segunda-feira, 9 de maio de 2016

Nísia Floresta e seu cenário turístico


Foto:jzs/divulgação
O município de Nísia Floresta enche de orgulho os seus moradores pela sua história e ao mesmo tempo pelo belíssimo resgate cultural que possui. Está localizado na Região Litoral Agreste do Estado, a 43 quilômetros da capital, onde residem cerca de 23 mil pessoas. Situado também no Pólo Costa das Dunas que ainda compõem as praias de Búzios, Pirangi do Sul, Barra de Tabatinga, Barreta e Camurupim e as Lagoas  Boágua, Carnaúba, Carcará, Redonda, Bomfim e Ferreira, que fazem parte do cenário turístico do RN.
A municipalidade e sua vizinhança possuem verdadeiros tesouros como a  vegetação exuberante, numerosos lagos, população acolhedora e alimentação suculenta. Várias atrações como o “baobá”, uma árvore natural do continente africano e que virou um dos ícones de Nísia Floresta, mundialmente conhecido pelo livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Saint Exupéry. Ela possui 19 metros de altura, plantada em 1877 por Manuel de Moura Júnior e tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, no ano de 1965.
          
A gastronomia da cidade oferece o famoso camarão da região, prato predileto na culinária potiguar. No local, existem vários restaurantes especializados  em servir Camarão, fruto da pesca, que sempre foi farta dentro das suas lagoas e nas terras de boa qualidade para o plantio de várias lavouras. Essa riqueza natural serviu de impulso para o progresso econômico do povoado, que até os dias atuais se mantém baseado na agricultura, na pecuária, na pesca e na força turística de seu litoral.

O artesanato também faz parte da economia da região.  Na comunidade de Campo de Santana, localizada no município, há um grupo de mulheres que se dedica à técnica do labirinto, um mestiço entre o bordado e a renda, trazida pelos colonizadores portugueses e difundida pelo Nordeste brasileiro. São mercadorias que decoram toalhas de banquete, panos de bandeja, centros de mesa, palas de blusas e vestidos, entre outros usos.

Em Alcaçuz, no mesmo município, é uma das únicas comunidades do Rio Grande do Norte que preservam a técnica da renda de bilros ou renda de almofada. Utilizada no vestuário e em peças de guarnição da casa, a qualidade e a beleza dos padrões da renda potiguar fizeram com que, nas décadas de 1970 e 1980, essa produção tivesse grande aceitação no mercado consumidor. Esses produtos são vendidos atualmente tanto nas feiras municipais como na própria localidade pelas mulheres rendeiras.

Possui ainda o Mausoléu de Nísia, onde estão depositados os restos mortais da escritora Nísia Floresta. A cidade conta com uma bela estação de trem de estilo neoclássico, convertida em restaurante: "Estação Ferroviária de Papary". Ela foi construída pelos ingleses em 1881 e considerada Patrimônio histórico nacional em 1984.  O povoado começou com o nome de Vila de Papary, mas pelo Decreto-lei, em de 23 de dezembro de 1948, foi mudado para outra denominação em homenagem à sua mais ilustre filha, a escritora Nísia Floresta, que tinha como nome de batismo, Dionísia Gonçalves Pinto.

A literatura do Rio Grande do Norte passou a ter maior destaque devido a ela, que nasceu em Papary, mais precisamente no Sítio Floresta em 1810. Filha de uma das mais importantes famílias da região, Dionísia Gonçalves Pinto, entrou para história como uma escritora que teve coragem de pensar e defender suas idéias, consideradas revolucionárias pela sociedade conservadora da época. Ela entrou para o mundo literário com um pseudônimo que se tornou internacionalmente conhecido, o de Nísia Floresta Brasileira Augusta.

A escritora do pequeno vilarejo de Papary tornou-se famosa, sendo admirada por muitos e questionada por outros tantos. Era tida como extraordinária, notável, ao mesmo tempo em que era considerada mestiça e indecorosa. Ela após residir em diversos Estados brasileiros, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mudou-se para a Europa onde passou o resto de sua vida. Morreu em 1885, em Rouen, no interior da França. No Rio de janeiro, quando morou lá,  a dirigia um colégio para moças e escrevia livros para defender os direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Nísia Floresta foi uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos em jornais da chamada grande imprensa, com questões polemicas da época. Alguns de seus livros estão sendo reeditados e suas idéias voltam para nos lembrar um pouco da sofrida história das mulheres pelo reconhecimento de seus direitos e de sua capacidade intelectual.  A esta mulher o povo brasileiro deve as primeiras e mais importantes páginas dessa luta, pela coragem revelada em seus escritos e  pelo ineditismo e ousadia de suas idéias.

Os primeiros habitantes da região de Papary, conhecida desde 1607, foram os índios Tupis. O Nome Papary originou-se de uma lagoa de pesca abundante, existente no território, ao lado das lagoas Guaraíras e Papeba.
Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome do lugar  modificou para o Papary, com o qual foram denominadas a Lagoa e a Vila. Só através de um Decreto-lei, em 1948, que se transformou no município de Nísia Floresta.

Além das atividades agropecuárias tradicionais na região e do turismo, destaca-se na economia do município de Nísia Floresta o   crescimento da carcinocultura (cultivo de camarões), por tal motivo que ganhou o apelido de "a terra do camarão”. Na cidade se localiza, também,  Barra de Tabatinga, que ao entardecer é comum que a praia seja visitada por golfinhos nas proximidades do “Mirante dos Golfinhos”.


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/08/2016 11:03:00 AM