quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

QUINTA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2014


 

 

POEMA  SE
 
(Professor Hermógenes)
 

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio…

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito…

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.

 

Professor Hermógenes )
(poema conferido no 
Instituto Hermógenes)


Foto:  Fabio Rocha

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

23/12/2014 16h26 - Atualizado em 23/12/2014 16h26

Suspeito de matar ex-mulher no RN, empresário silencia em depoimento

Paulo Diógenes de Vasconcelos está preso no CDP de Currais Novos.
Ele é ex-marido de Fernanda Araújo, de 27 anos, morta com tiro na cabeça.

Anderson BarbosaDo G1 RN
Empresário Paulo Diógenes de Vasconcelos, de 35 anos, foi preso em um motel na cidade de Pombal, na Paraíba (Foto: Divulgação/Polícia Militar da Paraíba)Empresário Paulo Diógenes de Vasconcelos, de
35 anos, foi preso em um motel na cidade de
Pombal, na Paraíba (Foto: Divulgação/PM da Paraíba)
 empresário Paulo Diógenes de Vasconcelos, de 35 anos, suspeito de ter matado a ex-mulher com um tiro na cabeça na noite desta segunda-feira (22) na cidade deCurrais Novos, na região Seridó do Rio Grande do Norte, preferiu permanecer calado durante interrogatório realizado na delegacia da cidade no final da manhã desta terça (23). Em seguida, ainda em silêncio, ele foi levado para o Centro de Detenção Provisório de Currais Novos, onde permanece à disposição da Justiça. As informações são do agente de polícia Civil Franklin Silva.
Fernanda Irassoara Borges de Araújo, de 27 anos, foi assassinada na frente da casa onde morava. De acordo com a Polícia Civil, Paulo Diógenes de Vasconcelos, de 35 anos, estava separado há seis meses e estava descumprindo uma medida protetiva, que o proibia de se aproximar da ex-mulher. Dono de uma empresa especializada em segurança de eventos, o empresário foi preso em um motel na cidade de Pombal, naParaíba.
O crime
Fernanda foi morta por volta das 21h40 na Rua do Molibidênio, bairro JK. De acordo com o soldado da PM Jaime Júnior, que trabalha em Currais Novos, o suspeito chamou a vítima na porta de casa e quando ela saiu ele disparou.
Delegado de Currais Novos, Antônio Pinto confirmou que Fernanda já havia prestado várias queixas de ameaças contra o ex-marido. "Ela fez alguns boletins de ocorrência e nós encaminhamos o caso para a Justiça. Ela estava com uma medida protetiva, mas sempre desrespeitava", afirmou.
No site do Tribunal de Justiça consta que Paulo Diógenes foi denunciado pelo Ministério Público em outubro deste ano "pela prática suposta do crime de ameaça, em circunstâncias que configuram, em tese, crime de violência doméstica contra a mulher". A Justiça acatou a denúncia e aguardava uma data na pauta para a realização de uma audiência de instrução e julgamento.
Fernanda Irassoara Borges de Araújo, de 27 anos (Foto: Arquivo Pessoal)Fernanda Irassoara Borges de Araújo, de 27 anos
(Foto: Arquivo Pessoal)
Fernanda deixa dois filhos, uma menina de 3 anos e um garoto de 5 anos. Os filhos estavam na casa de parentes quando aconteceu o crime.
Ainda segundo informações do delegado, uma testemunha disse ter visto o momento em que o ex-marido atirou e fugiu correndo.
No motel em que o empresário foi preso, os policiais encontraram revólver com quatro munições, sendo que uma delas estava deflagrada. Paulo foi autuado em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. "Depois de todos os procedimentos na Paraíba, ele será trazido para Currais Novos e nós daremos prosseguimento ao inquérito pelo crime de homicídio", acrescentou o delegado Antônio Pinto.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Seria interessante entender como se sentem os que não possuem esta coragem, os que se calam ante estes 15 males, os que silenciam diante de tanta injustiça, os que lêem Dom Helder passivamente, os que ouvem indiferentes as palavras dos mestres espirituais, os que são coniventes por omissão, covardia, indiferença a tudo isto que o Papa vem denunciando! Independentemente de credos ainda é tempo: levanta e anda !

Edição do dia 22/12/2014
G1 - Globo - Jornal Nacional
22/12/2014 21h14 - Atualizado em 22/12/2014 21h14

Papa Francisco surpreende ao fazer duras críticas a cúpula da Igreja

Francisco condenou os vícios da Cúria Romana, e descreveu 15 doenças que, segundo o Papa, contaminaram parte da Igreja.


O Papa Francisco surpreendeu, nesta segunda-feira (22), ao fazer duras críticas aos líderes da Igreja Católica. Ele falou sobre comportamentos que chamou de doenças.
O encontro de confraternização de Natal do Papa com os cardeais, bispos e monsenhores que formam a estrutura da Igreja tornou-se um discurso muito duro, inesperado. Francisco condenou, sem piedade, os vícios da Cúria Romana, e descreveu 15 doenças que, segundo o Papa, contaminaram parte da Igreja.
Ele denunciou a “síndrome do acúmulo de bens”, em uma possível referência às riquezas de alguns na alta hierarquia vaticana. Falou da “doença do lucro mundano”, da “rivalidade” e da “gloria vã”. Criticou o “terrorismo das fofocas”, que destrói a reputação das pessoas; a “doença dos covardes”, que falam por trás; e a “daqueles que tratam os chefes como seres divinos para subir na carreira”. Citou os que pertencem a grupos fechados mais do que a Cristo ou ao corpo da Igreja.
Para os que sofrem da “síndrome da imortalidade”, o Papa recomendou uma visita ao cemitério, onde estão os nomes de muitos que se consideravam imunes e indispensáveis. Essa doença vem de uma outra, o “mal do poder e do narcisismo”, que olha apenas para a própria imagem.
Para os que sofrem de um declínio das faculdades da fé, Francisco diagnosticou um “mal de Alzheimer espiritual” e chamou de “esquizofrenia existencial” a patologia dos que vivem uma dupla vida.
Depois do longo discurso, Francisco se reuniu com os funcionários do Vaticano e pediu perdão por alguns escândalos que, segundo ele, ainda fazem muito mal.
O exame de consciência que o Papa pediu à Cúria Romana, notável, tem também a finalidade de derrubar os obstáculos para as suas reformas. Francisco leva uma vida simples, mas nem todos o acompanham e continuam com os desvios de antes e resistem fortemente às suas propostas de mudança.
  
HERMANOS AMERICANOS
 
Paulo Afonso Linhares*
 
Manobras diplomáticas realizadas em várias frentes, porém, sob uma espessa camada de sigilo, prepararam certamente a maior das surpresas ocorridas na política internacional nesta década: o anúncio do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos da América, com reflexos que em muito transcendem o âmbito bilateral e se projetam por todo o continente americano, do Cabo Horn (ponto extremo meridional da América) à Ilha Kaffeklubben, na Groenlândia (ponto extremo setentrional americano). Desde que Barack Obama se tornou presidente dos Estados Unidos da América a expectativa é que fosse dada uma nova orientação em face do cruel e absurdo bloqueio político e comercial que mantém há mais de cinco décadas contra Cuba, absolutamente injustificável na atual conjuntura mundial.
 
Aqueles saudosistas da Guerra Fria, que não conseguem ver o mundo noutro cenário que não aquele maniqueísta em que povos e nações são divididos simplesmente em mocinhos e bandidos, os do bem e os do mal, anjos e demônios. Coisa mesmo de gente idiota, reacionária empedernida e sem imaginação. Ora, há décadas os EUA reataram relações diplomáticas com a China comunista que, nesse meio tempo, se tornou sua principal parceira comercial. Depois de tudo que o Estado iraniano aprontou, inclusive com invasão da embaixada norte-americana em Teerã, os norte-americanos mudaram em muito sua retórica belicista e têm celebrado diversos acordos bilaterais com o Irã, de modo que as relações diplomáticas poderão ser normalizadas em breve tempo. Até mesmo com o caricato ditador Kim Jong-un, da Coreia do Norte, planeja Washington manter um relacionamento respeitoso. E por que não com fazer o mesmo com Cuba, país vizinho, situado a menos de noventa milhas do Estado da Flórida?
 
Em 1975, ao discursar na Assembleia Geral da ONU, o então chanceler cubano Felipe Perez Roque assim resumiu as agruras do povo, diante do bloqueio decretado pelos EUA há mais de 50 anos: “"O bloqueio tem custado ao povo de Cuba (...) mais de 82 bilhões de dólares. Não há atividade econômica ou social em Cuba que não sofra as suas consequências. Não há um direito humano dos cubanos que não esteja agredido pelo bloqueio. Em virtude do bloqueio, Cuba não pode exportar nenhum produto aos Estados Unidos (...). Cuba também não pode importar desde os Estados Unidos outras mercadorias que não sejam produtos agrícolas, e isso com amplas e renovadas restrições. Cuba não pode receber turismo desde os Estados Unidos. No ano 2004, se tivesse recebido apenas 15% dos 11 milhões de turistas norte-americanos que visitaram o Caribe, Cuba teria faturado mais do que um bilhão de dólares (...) Por causa do bloqueio, Cuba também não pode utilizar o dólar em suas transações comerciais com o estrangeiro, nem tem acesso a créditos nem pode realizar operações com instituições financeiras norte-americanas, suas filiais e inclusive instituições regionais ou multilaterais. Cuba é o único país da América Latina e do Caribe que, em 47 anos, nunca recebeu um crédito do Banco Mundial, nem do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Se o bloqueio for apenas um assunto bilateral entre Cuba e os Estados Unidos já isso seria muito grave para o nosso país. Mas é muito mais do que isso. O bloqueio é uma guerra econômica aplicada com zelo incomparável a escala global".”
 
O mais interessante dessa reaproximação entre Cuba e EUA foi a atuação brilhante e precisa do papa Francisco, pelo que teve reforçada a sua imagem de líder mundial de grande expressão. Para alguns, prevaleceu a reza forte do pontífice da Igreja Católica. Pode ser: se efetivamente a fé move montanhas, como professado em Mateus 17:20, mais fácil é afastar um bloqueio iníquo, renitente e sem qualquer fundamento no Direito das Gentes, como ocorre com esse cinquentenário bloqueio norte-americano a Cuba. A atitude do papa Francisco, de grande largueza humanística e moral, traz à mente uns bons versos do poeta norte-americano T.S. Eliot, assim cantados nos coros de “A Rocha”: “"Where the bricks are fallen/We will build with new stone/Where the beams are rottern/We will build with new timbers/Where the word is unspoken/ We will build with new speech/ There is work together/A Church  for all/ And a job for each/ Every man to his work”" (“Onde os tijolos se quebrarem/Com novas pedras edificaremos/Onde as vigas apodrecerem/Com novas tábuas edificaremos/Onde a palavra permanece inexpressa/Com uma nova linguagem edificaremos/Com nosso esforço coletivo/Uma nova Igreja para todos/E um emprego para cada um/Cada qual ao seu trabalho”).
 
Uma coisa é certa: sepultado mais esse resquício da Guerra Fria, a esperança é que cada vez mais se alastre o sentimento de solidariedade entre os povos e a paz entre as nações do mundo. No mais, é preciso ter paciência, pois o simples anúncio dessa reaproximação Cuba/EUA é apenas um primeiro passo, pois muitas barreiras ainda terão de ser removidas até que se normalizem as suas relações bilaterais. Será enorme a reação conservadora contra essa reaproximação, sobretudo, dos membros do Partido Republicano, que agora é majoritário no Congresso norte-americano. O mesmo se diga no tocante à comunidade de exilados cubanos nos EUA. Enfim, muitos espinhos ainda juncam esse caminho, mas, ao que tudo indica, são incapazes de deter esses bons ventos que anunciam um novo tempo para os povos americanos, do norte, do centro, do sul. Como num trecho da “Canción con todos” imortalizada por Mercedes Sosa: “ [...] todas las voces, todas/ todas las manos, todas/ toda la sangre puede/ ser canción en el viento/canta conmigo, canta/hermano americano/libera tu esperanza/con un grito en la voz!”  
 
*Publicado também na página de Paulo Tarcisio Cavalcanti


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/22/2014 09:13:00 PM

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os shoppings centers estão fadados a sumir do mapa americano?

  • 22 dezembro 2014
Shopping centers não foram criados para serem sinistros. Ainda assim, em 1977, George A. Romero escolheu um shopping deserto para filmar algumas sequências de O Despertar dos Mortos, seu cult de horror zumbi. Sem vida e sem luz, as enormes galerias vazias do local assumiram um ar assustador.
Curiosamente, o cenário de Romero tem muito em comum com imagens que recentemente vieram à tona de shopping centers abandonados espalhados por todo o território americano.
Hoje, há provavelmente mais de cem dessas criaturas inanimadas de aço e concreto espalhadas à beira das grandes avenidas dos subúrbios do país.
A crise econômica em várias regiões, principalmente no Meio-Oeste, combinada com uma acelerada ascensão das compras pela internet e com novos modelos de centros urbanos de comércio, empurrou o então aparentemente imbatível shopping center americano para a decadência.
Muitos ainda são bastante frequentados e estão sendo ampliados ou reformados, mas os "shoppings fantasmas" estão rapidamente se tornando as "cidades fantasmas" do século 21.
Rolling Acres Mall, em Akron, Ohio
O Rolling Acres Mall, em Akron, Ohio, foi um dos que fechou as portas com a crise nos EUA

O 'pai do shopping center'

Do lado de dentro, os milhares de metros quadrados de decoração kitsch parecem mais melancólicos do que um parque de diversões fechado. Todo aquele mármore, todos aqueles azulejos e as largas escadarias no estilo hollywoodiano parecem inúteis e um tanto comovedoras.
Ainda mais tocantes porque os primeiros shoppings dos Estados Unidos não foram erguidos para ficar a quilômetros de distância de grandes centros urbanos, acessíveis apenas de carro.
Victor Gruen, o "pai do shopping center", os idealizou como ponto de referência no coração de áreas onde novos e aprazíveis bairros seriam erguidos.
Nascido em Viena em 1903, Gruen era um socialista ferrenho que estudou arquitetura em sua cidade natal antes de abandoná-la rumo a Nova York, na época da anexação da Áustria pelos nazistas, em 1938. Ele acabou projetando o primeiro shopping center fechado do mundo, o Southdale Center, em Edina, Minnesota. Era 1956.
Southdale Center, em Edina, Minnesota
Inaugurado em 1956, o Southdale Center foi o primeiro shopping dos EUA

'American way'

As casas, escolas, lagos e parques que Gruen havia imaginado continuaram sendo um sonho, enquanto os habitantes de Edina e, posteriormente, do resto do país faziam suas compras em edifícios climatizados cada vez maiores e cada vez mais kitsch.
O shopping center virou um local de passeio, além de ter se tornado uma parte fundamental da cultura americana contemporânea e um modelo para muitos outros países que desejavam reproduzir o American way of life.
Hoje, os grandes shoppings estão em várias partes do mundo. O maior deles é o New South China Mall, em Dongguan, na China, com uma área 20 vezes maior do que a Praça de São Pedro, no Vaticano, e com mais do dobro do tamanho do King of Prussia Mall, na Pensilvânia, o maior dos Estados Unidos.
Entre os dez maiores shoppings do mundo, dois estão no Irã, enquanto outro gigante acaba de ser erguido em Bangladesh, um país com um PIB per capita quase 50 vezes menor do que o dos Estados Unidos.
Cloverleaf Mall, em Chesterfield, Virginia
Erguidos em escala faraônica e longe dos centros, muitos shoppings não podem ser reutilizados
Porém nos Estados Unidos, em si, a tendência estancou. Em meados dos anos 90, surgiam 140 novos shoppings por ano no país. O freio foi acionado em 2007, o primeiro ano em quase meio século em que nenhum desses centros foi construído.
A recessão levou muitos estabelecimentos americanos a fechar suas portas. E, como tinham sido construídos em uma escala cada vez mais ambiciosa, nunca foi fácil convertê-los para novas finalidades.

Dias contados?

O mundo continua indo às compras freneticamente, mas, como a experiência americana mostra, alguns modismos também passam.
Como arquitetura, e como fenômeno social e econômico, os shoppings falam muito sobre a forma como gastamos dinheiro e vivemos nos últimos 50 anos.
Ao olharmos as fotografias de prédios abandonados, esse modo de vida pode nos parecer um perturbador e até mesmo um pouco assustador.

CALENDÁRIO HISTÓRICO

1938: Otto Hahn descobre a fissão nuclear do urânio

Fonte: dw.de
Em 22 de dezembro de 1938, os físicos alemães Otto Hahn e Fritz Strassmann conseguiram cindir um núcleo de urânio. Após o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki, Hahn passou a lutar contra a corrida nuclear.
Alemão Otto Hahn, Nobel de Química em 1944
Japão, agosto de 1945. Mais de 300 mil pessoas morreram em consequência das bombas atômicas lançadas por aviões de guerra norte-americanos sobre Hiroshima e Nagasaki. Segundo Carl Friedrich von Weizsäcker, "Hahn assustou-se profundamente ao ver sua descoberta sendo usada para produzir uma arma tão assassina – embora ele soubesse que, em princípio, isso era possível".
Depois do lançamento das bombas atômicas, Carl Friedrich von Weizsäcker temeu pela vida do amigo. Hahn dissera várias vezes que se suicidaria, caso a tecnologia da bomba atômica caísse nas mãos de Hitler.
Poucos anos antes, em 1938, físicos nucleares realizavam experiências com urânio no Instituto de Química Kaiser Wilhelm, em Berlim. Bombardeavam átomos de urânio com nêutrons para produzir átomos ainda mais pesados, os chamados transurânios, inexistentes na natureza. Certo dia, a 22 de dezembro de 1938, Otto Hahn e seu colega Fritz Strassmann depararam-se com algo surpreendente: ao analisar o urânio por eles bombardeado, encontraram partículas de bário.
Segundo Carl-Richard von Weizsäcker, aconteceu o seguinte: "O bário é bem menor do que o núcleo de urânio e, se do urânio surgiu o bário, então é porque o núcleo explodiu. Foi exatamente assim que Hahn me explicou ao telefone sua inesperada descoberta".
A explosão do urânio representou a descoberta da fissão nuclear por Hahn. Mas quem decifrou definitivamente esse fenômeno químico foi Lise Meitner, uma pesquisadora que, durante 30 anos, trabalhara com muito sucesso com Hahn no instituto berlinense.
"Trabalhar com Otto Hahn era especialmente estimulante. O fato de ele ser o melhor radioquímico da época, e eu uma física para quem a mais simples equação química era mística, constituiu uma boa base e complementação para uma cooperação científica", disse Meitner.
Em 1938, a judia Lise Meitner teve de fugir da perseguição nazista para o exílio na Suécia. De lá enviou por carta a explicação histórica para os "curiosos resultados das análises" de Hahn. Segundo Weizsäcker, logo se tornou evidente que a fissão do urânio, induzida por nêutrons, possibilitava uma reação em cadeia capaz de liberar enorme quantidade de energia, e que seria possível construir o que hoje se chama de reator nuclear e a bomba atômica.
Instrumento de destruição
Pouco depois da descoberta de Hahn, Meitner e Strassman, a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) eclodiu. Os estudos sobre energia nuclear desvirtuaram para a construção de armas nucleares. Nos Estados Unidos, o Projeto Manhattan, cujo setor científico foi liderado pelo físico Robert Oppenheimer, usou a reação nuclear em cadeia para detonar a primeira bomba atômica perto do laboratório de Los Alamos, em 1945.
Hahn continuou suas pesquisas nucleares na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, até ser capturado pelas Forças Aliadas e levado para a Inglaterra. Em 1944, recebeu o Prêmio Nobel de Química pela descoberta da fissão nuclear.
Sua colega e amiga Lise Meitner não obteve nenhum reconhecimento pelo seu trabalho. Em seu discurso de agradecimento, Hahn fez uma advertência contra a propagação de armas atômicas. Com sua descoberta, ele havia pisado em um terreno minado da política internacional. A segunda e a terceira bombas cairiam sobre Hiroshima e Nagasaki, selando a vitória norte-americana na guerra.
Após o conflito, Oppenheimer tornou-se pacifista e lutou contra o uso das armas nucleares, sendo perseguido pelo governo norte-americano. Já Hahn, em 1957, assinou juntamente com outros 16 renomados físicos nucleares (entre eles Max Born, Werner Heisenberg e Carl-Friedrich von Weizsäcker) a chamada Declaração de Göttingen. A maioria dos políticos, porém, ignorou esse manifesto antinuclear.
Franz-Josef Strauss, então ministro da Defesa da Alemanha, rotulou Hahn de "velho imbecil, que não consegue conter as lágrimas, nem dormir, quando pensa em Hiroshima". Mas o cientista manteve-se fiel a seus princípios. Lutou até a morte contra a corrida atômica, desencadeada pela descoberta da fissão nuclear. Morreu em 1968, aos 89 anos, em Göttingen.

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