sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Inglês criou a internet.

TECNOLOGIA

World Wide Web completa 25 anos

Criada pelo físico britânico Tim Berners-Lee para facilitar o trabalho de pesquisadores do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, a internet é utilizada atualmente por mais de 3 bilhões de pessoas.
Perto de Genebra, na Suíça, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) oferece oportunidades únicas de pesquisa para físicos de todo o mundo. Com imensos equipamentos instalados num túnel circular de 27 quilômetros de comprimento cavado a cem metros abaixo do solo, os cientistas aceleram partículas a um nível extremamente elevado de energia para, por meio de colisão, formar novas partículas nucleares.
Ciência nessas dimensões é tão cara que é necessária a cooperação de vários países. Cientistas visitantes realizam experimentos no Cern e, em seguida, retornam aos seus países a fim de avaliar os dados.
Tim Berners-Lee, um físico e cientista britânico de computação, foi recrutado na década de 80 para trazer ordem ao caos de diferentes sistemas de computadores, redes, sistemas operacionais e bancos de dados no Cern.
Tudo conectado
"As pessoas trouxeram seus dispositivos e seus hábitos. Em seguida, as equipes voltavam para casa e tinham que continuar trabalhando juntas, mas vivendo em diferentes fusos horários e falando línguas diferentes. Em toda essa diversidade o Cern era um microcosmo do resto do mundo", escreveu Berners-Lee em seu livro Weaving the Web (Tecendo a web, em tradução livre).
Berners-Lee colocou tudo sob o mesmo teto. "Em princípio, tudo já estava lá. Eu apenas juntei as peças", afirma o britânico, atualmente. Em 20 de dezembro de 1990, na Suíça, ele publicou a primeira página de internet do mundo: info.cern.ch. Neste link , há uma cópia do primeiro site.
Timothy Berners-Lee: "A internet deve ser um espaço universal"
A internet propriamente dita tem bem mais do que 20 anos. Já no início dos anos de 1960 foram estabelecidas as bases da atual rede mundial. Os militares americanos queriam criar uma rede de computadores para a transferência segura de dados.
A transmissão de dados deveria funcionar mesmo em caso de um ataque nuclear. O resultado foi chamado de Arpanet, uma rede que interligava somente alguns computadores.
Quase todo mundo usa a World Wide Web
Atualmente, páginas na internet – os sites – se tornaram algo óbvio. De acordo com a associação alemã das firmas de informação e comunicação Bitkom, cerca de 86% das empresas com mais de dez empregados possuem presença própria na internet. Por outro lado, apenas 43% das companhias com menos de dez trabalhadores estão representadas com páginas digitais.
"Em todo o mundo mais de três bilhões de pessoas usam a internet. Além disso, as pessoas estão cada vez mais abrindo suas próprias páginas pessoais", afirmou o CEO da Bitkom, Bernhard Rohleder.
De longe, o sufixo mais comum em endereços de páginas na internet é o ".com": o chamado domínio de nível superior está registrado 120 milhões de vezes. Numa comparação global, o domínio alemão (".de") ocupa a segunda posição com 16 milhões de páginas. Para aumentar o número de endereços atraentes e memoráveis, a entidade responsável ICANN aprovou no final de 2013 a abertura de mais domínios.
Atualmente, existem mais de mil terminações diferentes de endereços de internet – inclusive sufixos do tipo ".pizza", ".ninja" ou ".kiwi". Na Alemanha, os domínios regionais são particularmente populares. Assim sendo, existem cerca de 69 mil endereços ".berlin", quase 25 mil com ".köln", além de mais de 31 mil ".bayern" e cerca de 23 mil que terminam em ".hamburg".
O que começou com uma simples página criada por Berners-Lee, tornou-se uma gigantesca indústria. Somente na Alemanha, 80% dos cidadãos acima de 14 anos utilizam a World Wide Web. Até mesmo para uma grande parcela de pessoas mais idosas a internet é algo natural: 84% dos cidadãos alemães entre 50 e 65 anos e 37% das pessoas acima de 65 anos usam a internet.
"Não é obrigado a ler qualquer bobagem"
"Aquilo que eu fiz, qualquer um poderia ter feito", escreveu Berners-Lee em seu livro. "A ideia de lançar a World Wide Web foi como jogar um fósforo num celeiro cheio de palha. A web tem se espalhado porque muitas pessoas ajudaram vigorosamente para que ela fosse aceita."
Em 1994, Berners-Lee fundou o Consórcio World Wide Web (W3C) no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos EUA. Em muitas ocasiões, ele é perguntado se não estaria desapontado com o fato de a internet ter se tornado um produto tão comercial.
O físico, que recebeu o título nobiliárquico britânico de "Sir", afirma que não: "A internet deve ser um espaço universal – não se pode excluir nenhuma área. Muitos questionam se não estou desapontado com a quantidade de tolices que há na web. Mas ninguém é obrigado a ler tudo. A internet, em grande parte, é apenas um reflexo da vida". Fonte:dw.de

domingo, 20 de dezembro de 2015

BRASIL: PÁTRIA DISTRAÍDA?
Geniberto Paiva Campos / Brasília - dezembro,2015

Todos os dias indivíduos normalmente inteligentes e classes sociais inteiras são feitos de tolos para que a reprodução de privilégios injustos seja eternizada entre nós”. (Jessé Souza, “A tolice da Inteligência Brasileira” – Ed. Leya, 2015)

1. Há alguns anos, em um programa de TV, a atriz Kate Lyra criou um inusitado bordão, rapidamente assimilado e repetido pelos telespectadores: -“brasileiro é tão bonzinho!” No qual ressaltava a bondade e, sobretudo, a ingenuidade inata dos nossos patrícios.
Em livro recentemente publicado, o sociólogo Jessé Souza, atual presidente do IPEA, pesquisando as origens desse “jeitinho brasileiro”, relata, em sequência histórica, a participação de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Roberto da Matta, os quais,agregando ideias de Max Weber, teriam contribuído com respaldo teórico-acadêmico para a confirmação da tese: os brasileiros sãomalemolentes, sensuais, cordiais, decidem com o sentimento (e não com a razão). Portanto, fáceis de serem enganados, levados na conversa. Não gostam do seu país. E nutrem uma admiração profunda, perpétua, em relação Estados Unidos e ao seu povo. Aos quais atribuem qualidades e capacidades sobre-humanas, excepcionais, na esfera moral, pessoal, técnica e acadêmica. Seres muito próximos da perfeição.
Contornando, propositadamente, o núcleo de justificativas “acadêmico/científicas” da tese – muito bem explicitadas no livro do sociólogo Jessé Souza – apresentamos algumas contribuições a esse debate, defendendo a provável ocorrência de um viés “político/operacional” no caso.Produzindo manipulações grosseiras, no intuito de criar na população uma assimilação acrítica. Ingênua e tola, de conceitos políticos e ideológicos do interesse externo, contrários aos interesses do seu país. A nosso ver, um fator muito significativo. Que poderia contribuir para aexplicar a permanência de comportamentos sociais e políticos estranhos da elite e da classe média brasileiras (e da América Latina), habilmente manipuladas pela Publicidade & Propaganda, de origem interna e externa. Todas com o mesmo objetivo: fazer os seus habitantes perderem a esperança no futuro do seu país, reduzindo a próximo de zero o seu orgulho patriótico. Talvez possa ser atribuído um papel significativo a essa lavagem cerebral permanente (e competente) dessas agências de Publicidade & Propaganda na manutenção desse estado de inconsciência coletiva das populações, vítimas, infelizmente, dessas ações deletérias.

2. A partir da segunda metade do século 19, o Capitalismo assumiu características hegemônicas incontestes, enquanto sistema econômico,evoluindo nos anos seguintes para a esfera política, partindo em busca do controle direto e indireto do Estado e apoiando sutilmente governos favoráveis e/ou simpáticos ao sistema. O limiar do novo século mostrou que o Mundo, na defesa dos seus interesses, estaria disposto a se enfrentar em guerras totais. (Como afirmou Clausewitz, um reconhecido estadista da época: “a guerra é a política feita por outros meios”).
Na busca da hegemonia e da sua expansão, países europeus, os Estados Unidos e o Japão, se enfrentaram em duas Guerras Mundiais queeclodiram no século 20. Segundo argutos historiadores (Hobsbawm, E.J - 1977), a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais constituem a mesma guerra. E o que se seguiu, a cinzenta “Guerra Fria” seria apenas um corolário – ou consequência - das duas grandes guerras. Tais conflitos marcaram todo o século passado, e como esperado, mostram seus desdobramentos nos dias atuais.
Desses sérios enfrentamentos, um país, os Estados Unidos da América, saiu praticamente incólume em sua base territorial e em sua economia. O incremento das atividades da indústria bélica americana nos dois conflitos, colocou o país em uma situação de supremacia mundial no pós-guerra, nos planos econômico e político. E tornou-se a única e incontrastável potência nuclear mundial. Diferentemente da Europa, dilacerada, dividida e com a economia em frangalhos.
Após garantir a sua expansão territorial e conquistar áreas preciosas de terras (e do petróleo) do México, os norte-americanos confirmaram a tese do “destino manifesto”, um engenhoso e permanente mecanismo auto atribuído e auto aplicado ao país, o qual passou a justificar a apropriação de territórios e riquezas do interesse geopolítico ou econômico do governo americano.
Durante a Guerra Fria – para muitos estudiosos, ainda em plena vigência, (Moniz Bandeira. L.A, 2013) -  Washington assumiu o papel, tambémauto atribuído, de “gendarme da democracia mundial”, com o envolvimento direto e indireto em invasões territoriais, golpes de estado e levantes internos em diversos países. Sempre em nome da defesa da democracia, encobrindo interesses econômicos e geopolíticos ilegítimos e injustificáveis.
(Retomando um oportuno argumento do autor do livro, enfatizamos que não nos move nenhum tipo de sentimento antiamericano ao fazer tais constatações. Estas devem ser tomadas pelo que são: evidências históricas da formação e da evolução de um país, com inegável vocação hegemônica, implantando a ferro e fogo o seu peculiar conceito de “democracia”).

3. Simultaneamente ao desenrolar da II Guerra Mundial, ficou evidente para o governo americano, o imenso potencial da Indústria dePublicidade & Propaganda, uma arma “bélica” às vezes mais poderosa do que os canhões. Com essa arma era possível induzir comportamentos consumistas: Coca-Cola, ao invés de sucos naturais; fazer as mulheres adotarem o cigarro como expressão da sua liberdade. E, por que não? colocar “ideologias” disponíveis nas prateleiras dos supermercados.
A partir desse ponto, foi montada uma máquina de conquista de corações e mentes, de alcance mundial, dispondo de recursos financeiros inesgotáveis, utilizando todos os meios de comunicação possíveis: rádios, tvs, jornais, revistas (incluindo os “comics” ou revistas em quadrinhos). E ainda a superpoderosa indústria do cinema, com o envolvimento dos magnatas da meca cinematográfica de Los Angeles com interesses geopolíticos de Washington, sendo criada o que ficou conhecida como a “Universidade de Hollywood”. Perfeitamente apta a interpretar fatos e criar versões convincentes. Se necessário, reinterpretar a própria História. Ações com a incrível propriedade de iludir mentes ingênuas e suscetíveis, de todos os quadrantes e origens.
Diante de tão formidável e bem articulado poderio no campo de Comunicação, tornou-se difícil, quase impossível, qualquer tipo de discurso contraditório. E foi a partir de tal conteúdo político/ ideológico do pós-guerra, norteador da Guerra Fria, que o Mundo foi submetido a um ataque insidioso da indústria de Publicidade & Propaganda, defendendo e divulgando valores, transcendentes em sua roupagem externa, mas cujo objetivo essencial era o domínio de territórios e países de interesse do novo Império. E claro, defendendo, por todo sempre, o Mercado e a Livre Iniciativa.
São múltiplos, incontáveis, os exemplos da aplicação dessa política neoimperial no Mundo. Nos mais longínquos rincões do Planeta.
Em meados do século 20, o império americano dispunha-se a lutar contra o Comunismo e pela implantação universal do seu conceito deDemocracia. E, no limiar do novo século, após o ataque às Torres Gêmeas, essa pauta foi ampliada para o combate ao “terrorismo islâmico”, ou “Eixo do Mal”, no qual os limites da guerra convencional foram deixados de lado, passando a valer ações “antiterroristas” que desrespeitariam os Direitos Humanos e regras elementares de combate definidos na Convenção de Genebra. Talvez fazendo valer, mais uma vez, os fundamentos do “Destino Manifesto”. O centro de torturas implantado na base de Guantánamo, até hoje em funcionamento, seria o mais perfeito corolário dessa constatação.

4. “Palimpsesto” é um termo pouco usual. De acordo com o dicionário Houaiss significa “o papiro ou o pergaminho cujo texto primitivo foi raspado para dar lugar a um outro”.
A lembrança do termo surge naturalmente, quando decorrido pouco mais de cem anos do início do período das grandes guerras do século 20, a humanidade continua a reescrever essa história. Cujo texto primitivo não esmaece. Por mais que se tente apagá-lo, raspando-o até à medula,seu conteúdo teima em voltar, se fazendo presente nos dias atuais. Os conflitos bélicos registrados no século passado, dividiram (talvez demaneira inconciliável) a Humanidade entre correntes políticas e ideológicas antagônicas.
Para os que imaginavam que a morte sem glória de Adolf Hitler, numa Alemanha que agonizava frente aos invasores russos, significou o fim do Nazismo, a História mostrou que este apenas hibernava. E gradualmente, reassumia o seu lugar no comportamento humano.
Manifestações de abusos, intolerância, desrespeito aos direitos humanos, quebra da ordem jurídica, tortura, atos de violência extrema contra populações indefesas, submissão do setor judiciário ao totalitarismo, ao “clamor das ruas” ou às pressões da mídia, extinção do estado democrático de direito. Enfim, o abandono consentido de práticas civilizatórias, veio a evidenciar que o Nazismo, redivivo, está sim presente nos mais diversos países. E que para assegurar o lucro, mesmo indevido e garantir os interesses ilegítimos de Estados e Nações, estaria permitida a prática de métodos persuasórios ilícitos ou da força militar explícita para a consecução de tais objetivos.
Caberia, portanto, à consciência crítica da Sociedade fazer a denúncia bem fundamentada de tais métodos e manipulações. Como o fez – de maneira serena e corajosa – o sociólogo Jessé Souza em “A Tolice da Inteligência Brasileira”. Demonstrando seu elevado grau de ousadia acadêmica, desde a escolha do título, o autor revisa conceitos estabelecidos por acadêmicos consagrados, ícones inquestionáveis da Sociologia brasileira. Submetendo-os ao escrutínio científico atual. Bem distante de uma iconoclastia oportunista e superficial, procura demonstrar possíveis vieses e equívocos de mestres do conhecimento sociológico. Num país em que estes reinam soberanos. Tranquilos, intocáveis, absolutos no pensamento acadêmico. Que nunca ousou criticá-los.
E o mais importante, denunciando, de maneira firme e inteligente, nos limites da ortodoxia acadêmica, a forma insidiosa de dominação exercida pelos impérios financeiros. Fazendo cidadãos adultos - crédulos e atilados- de países aparentemente livres e soberanos, assimilarem conceitos equivocados e manipuladores, que servem, tão somente, aos interesses escusos desses Impérios.
Este, talvez, o mérito maior do corajoso livro do sociólogo Jessé Souza: mostrar que o Brasil não é uma pátria assim tão distraída.
Ainda há vida inteligente na nação tupiniquim.