quarta-feira, 9 de abril de 2014

Natal, cidade sedentária.

Uma cidade sedentária

Sol o ano todo, praias paradisíacas, ventos constantes, temperatura amena e o ar mais puro das Américas. Se a capital do Rio Grande do Norte não tivesse sido fundada no dia 25 de dezembro, bem que seu nome poderia ser “Paraíso”. Neste cenário, não há desculpas pra ficar em casa esparramado no sofá, assistindo televisão e bebendo litros de refrigerante. A regra aqui é se movimentar. Ou deveria ser.

Enquanto o discurso paira sobre a teoria, descreve-se uma Natal que, na prática, não existe. Por vocação, é sim um convite às atividades físicas ao ar livre. Mas por falta da contrapartida do poder público, com a construção de calçadões de qualidade, parques e ciclovias, os natalenses se afundam no sedentarismo. Pasmem: Natal é a segunda capital mais inativa fisicamente do país, perdendo apenas para Recife.

A constatação é da Vigitel Brasil, estudo realizado anualmente pelo Ministério da Saúde por meio de entrevistas telefônicas. Na última edição, divulgada em agosto de 2013 e referente a 2012, foram ouvidas em Natal 1.689 pessoas com mais de 18 anos de idade, das quais 625 eram homens e 1.073, mulheres.

“Os resultados da Vigitel são bem preocupantes e têm se repetido ao longo dos anos. Não tem sido observada nenhuma mudança positiva neste aspecto”, alertou Eduardo Caldas, professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e doutor em Ciências da Saúde.

Na capital potiguar, a estimativa é de que 18,2% da população seja inativa. Entende-se por adulto fisicamente inativo aquele indivíduo que não praticou qualquer tipo de atividade física no lazer nos últimos três meses e que não realiza esforço físico intenso no trabalho, não se desloca para o trabalho ou para a escola a pé ou de bicicleta e não participa da limpeza pesada de sua casa.

Caldas lembrou ainda que, no quesito inatividade física, Natal atinge a liderança quando se leva em consideração apenas o público feminino. Na capital, 18,3% das mulheres estão totalmente entregues ao sedentarismo, ficando à frente de Teresina (17,9%) e Maceió (17,9%). Já os homens são prata com percentual de 18,1%, perdendo as primeiras posições para as também nordestinas Maceió (18,4%) e Recife (21,5%).

“Uma das causas disso tudo é a falta de espaços públicos destinados para a atividade física. Quando há, são projetos muito pontuais. O que temos de espaço na Zona Norte, Leste, Oeste e, até mesmo, a Sul?”, questionou o doutor em Ciências da Saúde, lembrando que as cidades que mais se destacaram positivamente na Vigitel foram aquelas em que há muitos espaços destinados ao exercício físico.

Para efeito de comparação, Florianópolis, famosa não só pelas praias – como Natal -, mas pela grande quantidade de parques, foi a melhor avaliada entre as 26 capitais e o Distrito Federal em relação à inatividade física da população. Lá apenas 11,4% dos florianopolitanos são inativos. No caso dos homens, esta média cai para 9,5%, sendo um pouco maior entre as mulheres (13,2%).

Na capital de Santa Catarina, há 12 parques municipais. Só um deles, o Parque dos Coqueiros, localizado na região continental de Florianópolis conta com uma área de aproximadamente 50 mil metros quadrados. O equipamento possui uma pista de caminhada e ciclovia de 850 metros, quadras de futebol de areia, uma quadra de futebol com grama sintética, quadra de vôlei, academia da saúde, aparelhos para alongamento, parque infantil, um pequeno lago e uma grande área de gramado.

Natal, ao contrário, tem apenas um parque municipal: o Parque da Cidade. Herança do primeiro mandato do prefeito Carlos Eduardo e assinado por Niemeyer, o equipamento está atualmente fechado com reabertura prevista somente em maio próximo.

Ainda sob a tutela do município, há Alameda Marilene Dantas, na Alexandrino de Alencar, e a área de Lazer da Zona Norte, no bairro de Panatis. Este último espaço, está incluído no cronograma de reforma da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Sensur) e deve ser requalificada ainda este ano, assim como outras 254 praças da cidade, hoje em estado de abandono.

Até maio, com as obras previstas para a Copa do Mundo, Natal deve ganhar um novo calçadão na orla- o atual não é indicado para corrida ou caminhada -, com ciclovias e academias da terceira idade e parquinhos para as crianças. A Via Costeira, usada por alguns praticantes de corrida e caminhada, tem sido condenada pela insegurança ao longo da semana. Aos domingos tem tido uma de suas faixas fechadas para a prática da atividade física.

NOVO JORNAL inicia série de reportagens

Os temas relacionados a saúde, bem-estar e qualidade de vida tem despertado cada vez mais interesse. Muitos, em busca de inspiração ou de bons exemplos, curtem e compartilham histórias, reportagem e fotografia que traduzem este novo momento.

De um modo geral, parece que a população, antes inerte aos males da vida moderna – má alimentação, sedentarismo, obesidade e estresse - , acordou, passando de vítima do acaso à salvadora da própria vida.

A partir disso, pensando justamente nestas pessoas que buscam novos hábitos, é que, a partir de hoje, o NOVO JORNAL terá um espaço só para os assuntos relacionados à saúde. A matéria de estreia tentou traçar, justamente, a posição do natalense no cenário do sedentarismo. Os dados existentes mostram que há muito a ser mudado ainda. E, mesmo que o poder público não cumpra a sua parte, não dá pra ficar de braços cruzados esperando. E é sobre o importante “primeiro passo” que o NOVO JORNAL tratará na próxima reportagem, a ser veiculada no próximo sábado.

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