quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sentimentos do mundo nas crônicas de Marcius Cortez

Ramon Ribeiro
Repórter


Para o publicitário e escritor Marcius Cortez, vir a Natal é sempre como voltar a casa do pai. Criado na capital potiguar, desde 1965 que ele vive por aí, dando um tempo num estado e outro – e até fora do Brasil. Mas uma coisa é certa, não importa a distância, o contato com sua terra de origem permanece forte. Um pouco dessa relação pode ser vista nas 51 crônicas que compõem seu mais novo livro “Presente de Natal”, cujo lançamento acontece nesta quinta-feira (17), a partir das 18h, no Clube de Rádioamadores (Tirol).
Ana SilvaMarcius Cortez diz que a publicidade lhe ensinou a objetividade. As crônicas trazem esse olhar rápido e envolvente do autorMarcius Cortez diz que a publicidade lhe ensinou a objetividade. As crônicas trazem esse olhar rápido e envolvente do autor

As crônicas presentes no livro foram produzidas de 2013 até 2016 – algumas publicadas nesta Tribuna do Norte. De tão recentes, algumas tratam de uma Natal inserida no contexto dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo. “O livro é uma mistura de sentimentos. Apesar de recentes, o forte das crônicas é afeto e memórias”, diz o autor em conversa ao VIVER. “É um livro sentimental”.

A capa de “Presente de Natal” é assinada pelo publicitário Kélio Rodrigues. A orelha foi escrita pelo amigo e poeta pernambucano Jomard Muniz de Britto, que diz de maneira nada convencional: “O leitor não se deve atrever em procurar nosso autor com o menor deslize narcisista. Seja narcisismo primário, lunático ou militante. Sua prática inaugura outra imagem convicção e destino. Sem medo de encarar a fé leiga, pulsante, arrebatadora. Redesenhando afetos sem afetação. Ainda nos estimulando com a esperança dificílima em tempo sombrio de transcapitalismos”.

O livro está dividido em quatro sessões. A primeira é voltada para reminiscências de família. Na segunda, o autor parte para um papo mais aberto com o leitor, falando de cultura, política, futebol. Na sessão seguinte ele abre ainda mais o leque de temas, para tratar de lugares da cidade e impressões de viagens. Na última parte do livro é quando o Marcius explora sua literatura de forma mais livre, beirando a ficção. Cada crônica encerra com uma dedicatória a alguém que de alguma forma foi importante para ele.

“A crônica é literatura rápida. Como costumo dizer, quando escrevo lembro daquelas pessoas que estão em um congestionamento”, diz o autor, 72 anos, publicitário aposentado que construiu a carreira em agências de São Paulo, cidade onde vive atualmente. “Aprendi muito com a publicidade. É uma forma de se comunicar de maneira envolvente e objetiva”.

Apesar de ver a Natal de hoje muito diferente do tempo em que era adolescente, seu sentimento, apesar de ora nostálgico, não é saudosista ou pessimista, mas esperançoso. “Vivemos atualmente tempos esquisitos. Mas não há como saber com precisão o que está acontecendo, para onde estamos indo”, comenta. “Acredito que a gente tem mais é que alimentar uma esperança lunática”, afirma.

Para ele, uma das marcas do natalense é a presença de espírito. “O natalense, ao contrário do paulistano, aproveita a vida com prazer.  O paulistano abre mão disso por causa do trabalho”, reflete. “Por outro lado, Natal não consegue ter a vida cultural de São Paulo”.

Cinéfilo, o autor também é estudioso da obra do cineasta Stanley Kubrick. No primeiro semestre de 2017 vai lançar pela editora Perspectiva “Stanley Kubrick – O Monstro de Coração Mole”. O livro é o resultado de oito anos de pesquisa sobre os treze longas dirigidos pelo americano. “Seus filmes não enjoam. Você assiste e sabe que verá de novo várias vezes”, diz. Para ele, sua obra preferida é “De Olhos Bem Fechados” (1999) - “Foi a fase final da carreira. Ele já estava mais amolecido. Fez um rico retrato psicanalisado da mulher”.

Depois do lançamento de “Presente de Natal” na capital potiguar, o escritor pretende lançar o livro em São Paulo. “Às vezes vou no jogo do ABC em São Paulo e vejo como tem potiguar por lá”. Depois, quando encontrar tempo, Marcius pensa em escrever sobre uma figura icônico do Brasil: o vira-lata. “É um tipo de cachorro resistente, inteligente, que sabe sobreviver nas ruas. É um animal tão misturado como a gente”, comenta.

Serviço
Lançamento de “Presente de Natal”, de Marcius Cortez
Dia 17 de novembro, às 18h
Clube de Rádio Amadores (Av. Rodrigues Alves, 1004, Petrópolis)

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