sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ciência

Deutsche Welle.

Astrônomos descobrem buraco negro gigantesco

Gigantesco buraco negro localizado no centro de uma galáxia distante provavelmente surgiu logo após o Big Bang e pode ajudar a entender a origem e expansão do universo.
O imenso buraco negro que os astrônomos recentemente descobriram tem uma massa enorme, 12 bilhões de vezes maior que o Sol. Esse número é inimaginável para a maioria das pessoas. Uma outra formulação possível: por causa de sua massa gigantesca, esse buraco suga tudo o que se aproxima dele.
Como uma aranha sentada na teia, o buraco negro fica – como, aliás, a maioria dos buracos negros – no centro de uma galáxia. E suga tudo à sua volta: gás, poeira, estrelas, e com isso fica sempre maior. Pouco antes de esse material desaparecer para sempre, num redemoinho gigante na garganta do buraco, ele incandesce devido ao calor extremo, gerando luz.
Essa incandescência é enorme no caso desse novo buraco negro. Cientistas dizem que ele ilumina 420 trilhões de vezes mais do que o Sol. Disso eles concluem que esse buraco negro deve ter surgido no período inicial do nosso universo.
Pelos cálculos deles, o buraco negro deve estar a 12,8 bilhões de anos-luz da Terra. Isso significa que a luz que hoje é visível já percorreu, na verdade, 12,8 bilhões de anos. O que hoje podemos ver desse buraco negro é a sua condição há 12,8 bilhões de anos, quando o nosso universo tinha "só" 900 milhões de anos de existência.
Buracos negros de elevada massa, extremamente luminoso e que remontam aos primórdios do universo são chamados pelos astrônomos de quasares. Esse novo quasar pode desvendar alguns segredos. Por exemplo, como era pouco depois do Big Bang, como o universo surgiu e como ele se expandiu ao longo de milhares de anos.
A equipe internacional de cientistas liderada por Xue-Bing Wu, da Universidade de Pequim, teve sua descoberta publicada pela revista científica Nature.

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Ciência

Álcool é 114 vezes mais letal que maconha, diz estudo

Em vez de focar na contagem de mortes, cientistas alemães comparam as doses mortais de cada substância com a quantidade consumida por uma pessoa comum. Na lista, cannabis é classificada como a droga mais segura.
Um estudo divulgado na publicação científica Scientific Reports, subsidiária da revista Nature, mostra que a maconha é 114 menos letal do que o álcool. A pesquisa procurou quantificar o risco de morte associado ao uso de várias substâncias tóxicas e descobriu que a maconha, proibida em tantos países é, de longe, a droga mais segura.
Em vez de focar na contagem de mortes, como em outras pesquisas, os autores do relatório compararam as doses letais de cada substância com a quantidade consumida por uma pessoa comum.
Os cientistas deixam claro que o uso de maconha "não é seguro", mas que estudos têm descoberto que o consumo da droga é "de fato mais seguro do que o do álcool".
Ao listar as drogas mais mortais, a maconha aparece no final da lista, enquanto álcool, heroína, cocaína e tabaco lideram. A maconha, inclusive, é a única que representa um risco de mortalidade baixo entre os usuários, apesar de não ser inexistente.
Os autores do estudo são os cientistas alemães Dirk W. Lachenmeier, de Karlsruhe, e Jürgen Rehm, de Dresden, mas atualmente diretor do Departamento de Pesquisa Epidemiológica e Social (SER) e do Centro de Dependência e Saúde Mental, em Toronto, no Canadá.
A pesquisa foi apoiada pela polícia do Colorado, o primeiro estado americano a legalizar a droga. Autoridades de segurança estadual comunicaram recentemente que durante o primeiro ano sob a nova legislação tudo transcorreu normalmente e que o trabalho policial ficou praticamente inalterado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Devolução do imposto de renda sobre o abono de permanência dos técnicos da UFRN será em abril

(Sirleide Pereira – ASCOM-reitoria/UFRN

O valor do imposto de renda cobrado sobre o abono de permanência dos cerca de 890 servidores técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será devolvido no contracheque de março, a ser pago em abril. A informação é da Diretoria de Administração de Pessoal da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (DAP-PROGESP/UFRN).

Os cálculos estão sendo feitos pelo Setor e, como se trata de índices individuais, a primeira devolução se restringe aos meses de janeiro e fevereiro de 2015. Em seguida, a Coordenadoria de Pagamento do DAP vai calcular os valores correspondentes aos meses de setembro a dezembro de 2014.

O abono de permanência é um incentivo financeiro pago pelo governo federal aos que atingiram o tempo de aposentadoria, mas continuam na ativa. O desconto de impostos sobre o valor é legal, mas os servidores da UFRN ganharam, na justiça, o direito de cessar o recolhimento e receber o que já foi pago à Receita Federal.
Anos de chumbo

"Nostalgia da Luz" mistura história e astronomia para falar sobre os desaparecidos políticos no Chile

Filme em cartaz na Capital a partir desta quinta é dirigido por Patricio Guzmán, documentarista autor de obras referenciais sobre a ditadura militar de Augusto Pinochet

por Roger Lerina - zerohora.
26/02/2015 | 06h31
"Nostalgia da Luz" mistura história e astronomia para falar sobre os desaparecidos políticos no Chile IMS/Divulgação
Foto: IMS / Divulgação
Definições estritas não dão conta de Nostalgia da Luz (2010): o filme que entra em cartaz nesta quinta-feira hoje no Espaço Itaú 3 convida o espectador a flanar de um tema a outro, surpreendendo ao propor analogias que acabam conduzindo a narrativa rumo a territórios inauditos. Longe de causar desconforto, porém, essa derivação é justamente o maior atrativo do longa dirigido por Patricio Guzmán — um dos mais importantes documentaristas em atividade no mundo, realizador do monumental A Batalha do Chile.
Chileno radicado na França, o cineasta ganhou no recente Festival de Berlim o troféu de melhor roteiro e o Prêmio do Júri Ecumênico com o documentário El Botón de Nácar. (A boa fase do cinema chileno, aliás, também foi premiada na Berlinale com o Grande Prêmio do Júri, o segundo em importância do festival, para El Club, de Pablo Larraín.)
Melhor documentário do European Film Awards de 2010, Nostalgia da Luzcomeça como se fosse um documentário científico de canal de TV a cabo, mostrando telescópios, observatórios astronômicos e estrelas. Já de partida, no entanto, a narração de Guzmán propõe caminhos paralelos ao acrescentar lembranças pessoais e comentários sobre o golpe que mergulhou o Chile nas trevas a partir de 1973.
Aos poucos, as conexões vão se esclarecendo: graças a características como a baixíssima umidade do ar, o deserto do Atacama é um dos melhores lugares do planeta para o acompanhamento dos astros no céu; o isolamento da região também serviu para os militares criarem um campo de prisioneiros durante a ditadura, aproveitando as instalações de uma mina de salitre abandonada.
O filme mostra que, ao lado de sofisticadas instalações que perscrutam galáxias em busca dos mistérios sobre a origem do universo, mulheres esquadrinham pacientemente a imensidão desértica atrás de pistas e fragmentos de ossos que possam indicar o paradeiro de maridos e parentes desaparecidos políticos, que podem estar enterrados em valas comuns.
Costurando depoimentos de astrônomos, arqueólogos e ex-prisioneiros do regime militar, Nostalgia da Luz liga os pontos: tanto o estudo dos corpos celestes quanto a busca pelos corpos dos entes queridos são maneiras de interrogar a memória e o passado — um anátema para muitos chilenos, que preferem deixar a história recente do país enterrada.
Com rara sensibilidade poética, Guzmán transcende o mero panfleto e adensa sua obra com questionamentos existenciais e metafísicos, sem nunca esquecer o contexto político-social.
Como os mais recentes documentários da cineasta belga Agnès Varda, Nostalgia da Luz é um filme-ensaio — um tipo híbrido de cinema que mistura investigação, autobiografia, poesia, documentário, divagação e até drama.
Falando à imprensa chilena sobre El Botón de Nácar, em que entrelaça o extermínio de indígenas no sul, os desaparecimentos políticos e a enorme extensão costeira de seu país, Guzmán forneceu uma chave de leitura também para Nostalgia da Luz: "Me interessa muito a geografia chilena e creio que se podem fazer metáforas por meio desses elementos. O que mais me interessa é a memória. Me interessa lutar contra a amnésia do Chile, o desejo de aparentar ser um grande país, o que também é, mas onde as diferenças sociais são enormes". 
Cinco filmes sobre a ditadura militar no Chile
No (2012)O diretor Pablo Larraín, encena o início do fim da ditadura de Augusto Pinochet, quando foi realizado um plebiscito para decidir pela continuidade ou não do regime militar
Rua Santa Fé (2007)
Carmen Castillo conta a história de seu marido, um líder sindical assassinado pelos militares, e destaca episódios da resistência popular sufocados pela repressão
Machuca (2004)
Andrés Wood destaca um menino pobre que vai estudar em escola de elite durante o governo Allende e testemunha as mudanças decorrentes do golpe que levou Pinochet ao poder
Desaparecido: Um Grande Mistério (1982)Mestre do cinema político, Costa-Gavras mostra a saga de um pai americano (Jack Lemmon) que busca pelo filho desaparecido  no 11 de Setembro chileno e descobre a participação da CIA no golpe
A Batalha do Chile (1975 – 1979)Aclamado projeto em três partes no qual Patricio Guzmán passa em revista o processo político e social que o Chile viveu nos momentos anteriores e posteriores ao golpe de 1973