sábado, 6 de setembro de 2014

Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato .


 
 
 
 
Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato

Andreza Matais, Fausto Macedo e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo
05 Setembro 2014 | 19h 02

 

Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás que fechou acordo de delação premiada, empresas ganhariam contratos em troca do pagamento de propina de 3% para deputados e senadores

Atualizada às 21h29
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em depoimento prestado à Justiça na tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada. O peemedebista também foi citado por outros colaboradores da Justiça flagrados na Operação Lava Jato. 
Um dos negócios mencionados supostamente envolvendo Renan é um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que o fundo de pensão dos Correios, o Postalis, comprasse R$ 50 milhões em debêntures (um título que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora) emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. 
Segundo o relato de um colaborador ao Ministério Público Federal no Paraná, o doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O negócio não ocorreu porque Youssef e Paulo Roberto foram presos antes. A Marsans fechou seus escritórios e pediu recuperação judicial após as prisões. 
O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT. Em julho, os quatro integrantes da cúpula do Postalis tiveram sua exoneração pedida por dois conselheiros. A acusação é que a interferência dos partidos políticos no Postalis levou a “operações suspeitas” que explicam o rombo de R$ 2,2 bilhões acumulado de 2013 a junho de 2014. 
Procurada na tarde desta sexta-feira, 5, a assessoria de Renan Calheiros afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto até o fechamento desta edição. O Estado também tentou falar com o senador pelo celular, mas o aparelho estava desligado. 
Dida Sampaio/Estadão
Renan Calheiros foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em depoimentos prestados à Justiça
As investigações também revelaram que um apadrinhado de Renan tinha contato com Paulo Roberto. Na agenda e cadernos de anotação do ex-executivo, quando este já havia deixado a Petrobrás e operava negócios na iniciativa privada, o nome do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, constava quatro vezes em anotações nos anos de 2012 e 2013. 
A Transpetro é o braço da Petrobrás em processamento de gás natural e transporte e logística de combustível. Indicado para o cargo ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Machado se mantém há dez anos e quatro meses no posto com o apoio de Renan. Na agenda de Paulo Roberto há registros da anotação de celulares de Machado e de uma menção a "curso c/ Sérgio Machado, 5%", ao lado do valor R$ 5 mil e da inscrição "dois meses". A PF tenta decifrar a anotação. Em julho de 2012, Paulo Roberto, já ex-servidor da estatal, chamou a atenção ao comparecer a uma cerimônia de entrega do navio petroleiro Sergio Buarque de Holanda para a Transpetro. 
Deputados. As investigações da Lava Jato pela Polícia Federal apontaram nomes de vários parlamentares e partidos supostamente envolvidos no esquema de corrupção. Entre eles, o tesoureiro do PT, João Vaccari, os deputados André Vargas (sem partido-DF), Luiz Argôlo (SD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). Todos negam envolvimento em esquema de propina, mas não que tenham relações com o ex-diretor. 
Por causa do envolvimento dos parlamentares, o depoimento de Paulo Roberto será encaminhado para à Procuradoria Geral da República ao final para ser submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a validade da delação. O procurador-geral, Rodrigo Janot, acompanha com atenção o acordo de delação premiada que está sendo feita por Paulo Roberto Costa a colegas da força-tarefa da Procuradoria da República no Paraná que cuidam do caso. A reportagem apurou que Janot já foi informado da menção de autoridades com foro privilegiado nos depoimentos que estão sendo dados por Costa diariamente. 
Com a palavra, a Transpetro. A Transpetro esclareceu que "não há novidade" em relação a seu presidente. Em abril, a empresa já havia se manifestado ao Estado sobre a  citação a Machado na agenda do ex-diretor da Petrobrás.  Na ocasião, a Transpetro informou que as reuniões ocorreram a pedido de Costa para tratar de um pleito do Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e Contramestres em Transportes Marítimos. "O sindicato solicitava que a Transpetro patrocinasse um curso para que contramestres pudessem se formar mestres de cabotagem. A companhia reuniu-se com o sindicato e recebeu deste o pleito para realizar o curso. A Gerência de Recursos Humanos estudou o assunto e elaborou documento em que listava ao sindicato as razões pelas quais não era de interesse da Companhia patrocinar o curso. A Transpetro possui apenas contramestres em seu quadro funcional, os quais não pilotam embarcações da empresa. O curso não foi realizado."

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

UFRN produz GPS para monitorar meio-ambiente.

Fonte: Tribuna do Norte - 05.09.2014
Pedro Andrade
repórter

Desenvolver  e inovar pela independência tecnológica e para facilitar estudos científicos brasileiros. Esses são os objetivos do “aeroGPS”, projeto criado e desenvolvido por um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pioneiro no Brasil. Já lançado seis vezes em foguetes suborbitais (que não vão para o espaço) e utilizado em praticamente todos os lançamentos da Agência Espacial Brasileira (AEB), agora será aprimorado para uso em satélites.
DivulgaçãoFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em AlcântaraFoguete com aeroGPS foi lançado na segunda, em Alcântara

O último lançamento de foguete com aeroGPS ocorreu na noite da segunda-feira passada, 1º de setembro, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. “É um equipamento de localização e velocidade aprimorado, mais preciso que os radares usados hoje em dia no Brasil. Mas isso não os substitui, eles se acrescentam”, resumiu o professor Francisco das Chagas Mota, que desenvolveu software específico para foguetes.

Executado, testado e bem-sucedido, o projeto nasceu em 2001 nos Estados Unidos, mas começou a se desenvolver para sua aplicabilidade atual em 2006, no laboratório de Engenharia da Computação e Automação da UFRN, graças a um edital da AEB para projetos que visam desenvolver equipamentos a serem usados pela agência.

“A AEB é financiadora por edital que dura dois anos e estamos conseguindo renovar. Recebemos R$ 400 mil para equipamentos  e material para montagem de cerca de 30 GPS”, explica. Segundo ele, o custo unitário de um aparelho desse fica em torno de R$ 200 e são usados cerca de dois por ano.

A importância do desenvolvimento desse GPS no país, segundo Francisco Mota, é para facilitar o acesso a esse tipo de equipamento no Brasil. Para importar o produto o custo é alto e é preciso atender ao Internacional Traffic in Arms Regulations (Itar), ou “Normas para Tráfego Internacional de Armas” em tradução livre. “É preciso atender ao Itar, uma série de quesitos que vão avaliar em que será usado, de que forma, até com visita ao laboratório, porque o aeroGPS é considerado equipamento de risco, já que pode ser usado em mísseis”, conta o professor.

Segundo ele, esse é um equipamento estratégico e vantajoso, de importância fundamental pela parte de localização de um foguete, o que pode para levar a certa autonomia tecnológica do país.  Outra parceria destacada pelo professor Francisco Mota foi com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos, no interior do Estado de São Paulo.

“A parceria começou com a dificuldade que tivemos para conseguir os equipamentos e montar. Hoje, eles executam o nosso projeto de montagem e fazem a integração com o foguete. É uma parceria de interesses, boa para a gente, que tem o equipamento pronto, e bom para eles, que tem o nosso projeto”, explica.

Para o próximo edital da AEB, há um projeto que inclui as universidades federal de Brasília e Santa Catarina entre outras. Essas entrariam com a parte dos satélites que portariam o aeroGPS. O equipamento também precisa ser aprimorado e para ir a órbita. Mas, antes disso, participará do Projeto Sara, que deve lançar em dezembro o maior foguete dos últimos anos do Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Parnamirim.

Criado por um potiguar, desenvolvido no RN para aplicação no país, Francisco Mota já contou com quatro alunos da pós-graduação em Engenharia Elétrica e agora tem apenas uma equipe no IAE, de cerca de cinco pessoas, trabalhando nisso. “Com essa tentativa de aplicabilidade em satélites, estou tentando trazer o projeto pra cá e instalar no Instituto Metrópole Digital, onde já tem um laboratório destinado a isso”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Espaços públicos com nomes de árvores
Por Anchieta Fernandes
Foto pesquisa Google/Canindé Soares
Quando, em 1928, visitou Natal, Mário de Andrade, um dos criadores do modernismo na literatura brasileira, guardou boas impressões sobre a arborização da cidade, dizendo depois, em seu livro “O Turista Aprendiz”, a seguinte constatação entusiasmada: “Gosto de Natal demais. Com os seus 35 mil habitantes, é um encanto de cidadinha clara, moderna, cheia de ruas conhecidas encostadas na sombra de árvores formidáveis”.
Citando a frase de Mário em seu livro “Breviário da Cidade do Natal” (Edições Clima, 1979), o escritor Manoel Onofre Júnior lamenta que, “os ´espigões`começam a emparedar a paisagem”, e que das “árvores formidáveis” a que se referiu Mário de Andrade “restam apenas algumas na rua Jundiaí e na praça André de Albuquerque.” Teve contudo épocas, mesmo depois da visita de Mário, em que Natal foi bastante arborizada, inclusive contando com o maior cajueiro do mundo.
Os cronistas mais antigos lembram de como era agradável sentar-se nos bancos de madeira da Praça Padre João Maria, onde à gostosa sombra da gameleira e dos pés de fícus-benjamin chegava-se até a armar redes nos galhos, dormindo-se uma boa sesta após o almoço. Alguns tipos de árvores caracterizavam algumas ruas e avenidas, como as mungubeiras da Avenida Rio Branco, as carnaubeiras da Rua Potengi etc. Ou caracterizavam os quintais das casas dos ricos (fruteiras).
Hoje, os canteiros de algumas avenidas são arborizados (jambeiros, acácias, castanholas etc.). Mas, se atualmente, existe o perigo dos “espigões” emparedarem a paisagem – como alertou o escritor Manoel Onofre Júnior -, tirando o oxigênio tão necessário aos nossos pulmões hoje tão encharcados de etanol e hidrocarbonetos, existe contudo uma vocação arbórea a denominar ruas, avenidas, praças, travessas e alamedas de Natal com nomes de árvores. Exemplos:
Rua das Tílias (no Alecrim). Rua Babaçulândia  e Rua Buriti (no Conjunto Amarante), Rua Cajarana (Conjunto Boa Vista), Rua das Laranjeiras (no centro da cidade), Rua Bananeira, Rua Cajazeira e Rua Timbaúba (na Cidade da Esperança), Rua Algaroba, Rua das Carnaúbas, Rua Ciprestes, Rua Rio Curuá, Rua do Loureiro e Rua do Marmeleiro (na Cidade Satélite), Rua da Tamarineira (no bairro Felipe Camarão), Alameda das Acácias e Alameda dos Eucaliptos (Neópolis).
De outros conjuntos natalenses, os campeões em nomes de árvores denominando seus espaços públicos são o Panorama e o Potengi, ambos com dez árvores homenageadas, respectivamente: Rua do Sapotizeiro, Rua Umbuzeiro, Rua Castanhola, Rua Jaboticabeira, Rua Casuarina, Rua Cerejeira, Avenida das Oliveiras, Rua Mangabeira, Rua Maracujazeiro (que são as dez do Conjunto Panorama). Do Conjunto Potengi são as seguintes:
Rua do Cajueiro, Rua Jurema, Rua das Pitombeiras, Rua do Limoeiro, Rua do Coqueiro, Rua do Abacateiro, Rua Pau Brasil, Rua Oiticica, Rua da Jaqueira e Rua da Goiabeira. De todas as árvores mencionadas, algumas são mais vulgares e outras são árvores nobres, ricas de tradição na vida urbana e econômica de determinado país. Compare-se, por exemplo, a casuarina com o pau brasil. A primeira é apenas ornamental, a segunda é presença marcante, dando nome ao nosso país.
Mas cada árvore, até mesmo a mais aparentemente desimportante, tem a sua importância para a vida como representante do reino vegetal. As árvores entrelaçam dois objetivos: o de nos levar à comunhão com as raízes da vida, e o de nos deliciar com o sabor dos seus frutos juntamente com as magias da beleza ao exporem suas flores perfumadas, nos jardins, nos vasos caseiros, nas mesas de reuniões e seminários, e no nosso coração a cada primavera.
Por isso que elas motivam tantos artistas. Da mesma maneira que as tensões psicológicas de Van Gogh levaram-no a pincelar nervosamente os ciprestes, como chamas expressivas de sua febre interior, o natalense Vatenor pinta seus cajueiros, ou apenas detalhes dos seus frutos e folhas. Contudo, ao contrário do pintor holandês, que apresenta nas suas telas imagens angustiadas, Vatenor traz aos nossos olhos uma memória de infância vivida na Redinha.
Aliás, os artistas plásticos tem amor pelas árvores desde o próprio material com que trabalham, que usam para produzirem suas imagens e formas recriadas. O pincel com que Maria do Santíssimo desenhava seus galos e flores e folhas era feito de palito de coqueiro. Quanto aos artesãos, utilizam bastante madeiras, principalmente a umburana, para criarem seus objetos, seus carros de bois, seus cangaceiros, seus santos, seus vaqueiros, suas bandinhas de música.
Os cronistas desenham com as palavras, para expressarem seus sentimentos em relação às árvores, O saudoso Berilo Wanderley  fixou assim um momento inesquecível visto da janela do seu quarto: “Às vezes, quando não acordo tarde, ainda descubro lágrimas de orvalho escorrendo pelas folhas espalmadas das bananeiras que, vistas da janela, parecem diamantes, cintilando no sol” (trecho de uma das crônicas de Berilo Wanderley no livro “B.W. Revista da Cidade”, organizado por Maria Emília Wanderley, e publicado em 1994 pela Editora da UFRN).
O conjunto de todas as árvores inclusas na toponímia de espaços públicos de Natal pode ser dividido em várias espécies, conforme sua serventia prática ou apenas simbólica pelos seres humanos. Por exemplo: fruteiras (Rua do Abacateiro, Rua Bananeira, Rua do Coqueiro, Rua da Goiabeira, Rua Jaboticabeira, Rua das Laranjeiras, Rua Lagoa da Mangueira – no conjunto Soledade II; Rua do Sapotizeiro, Rua da Tamarineira, Rua Umbuzeiro). Outras espécies são ornamentais, medicinais etc.
Dentro do conjunto de todas as árvores com presença, pelo nome, nos espaços urbanos de Natal, existe a lacuna de algumas importantes em sua origem ou adaptação a solos nordestinos. Eu lembraria a canafístula, a cuitezeira, o licurizeiro, o pequizeiro, a quixabeira e o trapiazeiro. Veja-se a descrição científica delas: a canafístula é uma espécie do gênero Cássia, ornamental, apresentando-se com belas flores, ora vermelhas ora amarelas, nascendo em grandes cachos. Também é chamada tapira-caiena.
A cuitezeira, que tem também o nome cabaceiro amargoso, é uma árvore da família das cucurbitáceas (Lagenaria vulgaris), apresentando flores brancas e um fruto cuja polpa é amarga, prestando-se a tratamentos purgativos. O licurizeiro, ou aricuri, é da família das palmáceas (cocos coronata), com frutos comestíveis, dos coquilhos extraindo-se óleo, e das folhas cera (como a gloriosa carnaubeira, ambas resistentes às secas. Falarei agora do forte pequizeiro:
É da família das cariocaráceas (caryoca brasiliense), vem do cerrado mas muitas mudas foram plantadas no Nordeste, onde se adaptou bem. Com folhas trifoliáceas e grandes flores com bastantes estames. Os frutos, aromáticos, podem servir de tempero e para se fabricar licor. A quixabeira – não vi este nome em qualquer espaço urbano de Natal. É uma árvore de cor leitosa, da família das sapotáceas (Brumelia sartorum), proliferando bastante na caatinga.
Por fim, o trapiazeiro, também chamado catauari, vindo da Amazônia, mas também adaptado ao Nordeste. É da família das caparidáceas (cratalia benthami), com flores de pétalas lanceoladas e com frutos de bagas globosas. Tem propriedades medicinais. Esta árvore e as outras já mencionadas como vindas de outras regiões (originais do Nordeste é o juazeiro, a mangabeira e plantas cactáceas como o xique-xique ou a macambira), são adaptadas ou elas próprias sobrevivem através do xerofilismo.
O mestre José Guimarães Duque (o mesmo que deu nome à fundação mossoroense que, durante algum tempo se tornou responsável pela publicação da enciclopédia “Coleção Mossoroense”) explicou, em seu livro “Solo e Água no Polígono das Secas” (1949), que “no Nordeste seco, o clima de estabilização é o xerofilismo, é a caatinga, ou cerrado ou sertão, vegetação xerófila, baixa, retorcida, unida, espinhenta e agressiva, em solo raso, pedregoso, seco, quase sem húmus.” Esta vegetação natural possibilita restaurar o solo.
Outro botânico, F. von Luetzelburg, explicou sobre a resistência da vegetação xerófila às secas, principalmente quando a flora arbórea apresenta raízes tuberculadas, “verdadeiro sistema xilêmico ou tecido lignoso com os característicos particulares de zonas geratrizes ou de câmbio, gerando novas camadas de madeira ou lenho.” Ter estas árvores fornecedoras de madeira é de grande utilidade ao habitante da região, que assim pode ter com que construir o madeiramento de suas casas e saber porque uma árvore dá nome a
*Com postagem na página online do Jornal Zona Sul