quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Relatório do BC dos EUA sobre o Brasil é equivocado.

FED: relatório equivocado sobre economia brasileira

A economia brasileira não está em uma situação tão vulnerável como a de países como a Turquia, Tailândia e outros. O relatório do Banco Central dos Estados Unidos (FED), apresentado ao Congresso americano, aponta, no entanto, para outra direção. Sendo um documento oficial, de uma das instituições de grande relevância no mundo, é no mínimo uma irresponsabilidade divulgar uma opinião tão equivocada.
O relatório afirma equivocadamente que o Brasil é um dos países mais vulneráveis à retirada dos estímulos que são dados à economia americana. O impacto da análise de uma entidade tão influente no mercado como o FED pode ter implicações na economia brasileira. A nova presidente da entidade, Janet Yellen, que iniciou seu mandato à frente da instituição recentemente, começou seu trabalho criando uma dificuldade desnecessária para o Brasil com relação aos investidores internacionais, justamente num momento em que o ex-presidente Lula chegava a Nova Iorque para falar da economia brasileira aos investidores daquele país.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já declarou que o Brasil está preparado para enfrentar às mudanças da economia dos EUA. Vários economistas, inclusive de tendências diversas, também já declararam que a economia brasileira não é essa catástrofe que o FED está mostrando. Para Rodolfo Oliveira, economista da Tendências Consultoria, acredita que o desempenho econômico do Brasil tem sido com crescimento baixo e inflação alta, mas que o país tem um nível de endividamento externo muito mais baixo que outras nações, além de reservas elevadas. Bruno de Conti, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também não concorda exatamente com a análise do Fed, já que os indicadores brasileiros ainda são melhores e oferecem uma situação relativamente tranquila.
"Claro que estamos diante de um momento importante no cenário internacional. Tudo que aconteça, todas as declarações do Fed têm implicações na economia brasileira, pois a gente ainda está numa economia periférica, subordinada à reação dos que estão no centro. [Mas as consequências da retirada dos estímulos] não vão ser abrupta. Isso já está precificado há algum tempo, não acho que tenha algo de novo", pondera Bruno de Conti.
Rodolfo reforça que o Fed juntou seis variáveis econômicas dos países para gerar a análise presente em seu relatório semestral, déficit em conta corrente, dívida bruta do governo, inflação, expansão do crédito, dívida externa e reservas internacionais. "Ele pegou essas variáveis e montou um índice de fragilidade." Dependendo do peso que o Fed atribui a cada um deles, então, é oferecida uma comparação, que "tem que ser olhada com cautela".
"Eu acho que a gente tem alguns problemas. Por exemplo, o  aumento do déficit em transações correntes, a questão da Petrobras com os combustíveis, que vem prejudicando a balança comercial e a conta corrente. Mas, por exemplo, você ver que o Brasil tem dois pontos a mais, em uma escala de 1 até 13 de vulnerabilidade, do que a Índia, talvez seja um pouco de exagero", alerta Rodolfo Oliveira.
Para Bruno de Conti, o governo brasileiro já se antecipou com a subida de juros, também com a motivação da questão da inflação, que estava atingindo uma alta e poderia comprometer a meta. Apesar de isso não ter sido destacado por Tombini, reforça, o Banco Central já estava de olho no cenário internacional, e já estavam se antecipando para ampliar esse diferencial de juros em relação aos juros americanos. Conti não concorda exatamente com a estratégia de elevar os juros, mas acredita que esta já foi uma medida previdente do governo.
Preparado ou não, diz Rodolfo Oliveira, os agentes já precificaram as consequências da retirada dos estímulos durante o ano passado inteiro, e já se acomodaram em outro patamar. Como a presidente Janet Yellen disse que vai dar sequência à política de Bernanke, a recepção do mercado também foi amena.
O relatório semestral do Fed destaca que Brasil, Índia e Turquia sofreram com a fuga de investidores, que estariam evitando países mais vulneráveis, com base nos fundamentos econômicos e políticas fiscais, e que o rendimento cobrado aos títulos brasileiros subiu vertiginosamente. Rodolfo analisa, contudo, que trata-se de um processo muito amplo. Ele destaca que o país tem problemas, mas que isso não configura uma saída em massa de capital.
"Isso foi o que ocorreu com a Argentina, que foi uma alteração drástica, no final da década de 1990. A fuga de capitais é uma coisa mais forte. Talvez a Turquia esteja passando por um processo mais próximo, mas é difícil falar isso do Brasil", acredita Rodolfo.
Bruno ressalta que a maior parte dos analistas já reconheceu que não dá para colocar todos os países "no mesmo saco", e que o Brasil realmente se diferencia dos outros. No meio da confusão, alguns ativos no país se tornaram baratos, e algum momento o investidor em geral vai voltar a se interessar pelos ativos brasileiros.
Existe ainda todo um horizonte promissor, possibilitado por medidas do governo como as concessões, que fazem com que ainda valha a pena investir no Brasil, o que alguns gestores de fundos, inclusive, têm sinalizado, informa Conti.

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