quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Artigo de Sávio Hackradt.

Ah, se eu pudesse!

Publicação: 09/01/14Tribuna do Norte.

Sávio Hackradt 
secretário chefe do Gabinete Civil da Prefeitura do Natal

Pois é. Se eu pudesse trancaria todos os partidos do Rio Grande do Norte, representantes dos poderes (judiciário, executivo e legislativo), representantes da sociedade civil, de empresários e trabalhadores numa sala, fechava a porta e jogava a chave fora. Mas antes diria a todos os presentes: vocês têm duas semanas para se entenderem e apresentarem um plano que tire o estado deste atoleiro; quebrem o pau nas discussões, apresentem suas ideias, propostas, gritem, defendam seus argumentos, se engalfinhem nas discussões, usando palavras ásperas ou não, mas, definam diretrizes para o estado; acabem com essa discussão atrasada e inútil sobre nomes para governador, vice-governador, senador, deputados federais e estaduais. Ninguém suporta mais isso. O povo quer saber como viver melhor o seu dia-a-dia, desde a hora que sai de casa para o trabalho até a hora de retornar com segurança. Apresentem ao povo potiguar soluções para os próximos 20 anos. E só depois disso é que serão apresentados nomes que vão liderar a jornada da salvação do Rio Grande do Norte. Sim, jornada, porque o estado, só então – e assim –, terá condições e percorrer um longo caminho e entrar com segurança numa nova era capaz de acompanhar o desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Somos um elefante perdido na imensidão do Brasil, que caminha tropeçando nas próprias pernas, cambaleante, como se estivesse bêbado à procura de um porto seguro. Até quando suportaremos essa caminhada?

Não é possível mais o Rio Grande do Norte continuar da maneira que se encontra. A maioria expressiva da sociedade só perde com a atual situação.

O Rio Grande do Norte precisa de um líder – ou líderes – surgido(s) de uma forte conjunção de forças políticas (partidos), sociais (sociedade civil organizada), empresarial (empresários) e sindical (trabalhadores) para iniciar um novo caminho, capaz de colocar o estado neste novo milênio e novo século. Não podemos e não devemos permanecer no milênio e século passados. A permanecer como estamos, estaremos construindo o desastre de nosso futuro. É hora de grande responsabilidade e os partidos políticos, atores protagonistas nas transformações, precisam assumir o papel de vanguarda e conclamar os outros atores (sociedade civil organizada, os poderes constituídos, empresários e trabalhadores) para juntos construírem um grande pacto de salvação do Rio Grande do Norte. Sem “salvador da pátria” – mas sim com homens e mulheres de bem, comprometidos em resgatar condições dignas para o povo potiguar. Com certeza, no meio desses homens e mulheres de bem surgirá naturalmente o líder ou líderes. Não é preciso que todos concordem com o Pacto de Salvação do Rio Grande do Norte, mas é obrigatório que a maioria expressiva o deseje. Alguns ficarão no meio do caminho, outros se agregarão à longa jornada.

O Rio Grande do Norte não suporta mais conviver com os poderes executivo, legislativo e judiciário acima do bem e do mau. Os movimentos de protestos nas ruas já sinalizam: os líderes dos poderes vão ter que mudar, se adaptar aos novos tempos e às exigências, porque a sociedade está deixando claro que não aceitará mais poderes que se consideram intocáveis, castas privilegiadas. Quem viver, verá.
Tribuna do Norte

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