domingo, 3 de agosto de 2014

Professor JALES COSTA


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JALES COSTA



Jurandyr Navarro

Do Conselho Estadual de Cultura


Inteligência lúcida, desempenhou Jales Costa cargo de superior instância administrati­va no Tribunal de Contas do Estado. Advogado militante, ao longo dos anos, prestigiando, com seu saber jurídico e seu trabalho afanoso, a Classe que defendeu e res­guarda os direitos da Cidadania, nas nações tidas como civilizadas.

No Governo Geraldo Melo exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado e se houve com serenidade, honradez e competência. Na docência da Universidade Federal integrou o Departamento de Direito Privado do Curso das Leis. Lecionou "Introdu­ção à Ciência do Direito", disciplina filosófica desta ciência social aplicada, dentre outras disciplinas. Neste oficio pedagógico distinguido-se como dos melhores docentes.

O estudo do direito aclara a inteligência e dá asas à imaginação criadora.

Preleciona Jean Girandorix:

"A melhor forma de exercitar a imaginação é estudar Direito: nenhum Poeta já inter­pretou a natureza tão livremente como um Advogado interpreta a Verdade".

Estudou, Jales Costa, Religião, no Curso que fez na ordem dos Irmãos Maristas. Especializou-se em Literatura, em curso de pós-graduação universitária.

Sensível às coisas do pensamento, não poderia Jales Costa alhear-se dos deleites da leitura das belas páginas literárias                                         

Enfatiza o Padre Serttilanges no seu monumental livro "A Vida Intelectual" que a virtude própria do homem de estudo é a estudiosidade. E que tudo num intelectual, deve ser intelectual.

Disso infere Van Helmont:

"Todo estudo é estudo de eternidade".

O que complementa o preceito ditado por Santo Tomás de Aquino: "Nunca deixeis de orar”.

Ainda sobre o estudo proferiu Platão, aconselhando colocar mais azeite na lâmpada do que vinho na taça. E Bossuet levantava-se de noite para encontrar o gênio do silêncio e da inspiração.           

 É que Jales apurou o espírito no estudo e dele fez hábito, uma segunda natureza. E através dele manteve aceso o cérebro de homem inteligente e ilustrado em Ciência e Religião. Os homens cultos e de Ciência são raros, mormente os de conhecimento geral, como é o caso do nosso biografado, que se adentrou pelos seus vários ramos pelo estudo diuturno, investigando as suas origens e consequências, entre os povos mais diversos. A propósito disso comentou o grande jurista Pontes de Miranda:


"Não saiu a Ciência, inteira e perfeita, dos espíritos de uma raça ou de uma civilização. Quem negará que a cultura nacional, quanto aos elementos que a compõem, seja mesclada e sintética? Os gregos tiveram mística, e nenhuma escolástica, dizia há mais de meio século Walther Rathenau; tiveram ciência, porém não técnica. Os judeus, escolástica, mas nenhuma pesquisa; os romanos, livre pensamento e técnica, porém não ciência. Egípcios e chineses, técnica, mas nem pensamento livre, nem pesquisa, nem mística interior. Ora, a contemporaneidade para chegar ao que conseguiu, utilizou tudo isso; ou melhor, foi de tudo isso que surgiu a Ciência, que é o balanço do que se verificou e do que não se verificou na vida e na experiência dos homens. A Ciência precisa do saber de todos os lugares e de todos os povos".


Abeberando-se no estudo dessas fontes foi que Jales Costa conseguiu, pela estudiosidade refletida, apurar o seu espirito nas ciências dedutivas em que brilham miríades de estrelas no firmamento das letras, do direito, da música e da poesia, da história e da religião. Através desse prisma especulativo e no campo teológico e filosófico discerniu o segredo da Esfinge do saber, na sua área de atividade, ampliando a sua liberdade cultu­ral. Tem mais liberdade na vida quem mais sabe.

A Verdade te libertará, disse Jesus Cristo!

Jean Jacques Rousseau advertia no seu "Emílio", que cérebros bem preparados são os monumentos onde com maior segurança se gravam os conhecimentos humanos.

A cultura de Jales Costa é um amálgama da Fé com a Razão. Absorveu os conheci­mentos do Medievo e do Renascimento. Daí afigurar-se cristão humanista.

Outro mérito do, seu espirito atilado é a oratória concisa, seguindo o pensamento de La Rochefoucauld – “a eloquência autêntica consiste em dizer tudo que é necessário, e nada mais que o necessário. Como repetisse La Bryère: - 'Se vous voulez dire il pleut, vous direz seulement il pleut.”


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