosa da República, não resolve, por falta de vontade política”.
“A CONAB tem distribuição do milho para os produtores, e é pago, é comprado, com subsidio do estoque regular, mas de um bom tempo para cá, principalmente no auge da seca, reduziu bastante a cota por conta da incompetência do governo federal de comprar e estocar e distribuir. E agora, em novembro, por incompetência do governo, não conseguiram trazer o milho para o RN. Ou seja, em novembro, a cota, que já era minguada, não vai ter. Há medo de que não tenha em novembro e em dezembro e em seguida a estiagem”, disse o empresário.
Gustavo Rocha, que é filho do ex-secretário de Administração do governo Garibaldi Filho (PMDB) e ex-presidente da Federação da Indústria (FIERN), Bira Rocha, disse que “ministro do PMDB, gente poderosa da República, e não resolve; falta de vontade política”. Segundo ele, “o lobby do agronegócio de qualquer Estado é maior que o nosso. Aqui é agricultura familiar”, criticou. “Eu não tenho cota, consumo trinta, quarenta toneladas de milho por mês, mas não dependo dessa cota. Esse grito, portanto, não é pessoal. Estou dando para a classe, para os pequenos produtores, que é quem se beneficia desse milho. O meu eu compro de carreta, trago da Bahia, Mato Grosso, pago mais caro”, explicou o empresário.
O empresário disse ainda que o presidente da Câmara, Henrique Alves, desde o ano passado afirmou que iria atuar para resolver o desabastecimento de milho no Estado. “Agora nem dizer mais isso. Ele diz mais nada”, disse, criticando a classe política como um todo. “Acho que a classe política não está enxergando o dano político que causa (com o desabastecimento de milho) porque nossa classe é desmobilizada, mas os pequenos produtores estão sofrendo, não estão fazendo chegar o clamor dele. Isso vai dar problema com o agravamento da estiagem”, concluiu.
Ainda segundo Gustavo Rocha, que utilizou as mídias digitais para ecoar seu grito, apenas o deputado federal Felipe Maia (DEM) se prontificou a estudar o assunto. “Apenas Felipe Maia se manifestou; disse que ia procurar saber e cobrar providências”.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Jango: Brasil começar resgatar a memória do Presidente injustiçado.

Roberto Amaral » Jango
Carta Capital – Política
por Roberto Amaral — publicado 19/11/2013
O Brasil começa a resgatar a grande dívida com a memória do mais injustiçado dos homens públicos brasileiros
Foto:Dick DeMarsico / Biblioteca do Congresso dos EUA
Jango
A exumação e a análise minuciosa dos restos mortais de João Goulart atendem a um clamor da cidadania brasileira e dos familiares do único presidente que morreu exilado
 O Estado brasileiro, ao receber com honras de chefe de Estado os restos mortais de João Goulart, começa a resgatar a grande dívida de todos nós para com a memória do mais injustiçado dos homens públicos brasileiros em toda a República. À esquerda, injustamente, e à direita, justamente. Por isso mesmo, é apreciável o gesto da Presidente Dilma e eu gostaria de registrá-lo, senão como uma auto-crítica coletiva, ao menos como o reconhecimento da necessidade de revisão do papel histórico que Jango ocupou em nossa História. Por isso mesmo, é ensurdecedor o silêncio da esquerda  brasileira, que, passados tantos anos da queda da ditadura Vargas (1937-1945),  na qual muito sofreu, não conseguiu, ainda, superar a intoxicação do udenismo.
Se o ‘Estado Novo’ parece materialmente bem distante, a doutrinação anti-varguista, anacrônica, anistórica, acrônica,  é onipresente nos meios de comunicação. Jango não poderia dar certo, não lhe foi  permitido dar certo, pois seu sucesso seria a vitória do fantasma varguista, o espectro que a burguesia escolhera para assustar-se.
Não terá sido mero acaso que, vencidas décadas, vencido o ‘Estado Novo’ e vencido o mandarinato militar (1964-1985), militantes  progressistas e de esquerda em geral, a esquerda católica principalmente, o emergente sindicalismo do ABC (1978) que desembocou no PT (1980) — para quem o passado do sindicalismo brasileiro era só ‘peleguismo’  bem como a  socialdemocracia conservadora do tucanato    tenham apostado todas as fichas  no projeto de  limpar da História a presença do varguismo e do seu trabalhismo.  O que colocar em seu lugar ainda não está definido, nem são tão diversos os usos e costumes sindicais de ontem e de hoje, se o ‘sindicalismo de resultados’, que não é a proposta de uma só Central, for sua melhor amostra.
A fúria é explicável na lógica do capitalismo tupiniquim, pois Jango ousou trair os interesses de sua classe de origem simplesmente ao filiar-se ao trabalhismo e defender, segundo suas circunstâncias, os interesses dos trabalhadores assalariados, num país que já conhecia a industrialização e se encontrava a braços com a crise rural (em um de seus momentos mais agudos), o cadinho da crise urbana de nossos dias. Já distantes  da estancada experiência do governo Jango (1961-1964), vencida a ditadura militar,  lavadas as feridas, é possível fazermos a análise crítica dos erros, para os quais nossas organizações não tiveram olhos para ver quando era preciso, e muitas vezes, foram por     eles responsáveis. De um lado, o desprezo para com os recados da correlação de forças desfavorável,  de outro o estímulo ao voluntarismo minando a possibilidade de hegemonia dentro do governo.
A emergência das massas acompanhou Jango na subida da rampa do Alvorada, no rasto final da Campanha da Legalidade, inconcluída até 1988, derrotando a tentativa de golpe de Jânio e a tentativa de golpe dos militares, Denis à frente. Mas lá não ficou para garantir a permanência do novo projeto. A virtù é atributo de quem sabe ganhar (o governo) e nele conservar-se, lembra-nos o gênio fundador da ciência política.  O vice feito presidente tratará de compor-se no sistema  com o recurso que domina, suas tradicionais negociações entre generais, na mesma linha das negociações de sempre com empresários, partidos, políticos, líderes estudantis e sindicalistas. Mais uma vez, e não pela última vez, o estadista brasileiro abandona a grande política  para suicidar-se na pequena política.  De resultado efetivo, a emergência do povo-massa, mas povo sem organização. A vitória da legalidade  fizera ferver em temperaturas mais altas o ódio renitente, o ódio do medo e o ódio da vingança, até mesmo  o ódio puro ódio  de nossos terratenientes, de nossos latifundiários (e Jango vinha da propriedade da terra!), de nossa burguesia industrial atrasada, de nossa burguesia financeira atrelada a Wall Street. A avenida Paulista e a avenida Rio Branco jamais  perdoariam o herdeiro de Vargas por  haver-se aliado ao movimento sindical que lhes pedia aumento de salário e promovia greves,  logo ele, fazendeiro e burguês. Foi fácil elegerem-no como o adversário a ser abatido.
O Marechal Odílio Denis (por quem certa esquerda manifesta apreço em face de seu comportamento no 11 de novembro de 1955), afirma  em suas memórias (Ciclo revolucionário brasileiro, 1980), que a conspiração para depor Jango teve início imediatamente após sua posse na Presidência. Poderia ter dito, sem mentir, que a saga golpista recomeçara com a eleição e posse de Vargas, o ex-ditador deposto que ressurgia do exílio de Itu para voltar ao Catete nos braços do povo e segundo as regras políticas e eleitorais estabelecidas pelos adversários vitoriosos para impedir seu retorno. Denis, poderia ter dito que o golpismo se assustara com a posse de João Goulart no Ministério do Trabalho O confronto militar de 11 de novembro de 1955, cujo saldo foi a recuperação da legalidade, cobrara  preço altíssimo à direita militar: engolir Jango, o ‘sapo barbudo’ daquele então, para salvar o mandato de Juscelino, ameaçado pela tentativa de golpe de Carlos Luz, Café Filho, Pena Boto, Juarez Távora, Eduardo Gomes e Carlos Lacerda, entre outros muitos.  Mas, em 1961, depois da vitória conservadora representada pela eleição de Jânio Quadros, dar posse na Presidência ao  vice trabalhista, imiscuído como contrabando numa chapa heterodoxa formatada pelo povo, isso já era demais.
O resto é história contada e sabida.
O  golpe de 1º de abril, sendo a tragédia de nossa democracia, foi, apenas, um marco na violência  cevada ideologicamente no udeno-lacerdismo dominante em todo esse largo  período; essa violência, potencializada pelo inefável apoio da grande imprensa, pervadia o mercado e os quartéis, e frequentava a sociedade e a caserna mediante grupamentos e grupelhos civis-militares como a Cruzada Democrática, do grotesco almirante Pena Boto, e o Clube da Lanterna, dirigido por lacerdistas.
Venho falando no ódio a Jango, que, porém, só entra em cena quando (e pour cause) transformado  em herdeiro presuntivo  de Vargas. Pois o ódio real, original,  era mesmo  ao ditador que voltara à Presidência pelo voto, e comandava, sob rigoroso respeito à Constituição e às leis,  um governo nacionalista e democrático. Ameaçadoramente nacionalista.
Na verdade, este era o projeto que se procurava deter  com  o preventivo defenestramento de Jango: morto Vargas,  destruir a sobrevivência do trabalhismo  de viés nacionalista.
Vem, pois,  de longe, o projeto udeno-militar de destruição do trabalhismo ( a então aproximação brasileira possível do socialismo), como doutrina e como ação, muito mais do que como partido político. Mesmo depois das intervenções militares, uma forma de  anti-varguismo é assimilada tanto pelo emergente lulismo quanto pelo  tucanato vitorioso em 1994, o qual, ainda preso a 1932, se impõe o compromisso (palavras do sociólogo príncipe)  de ‘varrer a era Vargas’. Que, no entanto, sobrevive.
Em 1961, garantindo a posse do vice constitucional, as forças da legalidade, desorganizadas e atingidas pelas divisões internas, sem projeto político unificador, destroçadas pelas disputas intergrupos e, até, medíocres disputas pessoais,  não tiveram condições de  assegurar a integridade constitucional, e João Goulart é levado a entrar no terreno das concessões às forças que o combatiam, na esperança de cooptá-las. As massas e as esquerdas ignoravam o fato de não estarem sozinhas no proscênio político. Nele tinham cadeira cativa e prioridade setores militares os mais diversos, inclusive reacionários e golpistas,  e grupos políticos e econômicos que dialogavam diretamente com o vice-presidente. No calar da noite foi aprovada a Emenda Parlamentarista, condição imposta pela  direita golpista aparentemente derrotada, para, nos termos da concordata, permitir a posse, como Presidente da República, do  vice-presidente indigesto.
Mas essa é uma características da História brasileira regida por personagens burgueses: sempre que o estadista é chamado a dar um passo à frente, ele dá um passo atrás. Mais forte do que tudo parece ser o DNA da conciliação, que leva à transação e, quase sempre, ao congelamento da História. Daí, de um lado, a cadeia de erros das organizações políticas numa linha de continuadas reivindicações às quais consabidamente o governo não podia dar consequência, donde o desgaste do presidente e de seu governo; de outro lado, ainda em nome da conciliação, a impunidade para os conspiradores facilitando a ação dos golpistas. Deu no que deu.
As facções que agiram para destruir o governo Vargas (1951-54), contrariadas em seus interesses pelo  viés nacional-popular, redobrariam em forças e alianças, internas e externas, na desestabilização do governo Goulart, destacando-se a atuação do embaixador Lincoln Gordon, dos EUA evidentemente, e,  como sempre,  dos setores majoritários da imprensa brasileira.
A última conciliação de Jango (deixo de lado a Frente Ampla de Lacerda e Juscelino) terá sido a escolha do exílio em 1964, ante  a iminência de eventual choque armado e, dele consequente,  a possibilidade ou certeza do exorcizado ‘derramamento de sangue’, tampão-tabu que estanca qualquer possibilidade de revolução (lato sensu) em sociedade que, desde seus primórdios, optou pela solução pelo alto, o acordo dos cavaleiros, a transação entre os donos do poder.
Talvez,  por tudo isso, as reformas de base que Jango  não conseguiu implantar permanecem muitas delas  por ser feitas (estranhamente sem o mesmo apelo popular de antes), após quase trinta anos do fim da ditadura, uma Constituinte e 12 anos de governo de centro-esquerda.
Este artigo poderá ser reproduzido livremente desde que seja informada a fonte: Carta Capital Online.

A história não os absolverá.

Sonhos roubados e heróis caídos
(*) Rinaldo Barros
            Amo meu País de coração, e fico indignado só em pensar na grande nação que poderíamos ser hoje (e não o somos), se não existissem políticos corruptos e tanta incompetência imperando no poder público, em todos os níveis.
            Após doze anos de governos do PT (que o povo elegeu depositando esperança de que seria governado por legítimos representantes do interesse público), vejo com tristeza nossas riquezas ambientais e nossos potenciais econômicos esvaírem, perdendo oportunidades, a partir de uma política econômica equivocada (monetarista), quase fechada para o mundo, com pouquíssimos acordos bilaterais; juros altos beneficiando apenas o capital financeiro especulador; alta carga tributária desestimulando novos investimentos produtivos e - com a desindustrialização - vejo empregos sendo gerados todos os dias em outros países, a par da precariedade da infra-estrutura nacional, em todos os modais de transporte; prejudicando setores importantes de nossa economia e retardando o nosso desenvolvimento.
            Vejo a nossa juventude perdida, sem perspectivas, deseducada e consumida pelas drogas; vejo nosso povo cada vez mais doente e vítima da insegurança que se avoluma; vejo uma sociedade cujo tecido social se esgarça pela desigualdade brutal, pela corrupção em todos os níveis, e pela ausência de valores nas atitudes dos que deveriam liderar e comandar a nação.
            O líder é aquele que ensina, guia, inspira e motiva os que o rodeiam. Mas para ser líder não basta querer, é preciso ter sempre a atitude certa. Atitude certa!
            Por falar nisso, quero dizer que não me alegro nem comemoro com a prisão dos mensaleiros do PT, porque lamento e choro a tragédia do fracasso de tantos sonhos roubados, lamento muito que pessoas que um dia foram ídolos de uma geração inteira, líderes fomentadores de esperança, hajam abdicado desta virtude e desta missão histórica, para cair voluntariamente no vazio, traindo o povo e seus próprios princípios, ao assumir a ilusão do poder efêmero, em nome do pragmatismo, do clientelismo, e do patrimonialismo. Ampliaram a prática danosa de fazer alianças em troca de cargos e benesses, comprando consciências.
            Fizeram suas escolhas e, por opção, reduziram-se a meros heróis caídos que abandonaram a nobreza da luta pela transformação da sociedade, em nome da maioria dos dominados e subalternos; por uma prática política rasteira e lamentável de se manter no poder, pelo poder; como prepostos dos detentores do poder real.
            Mancharam suas biografias, pois, até onde eu percebo, a história não os absolverá.
            Até quando meu Brasil ainda vai sangrar, vítima da corrupção e da incompetência?
            O leitor sabe que o que caracteriza a corrupção brasileira é (ou era) a falta de punição. Em outros países, a punição costuma ser severa, e as pessoas poderosas têm muito mais receio de aplicar golpes e burlar as leis sabendo que provavelmente irão para a cadeia, ou até serem condenadas a pena de morte, como é o caso da China e de alguns países árabes.
            Historicamente, para o nosso país, é significativo que agora comece uma reação, já que os resquícios autoritários estão se extinguindo, com o amadurecimento da Democracia e, com isso, estão surgindo espaços para ações de pessoas que estão em outro processo ético-cultural que não aquele de quarenta anos atrás.
            A pressão do grito das ruas, ainda em seu início, provavelmente irá empurrar as instituições brasileiras para o seu aperfeiçoamento. O povo nas ruas vai aprendendo e ensinando o caminho da Estrela da Manhã.
            Todos sabem que a corrupção não é invenção brasileira, mas sim universal. O que temos ainda, aqui no patropi, é uma tendência à impunidade espraiada por toda a sociedade; a qual parece que está começando a mudar, especialmente com os tribunais colocando poderosos e ricos no banco dos réus, e até julgando-os, condenando-os e prendendo-os, sob o olhar atento de boa parte da opinião pública.
            Até este processo do mensalão do PT, aqui no patropi, somente iam para a cadeia os três "Ps" (pobre, preto e puta). Os poderosos e ricos eram quase que intransponíveis, tinham o poder de roubar o dinheiro publico protegidos pela impunidade. É preciso que a nova tendência surgida se amplie para punir a todos os que tiverem culpa comprovada, sem qualquer exceção. Democraticamente.
            Por essas e outras, repito, não comemoro a punição dos dirigentes nacionais do PT, ao lado de diretores de banco e empresários ricos também condenados; mas constato - com tristeza e com um forte gosto amargo de decepção na boca - que a sentença a ser cumprida com perda da liberdade serve como exemplo pedagógico para toda a nação.
            Será que estamos, de vera, construindo a cidadania, e começando a nos tornar civilizados?
           
                Rinaldo Barros é professor - rb@opiniaopolitica.com


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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Negra
 
Caetano Veloso [O Globo – Cultura]
O colunista escreve aos domingos
 
Foto: Cláudio Abdon/Arquivo página fotógrafo
Da janela do hotel dava para ver Ponta Negra, que uma vez escalei
 


Natal estava sob chuva quando cheguei tarde da noite mas amanheceu ensolarada. Da janela do hotel dava para ver a Ponta Negra, que uma vez já escalei com muita vertigem (invejo Zuenir e Mary, capazes de subir dunas verticais sem se sentirem numa cena de “Gravidade”). Sempre achei o nome Ponta Negra misteriosamente apropriado. Uma razão mais lógica deve existir para a nomeação, mas a mim me parece que esse evoca a solenidade da vista. “Ponta” descrevendo a forma geográfica e “negra” dando o tom grandioso. A palavra “negro” sugere uma preciosidade que “preto”, seu sinônimo, não suporta. Sendo ambas o nome da cor (ou ausência de cor) dos objetos de que a luz não volta, “preto” traz à mente algo fosco e pedestre, enquanto “negro” anuncia brilho e mistério. Se se fala de um vestido preto, pode-se estar falando de uma peça de roupa que se usa em qualquer lugar. Mas um vestido negro é necessariamente um traje para ocasião especial, festa noturna e de gala, ou vestimenta ritual de monjas e bruxas. Clique aqui para continuar lendo.
Fonte: assessorn.com

domingo, 17 de novembro de 2013

DOMINGO, 17 DE NOVEMBRO DE 2013


VERDADES CRUZADAS -I
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor
   O acaso trouxe-me um encargo no outono da vida – presidir a Comissão da Verdade da UFRN. Por isso, tive de voltar no tempo e no espaço para refazer a memória adormecida nos bancos da velha Faculdade de Direito da Ribeira – época difícil para a história da Democracia, pois iniciei em fevereiro de 1964, véspera do golpe e concluí em 1968, véspera do AI-5.
Lembrei que na mesma época e no mesmo palco alguns jovens sonhavam com um Brasil melhor, no campo e nas cidades e para isso se entregaram, sem medo, à luta contra a ditadura. Eu, por questões de sobrevivência de um prematuro casamento, com o peso da paternidade e a necessidade de garantir a subsistência, não engrossei o contingente dos lutadores, embora torcesse pelo sucesso daqueles idealistas e ter acompanhado seus movimentos grevistas, por solidariedade.
Hoje pago o preço do meu silêncio, por compreender com integral lucidez, a diferença da insônia com liberdade e a castração do sono no confinamento. Embora sem fazer juízo definitivo do valor das ações desenvolvidas, faço apenas a apologia da importância incondicional da liberdade, segundo Kant - o maior bem da vida! 
          O imperativo categórico da nova missão me colocou na cela com aqueles "menino(a)s" que entrevistei, a exemplo de: Geniberto Campos, Arruda Fialho, Josemá Azevedo, Anchieta Jácome, Gileno, Paulo Frassinetti, Iaperi, Rinaldo Barros, Juliano, Ivis, Ivaldo Cetano, Lailson de Almeida, Hermano Machado, Mery, Marcos Guerra, José Bezerra Marinho, Justina Iva... ao lado de outros que não entrevistei - Ginani, Hélio Xavier, Maria Laly, Danilo Bessa, Berenice, Tereza Braga, Djalva Confessor ... e então pude sentir o que significa a insônia sem liberdade, sem opções imediatas, mentalizando o momento da soltura, do reencontro familiar, do retomar o caminho natural da vida. Foram amadurecidos com "carboreto", tirando do fruto o sabor de um amadurecimento natural, livre de pressão externa.
   Começo hoje uma série de artigos, aproveitando a expressão de uma estudante bolsista da CV (Patrícia) para o trabalho – VERDADES CRUZADAS, pois a história oficial nem sempre é a história definitiva, dadas às circunstâncias de tempo e espaço.
 
Artigo I - Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira;
Thiago de Mello: Estatuto do homem 
Após uma vivência sob o jugo Português, o espírito de brasilidade foi cultivado nas academias europeias e chega ao Brasil com o histórico “Grito do Ipiranga” no dia 07 de setembro de 1822 através de D.Pedro I, Príncipe Regente, ganhando a adesão da juventude e da comunidade pensante de então.
Composto o Império brasileiro, sequenciado com o governo de Pedro II, assim caminhou até a sua deposição em 15 de novembro de 1889, com o golpe militar de Deodoro, que nos fez ingressar inseguramente nos braços da República, sempre permeada por intervenções militares – revolucionárias as de 1888-1889; reformistas em razão do inconformismo patente nos movimentos tenentistas de 1922, governo de Artur Bernardes, que durou até 1926, em sua maior parte, sob estado de sítio, 1924[1] e 1930, este ano inaugurando um governo herdeiro da crise econômica do ano anterior, fazendo emergir a contestação da revolução social tendo como ponta de lança os partidos comunistas, organizados sob disciplina militar e se espelhando no modelo da União Soviética.
Diametralmente em contrário surgem os movimentos fascistas na Itália com Mussolini e o nazismo na Alemanha com Adolf Hitler, facções que abraçam um aspecto de nacionalismo e de racismo que, no Brasil, se abrigaram no movimento integralista de Plínio Salgado.
A repressão policial, o clientelismo e a corrupção desembocam em revoltas à semelhança de 1922 e 1924 até o fato mais grave do assassinato do Vice-Presidente da República, o paraibano João Pessoa, ocorrido em 26 de julho, estopim para a implantação de um outro momento político, com a chamada Revolução de 1930 e a deposição do Presidente Washington Luiz em 24 de outubro e começo do novo regime em 31 do mesmo mês e ano, assumindo o Senhor Getúlio Vargas no dia 3 de novembro subsequente, ali se estabelecendo. 

[1] Em 1924 teve início a Coluna Prestes, liderada por Luiz Carlos Prestes, percorrendo 13 estados e 25 mil quilômetros na busca de angariar adesão para as causas tenentistas, contando com o apoio de militares como Cordeiro de Farias e Juarez Távora e culminando com a sua destituição em fevereiro de 1927 com a deposição de armas na Bolívia.
Do blog de miranda gomes.blogspot.com