quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Prefeitura compra fardamento para os alunos da rede de ensino de Natal.


Ano novo, roupa nova

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO GARANTE FARDAMENTO PARA 58.098 ALUNOS DA REDE DE ENSINO DE NATAL AO CUSTO DE R$ 8,42 MILHÕES, VALOR QUE SUPERA EM 32% O QUE FOI GASTO EM 2011

07:31 01 de Janeiro de 2014
 
Jalmir Oliveira
DO NOVO JORNAL
A Secretaria Municipal de Educação (SME) comprou R$ 8,42 milhões em fardamento para os mais de 54 mil alunos da rede municipal de ensino. O valor é 32% maior que a última compra feita pelo município, em 2011, quando foram gastos R$ 6,37 milhões.

A empresa vencedora da licitação foi a Nilcatex Têxtil LTDA, com sede em Blumenau (SC), cujo resultado foi homologado no Diário Oficial do Município (DOM) em 20 de dezembro. O contrato só será assinado na próxima semana, quando os representantes da empresa desembarcam em Natal para fechar o negócio.

O contrato de compra foi calculado para atender 58.098 alunos. No entanto, a atual rede de ensino soma 54.300 alunos. “A diferença foi proposital. Precisamos de uma sobra. No início do próximo ano, por exemplo, vamos abrir outras mil vagas”, afirma Justina Iva. Ela faz referência à inauguração de dois CMEIs e uma escola fundamental.

Até o fim do próximo ano, detalha a secretária, a previsão é de que outros 20 centros infantis e nove escolas sejam inaugurados. Hoje, a SME conta com 144 unidades de ensino – 72 centros e 72 escolas.

“O valor é mais alto, sim, mas fizemos uma compra bem maior”, explica Justina Iva. Ainda na gestão Micarla de Sousa, em novembro de 2011, a compra de fardamento contemplou 56 mil alunos.

Naquele ano, a Prefeitura de Natal firmou dois contratos de fardamento. As empresas Mercosul Comercial e Múltiplos Comércio e Serviços de Acessórios Especiais receberam R$ 4,89 milhões e R$ 1,48 milhão, respectivamente. O contrato milionário, no entanto, não se refletiu em entrega. Várias escolas não receberam o material.

“A diferença agora é que todos os alunos receberão o material”, ressalta ela. Os uniformes serão distribuídos a partir do dia 4 de fevereiro, quando será iniciado o ano letivo do município. Cada um vai receber camiseta de manga curta, camisa regata, bermuda de helanca, calça tactel, meia de algodão e tênis.

A distribuição do material será feita pela SME. A entrega do fardamento vai seguir os registros das matrículas. Os diretores das escolas informaram o tamanho de roupa de cada aluno.
A qualidade do material foi avaliada pelo Departamento de Atenção ao Estudante (DAE). “Nós tínhamos um profissional contratado para avaliar a resistência e qualidade dos uniformes. O critério de escolha foi técnico”, alega Justina Iva. Ao todo, 11 empresas participaram do certame licitatório.

O processo para a contratação dessas empresas foi semelhante ao que ocorreu em 2011. O modelo de licitação adotado foi o de pregão eletrônico. A aquisição do fardamento foi definida pelo menor preço e qualidade. Quando a licitação foi deflagrada, em 11 de novembro, a previsão era de que seriam gastos R$ 9,3 milhões.

“Foi considerado o melhor preço e qualidade técnica do uniforme. É um produto tão bom quanto os das escolas particulares. Houve uma economia de R$ 900 mil”, afirmou Gustavo Costa de Miranda, pregoeiro da SME.

MATERIAL
A Secretaria Municipal de Educação comprou 70.393 camisas de manga curta. O valor de cada unidade é de R$ 12,80. Parte dos alunos das escolas de ensino fundamental e do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) terá direito a duas unidades. O produto é 60% de poliéster e 40% de algodão. Serão camisas de cor branca e detalhes (mangas e golas) em azul marinho. A SME também comprou 46.204 calças de tactel, um tecido feito com fibras sintéticas, que custam R$ 27,58 cada uma.

Para as escolas que ofertam atividade física, serão destinadas 64.713 camisas regata, com custo de R$ 12,35. Para compor o fardamento, o aluno também recebe uma bermuda de helanca, um tecido elástico feito com fio texturizado em poliamida, que soma a mesma quantidade das camisas. O valor unitário é de R$ 22,75.

A SME comprou 64.713 pares de tênis. O produto é confeccionando em material sintético e lona de algodão. A unidade ficou estabelecida em R$ 49,50. Foram adquiridos ainda 129.426 pares de meia. A unidade custou R$ 5,95 para a prefeitura.

domingo, 29 de dezembro de 2013

MUNDO

Revista diz que NSA capta dados de cabos submarinos entre Europa e Ásia

Reportagem da revista alemã "Spiegel" denuncia que a Agência de Segurança Nacional dos EUA obteve dados sobre as maiores redes de comunicação entre a Europa e o Oriente.
O sistema de cabos – na maior parte, submarinos – SEA-ME-WE-4 tem 18 mil quilômetros de extensão. Completado em dezembro de 2005, ele se tornou o principal meio de conexão para internet e telefonia entre a Ásia e a Europa.
De acordo com uma reportagem da revista alemã Spiegel, a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) teria conseguido obter informações sobre o gerenciamento da rede do sistema.
Segundo a reportagem, o Departamento de Operações Customizadas (Tailored Access Operations) da NSA teria conseguido penetrar no site do consórcio que opera a rede e obter dados sobre a infraestrutura técnica do sistema de cabos. Os especialistas da agência americana estariam de posse de informações sobre uma "parte significativa" do sistema, publicou o semanário em sua mais recente edição.
Apenas um passo inicial
O sistema SEA-ME-WE-4 de cabos submarinos vai da cidade portuária de Marselha, na França, através do Mediterrâneo até o norte da África, passa então pelos países do Golfo até chegar ao Paquistão, Índia, Cingapura, Malásia e Tailândia. Ao longo do percurso existem 17 pontos de conexão onde os dados associados a cada região são conectados com o continente e a informação é ao mesmo tempo transmitida e recebida das redes locais.
O nome do sistema é composto das siglas em inglês das regiões de destino e de tráfego da rede: o Sudeste Asiático (em inglês: Southeast Asia – SEA), Oriente Médio (Middle East – ME) e Europa Ocidental (Western Europe – WE). Um total de 16 operadoras de telecomunicações compõe o consórcio que administra o sistema. Entre estas, a francesa Orange, a Telecom Itália e a indiana Tata Communications.
Segundo a reportagem da Spiegel, a obtenção das informações internas sobre o sistema pela NSA é apenas o primeiro passo. "Futuras operações estão sendo planejadas para a obtenção de informações adicionais sobre este e outros sistemas de cabos", afirmou a revista.
Tática repetida
Entre as revelações feitas pelo ex-consultor da NSA, Edward Snowden, consta uma denúncia de que a NSA compartilha informações com outras agências de inteligência – como a GCHQ do Reino Unido – obtidas de dados de conexões transatlânticas da rede de cabos SEA-ME-WE-3, de 39 mil quilômetros de extensão, que entrou em operação em 1999.
A denúncia foi divulgada na Alemanha pelo diário Süddeutsche Zeitung e pela emissora pública NDR, no final de agosto de 2013.
RC/dpa/dw

DW.DE

"As autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros". Carta aberta ao Povo do Brasil, por Edward Snowden.

Roberto Amaral » CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL, por Edward Snowden

Publicada na Folha de São Paulo em 17/12/2013
Por: EDWARD SNOWDEN
Edward Snowden
Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN


Sent from my iPad

 Aspas nossas:

"Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros."

Vale muitíssimo para o caso brasileiro.

 Fechaspas.
E PRA ONDE VÃO OS NÃO SELECIONADOS?


      Públio José – jornalista



                        O ser humano é, por natureza, seletivo. Seleciona amizades, relacionamentos, profissão, local de morada, de trabalho, bebidas, comidas, livros, filmes e uma série infindável dos mais variados itens que compõem o universo humano. E, da mesma forma que age seletivamente no campo racional, o homem é levado biologicamente a permanecer na esfera seletiva quando suas ações envolvem escolhas de natureza sensitiva, metafísica, espiritual. O olfato é seletivo, o tato também – como também o são todos os demais sentidos. Em vista disso, seria mais do que lógico gestar-se, no âmbito dos elementos que circunscrevem o homem, uma cultura correspondente. E isso realmente acontece, com a seletividade invadindo os terrenos mais díspares e celebrando os objetivos igualmente os mais variados. E aí (afinal, ninguém é de ferro) os limites extrapolam e os absurdos se fazem presentes, atingindo o inimaginável.
                        Hitler, por exemplo, praticou a seletividade na população alemã a grau extremo, querendo, com isso, atingir a expressão maior da pureza ariana, um sonho louco que outros loucos infelizmente apoiaram. Franco, na Espanha, à mesma época, exercitou a seletividade político/ideológica torrando, no campo do conflito armado, quem não se enquadrava nos seus devaneios ditatoriais. Stalin, um pouco depois, também se aprofundou na seara da seletividade, matando, a torto e a direito, aqueles que não se encaixavam no perfil que escolhera. Chegou, inclusive, a fazer seleção além mar, ao fincar, através de um fanático militante, uma machadinha na cabeça do camarada Trotsky. Como se vê, a prática da seletividade entregue ao livre arbítrio do homem consegue tisnar de negro a história em todos os quadrantes. (Embora, no que toca à Ciência, o selecionar tenha contabilizado enormes benefícios).
                        Mas não fiquemos somente ao lado de tais figuras. Aliás, bizarras figuras. Busquemos facetas mais amenas do ato de selecionar. Encontraremos? Dia desses, vendo um comercial de tv, tive a curiosidade despertada por um chavão que impregna a atividade publicitária e que quer nos fazer de idiotas. Em meio a imagens belíssimas de uma área gramada, (era um comercial de vinho), em idílico cenário, o locutor informa que o produto era resultado de um rigoroso processo de seleção de uvas. Fiquei a imaginar, então, a enorme quantidade de uvas lançadas fora após a seleção. Montanhas e montanhas delas certamente. Mais adiante, em anúncio de carne de frango, outro locutor comunica que a fábrica coloca no mercado frangos “rigorosamente selecionados”. E os não selecionados onde vão parar? O mesmo acontece com perfumes, leite, cervejas, roupas, produtos de beleza...

                        Faço um exercício mental e não consigo enxergar onde se encontra o resultado dessa gigantesca operação seletiva. Jogaram no mar? Distribuíram entre os pobres? O negócio começa a ficar complicado quando o processe envolve gente. Porque, entre frangos, uvas, roupas e que tais, sou “trabalhado” por outra empresa, cujo apresentador afirma, professoralmente, que o seu quadro funcional é resultado de uma “rigorosa política de seleção de recursos humanos”. Daí ser o seu produto o melhor, o maior, etc, etc, etc. E agora? Se em um processo seletivo apenas uma pequenina parte de um todo é escolhida, o que será feito da parcela sobrante? Em se tratando de mercadorias ainda dá pra amontoar o que restou da seleção em algum lugar. Ou, no mínimo, esperar que compradores menos exigentes adquiram o restolho. Mas com pessoas, com seres humanos, como se faz? É bronca! Alguma sugestão?