segunda-feira, 14 de abril de 2014

Mineradora teve lucro em 2013, mas.......

Não consideramos o cenário positivo para a mineração”Publicação: 13 de Abril de 2014 às 00:00 | Comentários:

Tribuna do Norte - 13.04.2014
Vinícius Menna - Repórter


A mineradora Tomaz Salustino conseguiu aumentar seu lucro líquido de 2012 para 2013 em quase três vezes, saindo da casa dos R$ 2,2 milhões para R$ 4,3 milhões. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o diretor industrial e comercial da companhia, Tomaz Salustino Soares, explica como esse resultado foi possível.
Júnior SantosExecutivo e neto do fundador da Mineração Tomaz Salustino fala sobre o salto da empresa em 2013, mas afirma que para o setor, de forma geral, momento não é bomExecutivo e neto do fundador da Mineração Tomaz Salustino fala sobre o salto da empresa em 2013, mas afirma que para o setor, de forma geral, momento não é bom


Na entrevista, ele comenta ainda sobre o cenário da mineração do Rio Grande do Norte, que aponta como negativo, e trata ainda de questões como o código da mineração e a possibilidade de recuo nos investimentos do setor no país no ciclo 2014-2018.

Mesmo ciente das dificuldades que poderão vir pela frente, Tomaz Salustino garante: os investimentos na companhia não vão diminuir em 2014. “Pretendemos investir na melhoria da nossa Usina de beneficiamento com o intuito de melhorar sempre a recuperação de teores”, afirmou.

O que provocou o crescimento do saldo de lucros/prejuízos acumulados de R$ 2,2 milhões, em 2012, para R$ 4,3 milhões, em 2013? Quais fatores também contribuíram para quase triplicar o lucro líquido da Tomaz Salustino, que em 2012 foi R$ 1,3 milhões e em 2013 atingiu R$ 3,2 milhões?

Nossa empresa vem ao longo do tempo implantando modernidade em sua administração com reorganização dos setores administrativos colocado em pauta pelo nosso ex-diretor Rogerio Barreto Drummond e aplicação e melhoria das atividades produtivas cujo objetivo foi alcançado no ano de 2013. Outro fator importante foi a venda de imóveis que há algum tempo não faziam parte do objetivo da empresa.

Mas a que se deve esse bom momento?

O bom momento deveu-se as altas cotações do Tungstênio no mercado internacional bem como a variação cambial havida no ano. Esperamos que em 2014 haja continuidade desses fatores para que tenhamos novo sucesso.

Os impostos incidentes sobre o faturamento em 2013 caíram em mais da metade. A que isso se deve? A Tomaz Salustino possui algum tipo de isenção fiscal?

A incidência de ICMS é somente sobre a venda de scheelita para o mercado interno e temos isenção pelo Proadi desde 2008. Quando há exportação a alíquota é zero. A isenção chega até a 70% do imposto devido.

O balanço mostra que os custos de produção e/ou serviços aumentaram, embora o custo dos produtos vendidos tenha caído. Por que isso ocorreu?

Com o avanço da mina e continuidade da extração os custos tendem a aumentar devido a pesquisa interna e demais procedimentos. Como a alíquota é zero para exportação e o preço internacional esteve bem melhor o custo do produto vendido caiu.

Quanto a Tomaz Salustino produz? É apenas scheelita?

Em torno de 15 toneladas ao mês de concentrado de scheelita.

Para onde a mineradora vende a produção?

De 50% a 70% ficam no mercado nacional e o restante vai para exportação. A scheelita é vendida para as metalúrgicas de São Paulo e também é exportada para os Estados Unidos, China e Inglaterra.

Por onde a empresa escoa a produção?

Com relação ao mercado interno, é feito o destino rodoviário para São Paulo e a exportação sai pelo Porto de Natal, Suape - em Pernambuco - e Pecém, no Ceará.

A possibilidade de criação de um porto, localizado em Porto do Mangue, com a vocação para o transporte de cargas provenientes da mineração, pode beneficiar a empresa e a mineração do RN de que forma?

Esse sonho dos Potiguares é sempre bem vindo e esperado e beneficiaria principalmente as empresas de alta produção. Apesar de ser de grande valia, não temos grandes problemas de escoamento.

Como está o cenário para a mineração no Estado? É positivo?

Não consideramos positivo. É uma reclamação geral principalmente dos pequenos produtores. Os maiores sempre estão a exigir melhor apoio governamental, pois os Secretários de Estado nunca são ligados a área e tratam do assunto num segundo plano sempre com esperança no governo federal no que toca ao escoamento de seus produtos pela falta de recursos locais.

Qual é a perspectiva para 2014?

No nosso entendimento permanecerá como está.

As possíveis mudanças com o código da mineração são temidas pelos empresários do setor, já que preveem aumento da alíquota do principal tributo pago pelas mineradoras, a CFEM, além de tornar mais rigorosa a concessão das áreas onde se encontram os minérios. Qual a análise que o senhor faz a respeito desse assunto?

É preciso um aprofundamento na matéria com mudanças paulatinas e se adaptando a realidade, pois do jeito que querem fazer poderá haver transtornos e interferência internacional.

De acordo com relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), com base em informações passadas pelas mineradoras, os investimentos em mineração no Brasil devem recuar no ciclo 2014-2018. Essa análise estaria sendo puxada por uma queda no preço do minério de ferro e por aumento dos custos de produção. Como o senhor vê essa questão?

Esses fatores de recuo são influenciados pelo mercado internacional, pois países grandes consumidores reclamam do preço das commodities há muito tempo e o aumento do custo é inerente do setor de mineração.

A produção da Tomaz Salustino é voltada para a scheelita. Nesse caso, ainda com base no relatório do Ibram, o senhor vê um cenário negativo para este produto, a scheelita, assim como no caso do ferro? Qual o cenário hoje e para 2018?

Produzimos somente scheelita e por se tratar de uma substancia rara na natureza é uma exceção a regra mineral, pois suas normas são estabelecidas por um pequeno grupo de produtores e grandes consumidores e o preço ditado pelo mercado europeu e, hoje, com a influência da China – maior produtor e maior consumidor mundial.

Então o cenário é positivo?

Positivo para o nosso segmento se se mantiver esse bom momento.

O senhor diria que o setor deverá crescer em que ritmo este ano?

Ficando no que está já é de bom tamanho, mas esperamos pouco crescimento acima do que ocorreu ultimamente.

O que está favorecendo o preço do tungstênio nesse momento? Quanto esse preço subiu em 2013, na comparação com 2012 e qual é a projeção para 2014?

As altas cotações no mercado mundial aplicadas ao tungstênio fizeram com que chegássemos a esse bom momento. A variação chegou a beirar os 20% em relação a anos anteriores. Como o crescimento ou a crise depende sempre de fatores externos, ficamos nessa expectativa para 2014.

Quais são os planos de investimento para empresa para este ano? Quanto pretende investir? Esse valor é maior ou menor que no ano passado?

Pretendemos investir na melhoria da nossa Usina de beneficiamento com o intuito de melhorar sempre a recuperação de teores. Deveremos investir quantia em torno de R$ 400 mil, valor um pouco acima do que investimos nesse setor em 2013.

Em que vai investir?

Moinho de barras, transportadores de correia, jig, mesas concentradoras, bombas de polpa e todos os acessórios pertinentes ao projeto.

Economistas apontam um ano difícil para o Brasil este ano. Juros e inflação em alta estão entre os problemas. Como o senhor analisa o ambiente de negócios para as empresas nesse contexto? É um ano difícil?

Em caso de confirmação dessas previsões, teremos um ano negro para a mineração como um todo, difícil em tudo, tanto para enfrentar como para dar sequência.

Que gargalos o setor de mineração enfrenta hoje e como eles podem ser superados?

Quando estamos atravessando bons momentos a dificuldades são sempre superadas e esse gargalos são sempre ligados as políticas públicas defasadas, exigências por demais injustificadas, órgãos fiscalizadores sem a mínima estrutura e, para resolver, somente eliminando-os.

O senhor diz que a maior parte da scheelita fica no Brasil e segue para metalúrgicas em São Paulo. Como está esse mercado consumidor? Está aquecido, retraído ou estabilizado?

Realmente essa é a média histórica de todos esses 70 anos. Nesse início de ano podemos afirmar que o mercado interno está retraído, o que é justificado pela pouca procura do produto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário