segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O sistema financeiro merece impeachment já!


Por Ceci Juruá | Rio de Janeiro, dezembro de 2015

Em brilhante conferencia[1] apresentada durante o  3º. Encontro Nacional  da CNTU[2], em dezembro deste ano,  o prof. Ladislau Dowbor defendeu o ponto de vista que os intermediários financeiros são, na atualidade, meros atravessadores. A economia brasileira para, e está parando segundo Dowbor, porque o sistema de intermediação financeira trava os três motores da economia: a produção a cargo dos empresários, a demanda das famílias e os investimentos públicos.
Tais questões ficariam muito claras, explica Dowbor, se dispuséssemos no Brasil de um fluxo financeiro integrado. Como este fluxo não existe, tem sido difícil quantificar os efeitos da ação dos bancos sobre os distintos setores da economia real.  Valendo-se de alguns exercícios, a partir das estatísticas disponíveis, Dowbor afirma, por exemplo:
“Abstraindo a divida pública, os bancos se apropriam de uma carga de juros anuais de R$ 880 bilhões, 15,4% do PIB. Uma massa de recursos deste porte transforma a economia (…) esterilizando a dinamização da economia pelo lado da demanda (…)  a parte da renda familiar que vai para o pagamento das dívidas passou de 19,3% em 2005 para 46,5% em 2015.”
Além de travar a demanda das famílias, os juros extorsivos cobrados pelos bancos no Brasil impedem que os empresários privados recorram ao crédito. Em média, explica Dowbor, os juros são de 24% para capital de giro, 35% para desconto de duplicatas. Enquanto isto, “na zona euro o custo médio para pessoa jurídica é de 2,20% ao ano.”
Os resultados macroeconômicos fornecidos pelo IBGE[3] confirmam a percepção do ilustre professor da USP[4]. Em média, durante os últimos 20 anos, a repartição da renda interna bruta, gerada no processo econômico, privilegiou o capital, capaz de se apropriar de um percentual que oscila em torno de 40% desta renda. Outro tanto vai para os trabalhadores. O restante entre 15% e 20% fica com o governo, incluídos nesta parcela os benefícios da previdência social pública.
Em grandes linhas, os números da macroeconomia expõem o drama do subdesenvolvimento e da concentração de renda que o caracteriza: 5% da população, empresários e rentistas, absorvem parcela da renda nacional idêntica à que sustenta 95% da população brasileira. Além disso, estes mesmos 5%, privilegiados no processo produtivo, são capazes de um comportamento que pode ser visto como indigno,  pois transferem para seus clientes, empregados e fornecedores, impostos diretos que deveriam ser de sua responsabilidade, caso do IPTU e ITR, do IPVA dos veículos luxuosos que os servem em suas empresas e, geralmente, do próprio Imposto de Renda que incide sobre ganhos empresariais. Estes impostos, diretos, deveriam constituir instrumentos de redistribuição de renda à disposição dos governos. Aqui, no entanto, eles se prestam a um novo mecanismo de extorsão, não-legal, da renda das famílias.
Também é de conhecimento público que a classe empresarial brasileira, assumindo postura de cúmplice da financeirização e do rentismo, que privilegiam particularmente bancos e atores financeiros mas também as grandes empresas, ousam uma campanha sórdida contra os trabalhadores, quando afirmam que o orçamento fiscal não suporta a democracia. Querem na verdade reduzir salários e direitos dos trabalhadores, em particular as transferências que o Governo faz para extirpar a fome e a miséria, caso do Bolsa Família. Querem também liquidar a previdência pública e deixá-la a reboque de planos privados que sugam mais dinheiro da renda familiar e o transferem ao sistema bancário.
Lideram por isto uma campanha feroz contra a atual presidente da República e contra os partidos que, com erros e acertos, vem procurando mitigar os efeitos perversos do neoliberalismo aqui reinstalado na década de 1990.  Como oligarquia, a ação anti-democrática dos plutocratas dispõe de amplo apoio nas camadas mais bem pagas da burocracia, Judiciário e Legislativo. Apoio amplo, mas não generalizado. Ainda hoje, a maioria de juízes e magistrados, de políticos, prefeitos e governadores, não se curvou às exigências da minoria que gostaria de reintroduzir no Brasil a escravidão e o sistema de agregados da “casa grande”.
Por isto é necessário um golpe, um golpe de Estado que reponha no poder senhores e vassalos da financeirização e do rentismo. Em lugar de apontar a causa real da estagnação da economia brasileira, como o faz brilhantemente o prof. Ladislau Dowbor[5], seus intelectuais orgânicos apontam como inimigos da nação a Constituição Cidadã, os direitos sociais e trabalhistas e os governantes que os respeitam.
Não passarão! Mas é preciso que o povo nas ruas e nas tribunas democráticas imponha agora e já: IMPEACHMENT PARA O SISTEMA FINANCEIRO! DEVOLVAM ÀS FAMÍLIAS DOS TRABALHADORES BRASILEIROS OS RESULTADOS DE UMA PILHAGEM QUE JÁ DURA 25 ANOS!
***
Ceci Juruá é economista, doutora em políticas públicas, membro do Forum 21, do Conselho Consultivo da CNTU e da diretoria do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos/IBEP.

[1] Ladislau Dowbor. Resgatando o potencial financeiro do Brasil.  Outubro de 2015.
[2] Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados
[3] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
[4] Universidade Federal de São Paulo
[5] Seus livros e textos estão todos disponibilizados gratuitamente em seu blog.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Inglês criou a internet.

TECNOLOGIA

World Wide Web completa 25 anos

Criada pelo físico britânico Tim Berners-Lee para facilitar o trabalho de pesquisadores do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, a internet é utilizada atualmente por mais de 3 bilhões de pessoas.
Perto de Genebra, na Suíça, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) oferece oportunidades únicas de pesquisa para físicos de todo o mundo. Com imensos equipamentos instalados num túnel circular de 27 quilômetros de comprimento cavado a cem metros abaixo do solo, os cientistas aceleram partículas a um nível extremamente elevado de energia para, por meio de colisão, formar novas partículas nucleares.
Ciência nessas dimensões é tão cara que é necessária a cooperação de vários países. Cientistas visitantes realizam experimentos no Cern e, em seguida, retornam aos seus países a fim de avaliar os dados.
Tim Berners-Lee, um físico e cientista britânico de computação, foi recrutado na década de 80 para trazer ordem ao caos de diferentes sistemas de computadores, redes, sistemas operacionais e bancos de dados no Cern.
Tudo conectado
"As pessoas trouxeram seus dispositivos e seus hábitos. Em seguida, as equipes voltavam para casa e tinham que continuar trabalhando juntas, mas vivendo em diferentes fusos horários e falando línguas diferentes. Em toda essa diversidade o Cern era um microcosmo do resto do mundo", escreveu Berners-Lee em seu livro Weaving the Web (Tecendo a web, em tradução livre).
Berners-Lee colocou tudo sob o mesmo teto. "Em princípio, tudo já estava lá. Eu apenas juntei as peças", afirma o britânico, atualmente. Em 20 de dezembro de 1990, na Suíça, ele publicou a primeira página de internet do mundo: info.cern.ch. Neste link , há uma cópia do primeiro site.
Timothy Berners-Lee: "A internet deve ser um espaço universal"
A internet propriamente dita tem bem mais do que 20 anos. Já no início dos anos de 1960 foram estabelecidas as bases da atual rede mundial. Os militares americanos queriam criar uma rede de computadores para a transferência segura de dados.
A transmissão de dados deveria funcionar mesmo em caso de um ataque nuclear. O resultado foi chamado de Arpanet, uma rede que interligava somente alguns computadores.
Quase todo mundo usa a World Wide Web
Atualmente, páginas na internet – os sites – se tornaram algo óbvio. De acordo com a associação alemã das firmas de informação e comunicação Bitkom, cerca de 86% das empresas com mais de dez empregados possuem presença própria na internet. Por outro lado, apenas 43% das companhias com menos de dez trabalhadores estão representadas com páginas digitais.
"Em todo o mundo mais de três bilhões de pessoas usam a internet. Além disso, as pessoas estão cada vez mais abrindo suas próprias páginas pessoais", afirmou o CEO da Bitkom, Bernhard Rohleder.
De longe, o sufixo mais comum em endereços de páginas na internet é o ".com": o chamado domínio de nível superior está registrado 120 milhões de vezes. Numa comparação global, o domínio alemão (".de") ocupa a segunda posição com 16 milhões de páginas. Para aumentar o número de endereços atraentes e memoráveis, a entidade responsável ICANN aprovou no final de 2013 a abertura de mais domínios.
Atualmente, existem mais de mil terminações diferentes de endereços de internet – inclusive sufixos do tipo ".pizza", ".ninja" ou ".kiwi". Na Alemanha, os domínios regionais são particularmente populares. Assim sendo, existem cerca de 69 mil endereços ".berlin", quase 25 mil com ".köln", além de mais de 31 mil ".bayern" e cerca de 23 mil que terminam em ".hamburg".
O que começou com uma simples página criada por Berners-Lee, tornou-se uma gigantesca indústria. Somente na Alemanha, 80% dos cidadãos acima de 14 anos utilizam a World Wide Web. Até mesmo para uma grande parcela de pessoas mais idosas a internet é algo natural: 84% dos cidadãos alemães entre 50 e 65 anos e 37% das pessoas acima de 65 anos usam a internet.
"Não é obrigado a ler qualquer bobagem"
"Aquilo que eu fiz, qualquer um poderia ter feito", escreveu Berners-Lee em seu livro. "A ideia de lançar a World Wide Web foi como jogar um fósforo num celeiro cheio de palha. A web tem se espalhado porque muitas pessoas ajudaram vigorosamente para que ela fosse aceita."
Em 1994, Berners-Lee fundou o Consórcio World Wide Web (W3C) no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos EUA. Em muitas ocasiões, ele é perguntado se não estaria desapontado com o fato de a internet ter se tornado um produto tão comercial.
O físico, que recebeu o título nobiliárquico britânico de "Sir", afirma que não: "A internet deve ser um espaço universal – não se pode excluir nenhuma área. Muitos questionam se não estou desapontado com a quantidade de tolices que há na web. Mas ninguém é obrigado a ler tudo. A internet, em grande parte, é apenas um reflexo da vida". Fonte:dw.de

domingo, 20 de dezembro de 2015

BRASIL: PÁTRIA DISTRAÍDA?
Geniberto Paiva Campos / Brasília - dezembro,2015

Todos os dias indivíduos normalmente inteligentes e classes sociais inteiras são feitos de tolos para que a reprodução de privilégios injustos seja eternizada entre nós”. (Jessé Souza, “A tolice da Inteligência Brasileira” – Ed. Leya, 2015)

1. Há alguns anos, em um programa de TV, a atriz Kate Lyra criou um inusitado bordão, rapidamente assimilado e repetido pelos telespectadores: -“brasileiro é tão bonzinho!” No qual ressaltava a bondade e, sobretudo, a ingenuidade inata dos nossos patrícios.
Em livro recentemente publicado, o sociólogo Jessé Souza, atual presidente do IPEA, pesquisando as origens desse “jeitinho brasileiro”, relata, em sequência histórica, a participação de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Roberto da Matta, os quais,agregando ideias de Max Weber, teriam contribuído com respaldo teórico-acadêmico para a confirmação da tese: os brasileiros sãomalemolentes, sensuais, cordiais, decidem com o sentimento (e não com a razão). Portanto, fáceis de serem enganados, levados na conversa. Não gostam do seu país. E nutrem uma admiração profunda, perpétua, em relação Estados Unidos e ao seu povo. Aos quais atribuem qualidades e capacidades sobre-humanas, excepcionais, na esfera moral, pessoal, técnica e acadêmica. Seres muito próximos da perfeição.
Contornando, propositadamente, o núcleo de justificativas “acadêmico/científicas” da tese – muito bem explicitadas no livro do sociólogo Jessé Souza – apresentamos algumas contribuições a esse debate, defendendo a provável ocorrência de um viés “político/operacional” no caso.Produzindo manipulações grosseiras, no intuito de criar na população uma assimilação acrítica. Ingênua e tola, de conceitos políticos e ideológicos do interesse externo, contrários aos interesses do seu país. A nosso ver, um fator muito significativo. Que poderia contribuir para aexplicar a permanência de comportamentos sociais e políticos estranhos da elite e da classe média brasileiras (e da América Latina), habilmente manipuladas pela Publicidade & Propaganda, de origem interna e externa. Todas com o mesmo objetivo: fazer os seus habitantes perderem a esperança no futuro do seu país, reduzindo a próximo de zero o seu orgulho patriótico. Talvez possa ser atribuído um papel significativo a essa lavagem cerebral permanente (e competente) dessas agências de Publicidade & Propaganda na manutenção desse estado de inconsciência coletiva das populações, vítimas, infelizmente, dessas ações deletérias.

2. A partir da segunda metade do século 19, o Capitalismo assumiu características hegemônicas incontestes, enquanto sistema econômico,evoluindo nos anos seguintes para a esfera política, partindo em busca do controle direto e indireto do Estado e apoiando sutilmente governos favoráveis e/ou simpáticos ao sistema. O limiar do novo século mostrou que o Mundo, na defesa dos seus interesses, estaria disposto a se enfrentar em guerras totais. (Como afirmou Clausewitz, um reconhecido estadista da época: “a guerra é a política feita por outros meios”).
Na busca da hegemonia e da sua expansão, países europeus, os Estados Unidos e o Japão, se enfrentaram em duas Guerras Mundiais queeclodiram no século 20. Segundo argutos historiadores (Hobsbawm, E.J - 1977), a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais constituem a mesma guerra. E o que se seguiu, a cinzenta “Guerra Fria” seria apenas um corolário – ou consequência - das duas grandes guerras. Tais conflitos marcaram todo o século passado, e como esperado, mostram seus desdobramentos nos dias atuais.
Desses sérios enfrentamentos, um país, os Estados Unidos da América, saiu praticamente incólume em sua base territorial e em sua economia. O incremento das atividades da indústria bélica americana nos dois conflitos, colocou o país em uma situação de supremacia mundial no pós-guerra, nos planos econômico e político. E tornou-se a única e incontrastável potência nuclear mundial. Diferentemente da Europa, dilacerada, dividida e com a economia em frangalhos.
Após garantir a sua expansão territorial e conquistar áreas preciosas de terras (e do petróleo) do México, os norte-americanos confirmaram a tese do “destino manifesto”, um engenhoso e permanente mecanismo auto atribuído e auto aplicado ao país, o qual passou a justificar a apropriação de territórios e riquezas do interesse geopolítico ou econômico do governo americano.
Durante a Guerra Fria – para muitos estudiosos, ainda em plena vigência, (Moniz Bandeira. L.A, 2013) -  Washington assumiu o papel, tambémauto atribuído, de “gendarme da democracia mundial”, com o envolvimento direto e indireto em invasões territoriais, golpes de estado e levantes internos em diversos países. Sempre em nome da defesa da democracia, encobrindo interesses econômicos e geopolíticos ilegítimos e injustificáveis.
(Retomando um oportuno argumento do autor do livro, enfatizamos que não nos move nenhum tipo de sentimento antiamericano ao fazer tais constatações. Estas devem ser tomadas pelo que são: evidências históricas da formação e da evolução de um país, com inegável vocação hegemônica, implantando a ferro e fogo o seu peculiar conceito de “democracia”).

3. Simultaneamente ao desenrolar da II Guerra Mundial, ficou evidente para o governo americano, o imenso potencial da Indústria dePublicidade & Propaganda, uma arma “bélica” às vezes mais poderosa do que os canhões. Com essa arma era possível induzir comportamentos consumistas: Coca-Cola, ao invés de sucos naturais; fazer as mulheres adotarem o cigarro como expressão da sua liberdade. E, por que não? colocar “ideologias” disponíveis nas prateleiras dos supermercados.
A partir desse ponto, foi montada uma máquina de conquista de corações e mentes, de alcance mundial, dispondo de recursos financeiros inesgotáveis, utilizando todos os meios de comunicação possíveis: rádios, tvs, jornais, revistas (incluindo os “comics” ou revistas em quadrinhos). E ainda a superpoderosa indústria do cinema, com o envolvimento dos magnatas da meca cinematográfica de Los Angeles com interesses geopolíticos de Washington, sendo criada o que ficou conhecida como a “Universidade de Hollywood”. Perfeitamente apta a interpretar fatos e criar versões convincentes. Se necessário, reinterpretar a própria História. Ações com a incrível propriedade de iludir mentes ingênuas e suscetíveis, de todos os quadrantes e origens.
Diante de tão formidável e bem articulado poderio no campo de Comunicação, tornou-se difícil, quase impossível, qualquer tipo de discurso contraditório. E foi a partir de tal conteúdo político/ ideológico do pós-guerra, norteador da Guerra Fria, que o Mundo foi submetido a um ataque insidioso da indústria de Publicidade & Propaganda, defendendo e divulgando valores, transcendentes em sua roupagem externa, mas cujo objetivo essencial era o domínio de territórios e países de interesse do novo Império. E claro, defendendo, por todo sempre, o Mercado e a Livre Iniciativa.
São múltiplos, incontáveis, os exemplos da aplicação dessa política neoimperial no Mundo. Nos mais longínquos rincões do Planeta.
Em meados do século 20, o império americano dispunha-se a lutar contra o Comunismo e pela implantação universal do seu conceito deDemocracia. E, no limiar do novo século, após o ataque às Torres Gêmeas, essa pauta foi ampliada para o combate ao “terrorismo islâmico”, ou “Eixo do Mal”, no qual os limites da guerra convencional foram deixados de lado, passando a valer ações “antiterroristas” que desrespeitariam os Direitos Humanos e regras elementares de combate definidos na Convenção de Genebra. Talvez fazendo valer, mais uma vez, os fundamentos do “Destino Manifesto”. O centro de torturas implantado na base de Guantánamo, até hoje em funcionamento, seria o mais perfeito corolário dessa constatação.

4. “Palimpsesto” é um termo pouco usual. De acordo com o dicionário Houaiss significa “o papiro ou o pergaminho cujo texto primitivo foi raspado para dar lugar a um outro”.
A lembrança do termo surge naturalmente, quando decorrido pouco mais de cem anos do início do período das grandes guerras do século 20, a humanidade continua a reescrever essa história. Cujo texto primitivo não esmaece. Por mais que se tente apagá-lo, raspando-o até à medula,seu conteúdo teima em voltar, se fazendo presente nos dias atuais. Os conflitos bélicos registrados no século passado, dividiram (talvez demaneira inconciliável) a Humanidade entre correntes políticas e ideológicas antagônicas.
Para os que imaginavam que a morte sem glória de Adolf Hitler, numa Alemanha que agonizava frente aos invasores russos, significou o fim do Nazismo, a História mostrou que este apenas hibernava. E gradualmente, reassumia o seu lugar no comportamento humano.
Manifestações de abusos, intolerância, desrespeito aos direitos humanos, quebra da ordem jurídica, tortura, atos de violência extrema contra populações indefesas, submissão do setor judiciário ao totalitarismo, ao “clamor das ruas” ou às pressões da mídia, extinção do estado democrático de direito. Enfim, o abandono consentido de práticas civilizatórias, veio a evidenciar que o Nazismo, redivivo, está sim presente nos mais diversos países. E que para assegurar o lucro, mesmo indevido e garantir os interesses ilegítimos de Estados e Nações, estaria permitida a prática de métodos persuasórios ilícitos ou da força militar explícita para a consecução de tais objetivos.
Caberia, portanto, à consciência crítica da Sociedade fazer a denúncia bem fundamentada de tais métodos e manipulações. Como o fez – de maneira serena e corajosa – o sociólogo Jessé Souza em “A Tolice da Inteligência Brasileira”. Demonstrando seu elevado grau de ousadia acadêmica, desde a escolha do título, o autor revisa conceitos estabelecidos por acadêmicos consagrados, ícones inquestionáveis da Sociologia brasileira. Submetendo-os ao escrutínio científico atual. Bem distante de uma iconoclastia oportunista e superficial, procura demonstrar possíveis vieses e equívocos de mestres do conhecimento sociológico. Num país em que estes reinam soberanos. Tranquilos, intocáveis, absolutos no pensamento acadêmico. Que nunca ousou criticá-los.
E o mais importante, denunciando, de maneira firme e inteligente, nos limites da ortodoxia acadêmica, a forma insidiosa de dominação exercida pelos impérios financeiros. Fazendo cidadãos adultos - crédulos e atilados- de países aparentemente livres e soberanos, assimilarem conceitos equivocados e manipuladores, que servem, tão somente, aos interesses escusos desses Impérios.
Este, talvez, o mérito maior do corajoso livro do sociólogo Jessé Souza: mostrar que o Brasil não é uma pátria assim tão distraída.
Ainda há vida inteligente na nação tupiniquim.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
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Frente Parlamentar de Incentivo ao Setor Produtivo Rural é lançada em audiência

Crédito da foto: João Gilberto

As dívidas dos produtores rurais do Rio Grande do Norte preocupam a classe política. Para debater ações e soluções, a Assembleia Legislativa criou, nesta segunda-feira (14), a Frente Parlamentar de Incentivo ao Setor Produtivo Rural, em audiência pública que contou com a participação de deputados estaduais, federais e senadores.

O foco é a última reunião do Conselho Monetário Nacional, prevista para acontecer na próxima quinta-feira (17), em Brasília, que guarda a esperança dos trabalhadores rurais, pequenos e médios produtores que obtiveram crédito junto ao Governo Federal e apresentam dificuldades para pagar o débito por causa da seca prolongada. É que a proposta para prorrogação das dívidas obtidas por esses homens pode ser apreciada nesse encontro.

“A Assembleia se coloca ao lado do setor produtivo e defende a prorrogação das dívidas para o homem do campo. Apesar de todo o esforço, sabemos que não é suficiente. Por isso, estamos lançando hoje a Frente Parlamentar de Incentivo ao Setor Produtivo Rural. Uma de nossas metas é intermediar o diálogo entre os produtores e instituições financeiras para a recuperação de crédito e regularização das dívidas permitindo novos créditos”, destacou o presidente da Assembleia Ezequiel Ferreira de Souza.

A Frente Parlamentar de Incentivo ao Setor Produtivo Rural é presidida pelo deputado Hermano Morais (PMDB) e tem como vice-presidente o deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), além dos deputados Gustavo Carvalho (PROS), Vivaldo Costa (PROS) e Getúlio Rego (DEM). Essa Frente terá por objetivo promover o debate permanente de proposições para a defesa, desenvolvimento e os desafios do setor produtivo rural do Rio Grande do Norte.

A audiência pública foi proposta pelo presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira e pelo deputado Hermano Morais e reuniu senadores, deputados federais, representantes e associações dos produtores e trabalhadores, de instituições financeiras, prefeitos e agentes envolvidos no processo.

Presente no encontro, o senador José Agripino (DEM), sugeriu uma atitude de força para resolver o problema dos homens do campo. “O governo só funciona na base da pressão. Se não houver a posição clara a respeito da prorrogação nessa reunião, a gente pode entrar na base da obstrução da pauta até que saia uma definição por parte do Governo Federal”, disse.

O coordenador da bancada federal potiguar, deputado Felipe Maia (DEM), concordou com o pedido de prorrogação da dívida, mas defendeu a criação de medidas definitivas. “Até quando as medidas serão paliativas? Não podemos todo fim de ano pedir a mesma coisa e perder o foco da solução definitiva. Vamos cobrar as obras edificantes para sanar o problema da seca”, destacou. O deputado federal Walter Alves (PMDB) enfatizou o momento de pressionar o Governo. “É hora de cada parlamentar fazer a sua parte. Temos que, mais uma vez, cobrar do Governo Federal, que não seja conivente e possa ajudar os pequenos produtores.

O presidente da Federação da Agricultura, José Vieira, destacou a necessidade de uma política agrícola diferenciada para a região nordeste. “Os produtores não estão procurando os bancos, porque não tem como pagar. Se não for resolvido essa questão, os produtores vão ser eliminados, vão perder todo o seu patrimônio em função das dívidas. A politica agrícola é igual em todo o Brasil e isso não é possível. Precisamos de uma politica diferenciada para o semiárido nordestino. As politicas devem ser adequadas à nossa realidade”, disse.

Os representantes das três principais instituições credoras, Banco do Nordeste, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, apresentaram discursos semelhantes. Todos compreendem a situação dos trabalhadores e produtores, mas citam que o papel cumprido por todas é determinado por lei. “Somos mero repassador de recursos. Administramos recursos de outras fontes que tem regras próprias e somos obrigados a seguir um rito muito fechado, que nos deixa poucas possibilidade de avançarmos”, explicou o superintendente do Banco do Nordeste no RN, José Mendes Batista. O representante do Bando do Brasil, Fernando Luiz, destacou que a uma opção de prorrogação de dívida já é oferecida pelo banco. “Não queremos prejudicar o agricultor”, disse.

O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) preferiu se pronunciar já no final da audiência pública e disse estar confiante na decisão do Conselho Monetário Nacional. “Temos que dar um plantão em Brasília para que o Conselho ofereça o respaldo legal aos bancos para que isso [prorrogação da dívida] possa acontecer”.

Política definitiva
A criação de uma política de convivência com a seca foi uma das sugestões levantadas durante o debate. O presidente Anorc, Antônio Teófilo, compartilha da mesma linha de raciocínio apresentada pelo deputado federal Felipe Maia. “Temos que ter uma política definitiva. Tem que existir algo automático. Toda seca que vem é a mesma coisa, nos vemos implorando ao Governo Federal para protelar uma dívida. É preciso sensibilidade”, disse.

O deputado estadual George Soares (PR) apresentou informações da Agência Nacional das Águas (ANA) sobre a reserva de água conhecida como Arenito Açu, que possui água de boa qualidade para consumo e sugeriu a perfuração de poços a fim de suprir a necessidade de água nos municípios que podem ser atendidos pela reserva. “É uma alternativa que está sob os nossos pés”, disse.

Serenatas gratuitas para os bairros de Natal. Mas muito cuidado com os "noiados" e bagunceiros.

A proposta é resgatar o espírito natalino nas comunidades

Foto por assessoria/divulgação
A magia do Natal vai se espalhar pelos quatro cantos da cidade. De quarta-feira (16) a sexta-feira (18), o Ônibus Encantado vai levar 62 integrantes do coral da ONG Atitude e Cooperação para uma série de apresentações por sete bairros da capital potiguar. O projeto “Ônibus Encantado”, que foi realizado pela primeira vez em dezembro de 2014, chega a sua segunda edição para promover o espírito festivo da data, levando música e alegria para as comunidades e reunindo crianças, jovens, adultos e idosos em uma confraternização genuinamente natalina.

Felipe Camarão, Nova Descoberta, Mirassol, Cidade Alta, Pajuçara 2, Conjunto Potengi, Lagoa Nova e Ponta Negra são os bairros contemplados. Praças, canteiros, palcos e até shoppings centers receberão o coral natalino regido pelo maestro Dary Souza, responsável pelo grupo. As apresentações vão acontecer sempre ao cair da noite, com a primeira parada a partir das 18h e última exibição sempre às 20h30.
O projeto de autoria do produtor cultural Claudio Mac Dowell, da produtora Arte e Inovação, é desenvolvido em parceria com a Green Point Produções e tem o patrocínio da Prefeitura do Natal, por meio da Lei Djalma Maranhão, e da Unimed Natal. “Participei de um evento semelhante há alguns anos em Brasília e achei que tinha tudo a ver com a nossa cidade, uma serenata natalina que vai até a comunidade. Com a renovação do patrocínio da Unimed Natal, conseguimos replicar o projeto este ano e deixar o Ônibus Encantado ainda mais bonito”, afirmou o responsável.

Em 2015, o Ônibus Encantado acontece exclusivamente com o coral da ONG Atitude e Cooperação, que aumentou o número de participantes de 35 para 62 integrantes, sendo 17 crianças e 45 jovens e adultos. O coral interpretará 10 músicas em cada parada e incluiu também instrumentos de percussão em sua apresentação.

A logística do projeto foi muito bem pensada pela Arte e Inovação e inclui, além da equipe da Green Point, segurança, brigadista, familiar responsável por cada criança, dois acompanhantes da ONG, a utilização de pulseiras de identificação, equipe de sonorização, distribuição de lanches para os coralistas e familiares acompanhantes e locomoção por meio de ônibus estilizado com muitas luzes e decoração natalina.
Filme

“O Ônibus Encantado”, filme do cineasta Carito Cavalcanti que relata o trajeto da edição 2014, foi lançado em fevereiro de 2015 e passou por diversos festivais de cinema durante o ano. O documentário de dez minutos apresenta a visão da cantora Valéria Oliveira, coordenadora musical do projeto, como expectadora da produção, tendo como narrativa as sensíveis impressões da artista sobre os participantes, a comunidade e o envolvimento de ambos. Nesta segunda edição, Carito também fará o registro do projeto que culminará em um novo documentário. O filme “O Ônibus Encantado” está disponível no link.
Confira abaixo a programação do Ônibus Encantado 2015:

Larissa Cavalcante
Assessora de Imprensa

©2015 www.AssessoRN.com | Jornalista Bosco Araújo - Twitter @AssessoRN

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
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Transmissão e licenciamento ambiental são desafios para o setor energético do RN

Crédito da foto: Eduardo Maia
 
Temas estão sendo debatidos na Assembleia durante o III Fórum Estadual de Energia

A necessidade de novas linhas de transmissão para distribuição da energia produzida no Rio Grande do Norte e a burocracia do licenciamento ambiental foram as principais preocupações externadas por autoridades e especialistas durante a programação de abertura do III Fórum Estadual de Energia do RN, que vem sendo promovido nesta segunda-feira (14) na Assembleia Legislativa para debater perspectivas e desafios do setor energético do Estado. O evento acontece em parceria entre o Legislativo Estadual, por meio das Comissões de Minas e Energia e de Meio Ambiente, e o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Propositor da atividade na Casa, o deputado Gustavo Fernandes (PMDB) destacou o potencial do Estado para a exploração das energias eólica e solar. “Temos a melhor matriz eólica do Brasil e também a maior capacidade instalada. A expectativa é que até 2018 a capacidade produtiva do RN chegue a 5 milhões de quilowatts”, afirmou o parlamentar que preside a Comissão de Minas e Energia.

O deputado disse que o Estado precisa de maiores investimentos na produção de energia solar por meio de incentivos fiscais para barateamento da instalação dos sistemas fotovoltaicos. “Assim, poderemos migrar gradativamente para uma fonte de energia limpa e com menor custo, contribuindo com a sustentabilidade”, avaliou Gustavo reforçando ainda a necessidade de ampliação das linhas de transmissão no interior potiguar “como forma de geração de emprego e renda para pequenas, médias e grandes propriedades”.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (Absolar), apresentadas durante o fórum, a instalação de sistemas fotovoltaicos cresceu 80% no primeiro semestre de 2015, passando de 350 para 650 instalações no Brasil. A expectativa do setor é que até o final do ano o segmento atinja um incremento de aproximadamente 300%. No Rio Grande do Norte a maior procura pelos sistemas é para uso no comércio e na indústria.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Flávio Azevedo, o maior desafio do setor energético no Estado são as linhas de transmissão. Segundo ele, a capacidade do Rio Grande do Norte está limitada e a questão compromete a economia estadual. “O nosso potencial energético fica reduzido. Se não podemos distribuir, de nada adianta produzir”, declarou.

Durante o discurso, Flávio Azevedo explicou que a concessão para construção de novas linhas de transmissão é feita através de leilões e que os investidores não têm demonstrado interesse em concorrer aos certames em razão dos prazos para construção dos sistemas previstos pelos termos do edital da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). “A pouca procura é reflexo das altas multas impostas caso não sejam cumpridos os prazos de construção, mas a verdade é que isso depende de fatores aleatórios, como o licenciamento ambiental. Os empresários não querem assumir essa responsabilidade”, disse ele atribuindo o entrave à rigorosidade de determinadas normas da legislação ambiental. “É a única ameaça que paira sobre a possibilidade do desenvolvimento socioeconômico do nosso Estado”, concluiu.

O diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean Paul Prates, citou a insegurança fundiária como outro fator de risco que contribui para a baixa concorrência de investidores durante os leilões de energia. Para ele, o Governo Federal precisa ajustar as regras dos editais dos certames “pois são fundamentais para a atração de investimentos”, observa. A preocupação com a situação também foi dividida pelo presidente da Federação das Indústrias (FIERN), Amaro Sales, que criticou a burocracia dos órgãos ambientais. “A questão do licenciamento ambiental gera insegurança jurídica e faz o Estado perder investimentos”, avalia.

Além das energias renováveis, o evento também debateu no período da manhã sobre as tradicionais fontes de energia. Durante o fórum, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Jorge Camargo falou sobre o marco regulatório e o panorama nacional e mundial da indústria do petróleo, em painel que abordou a revitalização e renovação da exploração e produção de petróleo e gás. A exposição do tema contou com a participação de Tuerte Amaral Rolim, gerente geral UO-RNCE Petrobras, David Paulino, gerente da Refinaria Potiguar Clara Camarão – Petrobras e Gutemberg Dias, presidente da Redepetro RN.

O deputado Souza Neto (PHS), que integra a Comissão de Minas e Energia da Assembleia, e o deputado George Soares (PR), representante da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Interior, também estiveram presentes no fórum, além do deputado Dison Lisboa (PSD).

O evento tem transmissão em tempo real através do site www.feern.com.br e segue até o final do dia com a seguinte programação:

- 14h00min às 15h30min: Energia Eólica: consolidar e avançar – liderança nacional e responsabilidades;
- 15h30min às 16h50min: Capacitação/Inovação: pesquisa, formação, tecnologia e novas fontes de energia e combustíveis;
- 16h50min às 17h10min: Palestra Especial;
- 17h10min às 18h: Energia Solar: a nova fronteira – competitividade e geração distribuída;
- 18h: Encerramento

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa


Ezequiel recebe presidente do Tribunal de Justiça do RN

Crédito da foto: Eduardo Maia
 
O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PMDB), recebeu nesta quinta-feira (10) uma visita de cortesia do presidente do Tribunal de Justiça (TJRN), Cláudio Santos. Dentre outros assuntos, o desembargador esteve na Casa para convidar os parlamentares para a solenidade de entrega das medalhas Valor Judiciário Seabra Fagundes e do Mérito Judiciário Amaro Cavalcanti, outorgadas pelo Pleno do TJRN.

“É com enorme satisfação que recebemos esse convite. É um gesto que demonstra e reforça a importância da harmonia entre os Poderes”, disse Ezequiel.

A entrega das medalhas do Tribunal de Justiça vai acontecer em 18 de dezembro, às 10h, no prédio sede do TJ. O governador Robinson Faria confirmou presença na sessão solene, que marca também o encerramento do ano judiciário.

O desembargador Virgílio Macedo Júnior e o secretário geral do TJ, Fernando Jales, também participaram da visita.

Valor Judiciário
O intuito da Medalha Valor Judiciário Seabra Fagundes – mais alta honraria do Poder Judiciário do RN - é homenagear as pessoas que se distinguiram de forma notável em sua respectiva área de atuação e que contribuíram para o engrandecimento da Magistratura Nacional ou do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Norte.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Novos relatos da Intentona de 1935

Publicação: 2015-12-04 00:00:00 | Comentários: 0 - Tribuna do Norte - Natal/Rn
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A programação que lembra os 80 anos do levante armado de 1935 contra o governo, em Natal, tem mais um evento neste sábado (05). O Sebo Vermelho vai lançar “O Comunismo e as Lutas Políticas do RN na Década de 30”, livro que reúne a série de reportagens do jornalista Luiz Gonzaga Cortez sobre os antecedentes, as ações e os personagens da Intentona Comunista.
DivulgaçãoMovimentos políticos da primeira metade do século XX são abordados em novo livro de Luiz Gonzaga CortezMovimentos políticos da primeira metade do século XX são abordados em novo livro de Luiz Gonzaga Cortez

A publicação original das reportagens foi no “O Poti”, a edição dominical do jornal Diário de Natal. Os jornais deixaram de circular há alguns anos e a homenagem de Luiz Gonzaga, no livro, é para “os companheiros e editores da redação”. Na época, algumas das informações levantadas nas pesquisas para as reportagens, causaram certa polêmica. Uma delas, foi a afirmação de que o soldado da PM Luiz Gonzaga, cultuado como herói da resistência aos revoltosos, nunca foi militar. A revelação consta da entrevista feita pelo jornalista com o aposentado Sizenando Filgueira, que era do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da rebelião.

“Ele não era herói nem militar na época. Ele apenas era um débil mental, menor de idade, e deram-lhe um fuzil para acompanhar os que fugiam do quartel em procura da Base Naval”, afirma Sizenando (pag. 91), para em seguida descrever como matou Gonzaga: “(...) olhava para a direita e vi quando ele estava procurando fazer pontaria para atirar. Antes que ele atirasse, eu atirei. Só dei um tiro e ele caiu”. Sizenando conta em detalhes como foi o ataque ao antigo “Quartel do Batalhão de Segurança” (a antiga Casa do Estudante, no Passo da Pátria), com nomes de outras testemunhas para a morte. Documentos oficiais da época também apontam para a versão contada por Sizenando.

O domínio dos revoltosos sobre Natal durou três dias – de 23 a 25 de novembro de 1935 – e a insurreição, que era mais contra o Estado Novo de Getúlio Vargas que uma tentativa de implantar um estado proletário, também ocorreu em Recife e Rio de Janeiro. Derrotados, os líderes foram presos – aqui, no interior do Estado – e a repressão política/policial que se instaurou atingiu a todos os opositores do governador Rafael Fernandes.

Polêmicas à parte, a pesquisa jornalística feita por Luiz Gonzaga Cortez para as reportagens se constitui em um material de estudo valioso para entender a história política do século XX no Rio Grande do Norte. Algumas das lideranças tidas como referenciais, ainda hoje, se formaram e atuaram naqueles episódios revoltosos e nem sempre claros das alianças, conspirações e interesses da década de 1930. Com essas reportagens, Luiz Gonzaga chegou a ganhar três prêmios “Elias Souto” (FJA – 1984/1986 e 1992) e um outro da Fenaj.

O lançamento, com a presença do autor, será a partir das 9h e deverá se estender até o meio dia. O Sebo Vermelho fica na avenida Rio Branco (Cidade Alta), quase esquina com a rua Coronel Cascudo. O preço do exemplar será de R4 30,00.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Assaltante faz arrastão em escola de dança no Tirol e leva carro de uma vizinha

  

2 de dezembro de 2015 22:15


Um assaltante com arma em punho fez um arrastão em uma escola de dança no bairro Tirol, por volta das 19h desta quarta-feira (2), em Natal. Segundo uma das vitimas, o bandido chegou a pé, sozinho, e anunciou o assalto, levando telefones celulares e outros objetos das pessoas que estavam no salão de dança e se preparavam para cantar os parabéns a um aniversariante do dia.


Ao sair fora na rua, o bandido assaltou um carro de uma moça que abara de sair do condomínio onde mora a poucos metros do prédio da escola que também funciona uma academia de esportes. O local é cercado de condomínios residenciais, na rua Monsenhor José Paulino, nas proximidades do shopping Midway.

©2015 www.AssessoRN.com | Jornalista Bosco Araújo - Twitter @AssessoRN


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/02/2015 07:45:00 PM
FUNPEC contrata obra para a sede do Instituto do Cérebro

(Sirleide Pereira – Ascom-reitoria/UFRN) Fotos: Wallacy Medeiros

A diretora geral da Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (FUNPEC), Tereza Neuma de Castro Dantas, e a diretoria técnica da Empresa Empreendimentos e Construção Civil Ltda (ECCL) celebraram contrato na tarde dessa terça-feira, no gabinete da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para a edificação da sede própria do Instituto do Cérebro (ICe).

O edifício do ICe será erguido em área de   m2, na vizinhança entre o Restaurante Universitário (RU) e a Superintendência de Infraestrutura (SIN) e custará cerca de 18 milhões de reais.

Escolhida por processo licitatório, a contrata ECCL se responsabilidade em entregar a obra no prazo de 2 anos, com direito a mais 90 dias, e deverá iniciar os trabalhos dentro de cinco dias a partir de hoje, data da assinatura do contrato, sob a fiscalização da SIN/UFRN.

Testemunharam o ato a reitora da UFRN, Angela Maria Paiva Cruz e o diretor do ICe, Sidarta Ribeiro, além de técnicos da FUNPEC, da universidade e empreiteira.

O Brasil tem de reviver como Nação



Adriano Benayon * - 01.12.2015

Ao longo da 1ª metade do Século XX, o Brasil fez notáveis progressos através da industrialização e do fortalecimento das instituições financeiras públicas. Também, na área social, com a decretação do salário mínimo (1930) e da legislação trabalhista (1932, consolidada em 1943). Economia e relações sociais são interdependentes.
2.  Entretanto, esses avanços -  interrompidos de 1946 a 1950, quando a  política do País se submeteu facilmente ao império angloamericano e à polarização ideológica da Guerra Fria – não foram suficientemente retomados e atualizados,  sequer com a volta de Getúlio Vargas à presidência da República em 1950, pelo voto direto do povo.
3. Isso porque, diante disso, a intervenção do poder mundial tornou-se maciça e sustentada por abundante corrupção, que penetrou em todos os campos estratégicos, com o objetivo de fazer abortar o surgimento de uma potência industrial no Hemisfério Sul.
4. Essa intervenção logrou derrubar o presidente e inaugurou uma era, que completou 61 anos, de sucessivas renúncias à autonomia econômica e política do Brasil.
5. A desnacionalização da indústria, política oficial desde janeiro de 1955, conduziu à desindustrialização e causou déficits externos, originadores da dívida externa e depois da dívida pública interna.
6. A política de destruição da Nação foi grandemente radicalizada por meio das três primeiras eleições diretas, sob a Constituição de 1988, regime de aparente democracia: a de Collor em 1989 e as duas de FHC,  1994 e 1998, que desencadearam verdadeiros tsunamis de entreguismo e institucionalizaram a devastação socioeconômica do País.
7. A corrupção, em todas suas acepções, já havia formado maioria folgada dos constituintes, para inserir na Lei Básica normas estratégicas contrárias aos interesses nacionais.
8. Os analistas viciados no engano de qualificar tudo sob o prisma ideológico esquerda/direita, definiram como “Centrão” os constituintes “centro-direita” favoráveis a essas normas, que poucos da “esquerda” combateram.
9. Nem um só parlamentar denunciou a aprovação do art. 164, nem a inserção no texto constitucional, por meio de fraude, de cláusula no inciso II, parágrafo 3º do art. 166, que elimina limites à aprovação de verbas para o serviço da dívida. O art. 164 põe o Tesouro Nacional à mercê dos bancos.
10. O peso do dinheiro concentrado e da mídia antibrasileira nas eleições continuou a eleger Congressos cada vez mais alheios aos interesses do País, a ponto de terem aprovado dezenas de emendas à Constituição, favoráveis aos concentradores financeiros estrangeiros e locais.
11. Ora, o processo de degradação econômica, política e cultural teve início nos anos 50, quando o Brasil não havia construído  infraestruturas econômica e social de país desenvolvido.
12. Pior:  a maioria das que se implantaram, após 1955, foi planejada em favor dos carteis transnacionais aqui instalados para obter lucros ilimitados da extração dos abundantes recursos naturais e do controle do mercado consumidor.
13.  A de transportes já era deficiente e não foi corrigida, ficando ainda mais lastimável, considerado o crescimento  econômico, ainda expressivo até o final dos anos 70, graças a estes fatores:    inércia da industrialização anterior;  crescimento demográfico; os fabulosos recursos naturais do País; haver, até então, recursos de monta para investimentos públicos, pois as finanças do Estado ainda estavam em processo de serem arruinadas pelo modelo dependente, causador das exações referentes ao serviço da dívida.
14. Como lembrou o professor de tecnologia Weber Figueiredo,  o presidente Vargas, em 1950, dada a insuficiência de trens em face da demanda de passageiros, mandara ampliar o sistema ferroviário. Havia 676 trens e transportavam-se mais de 500 mil passageiros/dia. Hoje  são 450 mil e pouco mais de 100 trens, muitos daquela longínqua época. Numerosas conexões no interior foram suprimidas em São  Paulo e outros Estados.
15. Os transportes no Brasil retratam a situação de um país ao qual foi negada permissão para desenvolver-se. Tudo serve aos carteis transnacionais do petróleo/indústria automotiva. Predominam as rodovias. Não há linhas de metrô que  atendam minimamente a demanda das regiões metropolitanas. As principais ferrovias são de natureza colonial:  transportam aos portos colossais quantidades de minérios: Belo Horizonte/Vitória; Carajás/Itaqui.
16. Onde  houve desenvolvimento, houve uso intenso das aquavias, como os cinco grandes lagos que ligam, nos EUA,   Meio Oeste, Costa Leste e Canadá. Inglaterra, França, Alemanha construíram densas malhas de rios navegáveis e canais. Em 1900, já tinham boas ferrovias e ainda as estendem e aperfeiçoam. A China constrói ótimas ferrovias e trens de alta velocidade em todo seu extenso e acidentado território.
17. As ferrovias para transportar matérias-primas minerais e agrárias remetem ao modelo econômico que não valoriza os recursos naturais do País nem os processa em indústrias de capital nacional, porque acabou com elas, ao entregar o mercado às transnacionais.
18. Esse modelo causa mega-catástrofes irreparáveis, como a do rompimento das barragens de dejetos das minas, em Mariana, MG, operadas pela Samarco, controlada pela transnacional anglo-australiana Billiton, com participação da Vale.
19. Dada a corrupção e a obtusa mentalidade entreguista, nenhum dos poderes - a nível federal, estadual e local - exige reais controles de segurança, nem se mostra inclinado a acabar com os intoleráveis abusos.  Chegam ao ridículo de participar de entrevistas midiáticas junto com executivos da transnacional transgressora.
20. O desastre econômico e ambiental remete, por sua vez, à privatização da portentosa Vale Rio Doce, em 1997, no esquema que entregou patrimônio de dezenas de trilhões de dólares, por 3 bilhões, “pagos” com títulos podres e compensados por créditos fiscais e outras benesses.
21. Da Serra de Carajás transportam-se diariamente 576 mil toneladas do melhor minério de ferro do mundo, com o que ela tende a acabar em 80 anos.
22. O saqueio mineral é subsidiado pela isenção tributária na exportação (Lei Kandir, LC 87, 13.09.1996, aplicável também ao agronegócio) e premiado por taxação ínfima na extração.
23. A CFEM (Compensação Financeira pela Extração Mineral) -  calculada sobre o líquido (a ETN arranja e superfatura despesas minimizar o faturamento  bruto) -  cobra estas alíquotas:  alumínio, manganês, sal-gema e potássio: 3%; ferro, fertilizantes e carvão: 2%; ouro: 1%; pedras preciosas,  carbonados e metais nobres: 0,2%. 
24. Foram extraídas, em 2013, das “nossas” minas de ferro 370 milhões de toneladas, 90% para exportação  e 10% para o mercado interno. Com a acelerada desindustrialização, a dependência do exterior continua crescendo, e, mesmo com preços em queda,  os minérios metalúrgicos respondem por 13% do valor total das exportações.
25.  Na agricultura o quadro é semelhante: 55%  das terras são usados para cultivar soja - metade da qual se destina à exportação - causando pauperização dos solos – e contaminação de aquíferos -  decorrente do intenso uso de fertilizantes químicos, sementes transgênicas e pesticidas altamente tóxicos.
26. As exportações agrárias somaram, em 2014,  US$ 96,7 bilhões = 43% das exportações totais do País, de US$ 225,1 bilhões, que equivalem a míseros 10% das exportações da  China!
27. O caos agrário liga-se à miséria da energia, via setor sucroalcooleiro, formado por enormes usinas e plantations, a maioria já desnacionalizada, a exportar açúcar e álcool (6,1% das exportações totais), segundo o interesse dos patrões transnacionais.
28. Esse esquema prevalece contra a correta ideia original do programa do álcool (1974), que incluía agricultura familiar, descentralização, culturas alimentares combinadas e aproveitamento de óleos vegetais - como dendê, macaúba, pinhão manso etc. -  para substituir o diesel do petróleo, além do erguimento da química do álcool e dos óleos vegetais.
29. Além de se fazer tudo errado no biodiesel, engodo para ocultar a mão pesada das transnacionais - governantes das poluidoras fontes fósseis -  as “alternativas” preferidas têm sido as dependentes de tecnologia e equipamentos importados, como a eólica.
30. Ainda sobre a infraestrutura de energia, não é de omitir a devastação em curso, desde Collor e FHC, a qual desnacionalizou o grosso da geração e distribuição da hidroeletricidade, e instituiu um sistema de precificação, impossível de entender, para propiciar indecentes lucros aos beneficiários, que já elevou as tarifas, em 150% acima da inflação.  No processo, sugaram-se as estatais, a ponto de pôr a Eletrobrás em situação falimentar.
* - Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo, Alemanha e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.