segunda-feira, 9 de junho de 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Qual será o melhor regime para o Brasil? O PIB do Brasil equivale a 1/6 do da China.

China, EUA e Brasil
Adriano Benayon * 19.05.2014
1. Qual será o melhor regime para o Brasil? Aquele que lhe garanta autodeterminação e lhe assegure desenvolvimento tecnológico e social.
2. Para chegar a isso, não poderá continuar com a economia desnacionalizada e concentrada, nem com suas políticas sendo determinadas por carteis financeiros e econômicos. Então, o que se deve fazer? Para conceber algo próximo ao ideal, há que avaliar o que ocorre na prática.
3. À parte as questões da tradição e da cultura, o  regime e as políticas da China têm obtido êxitos consideráveis na consecução dos objetivos nacionais, inclusive ombrear-se com as grandes potências, e elevar o  bem-estar social.  Mas seu sistema pode ser criticado, entre outros aspectos, por não estar evitando excessiva concentração de renda no setor privado, embora esta seja ainda muitíssimo menor que a das tradicionais economias capitalistas e suas dependências periféricas.
4. Tem-se falado muito na ascensão econômica da China. Segundo  novas estimativas  do Banco Mundial, conforme a PPP (paridade do poder de compra) o PIB da China já supera o dos EUA, ficando ultrapassadas as que não atualizavam os dados, desde 2005. Essas só o previam para 2019.
5. Alguns números não fecham. Diziam que, pela PPP, o PIB da China equivalia em 2003 a 60% do dos EUA. Ora, se aplicarmos as respectivas taxas de crescimento acumuladas de 2003 a 2013 (164,1% e 16,05%), resulta que o PIB chinês já superava o estadunidense em 35,5%.
6. Ademais, o BM não retrata as coisas com precisão, já que: 1) as estatísticas dos EUA superestimam o produto real e subestimam a inflação; 2) com a enorme financeirização da economia, parte significativa da “renda”, não deveria ser considerada produto real; 3)  os gastos militares astronômicos – e nisso os EUA batem de longe qualquer país – não representam algo que possa ser contado, se adotarmos  um critério de bem-estar ao valorar a “produção econômica”.
7. Há mais considerações denotativas de que os aspectos qualitativos têm importância bem maior que cifras monetárias do PIB. Um dos feitos do regime chinês foi tirar mais 600 milhões de pessoas da linha de pobreza, em apenas 10 anos. Outro, tem sido a elevação dos salários reais acima do crescimento da produtividade.
8. Norton Seng, especialista brasileiro em assuntos chineses,  destaca a qualidade da educação e que a ênfase no emprego de engenheiros na administração tem  viabilizado planejamento capaz de promover o emprego de centenas de milhões de pessoas em atividades de crescente conteúdo tecnológico.
9. Ora, isso requer eficientes infra-estruturas urbanas, de transportes, telecomunicações e outras. Diz Norton:Tudo meticulosamente planejado: das fronteiras agrícolas até os grandes centros habitacionais. Com toda a infraestrutura necessária para comportar, adequadamente e sem maiores conflitos sociais,  a sua gigantesca população com complexos viários compatíveis com o crescimento exponencial de suas cidades em harmonia com o crescimento das várias demandas.”
10. Muitos observadores espantam-se com o fato de, mesmo após mais de 30 anos seguidos, até 2012, com média acima de 10% aa., as taxas de crescimento do PIB chinês ainda estarem elevadas, acima de 7% aa., não obstante  a estagnação reinante nos EUA, Europa e Japão, desde 2008.
11. A ideologia faz alguns crerem que a economia obedece a leis inexoráveis, independentes da política. Esses preveem crise, agora, na China. Diferentemente deles, penso que só há crise em países em que assim deseja o sistema de poder nele dominante.
12. A meu ver, o capitalismo caracteriza-se pela ilimitada concentração do poder financeiro e político nas mãos de pequeno grupo de famílias e indivíduos.
13. Na medida em que a China não seja – pelo menos, por enquanto - país capitalista – as tendências de crise que ali surjam, podem ser afastadas sem dificuldade, pois,  detendo-se poder sobre as finanças e havendo vontade política, estas podem pôr a economia em rumo certo.
14. Os seguidores de Deng admitem que o desenvolvimento econômico obtido desde o final dos anos 70 não teria sido possível sem ter havido Mao, sob cuja direção a China, além de conseguir alimentar população superior ao bilhão, construiu significativa indústria pesada e colocou a China entre as grandes potências militares e nucleares.
15. Após 1978, o Estado continuou a dirigir a economia e permaneceu com sua maior parte estatizada, além de  manter o controle do sistema financeiro. Mas abriu grandes espaços para o crescimento de capitais privados nacionais e admitiu investimentos diretos estrangeiros de grandes corporações transnacionais. Isso, entretanto, foi feito em condições diametralmente opostas às que prevalecem no Brasil, especialmente a partir de 1954/1955.
16. Enquanto o governo egresso do golpe que derrubou o presidente Vargas em 1954, propiciou aos pretensos investidores transnacionais ganharem capital no Pais e esvaziá-lo dele -   controlando o mercado brasileiro e recebendo subsídios escandalosos -  o planejamento central chinês fez as transnacionais cumprirem condições que levaram à absorção e à melhora de tecnologias estrangeiras.
17. Na China, os investimentos diretos estrangeiros são submetidos a regras rigorosamente  aplicadas,  pois  o sistema político ali não depende de campanhas eleitorais influenciadas por dinheiro privado ou estrangeiro.
18. E quais as regras essenciais?  Não se trata somente de favorecer as produções intensivas de tecnologia, poupadoras de matérias-primas, sobre tudo locais,  e menos nocivas ao ambiente. É exigido: 1) quanto à propriedade, haver associação com capitais chineses; 2) ser assegurada transferência de tecnologia à China.
19. Em geral, próxima a  uma fábrica de empresa transnacional, encontra-se uma controlada por capital chinês, replicando a mesma produção e  inovando-a para torná-la mais competitiva.
20. Já no Brasil, desperdiçam-se os investimentos públicos em ciência e tecnologia, na proporção da ausência de empresas nacionais em competição no mercado, e exponenciam-se as consequências da subordinação às transnacionais estrangeiras: preços absurdamente altos, transferências de ganhos ao exterior sob todas as formas, endividamento acelerado por taxas de juros abusivas, política e administração corrompidas etc.
21. Não nos devemos iludir com as estatísticas de 6ª ou 7ª maior economia do mundo. Para começo de conversa, o grosso do PIB aqui gerado não pertence a brasileiros, e o que resta para estes está muito mal distribuído.
22. Além disso, pelo critério da paridade do poder de compra, o Brasil cai para 9º. Mais importante, o crescimento não decorre de ganhos qualitativos, mas, sim, da ocupação de parte dos imensos espaços territoriais e da exploração desmedida de recursos naturais, tanto na agropecuária como nos minérios, tudo para servir a grupos concentradores estrangeiros.
23. Desde o colapso de 2007/2008, amplia-se a vantagem da China sobre as principais economias capitalistas, vinculadas à oligarquia financeira angloamericana, porque a estagnação destas se acentua, com infra-estruturas físicas em deterioração, desemprego muito grande, implicando deterioração do “capital humano” e da infra-estrutura social.
24. Isso porque, diante da crise, o Estado, comandado pela oligarquia financeira, só trata de socorrer os bancos e apenas adia novas bolhas, pois: 1) o dinheiro fica nos bancos ou é aplicado em mercados especulativos e títulos públicos; 2)  o Estado vai falindo, mesmo sem investir o que deveria na economia real ou em favor dela, diretamente ou através de empréstimos para a produção. 
25. Se o Estado tem real poder sobre a economia, se deseja que a sociedade eleve  seus padrões de vida, se dispõe de quadros que sabem o que fazer, qualquer crise financeira pode ser debelada, e a casa arrumada: dívidas podem ser simplesmente canceladas, e novos mecanismos monetários e de crédito, instituídos.
26.  A finança, portanto,  é algo que sempre pode ser posto em ordem, de uma vez, por decisões políticas, enquanto que são necessários decênios para construir estruturas e infra-estruturas econômicas e sociais, bem como ativos tecnológicos para viabilizar níveis adequados de produção e de atendimento às necessidades sociais.
27. Em suma, dinheiro e crédito criam-se à vontade, com ou sem lastro, só com impulsos nos computadores. Já atender adequadamente a demanda (sem  reprimi-la) por bens e serviços reais depende de bem mais que isso.
28. Nota final. Há mais de 100 bilionários da China. O Brasil mostra 77 bilionários, mas o PIB do País, além de não pertencer, na maior parte, a brasileiros - equivale a menos de 1/6 do da China. Os 15 mais ricos do Brasil totalizam U$ 116,5 bilhões, e os da China, US$ 79,6 bilhões. Entre os brasileiros, muitos pertencem aos mesmos grupos e famílias.
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização.
 
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http://tribunadonorte.com.br/coluna/2004/artigo/284176


Livro de Ivoncísio vai além da história

Nelson Patriota - escritor

Mais do que um livro de história, esse novo livro que o professor Ivoncísio Meira de Medeiros intitulou de “Contando histórias: ensaios históricos e biográficos” (Natal: FJA, 2014 – Coleção Cultura Potiguar, n. 51), é um volume que, embora se constitua num empreendimento bem-acabado no gênero, o extrapola, na medida em que se reinventa como lugar também da poesia, da literatura e das artes plásticas.

Nesse sentido, o autor conta histórias que dizem respeito a um amplo espectro de interesses, seja em sua cronologia – onde uma vasta gama de temas da história colonial potiguar, bem como de sua história mais ou menos recente – desfila aos olhos do leitor como um rico caleidoscópio de cores em permanente mobilidade, seja em sua vertente ensaística, que traz à tona temas correlatos de literatura e artes plásticas.

Mas à diferença de um compêndio regular de ensaios de história, esse novo livro de Ivoncísio não se limita a tocar em temas ou fatos consagrados pela historiografia oficial. Seu espectro de interesses inclui a análise das fontes primárias em quase todos os seus capítulos, o que revela o perfil de pesquisador do autor por trás dos textos, checando-os e confrontando-os, e deixando ao leitor as ferramentas da análise.

A esse respeito basta que se acompanhe a correspondência entre os líderes tapuias Pedro Poti, Felipe Camarão e Antônio Paraupeba, que expõe as fraturas da luta indígena no contexto das guerras coloniais potiguares que os coloca em posições contrárias e irreconciliáveis.

O capítulo que trata da carta de Feliciano Coelho de Carvalho para o rei Felipe II é outra pérola da história colonial que precisa de mais visibilidade na nossa história devido à riqueza de fatos que se cruzam na missiva. Em igual medida, a leitura do ensaio “A viagem de 1501”, bem como o texto que o segue, “Rio Grande, capitania de Sua Majestade”, são inovadores e elucidativos do estilo de Ivoncísio no trato dos temas históricos potiguares.

Aliás, esse é um tema dominante em quase toda a primeira parte do livro. Basta que se passe a vista pelo sumário da obra, que se abre para um vasto painel de história potiguar, campo em que se destacam ainda um capítulo sobre o pintor batavo Frans Post e o outro sobre o mártir potiguar Padre Miguelinho.

Os assuntos seguintes como que dão um salto no tempo para recair sobre o século 20, respingando ainda na contemporaneidade. Aí cabem discussões sobre a justiça eleitoral, o julgamento contra a diplomação do monsenhor Walfredo Gurgel, a questão autoral do hino do Rio Grande do Norte, as cinco décadas da Aliança Francesa em Natal, entre outros.

Em sua segunda parte, denominada de “Ensaios biográficos”, o livro se detém sobre personagens da vida cultural potiguar. E aí deve-se prestar especial atenção aos perfis de Jayme Adour da Câmara, Clarice Palma e José Mauro de Vasconcelos, não somente pelo que estes representam culturalmente, mas pela riqueza de informações que o autor reúne em torno deles e que poderiam servir de ponto de partida para uma futura biografia de cada um desses personagens. Isso também vale, naturalmente, para os demais perfis que compõem o capítulo.

É nesse aspecto que “Contando Histórias: ensaios históricos e biográficos” extrapola os limites da pesquisa propriamente histórica e envereda pela sociologia da cultura, etnografia, história das artes e outros temas afins. O que, de certo modo, retoma a vereda aberta com os estudos sobre duas telas, constantes na primeira parte do livro: “Frans Post e o quadro ‘Kastel Keulen aan Rio Grande’”, e “O quadro histórico de ‘Miguelinho perante o tribunal’”. 

domingo, 8 de junho de 2014

Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes completou 58 anos de existência.






No dia 1° , a Casa de Saúde Natal, situada na avenida Romualdo Galvão, Tirol, completou 58 anos de atividades em prol da saúde mental. Abaixo, transcrições do noticiário da imprensa de Natal .
 
EM FUNCIONAMENTO A “CASA DE SAÚDE NATAL”
Destina-se a preencher uma lacuna, no toante ao,  tratamento, em ambulatório ou em internamento, de doentes nervosos entre nós.




            Entrou em funcionamento a Casa de Saúde Natal, estabelecimento que obedece á orientação dos especialistas, Drs. Aldo Xavier, Otto Julio Marinho e Severino Lopes da Silva.
            Destina-se a Casa de Saúde Natal, a preencher uma lacuna no tocante ao tratamento, em ambulatório ou em internamento, de doentes nervosos entre nós.

AMBIENTE COMO TERAPEUTICA


            Tendo em vista o que recomenda a moderna terapêutica, a Casa de Saúde Natal, nos casos de internamento imprescindível, conserva a continuidade do ambiente familiar para o enfermo. O próprio estabelecimento está instalado em ampla casa de antiga residência de família numerosa, devidamente adaptada. Ali encontramos quartos de duas ou(continua na quarta página).



Em funcionamento a “Casa de...


            (Continuação da ultima página) mais camas, salão de jogos, jardins e terraços, estes proporcionando ampla vista panorâmica dos arredores da cidade.
            Tornando possível a continuidade da vida social ao doente, serão ainda realizadas palestras, exibições cinematográficas e noitadas musicais. Tudo visando a manutenção do contato social entre os pacientes, seus familiares e a sociedade em geral, fator de mais rápida readaptação. Ao doente, o internamento deve perdurar o período estritamente necessário, enquanto não puder continuar o tratamento em ambulatório. Quanto mais cedo o paciente voltar a família e a sociedade, tanto mais útil terá sido a função do internamento. O próprio internamento sobre caríssimas exceções, será voluntário. Mediante persuasão ao invés do choque emocional de uma segregação a força, muitas vezes pior que as motivações da própria doença. Uma agencia social contribuirá para a ligação entre o paciente, a família e a sociedade.


OUTROS DETALHES


            O pessoal técnico auxiliar, tais como enfermeiras, é todo constituído de pessoas com vários anos de experiências em estabelecimentos hospitalares do gênero. Enquanto isso, o plantão médico será diário, permanecendo o especialista durante toda a noite na Casa de Saúde.
            A Casa de Saúde Natal, entretanto, estará aberta a qualquer médico, que poderá assistir pessoalmente aos doentes e indicar terapêutica.
            No andar térreo foi instalado o ambulatório considerado elo importante da cadeia assistencial, permitindo que determinados doentes se curem ai mesmo, sem a necessidade do internamento ou concluam nesse setor o tratamento iniciado com o internamento.
            O tratamento no ambulatório para enfermos de ambos os sexos. O internamento, todavia, está no momento limitada aos do sexo masculino. É projeto dos diretores, porém, com o apoio que vem tendo de um grupo de capitalistas conterrâneos, construir uma casa de saúde com maiores possibilidades de ampliação no prazo de três anos, quando termina o contrato do atual imóvel.
           


Natal, 01 de junho de 1956.








Impressões de uma visita a Casa de Saúde de Natal
Bem instalado e equipado o mais novo e moderno estabelecimento hospitalar da cidade.




            Uma visita que fazemos a Casa de Saúde Natal, de pronto nos lembra passagem do moderno e interessante livro “Psiquiatria”, de Mira Y Lopez, Quarta edição, 1955, Buenos Aires. Em cujo III Tomo, XVII capítulo, denominado “Particularidades de los fenocomios modernos, às págs. 269, se lê o seguinte:“De ningum modo debe persistir el sistema de coldes   individuales de los fenocomics”.
            Que a Casa de Saúde de Natal não é destinada exclusivamente ao tratamento de doentes nervosos e mentais, e que talvez seja para lamentar, já que não temos no Estado nenhuma casa especializada desse gênero, a não ser o inapontável Asilo de Alienados, no alecrim.
            Sendo, porém, um estabelecimento hospitalar de que são proprietários e diretores três psiquiatras, é natural que suponhamos sejam as suas atividades dedicadas preferencialmente, ou principalmente, ao tratamento de doentes nervosos e mentais. E vemos então, logo ao penetrar naquela casa, que os seus diretores e proprietários cuidam zelosamente por mostrar-nos os mínimos detalhes organizada e “arrumada” de acordo com as mais modernas sugestões da psiquiatria.
            Insistem, porém o Dr. Aldo Xavier, Otto Marinho e Severino Lopes, em esclarecer que se trata de um estabelecimento hospitalar eclético, ou seja, destinado a receber portadores de quaisquer doenças não contagiosas. Adiantam que, estando a Casa de Saúde à disposição de todos os colegas, não poderiam eles limitar-lhe o campo das atividades.


CONVÍVIO SOCIAL AOS DOENTES


            São excelentes o aspecto e a primeira impressão colhida pela reportagem A Casa, aparentemente uma residência de família numerosa, com os seus amplos quartos de duas ou mais camas, evitando o nefasto isolamento do doente, sala de jogos, jardins, terraces, e uma frente sedutora de moradia burguesa de zona rural. Nos mínimos detalhes previram os seus organizadores e necessidades de possibilitar vida social aos doentes nada ali denuncia reclusão ou isolamento.

           

FUNÇÃO DO INTERNAMENTO



            Pretendem os seus diretores que o internamento seja tão rápido quanto possível. Para isso instalaram excelentemente um ambulatório, que possibilita a continuação do tratamento com o retorno do paciente ao meio de sua família. Entendem eles que, quanto mais cedo o doente retornar ao seio da família e da sociedade mais útil terá sido a função do internamento. Em vista disso, pretendem o internamento seja voluntário, salvas as raríssimas exceções naturais. Com efeito, a segregação forçada pode tornar-se a causa de um choque emocional de conseqüências piores do que as causa geradora da própria doença. A persuasão bem orientada é o recurso com que esperam vencer as resistências, nos casos em que o internamento se faça  preciso e o paciente a ele se recuse queira-submeter voluntariamente. De início, por motivos de ordem técnica, segundo explicam, só serão recebidos para internamento doentes do sexo masculino.

BOA EQUIPE DE PESSOAL


            A Casa de Saúde Natal não é fruto de improvisação. Evidencia esse fato de iniciar as suas atividades com boa equipe de pessoal especializado e competente nas diversas funções requeridas pelo estabelecimento. Esclarecem os seus diretores que, realmente, há muita aspiravam instalar uma Casa de Saúde em Natal, sob as mais modernas técnicas de tratamento. E sempre pensaram em fazê-lo de modo não só a atender as necessidades de suas próprias clínicas especializadas, objetivando servir a toda a coletividade e a todos os colegas.

UM CENTRO DE ESTUDOS


            Com reconhecida disciplina de estudo e métodos de trabalho, pretendem os diretores da Casa de Saúde de Natal fazer dela um verdadeiro centro de estudos e pesquisas, para o que contam receber o apoio e a cooperação de toda a classe médica do nosso Estado. Tendo em vista isso, programam a realização de viagens de estudos, de grupos, recebidos e ministrados, e a emulação de atividades didáticas e científicas de intercâmbio cultural.
            A Casa de Saúde está em pleno funcionamento desde os primeiros dias deste mês, surpreendendo-se ali, sempre, um médico de plantão quer no período do dia, quer durante a noite.


MULHERES, NO AMBULATÓRIO


            Os pacientes do sexo feminino não deixam de encontrar ali a proteção da ciência, pois que tudo foi devidamente previsto pelos diretores. Com efeito, o ambulatório, muito bem instalado no andar térreo, e também aberto a todos os médicos, torna possível o tratamento das mulheres, a não ser nos casos em que o internamento seja necessário. O ambulatório representa importante elo da cadeia assistencial médica, permitindo não só internar determinados doentes, que ali mesmo podem curar-se, como um menor tempo de internamento dos pacientes, que passarão assistir o tratamento ali, já fora do internamento.


ASSISTÊNCIA SOCIAL


            Consideram os diretores imprescindível na ligação entre paciente e médico.(...)
            Em prédio próprio, mais amplo e com maiores possibilidades, o que esperam seja possível concretizar dentro de três anos para a instalação da Casa de Saúde tiveram o valioso apoio de um grupo de capitalistas, apoio do qual, não lançaram mão, por não só fazer   preciso, no momento, dentro do plano já anteriormente traçado. Contam, porém, eu o apoio desses de outros não lhes faltará no futuro, no seu esforço por dar a Natal mais um estabelecimento condigno de assistência hospitalar.






Ampliações na Casa de Saúde “Natal”
Secção feminina de internamento – já em funcionamento o Serviço Social – Em estudo um salão para cirurgia – Um moderno Pronto Socorro – Novos médicos estão compondo o corpo clínico daquela vitoriosa instituição.






            A casa de Saúde “Natal”, instituição médica organizada nesta Capital por iniciativa dos médicos conterrâneos Severino Lopes, Aldo Vieira Xavier e Otto Júlio Marinho, vem alcançando mais um ano de funcionamento. Cujas glórias lhe foram auferidas apenas por aqueles ilustres facultativos, porém pela cidade, que vem contando com mais um estabelecimento hospitalar de formação modelo.
            O estabelecimento como anteriormente pensava, não se destina de modo exclusivo a doentes nervosos e mentais, estando tecnicamente, aparelhado para clínica geral, seguindo as diretrizes da ciência moderna, dispondo, no momento, de um certo médico capaz, desgarrado de arcaicos métodos vigorantes, ainda em meios estagnados.
            Quando os fundadores da Casa de Saúde “Natal” concretizam a idéia, dispondo apenas da coragem, que os animais, os planos, traçados traduziam precipitado, arrojo de moços idealistas, jovens médicos que precisavam acima de tudo, de um conceito emanado do povo, escudo com que iriam enfrentar as lidas da profissão.
            É o hoje vemos, é a instituição alcançando, a passos firmes, todos os seus objetivos, muitos dos quais, antecedendo aos cálculos estimados.

NOVOS MÉDICOS





            O crédito de que hoje dispõe a Casa de Saúde “Natal” forjado na própria opinião do povo, vem dando motivo a que os seus dirigentes ampliem o seu corpo médico. Um intenso movimento diuturno vem justificando essa medida, a ponto mesmo de as dependências da instituição hospitalar estarem pequenas para o número de clientes vindos não somente desta Capital, porém do interior.
            Além dos médicos fundadores, militam agora, naquele centro clínico o Dr. Manuel Freitas, no setor de clínica geral, Dr. Manoel Teixeira, na especialidade neuro-oftalmológica, e Dr. Joaquim Rubens Cunha, psiquiatria.










SECÇÃO FEMININA DE INTERNAMENTO



            Atendendo as exigências do seu próprio movimento, centralizado até então ao sexo masculino, resolveu a direção da Casa de Saúde “Natal”, criar uma secção feminina de internamento.
             Para atender essa necessidade, tiveram que alugar uma casa situada ao lado, bem ampla, cujas acomodações, adaptadas o fim a que se destinam, servirão bem ao estado provisório da Casa de Saúde.
            Conforme soubemos, a seção será inauguradas dentro em breve, ficando completamente, isolada das dependências do setor masculino.
            Disporá a secção, de quinze leitos, onde serão adotadas as mesmas normas da secção masculina, isto é, aspecto familia, evitando-se o isolamento do paciente que, assim, terá mais um fator influente de cura.
            Também haverá um segundo ambulatório, destinado à secção feminina, dispondo da aparelhagem, idêntica à existente no ambulatório para homens.



SERVIÇO SOCIAL



            De conformidade com as normas estatuárias, reguladoras da vida, da entidade, há tempos está funcionando o Departamento de Serviço Social, cujo objetivo bem demonstra o interesse dos médicos da Casa de Saúde, pela situação de tantos quantos precisarem de sua assistência.
            Por intermédio de uma assistente social senhorita Sônia Galvão Campos, todos os doentes por um determinado tempo, mesmo após a alta, recebem a ----------------- responsáveis por aquela instituição, cujo trabalho de enquetes são registrados em ficha, possibilitando, assim, de maneira precisa ao médico assistente, estar a par dos reflexos que ainda venha  apresentar o doente.
            O serviço de controle das fichas é completo, nada deixando de ser registrado visando a orientação médica.


PLANOS FUTUROS




            Buscando ampliar mais e mais o sentido hospitalar da Casa de Saúde dentro de uma rigorosa clínica geral, brevemente será instalado em salão de cirurgia, dotado de aparelhagem moderna em ambiente altamente científicos.
            Outra iniciativa digna de louvares, será a criação de um Pronto Socorro, o que funciona em dependências próprias.
            Para ------------------------------------------------------------------- iniciativa  da direção da Casa de Saúde “Natal” já vem ----------------------lhando pela efetivação.
            Aí está, em linhas gerais, como voltamos a encontrar aquela vitoriosa  instituição hospitalar.