sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Isso é Democracia!
(*) Rinaldo Barros
            Esta conversa pretende alumiar os desafios atuais pós-eleição, na busca de um projeto de Nação.
Democracia não anula a oposição. A oposição é necessária, na maioria das vezes aponta soluções.
Diz a sabedoria popular que “o pior cego é aquele que não quer enxergar”. Acendeu uma luz.
Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão da última terça-feira (4), pedido do PSDB para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos, para que possa, se desejar, realizar uma auditoria própria. Sábia decisão pacificadora!
Na oposição (sem adjetivo), ninguém odeia pobre, rico, negro, branco, nordestino, paulista, homem ou mulher! Odeia-se ladrões, e parece que parte da população brasileira também demonstrou isso: mais de 88 milhões de eleitores, aptos a votar, não votaram no PT (Dilma foi reeleita dentro do que determina a lei).
É indispensável e urgente aprofundar investigações sobre todo e qualquer tipo de corrupção, com foco na roubalheira da Petrobras e depoimentos de delação premiada (porque não podem mentir).
Fechadas as urnas e conhecido o resultado da mais disputada e acirrada eleição presidencial desde 1989, com 3% de diferença para a vencedora, a presidente reeleita terá de se defrontar com o desafio de governar um País de ânimos políticos acirrados como há muito não se via.
Além disto, o processo eleitoral, em tudo que o abarca, deixou para os próximos anos um cenário político mais complexo do que o encontrado pelos presidentes nos últimos 20 anos. E essa complexidade se refere a um conjunto de problemas. Vivemos um momento muito difícil, no patropi. Vejamos.
O menor problema (embora não seja simples) é o novo Congresso. Ao que se nota, a presidente reeleita terá de contar mais do que antes com os partidos de adesão - aqueles que apoiam qualquer governo, independentemente da coloração programática, desde que bem recompensados com cargos e verbas.
Na Câmara, esses partidos contavam com 13 agremiações até antes das eleições, saindo dela com 20. É bem verdade que, dentre eles, “apenas” 9 têm uma bancada de ao menos 15 parlamentares. E esses possuem o simbólico número de 50,1% das cadeiras. Ou seja, sem sua adesão, não se governará.
A dependência dessa adesão fisiológica se tornou ainda maior com o declínio da bancada do PT e aliados. Com o apoio do PSB, esse grupo beirava, formalmente, os 30% da Câmara e do Senado. Mas com o rompimento das siglas, bem como a perda de deputados pelo PT, esse número se reduziu para menos de 20% na Câmara e ficou em um quarto do Senado. A situação melhoraria um pouco no caso de um reatamento entre PT e PSB - hoje pouco provável.
O segundo problema será fazer a economia voltar a crescer e, ao mesmo tempo, por freio à inflação. Isso requererá medidas que, no curto prazo, poderão ser impopulares (cortes de gastos, aumento nos preços de energia e combustíveis, elevação dos juros), provocando um desgaste logo de saída. Serão também necessários sinais concretos ao setor privado que possibilitem uma retomada da confiança empresarial, viabilizando o aumento do investimento privado no médio prazo.
Caso o investimento privado aumente, poderá propiciar um influxo favorável à popularidade governamental. Porém, se demorar a ocorrer, para além de seus problemas intrínsecos, tende a gerar um desgaste que aumentará ainda mais o custo das negociações políticas.
O terceiro problema está relacionado ao clima de conflagração e acirramento de ânimos que vem caracterizando de forma crescente o debate nacional. Nas redes sociais e nas ruas, o ânimo político tem sido mais acerbado do que entre as lideranças partidárias. A criminalização pura e simples do adversário, a sabotagem digital e a disseminação de boatos perigosos indica que o próximo período promete turbulências indesejáveis.
O uso cada vez mais intenso e pouco rigoroso da palavra “golpe”, as analogias histórica e teoricamente descabidas do Brasil com regimes autoritários, tudo isto produz um clima político que requererá da presidente reeleita, e de seu partido, uma iniciativa real para o diálogo e uma ordem de moderação aos seus correligionários e simpatizantes. O diálogo deve vir em forma de projetos que interessem ao povo brasileiro: um Projeto de Nação. Para além das bolsas e das cotas, onde o Brasil quer chegar?
Afinal, deve-se governar para o conjunto da população, e não apenas para o PT e aliados.
Não levar isto em consideração, seja fomentando ainda mais a radicalização do debate, seja não orientando seus militantes para tentar unir o país, pode até mesmo não ocasionar uma deterioração mais séria das condições institucionais, mas tornará o ato de governar muito mais difícil.
Para que nosso povo volte a sonhar novamente, no caminho da mudança, vamos precisar de todo mundo.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2014


quinta-feira, 6 de novembro de 2014


 O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE VIVEU UMA NOITE MEMORÁVEL.


          Numa noite memorável, a Centenária da Memória Histórica do Rio Grande do Norte, realizou uma sessão especial e solene, reabrindo as suas portas à comunidade pesquisadora.
            Logo à porta de entrada se postou a Banda de Música da nossa Gloriosa Polícia Militar, que brindou a todos com inúmeros dobrados e marchas tradicionais.
          Rigorosamente às 20 horas, sob a Presidência do Escritor VALÉRIO MESQUITA, teve início à sessão solene do dia 05 de novembro corrente, com a presença de Autoridades, dos novos sócios e suas famílias e de uma grande assistência, que lotou o Salão Nobre e o Largo Vicente Lemos, que permitiu o acompanhamento através de um telão.

A Mesa dos Trabalhos
Após a composição da Mesa e palavras iniciais do Presidente, foi executado o Hino Nacional Brasileiro, pela briosa Banda de Música da Polícia Militar do Estado.
Em nome do IHGRN, saudando os empossandos, falou o Diretor Orador 
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO. 

 Em seguida ocorreu a entrega dos diplomas e, em nome dos empossandos, usou da palavra o novo sócio FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, proferindo um discurso marcante.


Na sequência dos trabalhos houve o lançamento do livro do consagrado Jurista, Político e Humanista AUGUSTO TAVARES DE LIRA sobre a "História do Rio Grande do Norte", edição do Senado Federal.
Encerrada a sessão, o Presidente convidou os presentes para o recital do Grupo Musical "UFRN CELOS" no alto do espaço Vicente Lemos, tendo sido executadas cinco peças eruditas.
O CERIMONIAL foi impecavelmente conduzido por Ana Grova, da Prefeitura Municipal do Natal.
Ao final, foi servido um coquetel aos presentes.
Tudo dentro do "figurino", deixando a Diretoria e Conselho Fiscal plenamente satisfeitos com o resultado do prestígio da sociedade para com a Casa da Memória.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Atenção colecionadores: com esquadro e compasso, cédulas reaparecem e tornam-se relíquias em Berlim.

ESPECIAL

Cédulas misteriosas contam pedaço da história das duas Alemanhas

Eliminadas, esquecidas, inexplicavelmente reaparecidas: notas de 200 e 500 marcos orientais são relíquias da antiga RDA. Banco KfW, onde elas estão preservadas, é joia arquitetônica de Berlim.
Lysann Goldbach dirige arquivo do KfW
Lysann Goldbach ri ao contar a história, mas foi com certa apreensão que ela atravessou o controle de segurança do Aeroporto de Frankfurt portando 1 milhão em cédulas. Mas não demorou até que começasse a despertar suspeita entre os funcionários.
A diretora do arquivo do banco estatal KfW tentava explicar, mas continuou sendo alvo de olhares céticos. O mal entendido só se dissipou com a chegada de uma funcionária mais idosa: "É sim, são marcos da antiga Alemanha Oriental", atestou.
Do arquivo dirigido por Goldbach, de 36 anos, também faz parte o espólio do extinto Banco Estatal da República Democrática Alemã (RDA). Ele tinha em seu tesouro notas de recém-impressas de 200 e 500 marcos alemães orientais, que nunca entraram em circulação: o regime socialista da RDA considerou fora de propósito liberar cédulas que valiam o salário de um mês.
De forma surpreendente, anos após a queda do Muro de Berlim essas notas apareceram em diferentes locais da Alemanha. A suspeita é que tivessem sido roubadas.
Cédulas misteriosas
Foi na cidade de Frankfurt an der Oder, na antiga Alemanha Oriental, que a polícia confiscou as cédulas em questão, as quais a promotoria pública entregou, então, ao KfW, o antigo Kreditanstalt für Wiederaufbau (Instituto de Crédito para a Reconstrução).
Goldbach está convencida de que elas só podem ter ido parar no mercado devido a um "assalto". Ainda assim, enquanto arquivista, as cédulas novinhas em folha são motivo de alegria para ela.
Notas intactas e "moedas de brinquedo"
Em decorrência da união monetária de 1990-91, todo o dinheiro impresso da RDA foi depositado em duas minas de calcário na Saxônia-Anhalt, para lá se decompor. Após a fusão com o Staatsbank, o Banco Central da RDA, em 1994, o KfW se tornou proprietário do dinheiro, acreditando que se encontrava em segurança.
Até que começaram a surgir, aqui e ali, as cédulas que, a rigor, não deveriam existir. Ladrões haviam encontrado o acesso aos túneis. Numa laboriosa operação, em março de 2002 o KfW mandou que se retirassem todas as notas de depósito e as destruíssem definitivamente.
Pelo menos é o que se pensava. No entanto, continuam aparecendo notas de 200 e 500 marcos orientais, como em Frankfurt an der Oder. Os comerciantes teriam pago 15 euros por unidade.
Prédio com tradição
O Grupo KfW tem sua sede berlinense bem no centro da capital, na Charlottenstrase. Ela já foi a Wall Street da Alemanha: em 1914 lá se contavam mais de 170 bancos nas suas imediações. Dentre eles, o mais imponente, projetado pelo arquiteto Alfred Messel, era o da Associação de Comércio de Berlim, dirigida pelo banqueiro Carl Fürstenberg.
Depois da quase destruição na Segunda Guerra Mundial e desapropriação pelo Exército soviético, em 1945, o Staatsbank da Alemanha Oriental se instalou ali. Ele era encarregado da emissão de cédulas e diretamente subordinado ao governo comunista.
Até hoje estão guardadas em seu tesouro esboços de notas de dinheiro da RDA. Goldbach exibe os projetos gráficos que não foram aplicados depois que, com a reunificação de ambos os Estados, em 1990, o deutsch Mark da República Federal da Alemanha foi adotado como moeda única em todo o território nacional.
Riqueza arquitetônica e histórica
Na arca cheia de trocados do tempo da RDA, as moedas parecem dinheiro de brinquedo. "Veja só, estas fichinhas de alumínio foram vendidas para a indústria automobilística. Provavelmente as moedas da RDA viraram peças de carros", comenta Goldbach.
Arquivo do KfW documenta dinheiro em circulação na RDA
Atualmente o arquivo do banco KfW é acessado, em média, 250 vezes por ano. No jubileu dos 25 anos da queda do Muro, o número de consultas aumentou. A maior parte dos visitantes vem da Coreia.
"Como foi, na época, com a união monetária?", querem saber, e se espantam com o bom estado de conservação das cédulas. Ao fim, todos pedem para fazer um giro pelo prédio, meticulosamente restaurado e saneado pelo Grupo KfW.
Martina Köchling, diretora de seção do banco, recorda com satisfação que no contexto da fusão com o Staatsbank, o KfW assumiu responsabilidade tanto por suas funcionárias e funcionários quanto pelos edifícios histórica e arquitetonicamente significativos no coração de Berlim.
Assim, a história do tradicional prédio é perpetuada. Lysann Goldbach é especialmente orgulhosa da Sala de Ácer: o magnífico revestimento de madeira, quase inteiramente preservado, e a gigantesca lareira conferem presença imponente ao aposento, com seu pé direito de mais de seis metros.
Sede do KfW no centro de Berlim
Adeus à RDA
É difícil imaginar que justamente essa sala de recepção destinada aos abastados clientes da antiga Associação de Comércio de Berlim tenha abrigado a central da Volkspolizei, a "Polícia Popular" da RDA. Seu assoalho foi coberto de PVC, o teto, rebaixado. Fotos dos anos 1980 mostram os agentes que lá circulavam.
A arquivista Lysann Goldbach estudou em Potsdam e é entusiasta da história da economia. Em 9 de novembro de 1989, quando caiu o Muro de Berlim, ela tinha 11 anos de idade.
"No dia depois da queda, nós éramos só cinco alunos na classe: todos os outros tinham ido ver o Oeste. Eu não pude, porque os meus pais queriam ir primeiro sozinhos, achavam que fosse mais seguro", conta, rindo.
Está claro que Goldbach gosta do que faz. Por fim, pega as notas de 200 e 500 marcos alemães orientais, recoloca-as no saco de papel e fecha o tesouro. Com a arquivista, os tesouros da antiga RDA estão em boas mãos.

domingo, 2 de novembro de 2014

Uma casa de líderes da política potiguar.

A casa onde moraram os pais de Henrique Alves e de Robinson Faria.
Algumas coincidências

Luiz Gonzaga Cortez*

Na Rua Felipe Camarão, 467, Centro de Natal, há uma residência que foi ocupada por duas famílias de destaques na política potiguar, desde os anos 30/40 do século passado. Nela viveram lideranças políticas já falecidas, portanto, com os seus nomes gravados na História, enquanto outras estão no cume de suas carreiras.
Situada na esquina das ruas Felipe Camarão e Auta de Souza, a casa, hoje ocupada por uma empresa de planos de saúde, foi de propriedade do comerciante Manoel Alves, “seu Nézinho”, pai do ex-Governador e ex-Ministro Aluizio Alves, o maior líder político do Rio Grande do Norte em todos os tempos. Toda a família de “seu Nézinho” morou naquela casa até meados da década de 40. Nos fundos da casa ainda está edificado o apartamento de Aluizio e Agnelo, nos anos em que estiveram enfermos.
O segundo proprietário do imóvel foi o Sr. Juvenal Justiniano de Faria e sua esposa e prima, Pocina. Sr. Juvenal, natural do Ceará, ainda menino, fugiu de uma longa seca e migrou para Serra Negra do Norte, onde encontrou abrigo e ajuda de parentes. Dedicou-se a agricultura e pecuária e, quando os bons ventos sopravam a seu favor, transferiu-se para Natal e constituiu família. Pois é, o Sr. Juvenal, que conheci pessoalmente, era o avô do governador eleito, Robinson Faria, filho de Osmundo Faria, empresário já falecido.
Robinson Faria, o eleito, não morou na casa de Sr. Juvenal, mas deve ter visitado os avós paternos quando criança ou adolescente. Henrique Eduardo Alves, filho de Aluizio Alves, que não venceu a disputa pela governança do Estado, no último pleito, também não residiu na antiga residência de seu avô paterno e nunca esteve lá.
Quanto a Agnelo Alves, não é necessário dizer que o seu filho Carlos Eduardo Nunes Alves é o prefeito de Natal e com futuro político promissor. E mais: Carlos Eduardo é amigo de Robinson desde os anos 70, época em que estudavam, na mesma turma, no Colégio Salesiano São José, na Ribeira, ao lado de outros jovens que se destacaram na sociedade, como Raniére Barbosa, vereador muito ligado ao prefeito da capital.
Finalmente, a casa que serviu de moradia às famílias dos pais de Henrique Alves e de Robinson Faria, tem história. Quem se habilita a resgatar a sua história, ouvindo ex-moradores e testemunhas dos seus possíveis eventos sociais e políticos?

*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

À esquerda, pintada com tinta azul, a casa onde moraram as famílias Alves e Faria. Hoje pertence aos herdeiros de Juvenal Justiniano de Faria e dona Pocina.