quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ciência

Pesquisa da matéria escura aproxima cientistas europeus do nascimento do cosmos

O universo é ainda um grande mistério. Mas cientistas europeus, que comprovaram a existência da "partícula de Deus", trabalham para descobrir a composição de 25% do cosmos no Grande Colisor de Hádrons do centro Cern.
Munidos de telescópios, os astrônomos observam estrelas, névoas luminosas, nuvens de poeira. Mas esses elementos visíveis só correspondem a 5% do universo. A grande parcela restante é invisível, e detectada apenas devido à ação de seu campo gravitacional – como no caso da energia e da matéria escuras.
Nos próximos anos, pesquisadores do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) de Genebra, onde está localizado o Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo, pretendem descobrir a composição da matéria escura e desvendar seus mistérios.
Uma recente medição do satélite europeu Planck revelou que praticamente 70% do universo é composto por energia escura. Ela parece estar distribuída uniformemente e age de forma repulsora, fazendo com que o cosmo se expanda com velocidade crescente.
O restante, ou seja, cerca de 25% do cosmos, é composto por matéria escura, cujo efeito atrativo mantém coesas as galáxias e os aglomerados galácticos. Assim como a espuma na superfície da água, a matéria luminosa se concentra onde a matéria escura é mais densa.
Esses componentes misteriosos foram descobertos por pesquisadores já na década de 1930. O físico e astrônomo suíço Fritz Zwicky descobriu que a matéria visível do aglomerado de Coma não bastava, nem de longe, para manter coesas as mais de mil galáxias individuas que compõem esse sistema.
Mapeamentos abrangentes do universo, como o levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS), analisaram as estruturas cósmicas resultantes da disposição das galáxias e aglomerados galácticos, registrando mais indícios da existência da matéria escura.
Experiência no Cern quer produzir matéria escura
Cosmo virtual
Com programas especiais, como o Millennium Simulation, os astrofísicos simulam virtualmente o crescimento de estruturas cósmicas e o desenvolvimento do universo. O computador se torna uma máquina do tempo, reduzindo a "eternidade" – processos que na natureza duram milhões ou até mesmo bilhões de anos – a segundos. Os simuladores possibilitam, por exemplo, observar a dinâmica do surgimento dos chamados filamentos galácticos – amplas estruturas cósmicas compostas por galáxias e aglomerados.
Em seus experimentos cosmológicos de criação, os pesquisadores podem alterar a combinação de elementos em seus universos. E ficou comprovado que, somente mantendo-se a porcentagem de matéria escura descrita na teoria, formam-se no cosmo virtual estruturas semelhantes às encontradas hoje na natureza.
Físicos de partículas já desenvolveram teorias diversas sobre a composição dessa matéria misteriosa. Uma variante promissora seriam as "partículas massivas de interação fraca" (weakly interacting massive particlesou WIMPs). Ainda não observadas na prática, elas estariam sujeitas apenas à gravidade e à interação fraca.
Candidatos possíveis resultam de teorias baseadas na supersimetria hipotética, as quais preveem uma ampliação da diversidade das partículas descrita no modelo-padrão teórico. Este constitui uma espécie de sistema de blocos de construção do universo, com as 12 partículas elementares que compõem todos os átomos da matéria conhecida.
Com a descoberta em 2012, no LHC, do bóson de Higgs, conhecido como "partícula de Deus", ficou comprovada a existência da partícula que faltava no modelo-padrão, e a teoria foi experimentalmente confirmada. Ou seja: as características descritas no modelo-padrão de componentes da matéria correspondem de forma ideal às encontradas na natureza.
"Portal para a matéria escura"
Nos próximos anos, os físicos encarregados do LHC querem explorar dimensões energéticas jamais produzidas na Terra. Para tal, vão acelerar mais pacotes de prótons maiores, fazendo-os colidir com maior frequência. Assim, no centro do colisor se formará uma bola de fogo ainda mais quente, a partir da qual se criarão partículas minúsculas: os "blocos de construção" da matéria. Quanto maior a produção de energia, mais pesadas as novas partículas.
Os pesquisadores esperam poder ver a partícula mais leve, dentre as previstas na teoria da supersimetria. Ela poderia ser o tão procurado componente da matéria escura, pois, segundo a teoria, essa partícula surge da decomposição da matéria escura.
A partir de modelos virtuais, os pesquisadores do Instituto Max Planck de Física, sediado em Munique, já ensaiam a maneira de "farejar" partículas de matéria escura nos detectores do LHC. "Essa simulação nos ajuda a descobrir o que devemos procurar depois, no imenso fluxo de dados", expõe Hubert Kroha, pesquisador do instituto.
Além da supersimetria, o bóson de Higgs, recém-descoberto no Cern, também tem um papel importante. Ele poderia ser a "alça" pela qual os físicos conseguirão "segurar" também a matéria escura, já que essa partícula é o que dá massa a toda matéria – e é sobretudo pela gravidade que a matéria escura se manifesta. "O bóson de Higgs poderia interagir com a matéria escura" e fornecer aos pesquisadores informações sobre suas propriedades, especula Kroha. Por isso, o mundo científico fala de um "portal de Higgs para a matéria escura".
Existência da partícula de Deus foi comprovada em 2012
Presença invisível
Contudo, os cientistas não verão nos detectores a matéria escura, em si. Eles a reconhecerão apenas pela ausência de energia, uma vez que ela não deixa vestígios, como os demais elementos da matéria surgidos da colisão de prótons.
Os cientistas sabem exatamente quanta energia se produz na colisão de dois prótons, pois ela pode ser medida precisamente, assim como a energia dos componentes de matéria resultantes do choque, e também seu caminho através das diferentes camadas do gigantesco Detector Atlas do LHC.
Na maioria das colisões, os componentes da matéria se espalham em todas as direções, quase uniformemente. Somados, eles acusam uma quantidade de energia igual à decorrente da colisão dos prótons.
Se após um choque ocorre um desequilíbrio na distribuição da energia medida, e as partículas visíveis possuem muito menos energia do que a resultante da colisão dos prótons, esse poderia ser um indício da presença de matéria escura. Com base nos modelos que descrevem todas as possíveis reações das partículas, os físicos podem descobrir de que se compõe a matéria escura.
Se os pesquisadores do LHC conseguirem provar que a matéria escura é composta por partículas e desvendar sua natureza, eles estarão um pouco mais próximos de um antigo sonho: a teoria unificada. Esta reuniria todas as quatro forças fundamentais da natureza: a gravidade; a força nuclear forte, que mantém unidos os núcleos atômicos; a força nuclear fraca, pré-requisito para a radioatividade; e o eletromagnetismo.
Albert Einstein já procurava por ela, mas em vão: essa "teoria de tudo", que abrange o microcosmos, o macrocosmos, o mundo quântico e a teoria da relatividade, poderia fornecer novos insights sobre as fases iniciais do nascimento do universo – a origem de toda a existência.

DW.DE

terça-feira, 24 de junho de 2014


MIGUEL JOSINO
Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura
De um tempo para cá a Advocacia modernizou-se. Antes, era um sufoco sair à pro­cura duma legislação aplicável ao caso concreto ou um texto jurisprudencial adequável para dar sustentáculo à tese esposada.
Daí, vir a propósito, a citação de Seabra Fagundes, em trabalho apresentado à 3ª Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção federal, em Recife (1968), sob o título "As imperfeições da elaboração legislativa e o exercício da Advocacia :
"Atualmente é tal o tumulto de legislação abundante e mal elaborada, que o exercício da Advocacia exige, na maioria das vezes, seja ela de empresa, seja forense, virtualidades além do comum. Por vezes a simples localização e identificação da norma aplicável, em meio a múltiplas leis que interferem com o mesmo assunto, um emendando ou revogando parcialmente as outras, exige horas e horas de pesquisa e estudo. Eis porque já se disse, com espírito satírico, porém veraz, que hoje é mais penoso para o advogado achar a lei ajustável a uma relação de direito do que interpretá-la ".
A evolução da Informática modernizou os Escritórios advocatícios, o trabalho dos Cartórios e o desempenho dos Tribunais.
A Justiça, hoje, anda mais célere e julga melhor. O advogado, o promotor, o procu­rador e o juiz são mais preparados profissionalmente que os seus colegas de antanho, salvante exceções. Para isto contribuiu muito o progresso tecnológico e a metodologia de ensino. Os cursos de pós-graduação são mais acessíveis, a especialização por áreas, os congressos, as palestras e conferências são facultados a um maior número de interessa­dos; sendo também, mais objetivos e práticos. O próprio Curso de Direito mudou. No nosso tempo tínhamos noventa por cento de aulas doutrinárias. No presente, as aulas práticas são dominantes, com a Prática Jurídica implantada, entre nós, pelo Professor Edgar Smith Filho, cujo pioneirismo no Nordeste tem sido aplaudido.
O telefone (DDD), o Fax, a Xerox, o gravador, o computador e outros instrumentos revolucionários no campo da técnica e da cibernética, são instrumentos preciosos e utilíssimos, enfim, a automação, possibilita o rápido desempenho e a mais perfeita tramitação processual e julgados da Justiça.            Miguel Josino Neto foi um advogado moderno e avançado nesse sistema informatizado, além de talentoso e competente profissional. Formando ainda, fez estágio na Consultoria Geral do Estado, recebendo apreciáveis ensinamentos.
O aprendizado em Direito Administrativo deu-lhe os meios imprescindíveis à sua  atuação na Procuradoria Geral do Estado, assim como na área judicial onde defendeu as  causas do Estado com diligente capacidade. Tudo fazendo jus ao título de primeiro lugar em concurso de provas e títulos para Procurador do Estado.
Em plena juventude, Miguel Josino já despontava como um dos melhores causídicos do Rio Grande do Norte. Nos dias que passam os moços se adiantam cedo na jornada intelectual.
O soberbo "batalhão sagrado " que Péricles criou a sua Atenas - a Mocidade, é que as pátrias depositam a sua esperança.
São dois pronunciamentos merecedores de meditação por parte daqueles que têm sen­so de responsabilidade: o primeiro, expresso por um pensador de renome internacional; e, o outro, de um mandatário espiritual de visão profética.
O dever e o exercício advocatício é dos mais importantes para a salvaguarda do Estado de Direito, porque, sem ele, tudo resvala para o governo da ignorância, das decisões apressadas e deliqüescentes, sem o imprescindível amparo jurídico.
"O governo de homens " — o que empurra o Legislativo com a barriga para dar azo ao seu ego paranóico - "é o governo do arbítrio"; o outro, "o das leis" - e da juridicidade - "é o Estado de Direito ", enfatizou o constitucionalista pátrio Luís Pinto Ferreira.
Diante da situação político-administrativa do Brasil, em que os escândalos se suce­dem na telinha da mídia eletrônica, o Direito deve resguardar a sua ética, a sua sisudez, o seu caráter deontológico. É o que se impõe, para o momento, a fim de neutralizar os efeitos deletérios do atraso em que se encontra a máquina administrativa dos Estados brasileiros; em sua maioria, dirigida por pessoas de formação técnica incompatível com o trato de maté­ria de direito administrativo.
O grande Hauriou foi um dos precursores a pregar a moralidade administrativa. Alu­de Cármen Lúcia Rocha, em trabalho especializado - Princípios Constitucionais da Admi­nistração Publica, 1994:
"A moralidade administrativa tornou-se não apenas Direito, mas direito público subjetivo do cidadão: todo cidadão tem direito ao governo sério e honesto".
Infunde-se, portanto, tais considerações, acima relacionadas, para a aplicação cor­reta do vero Direito atualizado nas questões estatais, exigindo-se o dever a ser cumprido consoante as normas jurídicas embasadas pela égide da moral.
E por essa diretiva prudente que é pautado o trabalho de Miguel Josino Neto, na Advocacia e na Procuradoria Geral do Estado.
Declarou José Ribeiro de Castro Filho, antigo Presidente do Conselho Federal da OAB:
"O advogado tão necessário como a justiça e como ela tão antigo, colocado entre os homens e a lei, deve ser o combatente armado, a palavra em luta, onde quer que o chame o direito ameaçado ".
Dos mais desgastantes o ofício advocatício. O culto advogado Levi Carneiro, certa vez, foi a um médico em Paris. Sem saber quem era o cliente, o clínico o examinou e disse: - "O senhor é Advogado ". - "Por quê? ", indagou Levi, admirado, já que não dissera a sua profissão. Respondeu-lhe o médico francês: - "O seu fígado está martirizado pelas coisas da vida ocasionadas pela profissão: o senhor tem "um fígado jurídico".
Como se vê, o advogado paga oneroso tributo à saúde pela sua atividade estressante, embora haja uma compensação, na sua tarefa nobilitante para a sociedade: é ele, o juris­ta, um criador de bens culturais, no dizer de Miguel Reale.
Orador eloquente da sua geração, Miguel Josino foi um Advogado para o terceiro Milênio da Era da Cristandade, porque abeberou-se das fontes cristalinas da cultura do Direito.
Atuante e competente o seu desempenho como Procurador Geral do Estado. Exorbitava, às vezes, das atribuições do cargo, a fim de melhormente servir ao Estado e aos cidadãos.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ulisses de Góes, o criador de escolas e cooperativas de crédito em Natal.

Ulisses de Góes (2) – Jurandyr Navarro


A Educação, com “a Escola de Comércio do Professor Ulisses de Góes”, serviu de alavanca para muitos dos seus alunos ocuparem, na maioridade, posição de relevo na sociedade da Cidade dos Reis Magos.
Cooperativismo – na gestão do Bispo D. José Pereira Alves, em Agosto de 1926, é fundada a Caixa Rural e Operária de Natal, com Ulysses de Góes à sua frente.
A primeira Cooperativa de Crédito de Natal foi composta de Ulisses de Góes, Perceval Caldas, Juvino dos Santos, Felipe Nery de Andrade e Clidenor Pereira. O seu número teve um crescendo significativo em pouco tempo, levando-se em conta o natural atraso da época. Mesmo assim, no curto período de seis anos – 1931-37, já contava cerca de vinte e quatro Cooperativas, sendo dezessete Caixas Rurais, uma Caixa de Crédito operária e uma Cooperativa de Consumo de Funcionários Públicos.
No início dos anos cinquenta já existiam sessenta e dois estabelecimentos de crédito cooperativos no Estado do Rio Grande do Norte. O trabalho encetado pelo Professor Ulisses granjeou adeptos e seus frutos se multiplicaram.
Em 1951, a 16 de Julho, a Congregação Mariana criou o Instituto de Assistência aos Cegos e Surdo-Mudos, que ficou sob a direção criteriosa do médico Ricardo Barreto. Mantinha tal Instituto, uma Escola de leitura do método Braile.
Desenvolvimento Econômico – Dotado de um cérebro atilado para liderar e administrar não podia ficar insensível à necessidade inadiável, naquele tempo, da implantação da eletrificação, para acionar a incipiente indústria riograndense. Foi com denodo que Ulisses de Góes se atirou de corpo e alma nessa Campanha, nos anos cinquenta para os anos sessenta, até a sua consumação no Governo Aluízio Alves.
Imprensa – Em 1922 o Bispo D. Antônio dos Santos Cabral cria o jornal “A Palavra”, como órgão da Congregação Mariana. Dois anos depois, o então grande orador sacro, D. José Pereira Alves, funda o jornal “Diário de Natal”. Neste matutino o Professor Ulisses teve participação ativa ao lado do Monsenhor João da Matha Paiva, Alberto Roselli, José Ferreira de Souza, Oscar Wanderley e outros. Perdurou até 1932. Neste ano foi criado o “Centro de Imprensa” da Diocese, a 30 de setembro. Inicialmente foi dirigido pela cúpula do marianismo: organizado o centro, surgiu o vespertino “A Ordem”! Compunham a organização Otto de Brito Guerra, o Padre Luiz Monte, Ulisses de Góes, Felipe Nery, Francisco de Oliveira Neco, Francisco Veras Bezerra, Hemetério Serrano Lyra, José Borges de Oliveira, Manoel Genésio Gomes, Vital Joffili, Manoel Rodrigues de Melo, Monsenhor Alves Landim e outros. O seu primeiro número circulou a 14 de Julho de 1935, com o Editorial escrito pelo Padre Luiz Monte, intitulado “Nossos Propósitos”. O jornal durou cerca de trinta e cinco anos, até o final da gestão de D. Eugênio Sales como Bispo de Natal.
Esse grupo enxergou a grande força do jornal numa comunidade. Na Igreja, o Púlpito deveria ser ampliado.
É o jornal o arauto dos tempos modernos. A mensagem humana sempre teve a necessidade de uma tribuna para ditar as normas da sociedade politicamente organizada. Com os Hebreus a Assembleia dos Anciãos pregava a palavra da experiência. Surgiu a Agora da Polis, o Aerópago Ateniense, o Fórum, o Senado Romano. Hoje, a sua voz ecoa do Parlamento político, do Púlpito dos templos religiosos, da Praça pública.
Ulisses de Góes visualizava o jornal não com o prisma encarado pela maioria das pessoas, ou seja, de mero divulgador de noticias, espécie de mensageiro que se conduz à frente das revistas e dos livros, a notícia em primeiro lugar, o mensageiro das novidades da política, da economia, das descobertas científicas, registrando a evolução das religiões, o desenvolvimento dos esportes, noticiando a tragédia e a comédia da vida, enfim, tudo que merecesse divulgação.
Para ele o jornal não era somente esse diário noticioso, propagador de eventos sociais tinha ele, também, sobretudo, o seu valor intrínseco, como arma poderosa, podendo, com os livros e revistas, ser instrumento do bem ou do mal.
Bem orientado e bem dirigido, sustentado pela alavanca da Moral, seria educador por excelência, complementando a pedagogia das escolas. E, inversamente, acarretaria consequências danosas à sociedade.
Daí a diferença entre a chamada imprensa noticiosa e a imprensa educativa. E se esta última envolver em suas matérias o bálsamo salutar da Religião, poderá ser chamada de Boa Imprensa.
Esta, a imprensa de Ulisses de Góes.
E não somente isto. Ele fazia jornalismo, não por diletantismo ou prazer pessoal, ou ainda profissionalismo; mas, imbuído do intento primacial de difundir o Bem: utilizar um dos veículos mais importantes da comunicação do mundo para essa finalidade, sem a qual, a imprensa seria transformada em balcão para negócios ou servir à politicalha, “a velha barregã e a malária dos povos”, no dizer de Rui Barbosa.
Incomensurável o valor do jornal, tal, o dos livros, revistas, rádio, televisão. A informação destes últimos são mais voláteis, desaparecendo com o efeito da imagem e do som, em minutos, da nossa percepção sensorial. O efeito do jornal, pelo contrário, perdura como do cinema gravado e da Internet. Passa o jornal de mão em mão, podendo ser lido e relido, continuamente, conduzindo o facho sempre aceso da informação.
Ulysses de Góes sabia da importância fundamental da imprensa escrita, do seu fascínio, da sua alta literatura e do seu poder. Antes dele, Pio XI já havia alcançado e percebido o concurso valioso da imprensa católica, ao ponto de declarar ser ela a sua própria voz! Da mesma forma se expressou o seu sucessor, em relação à sua imperiosa necessidade.
As afirmações dos dois Pontífices do mundo moderno foram postas em prática pela comunidade do catolicismo universal.
São Francisco de Sales, no seu tempo, sentiu, também, a força da palavra escrita, enxergando que os Sermões proferidos dos púlpitos da sua Igreja, somente eram ouvidos por reduzido numero de fiéis. E teve a feliz ideia de redigir boletins e distribuí-los no seio da comunidade em que vivia, Anecí; e, depois, em Genebra, combatendo as heresias de Calvino, alcançando, dessa forma, um dilatado conglomerado social. Depois, essas notas avulsas receberam a denominação de “Controvérsias”, por meio das quais, conseguiu converter inúmeros incrédulos.
Foi São Francisco de Sales o primeiro jornalista católico, e, por tal, é hoje o Patrono dessa categoria profissional.
Ulisses de Góes não só incentivou, e ajudou a criar jornais, mas, neles dava o seu testemunho eloquente, escrevendo muitos artigos e concedendo entrevistas as mais diversas. Pertenceu aos quadros da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, e tem matrícula número 01 (um), na Associação do Rio Grande do Norte.
O jornal, igualmente ao coração, marca o pulsar de uma sociedade: os seus propósitos, os seus anseios, as suas desditas, a sua esperança… Já houve quem dissesse ser ele uma enciclopédia. Notícias, divulgações, ilustrações de todos os matizes dão um colorido vivo às suas páginas. Cérebros inteligentes descortinam nos seus escritos paisagens de sabedoria Peças literárias radiografam a cultura de um povo. O legado do passado constrói a sua história. Heróis da santidade, do civismo pátrio, imolados da ciência nele recebem a sua homenagem. O jornal tudo registra: o crepúsculo do ancião, a sua dor; a aurora do jovem, a sua felicidade; o sorriso da criança, a sua alegria; o amor dos amantes, a prece do penitente, o heroísmo do mártir, a pureza da donzela, o triunfo do espírito sobre a matéria. A tudo o jornal noticia, fotografa e comenta.
E ele o professor, o médico, o advogado, o padre. Podendo, também, ser o bandido…
Nas suas linhas a sociedade é retratada e delas se utiliza para o intercambio da linguagem escrita; delas se utiliza para a cobrança de seus direitos postergados; utiliza-se delas para firmar sua cidadania amparada pela justiça e pelas normas civilizatórias.
Das suas páginas partiu o J’Acuse! de Zola, que pôs em liberdade um inocente, limpando a honra vilipendiada.
Tal o dever da Imprensa. Disto ela não pode se arredar sob pena de se transformar em instrumento propagador do maléfico. A Boa Imprensa, a imprensa católica, a imprensa de Ulysses de Góes, não pode fugir aos ditames das consciências sociais e patrióticas.