sábado, 6 de dezembro de 2014

Cenário inusitado
“O que deve ser globalizado é a civilização, não o capital”. (Perry Anderson, historiador)
(*) Rinaldo Barros
Estamos assistindo aos primeiros clarões da alvorada de uma nova era política.
Com a “marolinha” disparada lá na economia estadunidense atingindo em cheio a economia mundial; já há alguns anos, temos uma nova realidade político-econômica no Brasil, em toda América Latina e Caribe, como de resto em todo o planeta. Certamente, com nova lógica e novas relações entre os mesmos atores.
Diante desse quadro, o “remédio” adotado, até esta data, pelo PT governo, é ineficaz e em desacordo com a gravidade e abrangência da crise. E vai continuar, com o monetarista liberal conservador, Joaquim Levy (“o chefe da CIA na direção da KGB”). O maior equívoco tem sido a redução do IPI dos veículos. Implica na redução do FPM, um empurrão para a falência dos municípios. Um tiro no pé.
Sabemos que a crise não é meramente conjuntural, abala a estrutura do sistema. Neste sentido, (re) atualiza-se o pensamento marxiano “o limite do capital é o próprio capital”. Ou seja, está provado que a voracidade da ganância não pode ser deixada sem controles públicos, sob pena de transformar-se numa tormenta, na qual o risco de sucumbir ameaça a todos.
Em verdade, penso que nossos governantes, gestores, parlamentares e intelectuais, assim como, todos os homens de boa vontade, estão obrigados a repensar o nosso tempo.
Faz tempo que estamos pensando a partir do que já foi, e já não é mais.
Entendo que, neste início de Milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão. Vejamos.
A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.
Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração nem coloração política, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegaram a estimá-lo em mais de 30 (trinta) trilhões de dólares. Com um poder diabólico.
Nada deste dinheiro é investido para aumentar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.
É a especulação pura e simples, a busca insensata do lucro máximo.
O atual sistema político e financeiro do mundo é, sob qualquer ângulo que se analise, insustentável. Um sistema que reproduz um padrão de desigualdade brutal, vitimizando milhões de seres humanos, condenando a população da vasta maioria dos países a uma existência física abaixo da linha da pobreza.
O que criticamos é o tipo de globalização produzida (hoje, sob hegemonia do capital financeiro, fundado na especulação), geradora de exclusão social, miséria, ignorância, violência, criminalidade, e crises.
E, pior, geradora do desemprego estrutural, com o desaparecimento de postos de trabalho.
Falo do monetarismo, uma política econômica assumida e praticada, de forma consciente, em detrimento do processo de desenvolvimento sustentável e includente.
A atual crise financeira, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica mundial, escancara o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive, o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta: presença do Estado - como indutor do desenvolvimento - na economia e na sociedade.
Ou seja, tudo indica que é preciso caminhar na direção da estrutura de um novo Modo de Produção, no qual o lucro não será mais o único parâmetro mas, isso sim, o mercado combinado com os valores de cada segmento social, fundado no conhecimento e na tecnologia, dialogando soberanamente com o Estado.
Resumo da ópera: estamos inaugurando um cenário inusitado para todos os aspectos da vida, afetando todas as dimensões da condição humana. É o fim de um ciclo.
À exceção apenas aqui do patropi, é claro. No Pindorama tropical, essa encrenca toda não passa de uma “marolinha”. Nada que o Bolsa-família e o Pronatec não resolvam.
Pois, sim!
 (*) Rinaldo Barros é professor – rinaldo.barros@gmail.com

domingo, 30 de novembro de 2014

Cientistas captam pela 1ª vez imagens de ‘diabo negro do mar’

  • 25 novembro 2014
Compartilhar
Credito: MBARI
O exemplar filmado é uma fêmea de 9cm que estava a 600m de profundidade
Cientistas do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterrey, na Califórnia, conseguiram filmar um exemplar do misterioso "diabo negro do mar", uma espécie de peixe abissal conhecida pelo nome científicoMelanocetus johnsonii.
Segundo os pesquisadores da instituição, esta foi a primeira vez que este estranho e pequeno animal foi filmado em seu habitat natural. O peixe pode chegar a viver em uma profundidade de até 3 mil metros.
O exemplar filmado é uma fêmea de 9 centímetros que se encontrava a cerca de 600 metros da profundidade no cânion submarino de Monterrey, na costa californiana.
Credito: MBARI
O peixe foi filmado em Monterrey, na Califórnia
As imagens foram gravadas por um veículo operado remotamente batizado de Don Ricketts.
O "diabo negro do mar" tem uma antena que se ilumina graças a bactérias bioluminescentes, o que o ajuda a atrair suas presas. Elas acabam atraídas para suas temidas mandíbulas, repletas de dentes afiados.
As fêmeas podem medir até 20 centímetros, enquanto o macho é dez vezes menor e não pode sobreviver sozinho - ele se acopla à companheira como um parasita.
Para os que assistiram ao filme Procurando Nemo, da Disney/Pixar, este peixe é conhecido: ele aparece em uma cena perseguindo os protagonistas do desenho animado.
Uma economia policial
Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em economia e Historiador.



Nas ciências econômicas há duas categorias, dois segmentos de estudos, que, embora com nomes e bases parecidos, são diferentes em natureza e objetivo. Essas categorias são: “economia política” e “política econômica”. O primeiro diz respeito à estrutura, a forma como os pensadores econômicos formulam suas ideias. O segundo se relaciona com a maneira como o governo se posiciona nas áreas fiscal (contas públicas), tributárias (impostos, taxas etc.), cambial, moeda, por exemplo.
Os estudos sobre economia política remontam há trezentos anos antes de Cristo, quando Aristóteles fez as primeiras observações teóricas que ligam a economia à política. Em 1615 essa linha de pensamento foi continuada por Antoine de Montchrétien (um soldado, dramaturgo, aventureiro e economista francês), em seu “Tratado de economia política”. Posteriormente o assunto foi retomado por economistas de peso, tais como Adam Smith, David Ricardo, Marx, Engels e muitos outros teóricos. As diferentes abordagens desses pensadores estão nas suas interpretações sobre o papel do governo com relação à produção, à renda, ao consumo, à proteção aos produtos nacionais, ao ganho dos trabalhadores etc.
Atualmente a “economia política” se apoia em várias disciplinas – a própria economia, o direito, a sociologia, a matemática e as ciências políticas –, para evidenciar o conjunto de fatores e eventos que são agentes das atividades econômicas, bem como interpretar seus reflexos na produção e nas condições do bem-estar da sociedade.
Voltando à “política econômica”, hoje ela equivale ao planejamento do desenvolvimento nacional, bem como as ações dos agentes públicos, via ministérios, agência regulatórias, banco central, bancos estatais, empresas públicas ou de economia mistas e outros órgãos.
Não sendo propriamente uma jabuticaba, isso é, uma invenção exclusivamente brasileira, e nem uma novidade, uma outra categorias está prestes a se institucionalizar no país. Trata-se da “economia policial”. Não é jabuticaba porque também é praticada em outros países. No passado próximo um príncipe consorte, um genro de um rei europeu, um ex-presidente francês e, mais recentemente, um ex-primeiro ministro português se envolveram em negócios escusos; foram escândalos noticiados e as justiças desses países foram à caça dos infratores.
Por aqui, em nossa pátria amada Brasil, a história registra fatos dessa espécie desde o descobrimento. Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei de Portugal comunicando o achado da nova terra, já pedia favores para um genro. No tempo da colônia, João Fernandes, nomeado contratador para as regiões diamantinas das Gerais, acumulou uma fortuna tão imensa quanto inexplicável. No império, na primeira República, nos governos Vargas sempre houve “mar de lama”. Portanto, não há novidade alguma em os governantes acharem que os bens públicos são bens particulares seu. Como dizia Chico Buarque, o outrora menestrel de bem, parece até que “não existe pecado do lado de baixo do Equador”.
Então por que nos admirarmos com os escândalos políticos, econômicos e policiais como o mensalão mineiro, o mensalão do governo Lula e o petrolão do governo Dilma? Há vários motivos. Primeiro pelo volume e pela forma institucionalizada, pensada e organizada como se deram esses desvios dos recursos do Banco do Brasil, dos Correios, dos fundos de pensão, da Petrobras e de outras instituições públicas. E depois pela desfaçatez, pela forma descarada, com que alguns representantes do executivo, do legislativo e até da justiça tentam justificar o injustificável. Cada centavo ou real desviado para o bolso dos larápios representa menos recursos para a saúde, educação e a segurança pública. Representa menos qualidade de vida para nós, os brasileiros comuns.
Tribuna do Norte. Natal, 29 nov. 2014.