sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Cardeal que recebeu aplausos da sociedade civil brasileira.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

JN




Cardeal EUGÊNIO SALES
Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura
Aplicando a capacidade cognitiva à disposição de um labor construtivo, fez de Dom Eugênio Sales alvo do aplauso unânime dos seus patrícios.

Um Prelado originário de uma minúscula cidade - Acari, obscuridade geográfica do mapa-mundi, converteu-se no grande apóstolo da modernidade católica, cuja admi­ração causada pelo trabalho magnífico empreendido, atravessou fronteiras internacio­nais e chegou à abóbada do Vaticano.

Dom Eugênio tornou-se

"um virtuoso na arte do possível",

como diria Jean Lacouture (1991) a respeito do herói de Pamplona o fundador da Ordem Jesuíta, a instituição dos conquistadores e dos intelectuais da Igreja Católica Apostólica Romana.

A extraordinária trajetória do Cardeal Sales começou em nossa Capital, passando pela Cúria de Salvador e ultimando no Arcebispado da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Foram cinquenta anos de luta pertinaz, sem canseiras nem cavilações; nem de­magogia, sem alarde e sem buscar os holofotes da publicidade paranóica. Proeza fan­tástica somente realizável e consumada pelos verdadeiros líderes da Humanidade, la­bor incansável reconhecido por todos.

Não direi aqui as suas muitas realizações. O seu número exorbitaria do texto aqui aplicado. Não aludirei às suas Palestras nacionais e internacionais, às Medalhas rece­bidas, aos Troféus acumulados, os testemunhos dos políticos, intelectuais e Cardeais de todos os idiomas ditos a seu respeito e também de Pontífices. O seu curriculum vitae daria as páginas de uma plaquete. Desenho, apenas, nesta página, alguns traços marcantes da sua vida trepidante, a vol d’oiseau.

Pertence, Dom Eugênio, à categoria restrita daqueles bravos em que a Nação pode confiar o seu patriotismo e a Igreja o seu altar. Nele, dificuldade não era sinônimo de impossibilidade.

Ninguém poderá medir no compasso, pesar na balança, e pôr na estatística as realizações desse Notável condutor de almas. Muitas vezes pensava uma iniciativa pela manhã e na parte da tarde estava ela concretizada. A sua atividade indormida transfor-mou-o num grande administrador, auxiliada, também, pela clarividência de sua mente objetiva.

Disse Peter Druker, famoso autor da Ciência da Administração, que

"não há países subdesenvolvidos; e sim, sub-administrados".

Conclui-se desse corolário ser o bom político, o bom administrador o fator essen­cial do desenvolvimento civitizatório de uma nacionalidade. O Brasil já teve bons e me­díocres governantes todos sabem; como a Igreja Católica, Bispos realizadores e outros apenas contemplativos.

O Trabalho foi sempre a constante e a determinante ideia fixa posta em prática por esse audaz cavaleiro do Grande Rei, vencendo todos os aclives do caminho tortuoso percorrido. Ele semeou a semente do Bem no coração dos fiéis, dos infiéis, dos letrados e ignorantes, pois todos são filhos de Deus.

Como disse Vieira, tribuno inigualável, há muita diferença entre o semeador e o que semeia.

O semeador é o nome, o que semeia é ação! O apostolado de D. Eugênio foi todo de Ação.

Não havia óbices para o herói de Pamplona no ardor da sua luta. O mesmo se deu na vida do Cardeal Sales, toda ela determinada através de um trabalho pertinaz, em edificar uma Igreja melhor "Quero uma Igreja de Homens e não de pedras", disse certa vez, visando o Bem da humanidade, como induz a divisa jesuíta: Ad Majorem Dei glori­am (Para a maior glória de Deus).

Todos devemos ter um ideal, um ideal nobre. D. Eugênio acendeu a chama do ideal desde a mocidade.

"Felizes, disse Bordeaux, os que colocaram bem alto o sonho da sua vida". Afirmou Riboulet (Rumo à Cultura, 1977): "Quando o ideal se apodera de uma inteligência, domina-a completamente".

Expressões estas condizentes com a postura existencial do eminente Bispo potiguar, obedecendo, sempre, na sua vida um ideal nobre.

Eis por que exultava Pierre Rostand, da Plêiade, a chamar, sobre a amplidão da praia sombria, a onda sonora do ideal.

Além de cultuar um ideal elevado, Dom Eugênio aprofundou-se no fazer, dizendo com Carlyle:

"O viver é uma conjugação ininterrupta do verbo fazer".

Não o fazer por fazer, da multidão anônima; mas, o fazer programado pela inteli­gência e acionado pela vontade: o savoir faire!

De suas meditações e questionamentos redundaram mudanças importantes no Governo pontifício. A sua palavra autorizada foi ouvida por Chefes da Cristandade.

A formação do ínclito varão católico foi mais intensificada no ambiente temporal, do que propriamente no ambiente religioso, embora jamais descurasse a atenção primacial deste último. Cursou o Seminário depois do período turbulento da puberdade. Passou a infância e parte da adolescência envolvido na sociedade profana, leiga e libe­ral.

Diversa, portanto, a sua visão social daquela vislumbrada pela maioria dos seus colegas de ministério eclesial. Assim foi a vida de Loyola; do Bispo de Hipona e de alguns Papas, dentre eles João XXIII e Paulo II.

Daí, a inclinação de D. Eugênio, desde a Ordenação em buscar responsabilidades junto aos leigos, para juntos atuarem nas comunidades ditas carentes. Tal se depreende do texto bíblico, a atuação de Esdras, o sacerdote e de Neêmias, o leigo; animados ambos, numa ação conjunta pelas terras da Judeia.

Ciente da força da Imprensa, usou o Jornal, o Rádio e depois a Televisão, para ampliar a voz do púlpito.

A prece contemplativa no Altar e a ação do Trabalho formaram o binômio vitorioso da trajetoria do aplaudido Pastor. Jamais foi dobrado pelo cansaço na caminhada por estrada tortuosa, sem admitir recuos ou desfalecimentos.

Lembra esse labor incansável, as palavras incisivas de Henri Bergson:

"O que me impressiona em Jesus, é essa ordem de ir sempre avante. De modo que se poderia dizer que o elemento estável do Cristianismo é a ordem de jamais se deter".

Por todos reconhecida a extraordinária gesta de meio século pela Igreja, pelos trabalhadores, pela sorte dos detentos e reclusos e dos pobres em geral e também guieiro da elite social.

Foi ele um Pastor que teve dignidade no cargo exercido, em consideração e reve­rência aos postulados éticos do Cristianismo.

A propósito disso declarou Guizot:

"A Igreja Católica é a mais vasta escola de respeito, de obediência e de autoridade".

O eminente nordestino foi uma das autoridades mais acatadas da nação brasileira.

Não irei mais me alongar sobre personalidade tão significativa, mesmo porque dela falar seria um nunca acabar...

Numa palavra, foi ele o grande Príncipe da nossa Igreja!

O Cardeal Eugênio de Araújo Sales não é somente uma destacada figura do Rio Grande do Norte e do Brasil; tem ele o seu nome augusto lugar perpétuo na galeria restrita e luminosa dos imortais vultos da Humanidade.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Não houve envolvimento russo na derrubada de avião na Ucrânia, segundo EUA.

Mundo

Fonte: Voz da Alemanha - dw.de

EUA não encontram sinais de envolvimento direto da Rússia na queda do MH17

Inteligência americana diz, porém, que russos criaram as condições para a queda da aeronave ao apoiar separatistas do leste da Ucrânia e que estes provavelmente derrubaram avião "por engano".
Representantes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos afirmaram, nesta terça-feira (22/07), não terem encontrado evidências de envolvimento direto da Rússia na queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Entretanto, os funcionários declararam que Moscou foi responsável por "criar as condições" que levaram à tragédia no leste da Ucrânia.
Numa entrevista à imprensa em Washington, os funcionários, que pediram para que seus nomes não fossem revelados, afirmaram que os russos vêm armando os separatistas no leste ucraniano, mas que não há evidência direta de que o míssil usado para derrubar o avião veio da Rússia.
"Ainda estamos trabalhando para determinar se houve uma ligação direta, se havia russos em terra, se eles treinaram os separatistas", afirmou também o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, em entrevista à emissora CNN.
Os representantes da inteligência americana que falaram sob anonimato à imprensa afirmaram que o voo MH17 deve ter sido derrubado "por engano" por um míssil terra-ar SA-11, disparado por separatistas pró-Rússia. "A explicação mais provável é que foi um engano", disse um dos funcionários.
Também foram rebatidas as alegações de que o Boeing 777 teria executado uma manobra perigosa semelhante "às que fazem os aviões militares". Segundo um alto funcionário, tal afirmação não tem fundamento.
Além disso, para a inteligência americana, a explicação da Rússia sobre a catástrofe, que sugere que a Ucrânia teria derrubado o avião, não é realista, pois Kiev não tem mísseis do tipo usado nessa área, claramente dominada pelos separatistas. Se a versão russa fosse verdadeira, isso significaria que as tropas do governo ucraniano teriam lutado para entrar na área, atirado no avião e, depois, lutado para sair novamente.
Além disso, Kiev teria que ter orquestrado as postagens de separatistas nas redes sociais, dizendo que haviam abatido um avião. "Isso não me parece plausível", afirmou um dos funcionários.
Outro argumento que depõe a favor do governo ucraniano é que ele não teria motivos para empregar um sistema antiaéreo, já que os separatistas não têm utilizado helicópteros e nem realizado bombardeios. O mesmo não pode ser dito dos militantes, que enfrentam ofensivas aéreas do governo, afirmaram as autoridades americanas.
Chegada dos corpos
Na tarde desta quarta-feira, está prevista a chegada de um voo com os primeiros restos mortais das vítimas do voo MH17 a Eindhoven, na Holanda – país de origem de 193 das 298 pessoas que estavam a bordo da aeronave.
Os caixões serão recebidos pelos parentes das vítimas, pelo casal real holandês e pelo primeiro-ministro do país, Mark Rutte. Será feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. O governo declarou luto nacional nesta quarta-feira.
Ainda não se sabe ao certo o número de corpos que foram colocados no trem com vagões resfriados usado para o transporte dos restos mortais das vítimas. Um especialista holandês que examinou os restos mortais falou em 200 corpos, mas os separatistas teriam falado em 282.
Junto com os corpos está prevista também a chegada das caixas-pretas. Elas foram entregues pelos separatistas a especialistas malaios, que o repassaram aos investigadores holandeses. Por fim, especialistas britânicos avaliaräao o conteúdo das gravações, que deverá fornecer pistas sobre a causa do acidente.
IP/dpa/afp/rtr/lusa/ap

terça-feira, 22 de julho de 2014

O homem foi à Lua e a bandeira não tremeu porque não há vento.


Clique Ciência: se na Lua não venta, por que a bandeira dos EUA tremeu?

Tatiana Pronin
Do UOL, em São Paulo




Clique Ciência61 fotos

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Lá se vão 45 anos que o homem pisou na lua pela primeira vez. E ainda assim, há quem acredite que tudo não passou de uma armação dos americanos. O maior argumento diz respeito à bandeira americana, que parece se mover na foto. É isso mesmo? Conheça os fatos para acabar com esse mito Nasa/AP
Nesta semana, o mundo comemora o aniversário de 45 anos do dia em que o homem colocou os pés na Lua pela primeira vez. E apesar de tanto tempo ter passado, ainda há quem acredite que tudo não passou de uma armação dos americanos. Um dos argumentos mais utilizados para alimentar a teoria da conspiração é o da bandeira dos EUA, que aparece em movimento nos vídeos da Nasa (a agência espacial americana). Como isso é possível se na Lua não venta?
O questionamento sobre a ondulação da bandeira aparece em todos os textos e documentários criados para espalhar a tese de fraude, que nasceu nas palavras de Bill Kaysing, autor do livro "Never Went to the Moon"("Nunca fomos à Lua"), de 1974. Kaysing morreu há alguns anos, mas suas ideias nunca deixaram de circular, ainda mais com o advento da internet.
A questão é que os vídeos originais da Nasa são bem tediosos e ninguém tem muita paciência para assisti-los inteiros. E se a bandeira aparece tremulando no momento em que é fincada na Lua, ou quando o astronauta a arruma, as mesmas imagens a mostram paradinha momentos depois, como deve ser em um ambiente de vácuo como é o espaço.
"Se você olhar com cuidado os filmes da época, ou as fotos, verá que a bandeira está parada, e só se mexe quando algum astronauta a toca. Quando ele faz isso, ela se move como um tecido se moveria, ou seja, vai fazer uma onda. Não por causa de vento, mas sim pelo movimento provocado pelo astronauta diretamente na bandeira e pela flexibilidade do tecido", explica Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Brasileiro de Luz Síncrotron e do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo).
Na verdade, a bandeira se move daquele jeito ao ser manipulada justamente porque não está sujeita à resistência do ar. Vale lembrar que o mastro é de alumínio flexível, por isso o movimento continua mesmo depois que o astronauta tira a mão. "A inércia faz com que ela continue a se mover", esclarece o especialista Roger Launius, do Museu Espacial Smithsonian, em Washington, em reportagem da National Geographic sobre o tema.



Apollo 11- Homem pisa a Lua pela primeira vez20 fotos

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20.Jul.1969 - Armstrong foi o primeiro a sair da nave. Ao pôr os pés na Lua, disse a célebre frase: "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a Humanidade" Leia mais Arquivos da Nasa

Mitos

O astrônomo Phil Plait, autor do premiado blog "Bad Astronomy", tem um post específico para explicar não só a história da bandeira, mas todas as outras divulgadas pelos conspiracionistas. Como o fato de que não há estrelas nas fotos tiradas pelas máquinas embutidas nos trajes dos astronautas da Apollo 11. Ele explica que o tempo de exposição das câmeras estava configurado para ser curto, já que o pouso ocorreu de manhã, com o Sol brilhando intensamente. Assim, a luz das estrelas que estão ao fundo não pode ser vista.
Outro argumento famoso é o das pegadas, que para ficarem assim tão bem definidas só poderiam ter sido feitas em areia molhada, segundo os céticos. Plait também derruba o questionamento, lembrando que o solo lunar é composto por uma areia finíssima, que lembra pó ou cinza vulcânica. Por isso, ela se comprime facilmente, formando o desenho detalhado da bota. E por que fica intacta por tanto tempo? Novamente, por causa do vácuo.
Vários desses mitos foram derrubados pelos divertidos apresentadores do programa "MythBusters", do Discovery Channel, que até usaram uma câmara de vácuo para desbancar as teorias. Mas o povo do contra não se convenceu: de acordo com eles, o programa é patrocinado pela Nasa.

Provas

"Muita gente tentou desacreditar a ida dos americanos à Lua, mas ela de fato aconteceu e isso é um consenso hoje em dia", comenta Galante. O pesquisador até cita uma prova clara disso: "Podemos enviar um laser para a Lua, fazê-lo refletir em um dos espelhos deixados para esse propósito pelos astronautas da Apollo, e medir o sinal de volta aqui na Terra."
Há várias outras confirmações, não só do pouso da Apollo 11, mas das missões que se seguiram até 1972, quando o dinheiro acabou. A missão indiana Chandrayaan-1, lançada em 2008, orbitou a Lua e confirmou que os jatos propulsores do módulo lunar da Apollo 15 alteraram a superfície, deixando-a mais clara. E olha que a Índia não teria nenhum interesse em apoiar os EUA em um eventual embuste.
Ainda há fotos de satélites que mostram objetos deixados pelos astronautas americanos na Lua, e confirmam a desconfiança de Buzz Aldrin de que a famosa bandeira caiu com a vibração do módulo lunar durante a decolagem. E, bom, há as centenas de amostras de rochas lunares trazidas pelos astronautas. Russos também fizeram coletas em missões não tripuladas e eles certamente teriam feito algum barulho caso houvesse diferença de composição entre as pedras.
Mas talvez seja mais interessante para certas pessoas pensar que foi tudo foi simulado - e teve até direção do cineasta Stanley Kubrick, dizem. Pelo menos enquanto não for possível para qualquer mortal ir até a Lua e procurar as provas pessoalmente. "Em breve, se alguém vencer o Google Lunar Prize, talvez tenhamos um pequeno rover particular visitando um dos antigos locais de pouso na Lua, mostrando aos incrédulos que há quase 50 anos já éramos capazes de viajar para outros corpos do nosso Sistema Solar", conclui Galante.




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GALÁXIA CENTAURUS - Imagem mostra a galáxia elíptica Centaurus A. A imagem foi captada pelo telescópio Hubble, da Nasa, a agência espacial americana, para sondar os arredores desta galáxia e saber mais sobre seu halo escuro de estrelas ESA /NASA

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Os escravos, conforme depoimento de Manoel da Rocha Bezerra.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Escravos, depoimento de Manoel da Rocha Bezerra



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Auto de perguntas a Manoel da Rocha Bezerra, em continuação do interrogatório feito na Vila de Macau, a cerca da questão dos africanos.
Aos 3 dias do mês de agosto do ano do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta, nesta cidade do Assú, comarca do mesmo nome da província do Rio Grande do Norte, em casa de residência do delegado de polícia em exercício do termo do Assú, capitão Luiz José Soares de Macedo, comigo escrivão interino de seu cargo abaixo nomeado, aí, perante o cidadão Manoel da Rocha Bezerra, pelo dito delegado lhe foram feitas as seguintes perguntas. 
Perguntado qual o seu nome, idade, estado, filiação, naturalidade, e profissão? Respondeu chamar-se Manoel da Rocha Bezerra, de setenta e sete anos, casado, filho legítimo de Balthazar da Rocha Bezerra, já falecido, natural desta Freguesia, e empregado na mesa das rendas provinciais da Vila de Macau.
Perguntado pelo delegado se conhece em Macau José Joaquim de Moura e Silva, e se sabe que ele vendera clandestinamente uma mulher livre como escrava pela quantia de oitocentos mil réis, quando e a quem? Respondeu que conhece José Joaquim de Moura e Silva, e sabe que ele vendeu a seu próprio pai Balthazar de Moura e Silva uma escrava de nome Benedicta, crioula, e que ouviu dizer que a venda se efetuara por oitocentos mil réis. Perguntando, ele delegado, se ele respondente sabe em que se funda o correspondente de Macau, para dizer em uma correspondência inserida no “Liberal do Norte”, de onze de junho deste ano, e datada de quatro do mesmo junho, que ali fora vendida por José Joaquim de Moura e Silva uma mulher livre? Respondeu que não sabia, mas que ouviu dizer que esta correspondência fora feita por pessoas desafetas ao mesmo José Joaquim de Moura e Silva, e a Joaquim Rodrigues Ferreira. Perguntado mais pelo delegado, se ele respondente sabia que em poder de Joaquim Rodrigues Ferreira, existem como escravos três pessoas livres, como também, além destes, outras pessoas livres em poder de alguém como escravo, segundo diz o mesmo correspondente? Respondeu que sabe que Joaquim Rodrigues Ferreira possui de oito a dez escravos entre os quais Antonia e duas filhinhas, cujo nome não se recorda; e que por ser a mesma Antonia filha de negra de Angola presume-se que nasceu de ventre livre; e quanto aos outros a que alude a correspondência, ele respondente não sabe.
Perguntado mais pelo delegado, se sabe de quem é filha a dita escrava Antonia? Respondeu que é filha de uma escrava de nome Josefa pertencente ao pai de Joaquim Rodrigues Ferreira. Perguntado mais pelo delegado se sabe de quem o pai de Joaquim Rodrigues Ferreira houve a dita escrava Josefa? Respondeu que não sabia.
Perguntado mais pelo delegado se sabia que no lugar Camoropim estiveram uns africanos que desembarcaram na Ilha de Manoel Gonçalves, vindos em uma escuna que ali aportou no ano de mil oitocentos e trinta e cinco; e se sabe que alguns desses africanos ou filhos dos mesmos são por alguém conservados em cativeiro, como diz o capitão Francisco Trajano Xavier da Cunha, em sua carta de vinte e oito de julho próximo passado, dirigida a esta delegacia por ocasião de ter sido chamado para dizer o que sabia a cerca daquela correspondência? Respondeu que é voz publica na Vila de Macau, que, na Ilha de Manoel Gonçalves aportou um barco no qual vinham africanos, e que dali seguira o mesmo barco para o Ceará, onde ouviu dizer que foram tomados os mesmos africanos pela justiça, em consequência de serem contrabandos; mas que do tempo em que isso se deu não recorda: tendo-lhe dito o mesmo Francisco Trajano Xavier da Cunha, que o finado D. Manoel de Assis Mascarenhas, quando presidente desta província, mandara sindicar desse fato por intermédio das autoridades daquela Ilha de Manoel Gonçalves, onde era então Juiz de Paz, Joaquim Álvares da Costa, mas que não sabe, ele respondente, se ali ficaram africanos vindos no mesmo barco.
Perguntado mais pelo delegado, se sabia de quem era filha Benedita, vendida por José Joaquim de Moura e Silva? Respondeu que era filha de Joaquina, escrava que foi de Balthazar de Moura e Silva. Perguntado mais pelo delegado se ainda existe Joaquina, e de que nação é, e se escrava, ou livre? Respondeu que ainda existe na Vila de Macau, é de nação angola, e hoje liberta pelo dito Balthazar de Moura e Silva; em consequência dos bons serviços a ele prestados. Perguntado mais pelo delegado se sabe donde houve Balthazar de Moura e Silva, a dita escrava Joaquina? Respondeu que por herança do sogro Antonio Joaquim de Sousa. Perguntado mais pelo delegado se sabe de quem a houve Antonio Joaquim de Sousa? Respondeu que não sabia.
Aqui encerrou o auto de perguntas que foi escrito por Luiz da Circuncisão Ferreira Cabeça e assinado em 23 de setembro de 1870.
Este documento foi extraído do jornal “O Assuense”, de 6 de outubro de 1870, digitalizado pela Hemeroteca Nacional.
Manoel da Rocha Bezerra, casou na Ilha de Manoel Gonçalves em 1829, com Josefa Jacinta de Vasconcelos. Era tio-avô do jornalista Pedro Avelino; Francisco Trajano Xavier da Cunha, viúvo, em 1826, de Maria Ignácia Fernandes Pimenta, casou em 1829, nas Oficinas, com Senhorinha Clara dos Anjos, irmã de Josefa Jacinta de Vasconcelos.
O português Antonio Joaquim de Sousa era casado com Thomázia Martins Ferreira, filha do capitão João Martins Ferreira. A filha deles, Josefa Martins de Sousa, casou com o português Balthazar de Moura e Silva, e daí nasceu José Joaquim de Moura e Silva. Este último casou, em 1871, com Antonia Leopoldina de Sousa, filha de Pedro Virgulino de Sousa e Maria Rodrigues Ferreira, esta última, irmã de Joaquim Rodrigues Ferreira, ambos filhos do português Manoel Rodrigues Ferreira e Izabel Martins Ferreira.